terça-feira, 11 de setembro de 2007

criação e criador

"Visionamos a história como uma gama labiríntica e extremamente complexa de movimentos de primeira e de segunda instância, que mutuamente se buscam e se completam, se corrompem e se regeneram, se transformam por queda para logo se superar, concorrendo para uma mesma finalidade escatológica, mas sempre decorrentes do passo decisivo do homem, que não os originou, pois o consequente não pode originar o antecedente, mas que se finalizará como entidade mediatriz entre criação e criador."

António Quadros,
Introdução à Filosofia da História

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O arquétipo do homem português

O homem português, ou melhor, o arquétipo do homem português é o que emerge e se revela em determinados períodos históricos favoráveis, mas é também o que se oculta ou é ocultado, o que se reduz a uma vida estagnada e recalcada, nos períodos em que se desfaz a sua «paideia». Uma «paideia», ao modo grego, é a solidariedade e a univocidade entre a estrutura cultural e o sistema educativo de um povo, ambos se ordenando a um «telos» ou a um fim superior, que todos então sentem como seu, pelo qual vivem, lutam e sacrificam se necessário for. Sem a restauração de uma «paideia» essencialmente portuguesa, não deixando de ser universal, será difícil, se não impossível, que o homem português se reencontre, numa reinvenção que ou começa pelas elites, pelas classes letradas, ou nunca mais será possível. Sem uma «paideia» portuguesa renovada jamais poderemos ter uma pátria portuguesa dinâmica, criadora de valores, voltada para o futuro a partir das suas raízes e das suas linhas genéticas fundamentais, sem as quais a nossa identidade se perderia num progressismo vazio e superficial.
Recorrendo à metáfora camoniana, assistimos nos últimos anos à vitória do Velho do Restelo sobre o Gama, o mesmo é dizer, da terra sobre a água e sobre os elementos aéreo e ígneo. (…) O que parece dominar hoje em Portugal é a face negativa, nocturna, decaída do arquétipo, do modelo ou da imagem sublimatória que o português já teve de si próprio e o levou a ousar rasgar os seus trilhos na superfície do mundo ou da vida. (…) Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem com os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, como portugueses.

António Quadros In, «Portugal, Razão e Mistério»

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Poética Contraditória

Não digas o que sabes nos teus versos,
Deixa para trás a ciência e a consciência;
Tudo aquilo que em ti não for ausência
São ideais perdidos, ou submersos.

Abandona-te às vozes que não ouves,
E liberta os teus deuses nos teus dedos;
Não busques os sorrisos, mas os medos,
E o que não for ignoto e só, não louves.

Ser misterioso e triste, é ser poeta:
Mesmo a luz que palpita nos teus cantos.
É uma imagem heroica dos teus prantos.

Percorre o teu caminho até ao fundo,
E com os versos que achaste, aumenta o mundo.
Não sejas um escritor, mas um profeta.



António Quadros, Viagem Desconhecida

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

[a António Quadros]



Eu não sei se o meu falecido avô paterno está vivo. Não tenho todavia em mim qualquer sinal da sua extinção. Pergunto por isso o que acontece ao nada quando não desaparece? O passado não sou eu mesmo – somente a saudade tomando conta desta ideia individual que guardo unicamente para mim, somente a saudade visível mas aparente ganhando espaço, crescendo comigo no meu movimento, a saudade no seu lugar recôndito, inerte, impassível, indiferente, em última análise, inexistente, sendo coisa nenhuma que alguém estupidamente transporta. A saudade que não tenho, que não quero e que não tive: uma coisa cega dos sentidos, ou do coração. A saudade não pensada, perdida, imaculadamente vivida, esmorecendo com o passar dos dias, ausentando-se com o extenuar da memória, extinguindo-se por completo no momento da nossa morte. A saudade que não existe e que ninguém merece. Por isso a saudade que sinto é em si fecunda, e exige ser gravada. Não a concebo separada da existência que a sofre. Não a entendo longe do pensamento que a imagina. Não a vejo, apesar de tudo, longe do espírito de quem verdadeiramente a sente. É por isso que a vida, como tantas vezes foi descrita, encontra-se na maioria das vezes sob algo maior. Há, em certa medida, uma morte antecipada, um silêncio surdo. Talvez a existência em certas ocasiões não exista em si mesma. Assim como a morte, a morte de alguém. Quantas pessoas conhecemos sem as conhecermos, ou quantas vidas achámos conhecer sem nunca as ter conhecido? Fica apenas uma imagem insegura de alguma coisa que apenas vimos passar. O luto é também ele menor e impassível. Por isso não acredito que o entendimento se interrompa assim. A aventura, a do conhecimento, seja ele qual for, deve perdurar. Deve seguir o seu movimento. Pulsando continuamente em nós, sem remissão. Repetindo-se e transformando-se connosco, numa relação contínua, por vezes dolorosa, mas que perdura, que vive, que verdadeiramente vive! Só no lugar onde a criação acontece, só nesse fulgor onde a verdade se encontra, só no silêncio dessa procura e espera, só no apelo dessa nossa solidão, só no nosso próprio medo, só no anseio da nossa interioridade, só na vontade de criar, de crer e de alcançar, só aí, só aí ascendemos e encontramos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

o movimento

"o movimento é a libertação (e não a dependência) do potencial do ser"
antónio quadros

