António Quadros, (O Movimento do Homem, 1963: p. 284)
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
do Movimento do Homem
António Quadros, (O Movimento do Homem, 1963: p. 284)
terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
Quadros e Bruno - A Ideia de Deus

"Tendo a coragem do pensamento e a audácia da linguagem importa isto dizer que Deus é omnisciente actualmente, mas não é omnipotente. Deus não é indiferente à nossa dor por isso a sua maldade possível não pode alucinar-nos. Ele não goza de uma plena felicidade egoista; também ele sofre, da diminuição do espírito puro e do mal da criatura, espírito alterado, ascendendo na sua convergência do regresso."
António Quadros, Uma Frescura de Asas, p. 123
sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
Livro de Fundo
Texto de Afonso Cautela publicado na «Inventário», página do jornal «A Planície» que sucedeu a «Ângulo das Letras», 15-6-1957.
Continuar a ler aqui.
quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Da Língua Portuguesa
António Telmo, "Da Língua Portuguesa", Espiral nº4/5, p.58
terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Da Filosofia Portuguesa
terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Viagem desconhecida
António Quadros, do poema A Outra Face, in «Viagem Desconhecida», p. 66.
quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
Sobre o grupo da Filosofia Portuguesa
quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
Carta de António Quadros a Eduardo Lourenço
Lisboa 24 de Setembro [de 1968]
segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
até que ponto o presente
a terra é a matriz
domingo, 11 de Outubro de 2009
Ciclo de simpósios sobre os teoremas do «57»
Livraria Fonte de Letras, Montemor-O-Novo
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Os diapositivos de António Quadros
http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2009/08/anotacoes-pessoais-23.html
terça-feira, 14 de Julho de 2009
14 de Julho de 1923
quinta-feira, 4 de Junho de 2009
António Quadros
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
A libertação do ensino
· Afonso Botelho, “O existencialismo e a libertação do ensino”, 57 – actualidade, filosofia, arte e ciência, literatura
quarta-feira, 27 de Maio de 2009
o pensamento filosófico
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Sobre o nosso sistema educativo
quarta-feira, 25 de Março de 2009
Filosofia
(...)
Só o pensamento criador e criacionista é verdadeiramente filosófico.
(...)
O pensador estrangeirado é afinal aquele que saiu de si para ser um outro que nunca poderá ser, a menos que por completo se desintegre do organismo cultural que é o seu de origem.
António Quadros, «A Filosofia Portuguesa - de Bruno à geração do 57»
quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
PRIMEIRO SIMPÓSIO SOBRE OS TEOREMAS DO «57»
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Teoremas do 57
Continuar a ler aqui
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
São Francisco de Assis, ontem e amanhã. No oitavo centenário do seu nascimento.
quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
domingo, 18 de Janeiro de 2009
António Quadros – Breve sinopse bio-bibliográfica
"António Gabriel Quadros Ferro, nasceu em Lisboa, em casa dos seus avós paternos na Rua dos Anjos, a 14 de Julho de 1923. Frequentou o Liceu Pedro Nunes e esteve, por influência do seu pai, matriculado na Faculdade de Direito de Lisboa. Viria no entanto a desistir do curso, para o qual dizia não estar vocacionado, para ser aluno na Faculdade de Letras no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, curso que viria a concluir em 1948 com uma dissertação sobre arquitectura portuguesa. Em 1947 já havia publicado «Modernos de Ontem e de Hoje», o seu primeiro livro. A sua obra poética chegaria nos dois anos seguintes com a publicação de duas colectâneas de versos, «Além da Noite», (1949), e «Viagem Desconhecida», (1950). Em 1946, começa, nos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa a sua actividade profissional. No ano seguinte casa com Paulina Roquette, e em 1952, nasce António, o primeiro dos seus três filhos. Mafalda nasceria em 1953 e Rita em 1955. Em 1953, junta-se à tertúlia que dois filósofos portuenses, discípulos de Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro e José Marinho, organizam na Brasileira do Rossio. Ali encontrou o que dizia não ter descoberto na faculdade: a filosofia viva e criadora, em verdadeira e visionária ebulição. Nessa altura já mantinha com Orlando Vitorino a revista Acto, e escrevia intensamente na imprensa, com especial destaque para as colaborações na página cultural do Diário de Notícias, na altura orientada por Natércia Freire. Neste período, é marcante a reflexão de António Quadros, Afonso Botelho e Orlando Vitorino, sobre a Universidade, tema já herdado dos seus mestres Álvaro Ribeiro e Delfim Santos. Em 1956 António Quadros, agita a Faculdade de Letras com a publicação de «A Angústia do nosso Tempo e a Crise da Universidade», onde escreveria sobre os métodos e a orientação pedagógica e cultural da Universidade.
Em 1958 ingressa no recém-criado Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, sucedendo a Branquinho da Fonseca, e onde viria a exercer funções por mais de 20 anos. Por iniciativa de António Quadros nasce o ‘movimento de cultura portuguesa' e com ele o jornal 57, (1957-1962) do qual foi director. Com o denominado grupo da filosofia portuguesa promove os colóquios O que é o ideal português (1961) e Criação Artística (1962). As respectivas conferências, sobre O ideal português na filosofia e A criação poética, contam com a participação de outros artistas e intelectuais, como Domingos Monteiro, Cunha Leão, António Duarte, Bernardo Santareno e António de Macedo. Em 1959 publica mais duas obras ensaísticas, «A existência literária» e «Crítica e Verdade». No ano seguinte revela-se o António Quadros pessoano, com a publicação de «Fernando Pessoa a Obra e o Homem». Nesse mesmo ano escreve o seu primeiro livro de contos, «Anjo Branco, Anjo Negro» e em 1963 publica o seu primeiro grande livro de Filosofia da História, «O movimento do Homem». No ano seguinte funda e dirige a revista de filosofia e cultura Espiral, da qual sairão 13 números, publicados entre 1964 e 1966. Em 1965 inicia a sua ligação ao Brasil e à Universidade de Brasília, onde, a convite de Agostinho da Silva, participa em diversas conferências sobre a filosofia e cultura portuguesa. Nesse ano edita o volume de contos «Histórias do Tempo de Deus», premiado com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa e o Prémio de Novelística da Casa da Imprensa. Em 1966 regressa à poesia com a publicação do volume de odes «Imitação do Homem» e um ano depois reúne ensaios literários e histórico-filosóficos no livro «O Espírito da Cultura Portuguesa». Funda em 1969 o IADE, passando a director-geral em 1971, cargo que manterá até ao agravamento da doença que o vitimou. Naquela escola, lecciona durante vários anos as disciplinas de História de Arte e Cultura Portuguesa e Deontologia da Comunicação, disciplina que também ensinaria na Universidade Católica Portuguesa. «Ficção e Espírito – Memórias Críticas», (“Um livro ensaístico, mas entrecortado de páginas memoralistas.”) é publicado em 1971. Dois anos depois publica «Pedro e o Mágico», contos para crianças, galardoado com o Prémio Nacional de Literatura Infantil desse ano. Nos anos seguintes publica, «Portugal entre ontem e amanhã» (1976) «A Arte de Continuar Português» (1978) dois volumes de «Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista» (1982/1983) galardoados com o Prémio de Ensaio do Município de Lisboa, prémio que viria a receber novamente no ano seguinte com um novo estudo sobre Fernando Pessoa, «Fernando Pessoa Vida Personalidade e Génio». Em 1986 e 1987 publica os dois volumes de «Portugal Razão e Mistério», considerado por muitos uma das suas melhores obras, que faziam parte de uma trilogia que nunca chegaria a completar. Em 1990, publica «Uma Frescura de Asas», um romance inspirado no últimos dias da existência de Sampaio Bruno, e que eram já, também, o prenuncio dos últimos de António Quadros. Em 1991 publica «Memórias das Origens, Saudades do Futuro», e no ano seguinte, já gravemente doente, a obra «Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa». António Quadros viria a morrer nesse mesmo ano, no dia 21 de Março de 1993, vítima de tumor cerebral.
Pensador, crítico, tradutor e professor, também poeta e ficcionista, António Quadros foi também fundador da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores, membro da comunidade científica da Universidade Católica Portuguesa, do Centro de Estudos de Pensamento Luso-Brasileiro (CELBRA), Membro-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Filosofia e co-fundador do Instituto Luso-Brasileiro de Filosofia, sediado em Lisboa. Traduziu Albert Camus, Jean Paul Sartre, entre outros. De referir ainda as inúmeras obras prefaciadas, organizadas e anotadas. Quadros foi praticante de vários géneros, do ensaio à poesia, da ficção à reportagem e crónica e recebeu diversos prémios pela sua actividade literária sendo condecorado com a Ordem Britânica da Rainha Vitória. Três dias depois do seu falecimento a Assembleia da República manifesta o seu pesar e nesse mesmo ano o Instituto de Filosofia Brasileira reúne um importante conjunto de estudos sobre a sua vida e obra com textos de Afonso Botelho, António Braz Teixeira, João Bigotte Chorão, Paulo Borges, Jorge Preto, Francisco Soares, entre outros.
