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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Aviso


A brasileira Editora Deriva deu à estampa a obra «Os Justos», de Albert Camus, com tradução de Robson dos Santos. 

Aparentemente, uma nova tradução. Ora, depois de me ter chegado, através de Denise Bottman, a informação de que, na verdade, o texto publicado era a versão de António Quadros e não do dito tradutor, contactei a editora no sentido de lhes pedir um esclarecimento acerca desta possibilidade, no mínimo, surpreendente. 

Infelizmente confirmei aquilo que não queria, comparando, inclusive, as duas versões. A editora assumiu o erro, redigiu um comunicado com um pedido de desculpas aos leitores, tirou o livro do catálogo e comprometeu-se a retirar a obra de circulação.

A quem, ainda assim, agora ou depois, chegar às mãos o livro, na edição referida, queiram saber que o tradutor do texto foi e é António Quadros.

Os Justos.

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Essa semana recebemos o comunicado de um comprador da Deriva sobre um sério problema na nossa coleção de livros de teatro. Inclusive fomos denunciados de “pilhar” direitos autorais alheios. Hoje pela manhã recebemos uma mensagem de António Quadros Ferro neto do Sr. Antônio Quadros, real tradutor do texto os Justos de Albert Camus que estava creditado a outra pessoa.

Ficamos cientes do problema das traduções somente ontem no final do dia. Como a Deriva não tem fins lucrativos, e todos membros desenvolvem outras atividades, não conseguimos responder prontamente a reclamação do leitor.

Já retiramos os livros do catálogo e estamos recolhendo as poucas unidades que estão com livreiros independentes. Os projetos de livros chegam a nós de diversas maneiras, e por diferentes mãos, e realmente assumimos o erro de não haver conferido os dados técnicos dos livros referidos. (...)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Festas da terra


"Seria necessário, entretanto, acrescentar algo mais. Pois ainda não foi dito que a felicidade deve ser inseparável do otimismo, custe o que custar. Ela está ligada ao amor — o que não é a mesma coisa. Pois conheço certos momentos e lugares em que a felicidade pode parecer-nos tão amarga que preferimos apenas sua promessa. Isso porque, nesses momentos ou nesses lugares, eu não tinha coragem bastante para amar, isto é, para não renunciar. O que é preciso mencionar aqui é o ingresso do homem nas festas da terra e da beleza. Pois, nesse instante, tal como o neófito deixa cair seus derradeiros véus, o homem abre mão, diante de seu deus, da insignificante moeda de sua personalidade. (...)"

Albert Camus
"O Deserto" em Núpcias, O Verão
Editora Nova Fronteira (1979)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cujo significado nos escapa

"Camus pertenceu à geração dos que, perdida a antiga fé numa religião ou sequer na filosofia considerada como sistema capaz de explorar todo o paradoxal, todo o contraditório, todo o enigmático que a existência oferece, se encontraram subitamente num mundo absurdo, cujo significado lhes escapa. (...)"
António Quadros
Os Justos, Livros do Brasil (1960) de Albert Camus 
(do prefácio)

domingo, 9 de novembro de 2014

Pística de "pistia" ou da relação com o divino

"Se o sentimento religioso morre, fazendo desaparecer a via pística do conhecimento, se a razão abre falência, na crise do positivismo, do idealismo germânico e, de um modo geral, das conglomerações de ideias tendentes a eternizar e a universalizar os conceitos, o homem vê-se então perdido num universo onde tudo lhe é estranho e cuja linguagem não entende. (...)"

António Quadros (do prefácio)
Os Justos, Livros do Brasil, (1960)de Albert Camus  

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Hierarquia dos valores

"A única reforma subsistente será a reforma espiritual, que volte a colocar a Verdade no vértice da hierarquia dos valores. (...)"

Albert Camus 
Os Justos, Livros do Brasil, (1960) 
Tradução e Prefácio de António Quadros

domingo, 26 de outubro de 2014

Duas respostas

"A respeito de um mesmo assunto, não pensamos pela manhã da mesma forma que à noite. Mas onde está a verdade, no pensamento nocturno ou no espírito do meio-dia? Duas respostas, duas raças de homens. (...)" 

Albert Camus 
Maio de 1938  | Primeiros Cadernos

Insuportável e degradante

"A tagarelice - o que há de mais insuportável e degradante. (...)"
Albert Camus
25 de Outubro de 1937| Primeiros Cadernos

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Não por malícia


"O que ilumina o mundo e o torna suportável é o habitual sentimento que temos dos nossos laços com ele - e mais particularmente do que nos liga aos seres. As relações com os seres ajudam-nos sempre a continuar porque pressupõem desenvolvimentos, um futuro - e também porque vivemos como se a nossa única tarefa fosse precisamente o manter relações com os seres. Mas nos dias em que nos tornamos conscientes de que não é a nossa única tarefa, sobretudo nos dias em que compreendemos que só a nossa vontade conserva esses seres ligados a nós - deixem de escrever ou de falar, isolem-se e verão como eles fundem em vosso redor - verão como a maioria está na realidade de costas voltadas (não por malícia, mas por indiferença) e que o resto conserva sempre a possibilidade de se interessar por outra coisa; quando imaginamos desta forma tudo quanto entra de contingente, de jogo das circunstâncias, no que costuma chamar-se um amor ou uma amizade, então o mundo regressa à sua noite e nós a esse grande frio de que a ternura humana por um momento nos tinha afastado. (...)"

