Mostrar mensagens com a etiqueta Pinharanda Gomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pinharanda Gomes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Uma realidade conhecida e exercida pelo pensamento



"O problema principal do elenco de teses consiste na demonstração de que a filosofia é uma teoria de verdade, e não propriamente uma teoria do ser ou Ontologia, teoria essa que se erige perante uma realidade conhecida e exercida pelo pensamento, reconhecendo-se como o mundo sensível é real, mas a cujo íntimo só à filosofia, e não à ciência, é dado aceder."

Pinharanda Gomes
do Posfácio a
"As teses da Filosofia Portuguesa", de Orlando Vitorino
Guimarães (2015)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Cultura e Filosofia

“A cultura estabelecida parece minorar a filosofia. Ainda bem. Importa que a filosofia viva à margem. Dentro do 'establishment', a filosofia corre o risco de morrer asfixiada. Em derradeira instância, os filósofos precisam da filosofia, mas a filosofia passa muito bem sem os filósofos e, melhor ainda, sem os professores dela”. 
Pinharanda Gomes
Jornal Expresso, Janeiro de 2004
Via Grupo de Investigação de Pensamento Português (Universidade de Lisboa)

sábado, 29 de junho de 2013

Recordar António Quadros | Amanhã em Sesimbra

O evento, que assinala o 20.º aniversário da morte de António Quadros terá lugar na Casa do Bispo, amanhã, sábado, a partir das 10:30, prolongando-se até ao final da tarde.

Programa:

Às 10:30
 Leitura de um depoimento de António Quadros Ferro
 Luís Paixão – “O livro Introdução a uma estética existencial, de António Quadros”
 Samuel Dimas – “António Quadros e Sampaio Bruno”
 Helder Cortes – “António Quadros e Fernando Pessoa”

Intervalo para almoço 

 Às 15:00 António Carlos Carvalho – “Deus e os Homens – Interrogação à História”
 José Almeida – «Valete Frates!»: Da Ordem do Templo à Ordem de Cristo
 Renato Epifânio – “A ideia de Pátria em António Quadros”
 Rui Lopo – “António Quadros: Crítica, Teoria ou Filosofia da Literatura?”

Intervalo 

 Rodrigo Sobral Cunha – “Filosofia da Paisagem na obra de António Quadros”
 Abel de Lacerda Botelho – “António Quadros, um missionário do Espírito Santo”
 Pinharanda Gomes – “Testemunho”

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Colóquio António Quadros 20 anos depois | 29 de Junho de 2013 | Sesimbra

No ano em que se assinalam os 90 anos do nascimento de António Quadros e os 20 anos desde a sua morte, a Associação Cultural Círculo António Telmo organiza Sábado dia 29 de Junho na Casa do Bispo em Sesimbra o Colóquio António Quadros 20 anos depois.





PROGRAMA:

10h30 |
Uma Visão Propedêutica e Panorâmica da Obra de António Quadros  - António Quadros Ferro
Introdução a Uma Estética Existencial, livro de António Quadros - Luís Paixão
António Quadros e Sampaio Bruno - Samuel Dimas
António Quadros e Fernando Pessoa - Helder Cortes

Intervalo para almoço |

15h00 |
Memórias das Origens, Saudades do Futuro - Cynthia Guimarães Taveira
A Ideia de Pátria em António Quadros - Renato Epifânio
António Quadros e o Sebastianismo - Jesus Carlos

Intervalo |

Filosofia da Paisagem na Obra de António Quadros - Rodrigo Sobral Cunha
António Quadros, Um Missionário do Espírito Santo - Abel de Lacerda Botelho

Testemunho - Pinharanda Gomes

Local: Casa do Bispo

Mais informações: http://www.circuloantoniotelmo.wordpress.com

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O predominante do legado

"O predominante do legado de António Quadros é a leitura filosófica da literatura portuguesa, género em que se encontrou sozinho, por não haver mais ninguém orientado para idêntico método."

Pinharanda Gomes
"António Quadros e a existência literária portuguesa" em
 Revista Colóquio/Letras. In Memoriam, n.º 131, Jan. 1994, p. 197-198.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Meu Caro António Quadros

António Quadros, António Telmo e Maria Antónia
"Estremoz
31 de Maio de 1986

Meu caro António Quadros

(...)