Nos anos seguintes publicam-se diversos estudos sobre António Quadros: no dia 29 de Outubro de 1995 a Fundação Lusíada, organiza um colóquio sobre a vida e a obra do filósofo, com orações de Pinharanda Gomes, Orlando Vitorino, António Cândido Franco, Luís Furtado, Dalila Pereira da Costa, entre outros. Daqui resulta uma importante Sabatina de Estudos da obra de António Quadros e uma contribuição bibliográfica de enorme interesse. Já em 2007 o Centro de Filosofia da Universidade de Letras promove o projecto «A Questão de Deus» dividido em duas partes, “A Questão de Deus, História e Crítica” e a “Questão de Deus na História da Filosofia”. Romana Valente pinho apresenta o trabalho: Deus na tradição do pensamento português contemporâneo: a contribuição de António Quadros. A mesma autora, no 1º nº da Revista Nova Águia, 1º semestre de 2008 publica o trabalho: António Quadros Pátria Real e Pátria imaginária.
Finalmente em Janeiro de 2009, por iniciativa de Mafalda Ferro e com o apoio de familiares, amigos, filósofos, escritores e artistas, nasce a Fundação António Quadros Cultura e Pensamento, que hoje reúne grande parte do espólio do escritor e procura também contribuir para o estudo da sua vida e da sua obra."
quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Fundação António Quadros
Mais notícias em breve.
Esta fotografia foi tirada em casa de António Quadros em Novembro de 2007. Organizava-se o espólio para a Fundação. quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Fernando Pessoa
terça-feira, 11 de Novembro de 2008
Jornal de Letras 31.8,1988
segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
Dos Arquétipos do Ideal Português às Instâncias da Realização de Si
Publicou António Quadros em 1967, em O Espírito da Cultura Portuguesa, um ensaio onde, procurando formular o que seria o “ideal português”, na linha das preocupações da Renascença Portuguesa, enuncia “um grupo de dez palavras ou cifras, cujo sentido ideal e simbólico se desdobrou na nossa cultura em vários planos significativos, desde o literal ao simbólico, do poético ao artístico e mesmo ao filosófico”. Diz serem “arquétipos” [...] cuja conjugação desenha porventura [...] o ideal português” e que seriam tónicas profundas do “nosso modo de filosofar” ou “palavras-mães” “que nos soam tão familiares [...] que nem reparamos na originalidade das meditações que nos sugerem”. Ilustra-o com sintéticos mas fecundos desenvolvimentos da premência na história, na cultura e no pensamento português, bem como das sugestões filosóficas e universais, das palavras nesta ordem apresentadas: “Mar, Nau, Viagem, Descobrimento, Demanda, Oriente, Amor, Império, Saudade, Encoberto”.
I - Saudade
II - Oriente
III - Encoberto
IV - Demanda
V - Viagem
VI - Nau
VII - Mar
VIII - Descobrimento
IX - Amor
X - Império
Paulo Borges
quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
Pai, a noite (texto de Rita Ferro)
segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Nova Águia Nº 2 - 2º Semestre 2008
ANTÓNIO VIEIRA& o futuro da lusofonia
Inclui:
Texto de Adriano Moreira
O Território e o Mapa de João Teixeira da Motta (Com cartas de Agostinho da Silva, Cruzeiro Seixas, Dalila Pereira da Costa e António Quadros)
Inédito de Jean-Yves Leloup
http://www.zefiro.pt/
http://www.novaaguia.blogspot.com/
(Lista actualizada dos lançamentos da Nova Águia)
segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
A Vida dos Livros
segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Homenagem a António Quadros
ANTÓNIO QUADROS
O homem inteiro, rijo, de gestos elegantes,
Impecavelmente vestido, de voz franca,
Com uma presença de sabedoria e educação
Supremas, veio cumprimentar-nos, a nós,
Os petizes sem nome. A mão era forte,
Segura, fraterna. Um mestre, um sábio?
Mais que mestre e sábio: um cavaleiro
De Portugal, porque só os que demandam,
Os que conhecem o valor do sacrifício e
O caminho na noite trazem para os outros
Um coração fundo e palpitante nas mãos.
Depois cerraram-se cortinas, lajes, portas.
Não a memória, não o exemplo e o Graal.
Participaram neste desafio Mafalda Ferro, Maria Ana Ferro, Romana Valente Pinho , Cecília Melo e Castro, Klatuu Niktos e Ruela. sábado, 26 de Julho de 2008
Homenagem a António Quadros
"Foi na década de 80 que a convite de António Quadros, ingressei nesta Instituição – a que nos habituámos chamar de “Comunidade IADE” e que tão boas recordações mo trazem à lembrança, fazendo com que os seus princípios e o seu pensamento norteiem toda a minha postura nesta nossa “Casa”. Começo então por citar António Quadros, lendo um pequeno excerto do “Proémio” do seu livro “Memórias das Origens – Saudades do Futuro” para enquadrar o meu singelo depoimento sobre a importância que a sua visão do mundo, de Si mesmo e do Outro, representou e representa ainda, tanto para mim.
Assim, escreve:
“......A memória das origens é a recordação velada do princípio do ser, que é também o princípio do nosso ser. A pergunta sobre quem somos é inseparável da pergunta sobre de onde vimos.
Estas interrogações temos de nos fazer, como indivíduos-pessoas, como portugueses, como seres humanos, se desejamos ser mais do que entidades vegetativas, fruidoras da existência ou seus destroços, simples predadores ferozes ou tontas borboletas encadeadas pelas cintilações do próximo, do imediato, do que apenas interessa à superfície sensorial do nosso eu.
Quem somos? Que deve a nossa identidade aos nossos pais e avós? Como nos marcaram eles, na espiral genética e na herança moral e cultural? Até que ponto devemos ser-lhes fieis e a partir de onde podemos ou devemos resistir-lhes, afirmando a nossa liberdade?......” e mais à frente: “....Às perguntas sobre quem somos e de onde vimos acrescenta-se necessariamente uma terceira: para onde vamos.....” e ainda: “.......A saudade do futuro é uma paixão que animou toda a nossa história, como inspira toda a nossa cultura, fautora de acertos ou de erros, mas sempre omnipresente. O hoje é uma passagem evanescente entre um ontem que remonta às origens e um amanhã que é para nós mais, bem mais do que um mundo simplesmente melhor do que este, é um reino da primazia do espírito e dos seus valores, para o qual, consciente ou inconscientemente, trabalha tudo o que em cada um de nós é altruísta, dadivoso, generoso, visionário….”
Ora é então por aqui que eu pretendo construir este meu momento de reflexão, mais do que um simples depoimento, sobre o que me liga ao pensamento de António Quadros, atrevendo-me a citá-lo como acabei de o fazer, quando afinal falo sobre a minha produção artística que tão bem entendeu, acarinhou e incentivou.
Numa época em que se tornava muito difícil comunicar “Arte Electrónica”, então chamada de “Infopintura”, a um público consumidor em que as tintas, os pincéis e a tela, eram os instrumentos e suportes privilegiados da pintura clássica, António Quadros, tal como Stockausen afirma, “viu mais, ouviu mais e sentiu mais.” Apoiou desde a minha primeira exposição toda a minha criação artística, classificando-a de “inovadora e de um grande sentido estético”.
Afirmava que era pela esfera das emoções “como eu me propunha” que entendia a minha expressão plástica e poética, quando “olhava, sentindo” repetindo as minhas palavras, “os espaços imagéticos das minhas memórias” que, como eu afirmava, “teriam começado antes de existir, nas moradas seguras dos meus encantamentos.”
Num mundo cada vez mais global e massificante, verberativamente mais prosaico e em que os espaços comunicacionais se elevam como máquina destruidora da razão, fala-se muito hoje de afectos, de Inteligência Emocional, num paralelismo de resposta quase estigmatizante.
Sendo que a questão das emoções remonta mesmo a Aristóteles, passando por Cícero, Pascal, Nietzsche, Sartre, Platão e tantos outros cujas referências seriam aqui exaustivas, todos eles, de uma maneira ou de outra, me influenciaram nesta minha forma de ver e sentir o mundo e a minha relação com “o outro”. António Quadros com a sua enorme compreensão e teorização sobre a minha produção artística, só pode enriquecer a minha lista de “citados”. Concordava particularmente comigo, quando eu afirmava que se tratava de “uma nova forma de Comunicar, oferecendo um novo espectáculo do Olhar e uma nova maneira de Ver, porque de novas emoções se enchem os nossos Sentidos, quando se Ouve o poder imagético das nossas Memórias.
“Memórias das Origens – Saudades do Futuro”
David Hume (filósofo do século XVIII, no seu “Tratado da Natureza Humana” (1740), concebeu a comunicação ou “consumo” das obras de arte como regulado por dois princípios: a “Novidade” e a “Facilidade”. Só a novidade é capaz de estimular a criatividade e levar ao consumo ou desejo de posse. Mas só a facilidade permite que o consumidor frua, entenda e goze.
É pois necessário um equilíbrio entre a novidade e a facilidade, pois a novidade total é difícil de fruir e a facilidade é contrária à novidade.
