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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ainda


"Ainda o homem busca o divertimento próprio no sofrimento alheio. Ainda encontra prazer em infligir a dor. Ainda se não envergonha de abusar da inteligência na tortura da estupidez. Ainda não reconhece a solidariedade da vida, e não reputa ímpio o escarnecer da inocência do animal. Essa ferocidade conservada nos costumes, é um estigma. (...)" 

Sampaio Bruno
Os cavaleiros do  amor (póstumo)

sexta-feira, 27 de março de 2015

O encontro de Sampaio Bruno com António Nobre


"Na escura rua de Trévise me procurou, abandonando por horas a sua preferida margem esquerda, de que lhe era tão penoso afastar-se, António Nobre, uma tarde em que eu sofria cruelmente. Esta visita sensibilizou-me; como me encantou a conversação do poeta, pelo tom subtil da melindrosa reserva na consolação, a um tempo caridosa e primorosa, d’um’alma em carne viva, como a minha por então andava. (...)"

Sampaio Bruno
do prefácio a Despedidas (livro póstumo) 
de António Nobre 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Não existindo

"Porque, havendo-me acostumado, em todas as outras coisas, a fazer distinção entre essência e existência, persuado-me facilmente que a existência pode ser separada da essência de Deus e que assim, se pode conceber a existência de Deus como não existindo actualmente. (...)" 

 Sampaio Bruno 
A Ideia de Deus, (1902) 
Lello & Irmãos - Editores, 1987, p. 234

domingo, 10 de agosto de 2014

Presente


"O sonho prolongava-se na vigília; não havia solução de continuidade entre o que a consciência recorda como pesadelo passado e o que ela registra como efectividade presente. É o mais que posso esmiuçar. Enfim, não sei. (...)"

Sampaio Bruno
A Ideia de Deus (1902)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Mérito

"A dignidade do homem vale mais do que o mérito do sábio. (...)"

Sampaio Bruno
A Ideia de Deus

terça-feira, 6 de maio de 2014

Para saber andar, é preciso andar


"A liberdade nunca é uma dádiva graciosa; é sempre uma penosa conquista; e resulta uma quimera abusiva estar-se à espera de que um povo se prepare para o exercício de seus direitos afim de só então lh'os conceder.
Como se há-de ele preparar se os não exercita? E não é ridículo acreditar que os interesses que a liberdade popular arruína serão tão magnânimos que se darão a habilitar os explorados a descartarem-se de seus exploradores?
É certo que as multidões oprimidas, quando uma vez conseguem desafogar e libertar-se, têm cometido excessos lastimosos. Mas mais responsáveis são aquelas classes privilegiadas, aquelas instituições egoístas cujo timbre consistiu em tiranizar.
Portanto, em resumo, para um progresso positivo, não há preparação prévia possível. Para saber andar, é preciso andar. (...)"

Sampaio Bruno
Modernos publicitas portugueses, (1906 ), p.148.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

E se pulássemos?

Sampaio Bruno

"E se pulássemos, caro amigo? Sossegue; coisa pouca. De ocidente a oriente; de este a oeste, como quem dissera de norte a sul, de polo a polo, de nadir a zenit. Mas, em espírito, entende-se. Outramente não o consentem nem a majestade da sua pança nem o respeito pela assistência, que nos contempla, escarninha. Mas é que, havendo-lhe falado do novelista espanhol Galdós, cuido que por um processo natural me acudiu ao espírito o nome do romancista russo Dostoiewsky (...) Qual o motivo desta evocação do russo? Que afinidades ao ibero prendem o salvo? Pensando nisto, après coup, julgo que foi a vibração actual de uma releitura a que volvi com íntimo sobressalto. É um absurdo de talento que pertence ao livro [«Esfinge e Realidade» de Benito Pérez Galdós], que excede o poder da atenção, direi de compreensividade, das turbas aglutinadas em banquetes de espectáculo. (...) Composição estranha! Agita-a um bafo morno de loucura raciocionante."

