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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Não se educa com teorias

“Não existe, nem creio que alguma vez exista, uma forma exacta de educar, pois que a sociedade está constantemente a evoluir e a sua própria evolução implica a negação pela juventude da validade dos princípios educativos imposta pelos antecessores. Não existem educadores perfeitos, e quando há pretensos educadores perfeitos, os seus produtos são casos patológicos (...)".

“Cada um eduque com verdade e espontaneamente e que os educadores sejam personagens reais e não autómatos eruditos e sofisticados (…) 

Se a educação pode ser encarada como um fenómeno cultural que orienta o diálogo com o educando e os outros educadores, a ação educativa deve sempre basear-se na relação espontânea, afetiva e instintiva pois que quem educa são as personagens verdadeiras e não as figuras ideais. Não se educa com teorias mas com princípios e preconceitos adquiridos na experiência e no convívio familiar e comunitário, não sendo a educação uma matéria que se ensine, mas fundamentalmente uma atitude que reflete o confronto entre as vivências do educando que fomos com o educador que pretendemos ser (...)”.

João dos Santos

Quando uma relação humana se estabelece

“Só se educa quando uma relação humana se estabelece, se desenvolve e se confirma na intimidade de cada uma da crianças e adultos em presença (...)".

João dos Santos

Psicanálise e Ciência da Educação

"O maior interesse da Psicanálise para a Ciência da Educação funda-se sobre um enunciado que se tornou evidente, o de que não pode ser educador senão aquele que pode sentir do interior a vida psíquica infantil e quando nós, adultos, não compreendemos as crianças é porque deixámos de compreender a nossa própria infância (...)"

João dos Santos

Sabedoria

"O importante é trazer no coração a vida que nos sopram aqueles que tinham a sabedoria (...)"

João dos Santos

Se as escolas

“Se as escolas fossem oficinas onde a criatividade tivesse um papel primordial mesmo na aprendizagem da leitura e contas, as crianças trariam consigo e dentro de si mais objectos de amor para se protegerem da vida. (...)” 

 João dos Santos

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os problemas que a escola ignora


"Mas a escola tem uma vantagem preciosa: é de revelar, sem pudor, toda a estupidez dos chamados “métodos de ensino”. Mas é claro que isto volta-se depois contra as crianças, e a maior parte das vezes já sem remédio, porque abafa o que há nelas de mais inteligente, o que está mais ligado à criatividade, à fantasia, ao sonho, em nome do tal famoso aproveitamento de que falámos da ultima vez, e que ninguém sabe ao certo o que é, e para que serve. Não é possível servir o propósito do aproveitamento, e ao mesmo tempo respeitar o tempo interno de cada criança. Eu não acredito que possa haver aprendizagem, no sentido mais sério desse conceito, sem que o tempo interno de quem “aprende” seja verdadeiramente respeitado. A actividade simbólica, que é tão fundamental na vida mental de qualquer pessoa, e que deveria constituir o único objectivo essencial da escola, a meu ver, o desenvolver nas crianças essa capacidade, dessa actividade, ajudá-las a resolver através da física, da literatura, das “contas”, da geografia, do que quiser, ajudar a criança resolver, através de tudo isso, os problemas mais importantes que ocupam a sua vida interior, como no caso daquele menino que andava na lua, e que são, afinal, os únicos problemas importantes da vida, e que são meia dúzia, são aquela meia dúzia de sempre, que são os problemas da vida, da morte, do amor, do ciúme, da inveja, do ódio, da curiosidade, e que estão invariavelmente na origem de tudo quando se criou neste mundo até hoje, na origem de tudo quanto se fez em arte, em filosofia, em ciência, são esses problemas que a escola ignora ao reduzir tudo ao tal aproveitamento, como se a vida das crianças, a vida interior das crianças tivesse alguma coisa que ver com o aproveitamento. (...)"  

João dos Santos
Eu agora quero-me ir embora
Assírio & Alvim (1990)

terça-feira, 19 de junho de 2012

A actividade simbólica da criança

"A psicologia das pessoas é mais qualificável que quantificável. A inteligência, por exemplo, é qualitativa. Isto é um princípio que me parece fácil de deduzir (..) A inteligência que me interessa é a que aparece como uma qualidade, sentida por mim em termos de afecto e não de quantidade. Dito de outra forma: na orientação escolar, por exemplo, parece-me mais importante avaliar as funções do imaginário da criança, saber em que medida esse imaginário se liga ao concreto das experiências da escola e da vida.
Em conclusão, interessa-me mais apreciar a actividade simbólica da criança e a sua capacidade criativa, do que conhecer a sua capacidade quantificável, de aquisições teóricas."

João dos Santos
Em entrevista ao Diário de Notícias
(4-11-1984)

Ensino

João dos Santos
"Se Pascoaes pôde ultrapassar o fracasso do seu exame de português, quantos não baqueiam perante as dificuldades criadas por um sistema de ensino que se lhes não adapta?"

"Usam-se testes para determinar a memória, a atenção, a inteligência. Não se está em contacto directo com a criança. Há sempre uma barreira feita de preconceitos científicos acerca do que é a afectividade."

"O ensino não pode continuar a transformar o meio de apreciação dos resultados - que são a pontuação e a passagem de classe - no seu próprio objectivo!"

João dos Santos
(médico e psicanalista)

Reforma do ensino

"A reforma do ensino deve começar nas maternidades."

João dos Santos
(médico e psicanalista português)