Dir-se-á, pois, “a contrário sensu” que vivemos anos privilegiados para a prática de um novo conceito de Arte, aproveitando os meios tecnológicos ao nosso alcance, como meio de resistência à aculturação, a esse nada padronizado, que tende a suprimir o gesto e o risco da invenção do novo. É precisamente no sentido da apropriação dos meios operandis à escala ciberneto-global que penso ser hoje, o grande desafio à nossa própria capacidade de criação e fruição, propondo-nos um modo diferente de estar no mundo e na criação artística, usando os mesmos meios que outros usam para controlar as nossas vidas. (Um pequeno parêntesis para chamar a atenção para a nova guerra que começou esta noite).
Era este pensamento que partilhava com António Quadros e que o mesmo tanto estimulou, que me fez compreender que estava no caminho certo quanto às minhas opções estéticas, que ele próprio discutia com o Prof. Dr. Rui Mário Gonçalves, que à época me propôs ao prémio Unesco de Arte e Ciência.
Na sua afirmação:“......há no ser humano uma virtualidade de grandeza interior, uma capacidade de visão, de criação e de dádiva, que não podem ser ignoradas e de que dão testemunho os espíritos superiores que neste mundo viveram ou vivem e que também encontram expressão no próprio, inconfundível e levitante de cada paideia como projecção, que é, do devir civilizacional e civilizador de uma comunidade.....” não disse, mas atrevo-me a dizê-lo eu, esse ser humano de que fala, foi e é de facto, o próprio António Quadros.
Como ele mesmo escreveu, citando Teixeira de Pascoaes: “o futuro é o passado que amanhece”, eu acrescento:
“Amanhã, os cavalos serão aves com longas asas de marfim” mesmo que no reino da Utopia.
Para terminar, nada melhor do que um pequeno poema de Paulo Anes que de certo modo traduz a minha grande admiração por António Quadros e pela Instituição que fundou, o IADE!
Parto de Fé
Saio à procura
do que quer que seja
e o que quer que seja
onde quer que esteja
está sempre aqui.
Obrigada Dr. António Quadros por acreditar no meu trabalho académico e artístico! Farei o possível por não o desiludir!"
sexta-feira, 25 de Julho de 2008
Homenagem a António Quadros
António Gabriel de Quadros Ferro nasceu na cidade de Lisboa no dia 14 de Julho de 1923. Se fosse vivo faria 85 anos. Filho dos escritores António Ferro (1895-1956) e Fernanda de Castro (1900-1994), António Quadros licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dedicou-se, durante toda a sua vida, à filosofia, à literatura e à arte de uma forma geral. Por esse motivo, fundou, entre outras instituições, a Associação Portuguesa de Escritores e o Instituto de Arte, Decoração e Design (IADE). Na sua actividade profissional fundou e dirigiu alguns dos periódicos mais importantes do seu tempo, a saber, Acto, 57 e Espiral. Discípulo de Álvaro Ribeiro (1905-1981), foi um dos membros mais activos do grupo da Filosofia Portuguesa. Morreu no dia 21 de Março de 1993, com apenas 69 anos.
(adaptação livre de PINHO, Romana Valente, Deus na tradição do pensamento português contemporâneo: a contribuição de António Quadros, In: A Questão de Deus: História e Crítica)
Participaram neste desafio Mafalda Ferro, Maria Ana Ferro e Romana Valente Pinho
quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Homenagem a António Quadros
António Quadros se estivesse vivo faria 85 anos. O desafio é este: enviem-nos um pequeno texto, um poema, um verso ou apenas uma frase em sua memória. O segundo é da autoria de: Maria Ana Ferro (neta).
"Às vezes é preciso um esforço. Procuro não me prender às imagens de hoje que já não são iguais. Ele não era assim. Era como eu o via. Havia a cultura e as letras e os pensamentos, havia tanto que ainda está por descobrir. Havia uma mente para além do tempo e do espaço e à frente desse tempo e desse espaço. Ele era como eu o vejo. Para além dos feitos e dos ganhos e dos percursos e dos textos e das teses e do talento. Era tudo isso que era ser tão grande, mas era ainda maior quando sabia ser pequeno.
António Quadros, um grande pensador, um enorme homem, sabia tão bem ser pequeno, como nós.E travámos o carro por culpa da família de elefantes invísiveis, e recebemos de Natal uma casa de montar onde passámos meses a fio, e recebemos os miminhos vindos de outros países, os doces. E vimos dar na missa uma nota e ficámos impressionados, e rimo-nos com a água quente para regar o jardim e recebemos 50 centávos por cada duas favas que apanhássemos e jogámos futebol na praia, brincámos com os truques das mãos quando se finge ser capaz de cortar e voltar a colocar um dedo, perdemo-nos com os bonecos de movimentos perpétuos e as bonecas que vão da maior para a mais pequena e se encaixam umas nas outras e hoje sabemos que se chamam matrioshka's. E sentímos aquele cheiro todo a livros e questionámos a pulseira com as duas bolinhas que tinha no braço e achámo-lo por isso moderno e observámos o seu tique com os dedos de uma só mão que tocavam um no outro, o indicador e o polegar e o outro tique do pescoço e queríamos tanto comer dos seus aperitivos de queijo e questionámos o porquê de só comer marmelada, queijo e banana ao jantar e o porquê de guardar todos os seus remédios num cesto que era um galo... E a maneira de se sentar na cadeira na praia com as mãos em cima do joelho e um panamá azul claro e quando saltava a rede no court de ténis sem pestanejar e chateáva-se quando dúvidavamos que nos adorava e adormecia com um garfo na mão para acordar e ainda se lembrar do sonho e às vezes fingia ouvir-nos e estava a ser o outro homem que também era tão bom... Não é só disto que me lembro...Ele era um mágico. E é assim que ainda o vejo, como o homem que escreveu uma simples e incrível história para crianças. («O Pedro e o Mágico») A luz que há de ficar para sempre nas nossas vidas, mesmo que nunca nunca mais se veja um pirilampo. "
Homenagem a António Quadros
Adorava brinquedos de corda. Já eu era crescida e ainda ele descobria uns feirantes à beira da estrada que vendiam ursinhos aos saltos. Ficava tristíssimo porque queria comprá-los e não sabia para quem. No fundo, era ele quem lhes achava graça. Odiava livros de quadradinhos. Dizia que nos estragavam o português. Um dia queimou na lareira uns do Mandrake que uma amiga me tinha emprestado. Fartei-me de chorar e ele ficou aflitíssimo mas… a língua portuguesa era uma prioridade, lá em casa."
sexta-feira, 18 de Julho de 2008
"A estranha aventura de Sintra"
terça-feira, 15 de Julho de 2008
«Diário Popular», 26 de Janeiro de 1974
É com amizade, com simpatia e com apreço que, desde há anos, venho seguindo a sua actividade de intelectual e de escritor. Desde há quantos anos?! Lembro-me, como se fosse ontem, dos seus esforços por impulsionar e valorizar a vida cultural do Alentejo. Do seu combativo suplemento no jornal A Planície, de Moura. Da carta que um dia o grupo de jovens reunidos em sua volta enviou para o meu 57 -- jornal que se queria de pensamento activo e português. Da visita que certa tarde, perdido, lhe fiz na Aldeia de S. Luís, onde era professor e onde procurava uma espécie de ascetismo humilde no ensino de uma escola primária. Da sua passagem pelas Bibliotecas Itinerantes da Fundação, como encarregado.
Depois, a sua vinda para Lisboa, as suas actividades relacionadas com o cinema, as suas intervenções jornalísticas, as suas antologias, por exemplo: a antologia de Poesia Portuguesa do pós-Guerra ( 1945-1965) , organizada por si em colaboração com Serafim Ferreira para a Ulisseia. E, mais recentemente, a sua preocupação com o futuro da humanidade, o seu interesse por tudo quanto se relaciona com futurologia e prospectiva. A este respeito, até tivemos, há meses, um projecto comum, aliás gorado! Foi quando tive ocasião para conhecer a grande documentação que sobre o tema você possui.
Nada me admirou, por conseguinte, a orientação da colecção Dossier Zero, por si dirigido e organizado para a Arcádia e que acaba de publicar um livro antológico, arrepiante pela multiplicidade e extensão dos sinais que apresenta quanto ao porvir do planeta, e a que você deu o título pessimista de Os últimos Dias da Terra.
Nesta ordem de ideias, você organizou também para semanário de grande divulgação um inquérito acerca da situação do mundo e do homem daqui a 100 anos. Convidou-me a colaborar, eu disse-lhe que sim, mas o tempo passou e nada lhe dei, afinal o inquérito saiu sem a minha prometida colaboração e decerto não perdeu nada com isso!
Porque não respondi ao seu inquérito?
Porque, depois de muito moer e remoer a sua pergunta, cheguei à conclusão de que é totalmente impossível responder-lhe, pelo menos em termos racionais ou racionalistas!
Para onde vamos? Quem seremos?
Talvez que o astrólogo do seu bairro, meu caro Afonso Cautela, lhe dê uma resposta...
O Jean Viaud apresenta no número de Janeiro da revista Horoscope , a lista das predições feitas por ele nos últimos anos e que resultaram certas: desde a revolução na Hungria ao assassínio de Kennedy, desde o escândalo Watergate até ao novo conflito israelo-árabe e à crise do petróleo...