Sampaio Bruno
Notas do Exílio, (1893), pp.45-48

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Do movimento

"Quantos mundos, melhores dotados do que o nosso, alcançaram já de todo a sua liberdade; quantos findaram já, ao menos, o drama da sua paixão; a quantas consciências ascendentes seria dado o expiar de seus trabalhos, quando o homem ainda só a meio da montanha é que rola o bloco enorme de sua culpa! Espirito atenuado porquanto derivado tempo ainda?! A alma individual desfaleceu e abateu. Quem sabe se avançou?"

Sampaio Bruno
A Ideia de Deus (1902) p. 480

Em sinal de luto

Sampaio Bruno

"Nada me demoveu. Fui inabalável. Não estou arrependido. Abandonei a política para sempre. Mas deixei crescer as barbas, em sinal de luto. Grandes barbas semeadas de cãs, a forma que encontrei para todos se lembrarem, ao cruzarem-me na rua, da minha mágoa por um regime que ajudei a implantar, mas que tendo-se desviado do caminho certo, seguia por atalhos precários e perigosos."

António Quadros
com Sampaio Bruno na primeira pessoa
em Uma Frescura de Asas (1990) p. 114

terça-feira, 26 de junho de 2012

Bruno e A Questão Religiosa

Sampaio Bruno

"(...) situo o volume de Bruno sobre A Questão Religiosa, surgido na fase amadurecida do combate iniciado em 1872, no Diário da Tarde, e prosseguido na Análise da Crença Cristã, de 1874. Homem que não dissociava o pensamento da acção, tinha no entanto a humildade e a lucidez para arrepiar caminho quando tomava consciência de ter errado, como foi o caso daquele livro juvenil – “má coisa” lhe chamou –, assim como de outras páginas, escritas sob a emoção dos acontecimentos, por quem não era o frio jornalista profissional, mas, como confessou, um sectário das suas convicções. Aliás, o ambiente social era propício ao exacerbar de atitudes, ao romper de laços, numa generalizada conflitualidade, onde era assaz difícil definir campos estáveis.
Compreende-se, assim, que, não obstante as contundentes afirmações feitas acerca da Igreja, de alguns dos seus representantes ou atitudes, José Pereira de Sampaio contasse entre os amigos vários sacerdotes de valor. Entre eles o P.e José Agostinho de Oliveira, polígrafo hoje pouco lembrado, cuja poesia mereceu os elogios do lusófilo Philéas Lebesgue e que, entre muitos outros trabalhos, redigiu os dois volumes complementares da tradução portuguesa da História de Portugal, de Henrique Schaffer, projecto acarinhado, mas não levado a cabo por Bruno. Ainda em vida do filósofo, José Agostinho publicou o primeiro estudo autónomo acerca do seu pensamento, já então definido nas suas linhas mestras. (...)"

Joaquim Domingues
Continue a ler aqui.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Poetisar o lugar-comum

"A arte tem de seguir a vida, reentrar na casa, fazer-se familiar e doméstica. (...) Não mais veludos e tapetes de palácios, agora a vida humilde de mesteirais. (...) Urge (...) poetisar o lugar-comum. A casa."


Sampaio Bruno
Notas do Exílio (1891-1893)
Obra digitalizada aqui.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Um caixeirola frívolo faz dançar uma mesa pé de galo

"Ora tu conheces bem o que eu penso do espiritismo. Penso que é um erro confiar nesse processo, porque é a subordinação da liberdade da transcendentalidade à vontade prepotente do homem. Eis porque os resultados das comunicações mediúnicas não correspondem nunca às esperanças e tudo se passa ao nível da vulgaridade, com mensagens pessoais que nada adiantam acerca do outro lado, a maioria das vezes resultantes, ou de burlas, e nem vale a pena falar nisso, ou de fenómenos psíquicos de sugestão ou de auto-sugestão (...). A transcendentalidade guarda e guardará a sua virgindade. A nossa curiosidade é impotente. (...) A transcendentalidade é insusceptível de estupro. Oferece-se, coqueteia connosco; faz-nos negaças. Mas a conquista é impossível. (...) Um caixeirola frívolo faz dançar uma mesa pé de galo. Os espíritos têm de acudir prestes, a aturar as massadorias do marçano ocioso."