Eu vejo no seu livro [Portugal, Razão e Mistério], não obstante o seu autor parecer ou julgar dizer o contrário, uma dimensão interior, quiçá inconsciente, convergindo com a posição dos nossos mestres [José Marinho e Álvaro Ribeiro]. A imagem da Pátria é a de um povo nómada, navegante do tempo por sete graus sucessivos; se a ideia não fosse prejudicada pela imagem genealógica da árvore cujas raízes afundam na terra megalítica, o mesmo paradigma numeral explicaria talvez nos sete climas dos barcos que construímos cortando a árvore. Mas a minha alegria é a de ver que o grupo da filosofia portuguesa se revela bem vivo, no pensamento, através de livros de excepcional valor, como os do Orlando [Vitorino], os do Pinharanda [Gomes], os seus. Disse-me um dia o António Quadros, na minha casa em Estremoz, que não lhe parecia que nenhum de nós fosse capaz de realizar uma obra verdadeiramente filosófica como a do Álvaro Ribeiro ou do José Marinho. Vamo-nos superando e este seu livro é já um grau acima dos outros. O que nos dirão o segundo e terceiro volumes?
Só depois, pelo menos do segundo, uma vez de posse de todos os elementos do seu pensamento, lhe escreverei a carta prometida. Esta é mais o testemunho da minha amizade e da minha solidariedade espiritual consigo. Interessa-me particularmente a relação que estabelece entre a Igreja de Pedro e a Igreja de João, mas, antes da publicação do segundo volume, é prematuro reflectir consigo sobre essa relação, pôr interrogações, levantar obstáculos, traçar vias.
(...) Faço votos que obtenha a mais vasta e, sobretudo, profunda influência.
Aproveito a ocasião para lhe agradecer os dois volumes de «Fernando Pessoa». Aqui também todos temos de reconhecer que o António Quadros é o único que tem sabido pôr as coisas no lugar sobre o grande poeta e quem quiser estudá-lo e compreendê-lo terá de passar através do que V. tem vindo a escrever.
Creia que sou inteiramente sincero. Se não o fosse, não teria junto atrás um apontamento de objecção que desenvolverei na carta prometida.

Um grande abraço (...)

António Telmo"

domingo, 22 de janeiro de 2012

Régio e Álvaro

José Régio
"José Régio era, para Álvaro [Ribeiro], não só o poeta católico, superior a Claudel, mas o ponto de referência da cisão entre os leonardinos e sergianos. Não podia esquecer a fuga de Régio para o campo sergiano. Mas tinha de lhe perdoar. Para tanto escreveu essa admirável interpretação psicológica e tipológica A Literatura de José Régio (1969) obra nada atendida pelos literatos, e que alguns poderão considerar como exorbitante do valor literário de Régio. Ilusão: Régio é um grande escritor, aqui e em qualquer parte do mundo. Régio é um admirável pensador de ideias e perscrutador de mistérios humanos e divinos. Álvaro devia-lhe, e não apenas por amizade, uma exege. Que resultou em hermenêutica: ele preencheu, com dados próprios, as eventuais carências filosóficas do pensamento de Régio. A quem colocou no seu lugar, entre os que abandonaram a escola leonardina, criacionista, em favor da escola sergiana, cousista. Parece que Régio entendeu bem como, sob a apologia, lhe era enviada a epístola correctiva.(...) Ao publicar a obra A Literatura de José Régio, Álvaro Ribeiro deu um passo voluntário e comedido para uma aproximação formal e essencial da Filosofia e da Literatura portuguesas. (...) A julgar a literatura regista, Álvaro teria também de julgar a literatura alvarista pois, estamos em crer, as situações espirituais de Álvaro e de Régio são afins, embora existencialmente diversas. Mas houve lugar para a biografia e, onde a houve, também houve lugar para a autobiografia: o percurso espiritual de um filósogo em face de um seu irmão espiritual, de um seu companheiro natural. Régio foi em Literatura o que Álvaro veio a ser em Filosofia: a singularidade situacional, o exílio."