Seria tentador, por outro lado, fazer de profeta, como Jeremias ou Daniel, mas confesso que me sentiria bastante (?!) ridículo se o tentasse, a não ser que fosse um génio da prosa e do pensamento, como o padre António Vieira; a sua História de Futuro não rivaliza com os acertos fantásticos de Jean Viaud, mas é uma das mais magistrais peças especulativas e literárias que jamais se escreveram.
O engano do nosso grande Vieira não terá sido tanto o de afirmar e proclamar os nossos mitos, o do Quinto Império e o do Encoberto - até porque o mito é uma prodigiosa força capaz de impulsionar todo um povo para o futuro -, como o de os querer traduzir em termos muito concretos, muito históricos, muito positivos.
A mitogenia do Encoberto era demasiadamente grandiosa para caber na pele de D. João IV e o Quinto Império era sonho excessivo para o Portugal dos Braganças, mesmo senhor do Brasil, que mais tarde Guerra Junqueiro (um sebastianista desiludido e em processo de transferência do mito da sua expressão monárquica para a expressão republicana) cobriria de sarcasmos no poema A Pátria.
Os discípulos de Vieira, mais prudentes, aceitam também a profecia, mas não arriscam situá-la no espaço e no tempo.
Fernando Pessoa ainda aponta Sidónio Pais como o possível Encoberto ( Ode ao Presidente Rei Sidónio Pais) , mas na Mensagem já não se arrisca em apostas positivas. Agostinho da Silva faz depender o advento do Império (mais espiritual do que terrenal) de condições: sociais, morais, culturais...
Fora dos âmbitos da astrologia ou da revelação profética, meu caro Afonso Cautela, penso que nada é possível adiantar sobre o futuro. Fracassaram todas as tentativas de considerar a história como uma ciência, no sentido de lhe descobrir princípios inalteráveis e leis estáveis. O conhecimento do passado (sujeito a uma enorme margem de erro e às interpretações subjectivas ou ideológicas dos historiadores, aliás) pouco ou nada nos adianta acerca do conhecimento do futuro, porque a existência do homem em sociedade e os próprios homens na sua estrutura biopsicológica se encontram sob a influência de demasiados factores aleatórios, imprevisíveis, incontroláveis.
Já dizia Sampaio Bruno que «ninguém, à luz de toda a sociologia moderna, depois de ler todo Comte, todo Spencer, todo Gillings, todo este, todo aquele, pode escrever uma página, uma linha sequer desse volume inescrevível da história do futuro. Eu posso prever em astronomia , mas não posso prever em política. Sei a que horas, minutos e segundos há-de ser o eclipse do sol, mas não sei sequer se haverá eclipse do ministério..."
A futurologia e a prospectiva poderão predizer, por exemplo, índices de desenvolvimento ou de aumento de custo de vida, mas a curto prazo - e desde que as condições do presente não se alterem muito. Veja-se o que aconteceu com a crise do petróleo, que é um bom paradigma da impossibilidade de previsão histórica: os futurólogos que tinham calculado o desenvolvimento industrial europeu nos próximos anos ou que tinham marcado datas à unificação da Europa tiveram de baixar bandeira, porque tudo é agora completamente diferente. Até as ameaças, da poluição ou do esgotamento dos recursos energéticos, adquirem uma nova tonalidade. E que dizer das transformações sociais, políticas, morais, religiosas, económicas? Da balança de poderes? Da evolução da Rússia e da China? Da promoção ou estagnação dos povos africanos, agora que o mundo industrializado tem outras preocupações? Quem previu o fenómeno "hippy" e a fome de misticismo de muitos jovens divorciados da sociedade de consumo? Um sem-número de interrogações e de dúvidas!
Em última análise penso, muitas vezes, caro Afonso Cautela, que todos nós, há 5000 anos ou nos dias de hoje, no Tibete ou em Lisboa, tivemos e temos em frente de nós o mesmo inevitável apocalipse: o da nossa própria morte individual. E é a nossa única certeza histórica...
Quanto ao que será o mundo daqui a 100 anos nada poderei, pois, adiantar. Por certo que é fundamental tomarmos em linha de conta os avisos que você salutarmente vai reunindo no seu Dossier Zero. Tempos houve (nos fins do século XIX) em que a ideologia da ciência e do progresso acreditou num futuro risonho e cor-de-rosa; sabemos hoje que a ciência não tem em si o poder de conferir a felicidade aos homens e que, ao progresso das ciências, das técnicas e das indústrias não correspondeu idêntica evolução nos planos moral e espiritual, a pontos de nos vermos hoje numa situação de desorientação e de perplexidade gerais.
Mas, se não podemos ser muito optimistas, não tombemos, por outro lado, no absoluto pessimismo. Ao lado de motivos de desânimo, há também motivos de esperança.
O homem é e será sempre o homem; capaz do mal, mas também do bem; de matar e de salvar; de destruir e de construir. Há forças, poderes, factores aleatórios, correntes vitais e espirituais que nos ultrapassam e cuja direcção nos não é permitido perscrutar, a não ser por hipótese.
Perante o nebuloso futuro deverá importar-nos principalmente o exprimirmos e projectarmos os valores que poderão tornar melhores os dias do porvir: os valores da verdade e de amor, de liberdade e de justiça, de espiritualidade e de beleza, que teremos de assumir estóica e corajosamente nas nossas vidas particulares, antes de os expandirmos e divulgarmos, seja sob que orientação acharmos preferível.
E termino com mais uma esplêndida citação de Sampaio Bruno, esse pensador ainda tão mal conhecido dos próprios portugueses: " Tudo o que existe tem de passar, mas as gerações sucedem-se e é maravilhoso que, sendo tudo o mesmo, tudo é diverso."
António Quadros"
segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Instinto para amar, para durar,
A grande porta abrir-se-á um dia,
E tudo será noite, ou vida, ou luz..."
domingo, 6 de Julho de 2008
Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues.Eduardo Ribeiro Pereira.Eurico José Palheiros de Carvalho Figueiredo.Fernando Alberto Pereira Marques.Fernando Manuel Lúcio Marques da Costa.Guilherme Valdemar Pereira d'Oliveira Martins.Gustavo Rodrigues Pimenta.Helena de Melo Torres Marques.Jaime José Matos da Gama.João António Gomes Proença.João Eduardo Coelho Ferraz de Abreu.João Rui Gaspar de Almeida.Joaquim Américo Fialho Anastácio.Joaquim Dias da Silva Pinto.Joel Eduardo Neves Hasse Ferreira.Jorge Lacão Costa.José Alberto Rebelo dos Reis Lamego.José Barbosa Mota.José Eduardo Reis.José Ernesto Figueira dos Reis.José Manuel Lello Ribeiro de Almeida.José Manuel Oliveira Gameiro dos Santos.José Manuel Santos de Magalhães.José Paulo Martins Casaca.José Rodrigues Pereira dos Penedos.José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.Júlio da Piedade Nunes Henriques.Júlio Francisco Miranda Calha.Laurentino José Monteiro Castro Dias.Leonor Coutinho Pereira dos Santos.Luís Filipe Marques Amado.Luís Manuel Capoulas Santos.Manuel Alegre de Melo Duarte.Manuel António dos Santos.Maria Julieta Ferreira Baptista Sampaio.Maria Teresa Dória Santa Clara Gomes.Raúl d'Assunção Pimenta Rêgo.Rogério da Conceição Serafim Martins.Rui António Ferreira da Cunha.Rui do Nascimento Rabaça Vieira.Vítor Manuel Caio Roque.
Partido Comunista Português (PCP):
António Filipe Gaião Rodrigues.António Manuel dos Santos Murteira.Apolónia Maria Alberto Pereira Teixeira.Jerónimo Carvalho de Sousa.João António Gonçalves do Amaral.José Fernando Araújo Calçada.José Manuel Maia Nunes de Almeida.Lino António Marques de Carvalho.Luís Carlos Martins Peixoto.Maria Odete dos Santos.Octávio Augusto Teixeira.
Centro Democrático Social (CDS):
Adriano José Alves Moreira.António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier.José Luís Nogueira de Brito.Juvenal Alcides da Silva Costa.
Partido Ecologista Os Verdes (PEV):
André Valente Martins.15abel Maria de Almeida e Castro.
Partido da Solidariedade Nacional (PSN):
Manuel Sérgio Vieira e Cunha.
Deputados independentes:
Mário António Baptista Tomé.João Cerveira Corregedor da Fonseca.
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, o Sr. Secretário vai dar conta dos diplomas que deram entrada na Mesa.
O Sr. Secretário (João Salgado): - Sr. Presidente e Srs. Deputados: Deram entrada na Mesa, e foram admitidos, os seguintes diplomas: projecto de lei n.º 281/VI-Introduz alterações à Lei n.º 86/89, de 8 de Setembro (Lei do Tribunal de Contas) (PS), que baixou às 1.ª e 6.ª Comissões, e projecto de deliberação n.º 61/VI - Atribuição à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da competência para apreciação das questões respeitantes ao Regimento e mandatos (apresentado pelo Presidente da Assembleia da República).
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, o Sr. Secretário vai proceder à leitura dos votos n.º 71/VI e 72/VI- De posar pela morte do escritor António Quadros (apresentados, respectivamente, pelo PS e pelo CDS, PSD, PS e PCP).