António Quadros
[e Sampaio Bruno, entre o texto]
em Uma Frescura de Asas (1990)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Longe dos homens vizinho das ideias

em A Capital («Poeira da Arcada»)
 13 de Novembro de 1915
"Sampaio Bruno começou a sua carreira de escritor como propagandista e terminou-a na serenidade filosófica do estudo e da meditação consciente, pondo o seu pensamento longe dos homens e vizinho das Ideias. A sua acção deixou de impressionar as turbas e purificou-se como uma corrente de água que quanto mais corre tanto mais se clarifica. Entre os seus contemporâneos era já um quase esquecido. E agora, para além da campa, o seu nome será um vago sussurro de uma folha seca."

"Sampaio Bruno não tem nada com a Maioria"

Sampaio Bruno
25 de Novembro de 1915
Meu caro Álvaro Pinto:

Recebi a sua carta a pedir-me algumas palavras para o próximo nº da Águia consagrado à memória de Bruno.
É fácil falar de um homem que escreve para ser lido; mas falar de quem escreve para ser meditado, como o autor de A Ideia de Deus, é coisa séria: exige trabalho, tempo e competência. Falta-me tudo.
De resto, não quero elogiar os mortos com o fim de dizer mal dos vivos, como, entre nós, acontece várias vezes. Deus me livre de esgrimir com um esqueleto contra os desgraçados que ainda vivem! É cruel e macabro.
Também não quero consagrá-lo em palavras, porque é infinitamente ridículo a gente falar de um escritor com uns ares de Pantheon ou numa atitude quadrada e angulosa de Academia que abre as portas, dizendo: "entra para o meu seio que só aí encontrarás os louros da glória eterna".
Não desejo ainda promover a Sampaio Bruno consagrações em mármore ou bronze. Toda esta matéria enobrecida, lá fora, amesquinhou-se em Portugal, desde que preferiu amoldar-se, não às frontes inspiradas que afirmaram a vida do espírito, na terra, mas às formas daquele bicho em que Bordalo [Pinheiro] sintetizou a nossa única indústria produtiva.
Sampaio Bruno não tem nada com a Maioria: é um Ser à parte, pelo que trouxe de alma e sabedoria ao nosso meio. Digo sabedoria e não ciência. Esta aprende-se facilmente nos livros; quanto àquela, poucos têm o dever de a receber directamente das coisas e da vida. É um dom essencial que põe o indivíduo em íntima confidência com as verdades superiores escondidas na mentira das aparências. A sabedoria foi a qualidade suprema de Bruno, que se torna assim numa figura quase religiosa, intérprete dos sonhos do homem, enviada à nossa dolorosíssima ansiedade.
Eis como aparece à minha admiração comovida, esse nobilíssimo homem. Que os dignos dele o glorifiquem, em silêncio, no santuário das suas almas, lendo-o e meditando-o; e, sobretudo, vivendo, como ele viveu, uma vida mais que humana, isto é, uma pura e superior intenção.

Seu muito amigo
Teixeira de Pascoaes
em A Águia, nº 48, Dezembro de 1915

Sampaio Bruno por Manuel Monterroso

Box de ferro

"O dr. Affonso Costa faz parte de um grupelho de insensatos e vaidosos, que intentam desacreditar a dignidade politica e pessoal de velhos e lealissimos correligionarios. E' um desleal republicano, se republicano é; tão sómente um ambicioso desregrado e sem escrupulos."

Sampaio Bruno
Voz Pública, 10 de Janeiro de 1902

"Hontem, por volta das 9 horas menos um quarto da noite, o sr. José Pereira de Sampaio descia, só, tranquilo e socegadamente a rua Sá da Bandeira, desta cidade. Atravessou a rua, vindo da tabacaria Gonçalves, o dr. Affonso Costa, acompanhado de vinte indivíduos, aproximadamente. Subito, o dr. Affonso Costa, dirigindo-se ao sr. José Sampaio, berrou-lhe: – Ah, seu canalha! E, levantando a mão armada de um "box de ferro", assentou-lhe uma forte pancada na cabeça. Logo, os indivíduos que acompanhavam o dr, mettendo-se na contenda, agarraram os dois, mas permittindo que o dr. Costa continuasse aggredindo violentamente o sr. José Sampaio. (…)"

Voz Pública, 12 de Janeiro de 1902

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