Pinharanda Gomes
em A Escola Portuense
(2005), p.151

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

À espera de Marinho

José Marinho

"O magistério de Álvaro [Ribeiro] e de [José] Marinho ultrapassava o plenário. Cada um dos discípulos dispunha de frequentes oportunidades de conversar com Álvaro a sós: ou em sua casa, ou noutro Café, ou no mesmo, a hora diferente da habitual. Era um dos aspectos sugestivos da vida do grupo, porque tanto Marinho como Álvaro apreciavam conversas separadas, mas não se mostravam muito agradados quando vinham a saber, do outro, que as havia. Com Marinho estes encontros separados eram por via da regra na Pastelaria Nova Iorque, a Entrecampos (agora um banco), onde também aparecia o matemático lógico Germano Rocha, que se exaltava nas discussões com Marinho. Pelo contrário, Álvaro nem permitia, nem dava azo a exaltações. Tudo o que se dizia tinha de ser muito bem pensado, e muito bem dito. Regra de ouro: um pensamento correcto exprime-se, sem atropelos, numa frase correcta, linear, bem construída. Como, às vezes, com certa ironia Marinho murmurava, Álvaro do que gostava era de silogismos. Por sua vez, Álvaro ironizava que Marinho do que gostava era de enigmas. Tudo em amizade, na verdade. (...)
As tertúlias da «Filosofia Portuguesa» raro iniciavam a conversa sobre um tema, antes de José Marinho chegar. Decerto os mais novos discorriam acerca disto ou daquilo, de livros que andavam lendo, ou laborando em miscelâneas de opinião, Álvaro Ribeiro assistindo, paciente, dizendo uma ou outra palavra, para ajudar a exposição de cada um, mas evitava animar instinto dialéctico, e a tendência para a discussão. (...) a aula só começava com Marinho, cujo horário de trabalho não lhe permitia chegar antes das seis da tarde. Ao aparecer, e depois de se arrumar indagava: «Qual é o tema?», ou «Que tema há para hoje?» (...) É relevante fixar este costume, de não se iniciar a conversa na ausência de Marinho, como que num acto de lealdade. (...) Ambos se tratavam por «senhor» não havia tu cá tu lá entre ambos. (...) Depois da morte de José Marinho verificou-se uma interrupção das tertúlias das Quintas Feiras (...) Numa carta que de Álvaro recebi ainda nesse ano de 1975, explicava ele a suspensão das reuniões, confessando como seria doloroso estarmos juntos à espera do Mestre, que não viria. (...)"

Pinharanda Gomes
em "A tertúlia de Álvaro Ribeiro e de José Marinho"
Revista Nova Águia, nº 8, 2011, pp 117-125.

Ainda João Gaspar Simões, nos 25 anos da sua morte

João Gaspar Simões
"(...) Gaspar Simões andava sempre carregado de trabalho (crítica semanal no Diário de Lisboa e no Diário de Notícias, colaboração literária no Diário Popular e noutros jornais, a redacção da sua própria obra, e ainda a escravatura de tradutor em que por necessidade nunca deixou de andar enredado). No entanto, era frequente passar pelo café Brasileira do Chiado nos fins de tarde, quando se deslocava para entregar, ou artigos nos jornais, ou lotes de páginas traduzidas nos editores. Era pessoa discreta, mas controversa, nos meios literários pois todos e cada um temiam o seu juízo quando lhe enviavam um livro para crítica, um trabalho que exerceu até à morte, vencendo as objecções que lhe foram movidas pela corrente erudita ou crítica mediata, proposta pelas novas gerações das Faculdades de Letras, que recusavam valor científico à crítica imediata, da qual Gaspar Simões era o pontífice indiscutido. E, não obstante, foi no contexto do criticismo presencista e do exercício da crítica imediata, que a literatura portuguesa cresceu e floresceu. Gaspar Simões algumas vezes se enganou nos prognósticos, mas em muitas outras teve a premonição de, nas suas leituras, adivinhar se os autores novíssimos seriam, ou não, autores com futuro."

Pinharanda Gomes
em "A tertúlia de Álvaro Ribeiro e de José Marinho"
Revista Nova Águia, nº 8, 2011, pp 117-125.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O destino rasga e cose

"O meu envolvimento com a chamada «filosofia portuguesa» [essa corrente do pensamento que muito do academismo ainda hoje desconsidera e apouca] deu-se através do António Quadros, primeiro pela síntese que ele fez dos vários afluentes desse grande delta do sentir filosoficamente a essência saudosa do ser, depois pela cruzada própria que travou até ao fim pelo espírito de 57]. Simultaneamente chegou-me o Jesué Pinharanda Gomes, a sua obra própria e a intensa e humilde actividade divulgadora e formativa. A partir daqui fui-me espraiando, como quem dá braçadas contra a corrente do "racionalismo" contemporâneo e seus demónios materialistas. (...)" Continue a ler aqui.