O Sr. Secretário (João Salgado): - Sr. Presidente e Srs. Deputados: O voto n.º 71/VI é do seguinte teor.
O escritor António Quadros, figura destacada da corrente de pensamento denominada filosofia portuguesa, consagrou a sua vida e a sua obra a estudar e a pensar Portugal, a sua razão, o seu mistério, o seu destino.Espírito aberto e tolerante, foi um homem generoso que privilegiou o debate de ideias e mereceu o respeito de diferentes quadrantes da vida cultural portuguesa.A sua morte é uma perda de vulto para a nossa literatura e para a nossa cultura.A Assembleia da República manifesta o seu pesar pela morte do escritor António Quadros e apresenta condolências à sua família.
O voto n.º 72/VI é do seguinte teor.
António Quadros, falecido no passado dia 21, fica como uma referência forte na corrente da filosofia portuguesa, aliando na sua vastíssima obra a dedicação à investigação, na área da cultura, com a assumida missão pedagógica e a adesão a um conceito transcendente de portugalidade.A Assembleia da República manifesta o seu respeito e admiração pelo ilustre desaparecido e apresenta pêsames à família enlutada.
O Sr. Presidente: - Para se pronunciarem sobre os votos de pesar, inscreveram-se os Srs. Deputados Manuel Alegre, Rui Carp, Adriano Moreira, Manuel Sérgio, Octávio Teixeira e André Martins.Tem a palavra o Sr. Deputado Manuel Alegre.
O Sr. Manuel Alegre (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: António Quadros pensou, estudou, escreveu Portugal. Proeurou a sua razão, o seu mistério e o seu destino. «Para servir Portugal», dizia, «é preciso começar por pensar Portugal em simpatia com a grandeza, com o sofrimento e com a dinâmica criacionista, embora tantas vezes bloqueada, do seu povo».
segunda-feira, 16 de Junho de 2008
António Quadros in, A Angústia do nosso Tempo e a Crise da Universidade (1956)
segunda-feira, 9 de Junho de 2008
pergunta
_______________________(por Francisco Soares
"Na cela onde medito,
Erodindo-se a vida,
Recordo, e deixo escrito
O enigma da partida.
A própria situação
Em que me encontro agora
É de luz e prisão,
É de mágoa e de glória.
O respirar é brando
E revulsivo o olhar —
Ainda vislumbrando
Perigos sem lugar.
A terra que murmura
Abraçando os sinais
De uma noite escura,
Esfuma-se no cais...
Tudo se depura.
Sobe a voz ao vento
E trémula, insegura –
Na canção do tempo
O silêncio escoa –
A boca se esvazia
E — leve — a coroa
De espinhos caída.
O som de uma pluma,
Nem tanto, falava,
Arcaico, e nenhuma
Palavra se escutava.
Contemplo-me, calmo,
A respirar calado.
Ouço-me, sossegado:
Já não posso dar-me...
E, porém, a luz
Que diviso agora
Nem sequer reduz
A beleza da hora.
Vejo a longa sala
Com as almas dentro:
Ora ocas de gala,
Ora em pensamento...
E porém o peso
Que me fecha os olhos
Não o sinto ou penso:
Pára-nos, e foge-nos.
Cinzas do apagado
Fogo se atearam
E é só luz a chama
Do espírito no ar:
Já não anda cego
O navio, fica
Vazio; surpreso,
O enigma não
Se explica.
O lábio está preso
À porta fechada;
A cela onde rezo
Esfria, abandonada.
Mas quem é que fala
Commigo e, ao sê-lo,
Porque não me cala?
Porque vou sabê-lo?
...
Depois era o céu
Límpido do sul
Delido no seu
Infinito azul."
segunda-feira, 2 de Junho de 2008

domingo, 1 de Junho de 2008
quarta-feira, 21 de Maio de 2008
António Quadros, «A Existência Literária»
(...) Fazer arte é pois um acto de tremenda responsabilidade existencial. (...)
António Quadros
domingo, 18 de Maio de 2008
António Quadros, «Franco Atirador»
segunda-feira, 12 de Maio de 2008
António Quadros, «A angústia do nosso tempo e a crise da universidade»
sexta-feira, 9 de Maio de 2008
António Quadros, «Uma Frescura de Asas»
quinta-feira, 17 de Abril de 2008
O vento vem aí
O gesto é lento, os olhos sérios, quietos.
Antes como depois, morte e silêncio.
Que ficou desse instante satisfeito,
Cheio de um pensamento definido,
De um sonho a realizar-se, de um ideal?
O vento levou tudo, varreu tudo.
Murmurou por momentos um adeus,
- ou seria o lamento das folhagens?,
E logo foi varrer outros destinos...
Não é triste, poeta? Esta lágrima
É o movimento, o instante: tem-no a ele,
E a um cortejo de sombras, infinito.
Adeus, amigo, o vento vem aí..."
António Quadros, in «Viagem Desconhecida»
sexta-feira, 28 de Março de 2008
António Quadros, in «Ficção e Espírito»
sexta-feira, 14 de Março de 2008
Ode ao Anjo de Portugal
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.
Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.
Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,
o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.
Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.
António Quadros
sábado, 8 de Março de 2008
Calado, tranquilo, sem fazer ondas, seguia serenamente o seu caminho, sem sobressaltos, mas de maneira eficiente e segura. (in Ao Fim da Memória)
sexta-feira, 7 de Março de 2008
E na imaginação das crianças e dos adolescentes, no inconsciente dos adultos frustrados numa fixação à terra que lhes parece injusta e odiosa, a ideia da aventura, da viagem, do descobrimento palpita como uma promessa e como uma fascinação."
António Quadros
terça-feira, 4 de Março de 2008
quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
O leitor não deixará de ficar impressionado perante certas páginas em que a sátira é mais violenta, em que tamanha lucidez no delirio das palavras e das ideias. E, deixemos aqui a seguinte legenda: estamos em presença de um romance que, mais do que qualquer obra que tenhamos lido nos últimos anos, corrobora dolorosamente a necessidade urgente de uma profunda reforma educativa.
terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Foi um dos principais impulsionadores da geração do "57", impulsionado pelo magistério de Álvaro Ribeiro, e por isso fortemente empenhado na formulação de uma «filosofia portuguesa».É pois relevante a leitura do manifesto do grupo reunido em torno da revista 57, de que António Quadros foi director. Aí se indicam as chamadas «enfermidades» da cultura nacional, analisadas na base de um muito claro comprometimento com uma «filosofia da pátria». Como causas da referida doença nacional elegem a influência exagerada de correntes estrangeiras, com os seus vários «ismos», fossem elas o escolasticismo, o positivismo, o racionalismo ou o marxismo, embora com uma significativa excepção aberta para o caso do existencialismo.Esta excepção é relevante porque para António Quadros e de um modo geral para o «grupo da filosofia portuguesa», aqueles vários «ismos» impunham um universalismo sujeito à ideia de «mesmidade», esvaziando o heterogéneo em favor do homogéneo. Nesta base, a atenção dada por António Quadros ao existencialismo, para o qual fora sensibilizado pelo seu mestre Delfim Santos, na Faculdade de Letras de Lisboa, tinha menos a ver com o seu acolhimento e difusão em bloco, pois que recusa a ideia sartreana de uma moral sem Deus, do que com o que no existencialismo se abria como possibilidade de atenção ao concreto, ao homem concreto e singular, «esse desconhecido», levando-o a defender, em Introdução a uma Estética Existencial, que o conceito de existência se deveria assumir como primitiva categoria do ser.Daí que tanto o existencialismo como a «filosofia portuguesa» lhe parecessem meios privilegiados para conduzir ao florescimento da nossa raça. Como pano de fundo, vislumbra-se a questão das filosofias nacionais e o valor da filosofia portuguesa, portadora dos valores futuros, muito na linha de Álvaro Ribeiro, que em vez da relação hegeliana entre o ser e o não ser, preferia a relação mais aristotélica entre a potência e o acto, sendo a potência a categoria do possível, donde emergia a tentação do profetismo e do messianismo. Não que para António Quadros a verdade possuísse fronteiras, mas sim que a filosofia, por ser via e caminho, as teria certamente, não tanto físicas, mas sobretudo espirituais.António Quadros prosseguiu nesta linha de pensamento durante mais de três décadas, ligado ao que já alguns chamaram uma «patriosofia», desenvolvida em duas vertentes complementares: uma vertente estética, ligada à fenomenologia da arte portuguesa, com especial atenção ao que considerava ser a sua dimensão simbólica, como via de conhecimento indirecto do que de mais profundo e enigmático existe no homem, em linha prosseguida por Lima de Freitas e por Afonso Botelho (Introdução a uma Estética Existencial, 1954); e uma vertente orientada para a filosofia da história portuguesa, de feição escatológica, explorando as virtualidades do mito e da saudade como sua expressão sentimental (Introdução à Filosofia da História, 1982; Portugal Razão e Mistério, 1987; Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, 1982)Em ambos os casos, o que confere unidade à sua obra é o propósito de determinar uma razão de ser para Portugal, fundindo «memória de origens e saudade do futuro», um futuro que generosamente acreditava estar reservado ao advento do Espírito Santo, assumindo-se aí Portugal na sua teleológica razão de ser, agente principal de um projecto aureo de realização espiritual da humanidade (Portugal, Razão e Mistério).A abertura a estes domínios do simbólico em estética e do mitológico em história, participava também da recusa de um racionalismo estrito, defendendo antes uma razão que se não pode desligar da consideração dos diversos graus da experiência do ser, mesmo aqueles que se afiguravam anteriores à lógica e ao conceito, atendendo por isso ao lugar do mistério e do enigma.