Albert Camus, Cadernos II
trad. António Quadros, Lisboa: Livros do Brasil, s/d

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Voltar atrás

"Mesmo do lugar dos réus, é sempre interessante ouvir falar de nós próprios. (...)"

Albert Camus
O Estrangeiro, trad. de António Quadros

domingo, 16 de março de 2014

Pensando bem, não era infeliz


"Você ainda é novo e creio que essa vida lhe agradaria. Disse que sim, mas que, no fundo, me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos as vidas se equivaliam e que a minha aqui, não me desagradava. Mostrou um ar descontente, disse que eu respondia sempre à margem das questões e que não tinha ambição, o que, para os negócios era desastroso. Voltei para o meu trabalho. Teria preferido não o descontentar, mas não vejo razão alguma para modificar a minha vida. Pensando bem, não era infeliz. Quando era estudante, alimentara muitas ambições desse género. Mas, quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância. (...)"
Albert Camus
O Estrangeiro, trad. de António Quadros

sábado, 23 de novembro de 2013

No coração


"No coração desta casa cheia de sonos, o queixume subiu lentamente, como uma flor nascida do silêncio. (...)"
Albert Camus
«O Estrangeiro» (s.d) Livros do Brasil, p.55
Trad. António Quadros

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Nos centenário de Albert Camus


"Figura de referência na Literatura do Século XX, Camus é autor de uma vasta obra que inclui, entre outras títulos, O Estrangeiro (adaptado ao cinema, em 1967, por Visconti), A Peste, O Homem Revoltado, O Mito de Sísifo, Os Justos, O Exílio e o Reino, A Queda e Cartas a um Amigo Alemão (com um desenho de capa por Lima de Freitas), todos editados pelos “Livros do Brasil”, muitos deles traduzidos em português (nomeadamente por António Quadros, Urbano Tavares Rodrigues, José Carlos Gonzalez e Virgínia Motta), sendo que alguns incluíam notáveis e pioneiros Prefácios ou Estudos originais no nosso País (especialmente no caso de António Quadros), versões, em tradução, das respectivas introduções às edições francesas (como a de Jean-Paul Sartre para O Estrangeiro, traduzida por Rogério Fernandes, a de Jean Sarochi para A Morte Feliz, e a de Paul Viallaneix para Cadernos II/Escritos de Juventude), ou outras sugestivas explanações (como a do posfácio de Liselotte Richter a O Mito de Sísifo). (...)"

Eduardo Ferraz da Rosa
Azores Digital, 8 de Novembro de 2013

(*De referir que os Cadernos foram co-traduzidos, cabendo a segunda parte, salvo erro ou omissão, a António Quadros)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Pensar


"Os antigos filósofos (naturalmente) pensavam muito mais do que liam. Eis porque se agarravam tão tenazmente ao concreto. A imprensa modificou as coisas. Lê-se mais do que se pensa. Não temos hoje filosofias mas apenas comentários. É o que diz [Étienne] Gilson ao afirmar que à idade dos filósofos que se ocupavam de filosofia sucedeu a idade dos professores de filosofia que se ocupam de filósofos. Há nesta atitude modéstia e impotência. (...) Chegou-se ao ponto em que um livro de filosofia que fosse hoje publicado e não se apoiasse em nenhuma autoridade, citação, comentários, etc., não seria tomado a sério. E no entanto..."

Albert Camus
Primeiros Cadernos
Livros do Brasil (s/d) 
[Nota prefacial de António Quadros]

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cadernos II


"A política e o destino dos homens são organizados por homens sem ideal e sem grandeza. Aqueles que têm uma grandeza neles próprios não se ocupam de política. Assim em todas as coisas. Mas trata-se de criar agora em si próprio um novo homem. Seria preciso que os homens de acção fossem também homens de ideal e poetas industriais. Trata-se de viver os próprios sonhos - de os pôr em movimento. Outrora, renunciávamos ou perdíamo-nos. É necessário não nos perdermos e não renunciarmos."


Albert Camus, em Cadernos II (Setembro de 1937/Abril de 1939)
Edição Livros do Brasil, tradução de António Quadros

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Camus


"Albert Camus impôs-se-me antes de mais nada como um dos poucos escritores sérios da nossa época. (...) Escritor sério porque, para ele, a literatura não era um jogo, um pretexto para afirmação pessoal, um meio de atingir a glória, uma actividade gratuita e sem responsabilidade no próprio destino do mundo ou ainda uma forma de enfeudamento às suspeitas forças de uma sociedade egolátrica ou desviada do seu mais fundo sentido criador."

António Quadros
do prefácio a Os Justos de Albert Camus
Lisboa, Livros do Brasil, 1960, p.129.