José António Barreiros

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Jesué Pinharanda Gomes

"Fui há anos à sua casa em Santo António dos Cavaleiros entrevistá-lo. Modesto, discreto, quase hesitava em produzir uma que fosse afirmação definitiva. Tratei-o por «doutor». Disse-me que o não era. Como nos acompanhava uma estante de livros sobre teologia tentei corrigir, afirmando que seguramente teria estudos no Seminário (como tantos do seu tempo). Disse-me que também não. Era um auto-didacta. As tertúlias de Lisboa tinham sido, nos cafés, a sua sala de aulas. A Filosofia Portuguesa o seu amor.
Trabalhava na Massey Fergunson na venda de tractores. Estudara nas horas livres, pela noite fora. Lera na Biblioteca Nacional no tempo em que ela abria à noite. Tirava à boca para comprar livros. Instruía-se sempre. Escreveu nem sei quantos livros. Tentei encontrá-los todos. Teve a gentileza de me oferecer alguns.
A entrevista era sobre tudo e sobre nada. A minha ignorância impedia-me de formular as perguntas certas, a sua sabedoria vedava-lhe respostas simples.
À saída mostrou-me uma pequena gaiola, extasiado ante uns passarinhos e os ovos que chocavam. A vida cumpria-se. Uma vez cruzei-me com ele na Lapa. Ia consolar o Orlando Vitorino, fazendo-lhe companhia.
Nasceu em Quadrazais, mas renasce como exemplo no coração de cada um. Um dia um jornal, creio que o Diário de Notícias, perguntou-me qual foi a pessoa que mais me impressionou. Disse: Jesué Pinharanda Gomes. (...)"

José António Barreiros

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Homenagem


Dia 19 de Novembro, o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras de Lisboa (CLEPUL) vai atribuir a Jesué Pinharanda Gomes a "Medalha de Mérito Cultural". A cerimónia realiza-se às 19h00 na Sociedade da Língua Portuguesa em Lisboa.

------
Nota: Na entrega da medalha de mérito cultural a Jesué Pinharanda Gomes, subscreveu-se uma carta dirigida ao reitor da Universidade de Lisboa, propondo que seja concedido ao filósofo o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Arte poética

"(...) A reflexão católica sobre a estética literária parece ter ficado como que estagnada na obra de Francisco Costa e de João Mendes. O primeiro, pela doutrina que produziu sobre as relações da Fé com a Literatura e mormente com a arte do romance, em apologia ao que designou por realismo integral, que não pode deixar de ser cristão; o segundo, pela abrangência que levou a cabo de toda a literatura portuguesa, numa perspectiva em que investiu mais do que a visão literária, pois a enriqueceu com o exercício de uma fundamentação filosófica e teológica. Este juízo não exclui a presença da vigília de António Quadros à literatura portuguesa. Na sua extensa bibliografia, a exegese literária de um ponto de vista filosófico, orientado por um entendimento existencial e por um critério hermenêutico, elaborado à luz de uma cultura situada, quase sempre contempla os fenómenos literários (sejam os novelísticos, sejam os poéticos) da língua e da cultura. Embora não tenha exercido a crítica como escritor católico declarado, estando mais identificado com a chamada ‘Filosofia Portuguesa’, cumpre firmar que o pensamento de Quadros é profusamente católico, principalmente depois do ensaio de antropologia filosófica intitulado O Movimento do Homem (1964). Ainda que tivesse iniciado a actividade cultural em 1947, ele é um autor da segunda metade do século XX e, no cenário da filosofia versus literatura, a sua obra principal é da segunda vertente, e baste citar três títulos de fundo: Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista (1988-1989), A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos (1989) e o seu derradeiro tratado de exegese, e, Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa (1992). (...)"

Pinharanda Gomes
Centro de Estudos de História Religiosa - Universidade Católica Portuguesa
Lusitania Sacra. Lisboa, (2000)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pinharanda Gomes na homenagem a António Quadros

“Mas…naturalmente eu não falei, estive só a desfiar fio, a desfilosofar […] e claro que nunca mais sairíamos daqui – e sairíamos daqui a saber menos do que aquilo que actualmente gostávamos de saber. Para mim, o ter conhecido António Quadros, o ter recebido dele provas de afecto (não só afectivo mas também intelectual) são milagres do céu, que eu mantenho comigo e dos quais nunca me poderei esquecer. Espero de Deus que me conceda a capacidade de ser fiel ao ideal e à herança que dele recebi. “

Pinharanda Gomes
Newsletter da Fundação António Quadros, nº 22, Abril 2011
disponível aqui.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O magistério dos discípulos

Da esquerda para a direita: António Braz Teixeira, António Quadros, Pinharanda Gomes e Afonso Botelho. (Nas comemorações do centenário do nascimento de Leonardo Coimbra em 1983.)