É-nos difícil, hoje, termos uma noção exacta do que o Orpheu representou. Talvez que o mais fiel documento desse período seja o artigo de evocação que o fino e inteligente humorista que foi Augusto Cunha, amigo de Mário de Sá-Carneiro e cunhado de António Ferro, escreveu para a revista Atlântico, em introdução à sua página «Um serão paulista» (contemporânea aliás ao lançamento do paulismo). Vale a pena transcrever ao menos um excerto.
As mais audaciosas e estranhas produções, umas propositadamente excessivas na forma e no conceito, outras premeditadamente exageradas no seu destrambelhamento, preconcebidamente irritantes e ofensivas da rotina e dos cânones literários então correntes, nasceram desse movimento irreverente e iconoclástico que perturbou a tranquilidade até aí gozada na pacifica pacatez do nosso meio literário, irritou os críticos e provocou a indignação do grande público, habituado ao lirismo ingénuo e calmo e ao romantismo dos folhetins.
Com Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, constituíam os mais assíduos elementos do grupo: Luís de Montalvor, Pedro de Meneses, Almada Negreiros, José Pacheco e António Ferro, que foi o editor do «Orpheu», apesar dos seus 19 anos - idade em que legalmente o não podia ser.
Por vezes, no «Martinho», apareciam também Santa Rita Pintor, chegado havia pouco de Paris e de quem se contavam as mais estranhas blagues, as mais sensacionais boutades, os mais espirituosos ditos.
Já a sua figura, no meio apagado e morno do café, fazia sensação. O seu ar fúnebre emergindo do fato preto, a sua figura esguia e angulosa, o colarinho muito largo e direito, meio coberto por um laço também preto, o chapéu negro enterrado na cabeça rapada à navalha, o próprio galgo hierático, que o acompanhava e ficava em atitude submissa junto da mesa onde ele se concentrava a encher largas tiras de papel, davam-lhe um aspecto estranho, quase irreal, naquele ambiente banalíssimo e burguesmente pacato do café.
A ideia de uma revista literária de novos moldes e novos ritmos, no propósito de «formar, em grupo ou ideias, um número escolhido de revelações em pensamento ou arte», partira de Luís Montalvor e de Ronald de Carvalho que no Brasil tinham projectado criar uma publicação - «Orpheu» - destinada a provocar uma renovação do gosto e a reunir novos desejos e características de arte e de beleza.
O primeiro número da revista, em cuja introdução Montalvor explicava os propósitos e intenções de «Orpheu», foi, para o grande público, a ruidosa e sensacional revelação da nova escola literária.
O poema «Os Pauis», de Fernando Pessoa, dera ao movimento o nome de guerra: - o Paulismo.
Nas longas conversas de café, nas digressões nocturnas pelas ruas da Baixa, discutindo em voz alta por forma a despertar as atenções e a curiosidade intrigada da multidão, os componentes do grupo tinham criado uma série de novas formas e de audaciosas expressões, procurando todos, numa estranha competição, exceder-se a si próprios e a cada um, em exotismos, em extravagantes conceitos e opiniões, nas mais imprevistas e complexas frases deliberadamente destoantes da vulgaridade corrente e, quase todas, com o principal propósito de irritar.
António Quadros, F. P., Vida, Personalidade e Génio, pp. 78-79.
sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
navegador do visível e do invisível,
o homem perde ou acha a miragem...
quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
domingo, 9 de Dezembro de 2007
Cerimónia de inauguração da Rua António Quadros:
sábado, 15 de Dezembro de 2007 pelas 11h.
quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007


sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
João Ferreira 29 de novembro de 2007
Cidade bela e nobre de Portugal,
Numa rua que tem seu nome
Escritor António Quadros (1923-1993)
Silencioso
Majestático
Pronto para ensinar
Para moradores da rua e transeuntes
O que foi Portugal histórico, sua tradição
E modernidade cultural
Ele será patrono e titular deste espaço
Para ser lembrado como português exemplar que viveu intensa paixão de amor às letras pátrias
Como símbolo de luta pelas causas maiores portuguesas
Ficará ali como senhor de um reino de cultura que está arquivado no simples enunciado e lembrança de seu nome
Como senhor nobre
Que incessantemente buscou e espalhou pelos cantos do mundo o saber e a cultura
Desde os maiores mitos
Até aos vultos mais representativos da cultura Portuguesa do século XX
Será sempre lembrado como editor e divulgador de Fernando Pessoa e do modernismo português
Como pesquisador, e divulgador de Pascoaes e Agostinho da Silva
Como alto representante do movimento da Filosofia Portuguesa
Como fundador do movimento 57
E da revista Espiral
Como autor de muitos livros... A toda a hora, na Rua António Quadros Muita gente perguntará Querendo conhecer sua biografia
E outras tantas pessoas saberão responder
E glorificar
Este grande cidadão português
Saberão filiá-lo a António Ferro, seu pai
E a Fernanda de Castro, sua mãe
Dois titulares da Literatura e da cultura Portuguesa
E a uma nobre família culta
Onde há descendentes escritores
De nome nacional
E na história urbana de Cascais
A rua António Quadros
Ficará como um livro exposto
E à disposição para quem o quiser abrir
E exercer a cidadania da memória!
João Ferreira
Brasília, 29 de novembro de 2007
António Quadros morreu em 1993 e não em 1994, como a placa indica.
Erro já comunicado pela familia do escritor à Câmara Municipal de Cascais.
quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
david mourão-ferreira, sobre António Quadros
terça-feira, 27 de Novembro de 2007
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão,
não sei,
a própria face do enigma, como a esfinge,
não sei, que o tempo,
corruptor do símbolo e da pedra
altera ou finge
a palavra dita e silenciada.
Diogo-Pires-o-Moço te esculpiu,
o povo te esqueceu,
fecharam-te em Coimbra num museu,
porque esse que teu ser mediu
não do português uma clara existência quis fixar,
mas a perturbante essência libertar.
Escândalo o teu olhar de paz,
escândalo ontem e hoje a tua beleza intemporal,
escândalo o não pareceres Portugal
na aparência angélica que nos dás.
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir,
porque em nossa volta, descontentes,
só vemos sonhos frustrados,
seres dilacerados,
o campo de Alcácer Quibir
ainda e sempre,
orgulho e corrupção,
coragem e miséria,
as guitarras, a traição,
a pátria dividida,
a pressa, a inteligência transviada,
El-Rei Dom Sebastião,o seu fracasso, a sua ilusão,
a morrer ainda, devagar,
por esse país fora,
nas cidades, nas aldeias, nas montanhas,
a morrer de luxo e de pobreza,
de vaidade, de tristeza,
de curtas ambições,
de poder desregrado,
de habitual monotonia,
a morrer em almas indigentes,
em espíritos carecentesde alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
Mas altas, altas asas recolhidas,
a própria face do enigma, como a esfinge,
assim Diogo Pires te viu
e para o amanhã que é hoje te esculpiu…
Apostou na esperança, contra dúvida!
Apostou na confiança de que em breve
as grandes asas vão abrir-se porventura
e de que o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
apostou que o povo da aventura,
filho do mar,
pai da descoberta,
apostou que a nau fracta do ocidente
no tempo encontraria
a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
e com clara certeza realizaria,
cedo ou tarde,
depois de quedas e infernos,
depois de abjecções e cobardias,
depois de se ter cindido
e consumido
na inveja, no ódio, na baixeza,
na sujeição, na descrença, na incerteza,
no culto dos eventos positivos,
na negação da própria alma futurante,
cedo ou tarde criaria
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
o tempo que flui não é um grande cemitério
onde jaz sepultada toda a história.
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que restada gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.
Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.
AQ
quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
Reflexões sobre o Escritor
in, revista Espiral (1966)
quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Que foste grande no Mundo,
Abre as asas, abre as velas
Revela o teu ser profundo"
AQ
segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
António Quadros
quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
(…) ao estudar, o fim do aluno é hoje «passar o exame», «ter o diploma» - e nada mais. O seu objectivo é quase unicamente utilitarista. Pretende o diploma porque o diploma dá acesso a posições social e economicamente compensadoras. Daí a sua total obediência, para não dizer escravização, à ciência do professor, que pode ser falsa, incompleta, desactualizada, pervertida e burocratizada, mas que não constitui para o aluno mais do que «o obstáculo que é preciso transpor», sem análises nem afirmações de personalidade que estariam deslocadas. Por sua vez, o professor, uma vez instalado na sua posição liceal ou universitária, limita a sua acção ao ensino de um conjunto de conhecimentos especializados, sujeitando inteiramente o aluno, ou a uma preguiça que o impede de actualizar-se constantemente no seu ramo de saber, ou a uma incapacidade intelectual para transcender o «conhecimento do compêndio», ou à especifica direcção cultural do seu espírito (…) observa-se que, ao longo dos anos da sua aprendizagem, o aluno apenas estudou para os sucessivos exames com que pretenderam medir a sua memória e a sua inteligente maleabilidade às atitudes culturais e espirituais mais diversas; e que esta diversidade heteróclita, acumulada nos anos cruciais da sua evolução mental, o levaram a deter-se cepticamente à beira dos grandes problemas da existência, não os vivendo heroicamente, mas, pelo contrário, substituindo, em todas as ocasiões, a verdade pela utilidade e pelo interesse.(…) o aluno universitário sabe mais do que o liceal – mas não sabe melhor. Ao obter, finalmente, o seu diploma de curso superior, o licenciado olha para trás e lamenta o tempo que perdeu em todas as matérias que fogem à sua especialização. Essas matérias assemelham-se às peças de «puzzle»: mas nunca as conseguiu reunir e agora já é tarde. Não se lhe apresentaram como «necessárias», como harmoniosamente ligadas, como tendendo, com a lógica indestrutível dos acordes diferentes, mas unidos, de uma sinfonia, para um mesmo objectivo.Licenciado, pode vir a ser um bom especialista, um bom profissional. Como homem, porém, será o que os caprichos da sua existência extra-univertária dele fizeram: família, cultura literária, influência de formas artísticas, amigos, formação religiosa ou política…E como estes factores sociais sofrem da mesma crise, espelhando a errada formação escolar básica, o resultado é a vida, em todos os seus planos antropológicos, cosmológicos ou teológicos, se reduzir à vida de cada um; cada homem passa a considerar-se o princípio e o fim de todas as coisas, a razão do «ego» domina as outras, a existência é um campo de batalha, não entre o bem e o mal, mas entre o «eu» e os «outros».
António Quadros, «A Angústia do nosso tempo e a crise da universidade»
domingo, 14 de Outubro de 2007
António Quadros, in Introdução a uma Estética Existencial
quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
terça-feira, 9 de Outubro de 2007
Movem-se os outros
À tua volta
Falam, suspiram,
Pensam em ti.
Olham-te e choram
Lembrando os tempos
Em que brincavas
No teu jardim
A vida é curta,
Curta demais.
Foge a alegria,
Foge a tristeza,
E fica apenas
Um quarto escuro
Um corpo imóvel
E uma saudade.
Olhos fechados,
Olhos de pedra,
És uma coisa
Não és mais nada.
Nem mesmo um beijo
Eles te dão.
Nem uma carícia
Na tua face.
Caem as lágrimas
Mas é mentira.
Tu já não és,
Só eles são.
Fazem projectos
Pensam em si,
Sob a trizteza
Luz e ambição.
Há já desejo
No olhar daquele.
Há já ternura,
Na alma da mãe.
Vem a vaidade,
Surge a inveja,
Mas a alegria
Submerge tudo.
E eles já sonham
Com a luz do sol,
E eles já sonham
Voltar a rir.
A vida é curta
Curta demais.
Vamos viver
Que o tempo passa.
Vais a enterrar.
Mas há as flores.
Desces à campa
E as aves cantam.
Há uma angústia,
Mas é o medo
Mas é a piedade
Da nossa dor.
E a terra cobre
O ser que foste,
E uma oração
Sobe para os céus.
Salva-o Meu Deus,
Ele era bom...
Só nesse instante,
Foste chorado:
Logo a seguir
Há que viver.
Repousa em paz
Não fazes falta.
Passaram anos
E a tua imagem
Assiste à vida...
Numa moldura.
E a tua imagem
Já nem sequer
Inspira aos teus
Uma lembrança.
Serves apenas
Para enfeitar
Uma saleta.
Não tenhas pena,
Pois todos morrem,
Pois todos passam,
E a morte ri
A par da vida.
António Quadros, «Viagem Desconhecida»
quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
terça-feira, 11 de Setembro de 2007
criação e criador
quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
O arquétipo do homem português
Recorrendo à metáfora camoniana, assistimos nos últimos anos à vitória do Velho do Restelo sobre o Gama, o mesmo é dizer, da terra sobre a água e sobre os elementos aéreo e ígneo. (…) O que parece dominar hoje em Portugal é a face negativa, nocturna, decaída do arquétipo, do modelo ou da imagem sublimatória que o português já teve de si próprio e o levou a ousar rasgar os seus trilhos na superfície do mundo ou da vida. (…) Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem com os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, como portugueses.
António Quadros In, «Portugal, Razão e Mistério»
quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
Poética Contraditória
Deixa para trás a ciência e a consciência;
Tudo aquilo que em ti não for ausência
São ideais perdidos, ou submersos.
Abandona-te às vozes que não ouves,
E liberta os teus deuses nos teus dedos;
Não busques os sorrisos, mas os medos,
E o que não for ignoto e só, não louves.
Ser misterioso e triste, é ser poeta:
Mesmo a luz que palpita nos teus cantos.
É uma imagem heroica dos teus prantos.
Percorre o teu caminho até ao fundo,
E com os versos que achaste, aumenta o mundo.
Não sejas um escritor, mas um profeta.
António Quadros in, «Viagem Desconhecida»
quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
Eu não sei se o meu falecido avô paterno está vivo. Não tenho todavia em mim qualquer sinal da sua extinção. Pergunto por isso o que acontece ao nada quando não desaparece? O passado não sou eu mesmo – somente a saudade tomando conta desta ideia individual que guardo unicamente para mim, somente a saudade visível mas aparente ganhando espaço, crescendo comigo no meu movimento, a saudade no seu lugar recôndito, inerte, impassível, indiferente, em última análise, inexistente, sendo coisa nenhuma que alguém estupidamente transporta. A saudade que não tenho, que não quero e que não tive: uma coisa cega dos sentidos, ou do coração. A saudade não pensada, perdida, imaculadamente vivida, esmorecendo com o passar dos dias, ausentando-se com o extenuar da memória, extinguindo-se por completo no momento da nossa morte. A saudade que não existe e que ninguém merece. Por isso a saudade que sinto é em si fecunda, e exige ser gravada. Não a concebo separada da existência que a sofre. Não a entendo longe do pensamento que a imagina. Não a vejo, apesar de tudo, longe do espírito de quem verdadeiramente a sente. É por isso que a vida, como tantas vezes foi descrita, encontra-se na maioria das vezes sob algo maior. Há, em certa medida, uma morte antecipada, um silêncio surdo. Talvez a existência em certas ocasiões não exista em si mesma. Assim como a morte, a morte de alguém. Quantas pessoas conhecemos sem as conhecermos, ou quantas vidas achámos conhecer sem nunca as ter conhecido? Fica apenas uma imagem insegura de alguma coisa que apenas vimos passar. O luto é também ele menor e impassível. Por isso não acredito que o entendimento se interrompa assim. A aventura, a do conhecimento, seja ele qual for, deve perdurar. Deve seguir o seu movimento. Pulsando continuamente em nós, sem remissão. Repetindo-se e transformando-se connosco, numa relação contínua, por vezes dolorosa, mas que perdura, que vive, que verdadeiramente vive! Só no lugar onde a criação acontece, só nesse fulgor onde a verdade se encontra, só no silêncio dessa procura e espera, só no apelo dessa nossa solidão, só no nosso próprio medo, só no anseio da nossa interioridade, só na vontade de criar, de crer e de alcançar, só aí, só aí ascendemos e encontramos.
terça-feira, 14 de Agosto de 2007
o movimento
segunda-feira, 30 de Julho de 2007
O Mito Verdade ou Alienação
"(…) o mito é uma história exemplar e simbólica que, pelos actos dos seus protagonistas e pelo sentido do seu enredo, testemunha de uma antiquíssima experiência humana, mais profunda, de certo modo, do que a imagem cientifica, moderna e oficial das culturas; é a arca ou o arcano de uma indizível e longa revelação ôntica; é a codificada suma das intuições e de iluminações, de poemas e de filosofemas espontâneos ou aprendidos na vasta gama que vai das formas de cultura e aculturação à inspiração pessoal do transmissor ou do rapsodo; e é o que traz ao presente os segredos antigos e restantes de velhas civilizações e culturas, modificados embora por um percurso semântico difícil de seguir, de capitular e de sistematizar, mas que nem por isso deixa de ser ou deve deixar de ser para nós uma verdadeira «carta de prego», lançada remotamente ao mar do tempo por viajantes desconhecidos, nossos irmãos. José Marinho, um dos poucos filósofos que, depôs de Oliveira Martins, Sampaio Bruno e Aarão de Lacerda, meditou entre nós a essência do mito, escreveu pertinentemente que «todo o poeta verdadeiro, todo o artista autêntico é filómito, e é-o necessariamente. Não há arte sem imagem, e se a imagem meramente virtual não se insere no mundo próprio dos mitos, a imagem simbólica insere-se sempre no mundo mítico». E isto porque o mito corresponde a uma experiência originária que o poeta não pode encontrar no círculo limitado da sua visão pessoal ou da sua existência social."
in Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista
segunda-feira, 23 de Julho de 2007
«Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista»
"(…)Importa sublinhar, antes de mais nada, que o mito implica uma fundamental distinção entre o sagrado e o profano.O mito é uma imitatio dei, «uma imitação das desta divinas», na expressão de Mircea Eliade. Inserido no mundo profano, o homem não tem verdadeira realidade enquanto não consagra os momentos essenciais da sua existência ao mito que os fundamenta e sustenta. Diz ainda Mircea Eliade que «o homem sé se tornou um autêntico homem, conformando-se ao ensinamento dos mitos, quer dizer, imitando os deuses[1]». Há duas histórias: a sagrada e a humana, tal como há dois tempos: o mítico e o profano. Mas a história humana e o tempo profano só adquirem realidade quando subordinados à história sagrada e ao tempo mítico, que lhes conferem carácter de eternidade. Esse carácter de eternidade é precisamente o que o homem religioso procura para transcender a evanescência e a morte. Daí que o mito exija actualizações cíclicas: os ritos.É indispensável neste ponto distinguir entre «essência do mito» e a sua «estrutura dinâmica e teleonómica», sempre unidas e complementares quando se trata de um verdadeiro mito, isto é, de um mito com raiz no sagrado e no numinoso. Adiantamos que a mitologia marxista ou materialista, exprimindo embora por transferência psicológica, a forma mais exterior do essencial mítico, só se identifica, no entanto, em plenitude, com a sua teleonomia. A sua dialéctica não é mais, efectivamente, do que uma substituição semântica; trata-se de um dinamismo teleonómico, em que as teses e as antíteses correspondem exactamente ao jogo de protecções e de obstáculos que encontra o herói mitológico na sua aventura sagrada, até se atingir, necessariamente, o cenário idílico da vitória dos deuses sobre os titãs, da fundação cosmogónica, da paz sem história, que constitui o «happy end» dos contos de fadas.
[1] Mircea Eliade, «O Sagrado e o Profano (trad. Portuguesa), Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p.
sábado, 14 de Julho de 2007
O português quer viver, crescer e de um modo geral ser, mas afeiçoou-se a convicções negativistas, nomeadamente ao nível político e educativo, que o conduzem a um auto-envenenamento mental. É porque não acreditamos em nós próprios, no que somos e valemos, no nosso pensamento e na nossa cultura, que em vez de pensarmos a partir daí a renovação das nossas leis, das nossas instituições ou dos nossos sistemas, constantemente, em sucessivos remendos, nos limitamos a importar, a repetir, a copiar ou a adaptar, ao mesmo tempo que nos autocriticamos sem medida e nos negamos. Disse-o de uma forma lapidar Fernando Pessoa, num pequeno texto que por várias vezes tenho citado: «uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.» Daí que, acrescentou, « o primeiro passo para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal, é criarmos um estado de espírito de confiança – mais, de certeza, nessa regeneração.» Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem como os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, os portugueses. (…) devido ao cientismo e ao tecnicismos predominantes que o positivismo nos trouxe, sem o acompanhamento de uma educação do intelecto para o desenvolvimento das faculdades superiores do homem, o nosso ensino público dirige-se à mentalidade pueril, não logrando a elevação do intelecto passivo e adolescente até ao intelecto activo e adulto, o que explica a facilidade com que o estudante cai nas mais quiméricas, utópicas ou demagógicas ideologias, com pouca ou nenhuma capacidade de eleição ou de análise.(…).
Conferência proferida em 13 de Dezembro de 1983 subordinada ao tema geral “Que Cultura em Portugal no próximos 25 anos?"
14 de julho
António Quadros
"Só há em mim perguntas sem resposta:
Instinto para amar, para durar,
A grande porta abrir-se-á um dia,
E tudo será noite, ou vida, ou luz..."
segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Biblioteca António Quadros

A Biblioteca compreende actualmente cerca de 6000 títulos monográficos, cerca de 60 títulos de publicações periódicas, das quais de 15 são publicações estrangeiras.
sábado, 7 de Julho de 2007
Estamos debruçados sobre o papel branco, como sobre o espelho labiríntico da nossa alma enigmática. Escrevemos, pensamos, libertamos inteiros compartimentos fechados, e logo outros escondidos e logo aqueles, invisíveis, de que jamais suspeitáramos. Existiam realmente, esses universos que o pensamento nos cria, a partir às vezes de uma imagem, de uma palavra, de uma sombra? Sentimos que nunca mais acabaremos, até ao último dia, até ao último minuto, até à última inspiração, de nos aproximarmos, de abrirmos novas portas, de descobrirmos novos espaços. Visitámos em Creta, o labirinto de Cnossos, o palácio onde o signo do labris, o duplo machado sacrificial, foi desenhado em cada divisão acrescentada ao projecto primitivo. Assim, sabemos que um labirinto não é uma série cifrada de corredores, mas uma imensa habitação que se vai construindo através dos tempos, aumentada e remodelada de geração para geração, sendo cada compartimento absolutamente necessário e funcional. Enganam-se aqueles psicanalistas que julgam ter encontrado o mecanismo secreto, a fotomontagem das almas. Uma alma, quando é explorada, penetrada, analisada, quando, sobretudo, se assume como reveladora do cosmos e representante infinitamente complexa do infinitamente grande, amplia-se, cresce, vai formando, lenta e incansavelmente, um corpo invisível, dia a dia maior, dia a dia diferente. (…) Assim, o papel branco do escritor é como a superfície cutânea, na qual um abcesso de fixação vai drenando o curso evolutivo do seu pensamento. O importante é que o canal nunca se feche, entre a elaboração conceptual e a expressão exterior. O importante é que o labirinto nunca se dê por concluído, nunca degenere em sistema circular, nunca se circunscreva num muro, nunca feche a última porta.
António Quados, 'O Movimento do Homem'
quinta-feira, 5 de Julho de 2007
Dedico estas breves histórias a Mircea Eliade, o Mitólogo, que do claro-escuro nocturno do seu pequeno jardim de cascais levou a minha infância à visão do maravilhoso possível a W. Somerset Maugham, o Contista, que numa tarde perdida de Lisboa me revelou a profundeza da intuição que pode haver sob a máscara irónica de quem suporta e vence um destino social a Álvaro Ribeiro, o Filósofo, que naquele assasinado café romântico do Rossio, onde os espelhos barrocos reflectiam ao infinito a imagem dos seres, pouco a pouco me ensinou a pensar como se o pensamento não fosse um absoluto, mas sim o homem pleno e movente, finitamente em busca de si mesmo a Salvador Dali, o Pintor, que na baía irreal de Port-Lligat, onde vogam cisnes e barcas de pescadores, reencontrei igual a si mesmo, sério, ardente e espectacular, fazendo da arte, não um fim, mas um outro elemento de viagem, luta e visão. à Mulher Eterna, fonte da vida, que no desenho do espaço e no ritmo do tempo, inlassàvelmente e com beleza se no momento excepcional, ensaia uma transcendência e invoca uma reintegração que do Homem esperam a palavra retardada e conclusiva.
António Quadros, «Uma Frescura de Asas».
domingo, 1 de Julho de 2007
"(…) o retrato psicológico e psicográfico de Lisboa não ficaria completo sem um aprofundamento da arquitectura que, em Lisboa, mais perfeitamente assume a verdade portuguesa, a dimensão da natureza. Ela é como que o coroamento ou a culminância de uma vivência que, quanto a mim, está espelhada e espalhada em toda a cidade(...)"
Segundas - João Pereira Coutinho Terças - Fernando Ilharco Quartas - Viriato Soromenho MarquesSextas - Paulo Tunhas Sábados – António Quadros (António M. Ferro, Org.)
sexta-feira, 29 de Junho de 2007
segunda-feira, 25 de Junho de 2007
domingo, 24 de Junho de 2007
sábado, 23 de Junho de 2007
Mito e Utopia, «o movimento do homem»
(…) se ao mito se liga o sentimento da saudade, à utopia e à ucronia, liga-se o sentimento da angústia, que constitui a ontológica e sentimental pedra angular dos modernos sistemas metafísicos da Alemanha e da França. Compreende-se facilmente porquê: a saudade implicando a perda, a ausência, o desgarramento, todavia não exclui o desejo, a expectativa, a esperança, já que a margem de enigma e mistério do mito deixa à acção humana uma liberdade de decisão e iniciativa; correlativamente a angústia, emparedada entre o nada e o não ser, traduz o inelutável de um movimento todo exterior, que antecipou abusivamente o seu fim, que o acredita mentalmente já realizado e julga em consequência de estar à beira de um destino definitivo, de uma coisificação de determinado estado de consciência, que aparentemente é ou será «o melhor dos mundos», mas ao qual falta o que é acima de tudo essencial para o movimento humano.
sexta-feira, 22 de Junho de 2007
quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Poesia aflita, como um farol no denso nevoeiro?
Poesia angustiada, como a futura mãe?
Alegre o olhar, os meus dedos são mensageiros dos deuses
E cantam o que me sobra e eu não sei entender.
Alegre o coração, escapa-se de mim um fumo de dor,
E enquanto rio, sou também lágrimas e soluços.
O acordo é uma promessa do paraíso perdido mas não morto,
pois as suas portas choram por mim em mim.
o banquete infinito, antónio quadros
Segundas- João Pereira Coutinho
Terças - Fernando Ilharco
Quartas - Viriato Soromenho Marques
Quintas - Bragança de Miranda
Sextas - Paulo Tunhas
Sábados - António Quadros (org. António M. Ferro)