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Sábado, 28 de Julho - mais um excerto da obra de antónio quadros

O Mito Verdade ou Alienação
"(…) o mito é uma história exemplar e simbólica que, pelos actos dos seus protagonistas e pelo sentido do seu enredo, testemunha de uma antiquíssima experiência humana, mais profunda, de certo modo, do que a imagem cientifica, moderna e oficial das culturas; é a arca ou o arcano de uma indizível e longa revelação ôntica; é a codificada suma das intuições e de iluminações, de poemas e de filosofemas espontâneos ou aprendidos na vasta gama que vai das formas de cultura e aculturação à inspiração pessoal do transmissor ou do rapsodo; e é o que traz ao presente os segredos antigos e restantes de velhas civilizações e culturas, modificados embora por um percurso semântico difícil de seguir, de capitular e de sistematizar, mas que nem por isso deixa de ser ou deve deixar de ser para nós uma verdadeira «carta de prego», lançada remotamente ao mar do tempo por viajantes desconhecidos, nossos irmãos. José Marinho, um dos poucos filósofos que, depôs de Oliveira Martins, Sampaio Bruno e Aarão de Lacerda, meditou entre nós a essência do mito, escreveu pertinentemente que «todo o poeta verdadeiro, todo o artista autêntico é filómito, e é-o necessariamente. Não há arte sem imagem, e se a imagem meramente virtual não se insere no mundo próprio dos mitos, a imagem simbólica insere-se sempre no mundo mítico». E isto porque o mito corresponde a uma experiência originária que o poeta não pode encontrar no círculo limitado da sua visão pessoal ou da sua existência social."


in Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Há duas histórias: a sagrada e a humana

"Importa sublinhar, antes de mais nada, que o mito implica uma fundamental distinção entre o sagrado e o profano. O mito é uma imitatio Dei, «uma imitação das gesta divinas», na expressão de Mircea Eliade. Inserido no mundo profano, o homem não tem verdadeira realidade enquanto não consagra os momentos essenciais da sua existência ao mito que os fundamenta e sustenta. Diz ainda Mircea Eliade que «o homem sé se tornou um autêntico homem, conformando-se ao ensinamento dos mitos, quer dizer, imitando os deuses[1]». Há duas histórias: a sagrada e a humana, tal como há dois tempos: o mítico e o profano. Mas a história humana e o tempo profano só adquirem realidade quando subordinados à história sagrada e ao tempo mítico, que lhes conferem carácter de eternidade. Esse carácter de eternidade é precisamente o que o homem religioso procura para transcender a evanescência e a morte. Daí que o mito exija actualizações cíclicas: os ritos.É indispensável neste ponto distinguir entre «essência do mito» e a sua «estrutura dinâmica e teleonómica», sempre unidas e complementares quando se trata de um verdadeiro mito, isto é, de um mito com raiz no sagrado e no numinoso
Adiantamos que a mitologia marxista ou materialista, exprimindo embora por transferência psicológica, a forma mais exterior do essencial mítico, só se identifica, no entanto, em plenitude, com a sua teleonomia. A sua dialéctica não é mais, efectivamente, do que uma substituição semântica; trata-se de um dinamismo teleonómico, em que as teses e as antíteses correspondem exactamente ao jogo de protecções e de obstáculos que encontra o herói mitológico na sua aventura sagrada, até se atingir, necessariamente, o cenário idílico da vitória dos deuses sobre os titãs, da fundação cosmogónica, da paz sem história, que constitui o «happy end» dos contos de fadas. (...)"

António Quadros
Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista  (2001) pp. 350-351

[1] Mircea Eliade, «O Sagrado e o Profano (trad. Portuguesa)  Lisboa, Livros do Brasil, s.d.

sábado, 14 de julho de 2007

Sábado 14 de Julho - mais um excerto da obra de antónio quadros

O português quer viver, crescer e de um modo geral ser, mas afeiçoou-se a convicções negativistas, nomeadamente ao nível político e educativo, que o conduzem a um auto-envenenamento mental. É porque não acreditamos em nós próprios, no que somos e valemos, no nosso pensamento e na nossa cultura, que em vez de pensarmos a partir daí a renovação das nossas leis, das nossas instituições ou dos nossos sistemas, constantemente, em sucessivos remendos, nos limitamos a importar, a repetir, a copiar ou a adaptar, ao mesmo tempo que nos autocriticamos sem medida e nos negamos. Disse-o de uma forma lapidar Fernando Pessoa, num pequeno texto que por várias vezes tenho citado: «uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.» Daí que, acrescentou, « o primeiro passo para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal, é criarmos um estado de espírito de confiança – mais, de certeza, nessa regeneração.» Vivemos hoje um período de menoridade e de adolescência regressiva em que, predominando o intelecto passivo, as pessoas se auto-satisfazem e auto-iludem como os lugares-comuns ideológicos, com os discursos demagógicos e com as ideias convencionais de gerações que, para repudiarem um certo tipo histórico de nacionalismo, perderam a própria identidade e já não sabem quem são ou para que são, os portugueses. (…) devido ao cientismo e ao tecnicismos predominantes que o positivismo nos trouxe, sem o acompanhamento de uma educação do intelecto para o desenvolvimento das faculdades superiores do homem, o nosso ensino público dirige-se à mentalidade pueril, não logrando a elevação do intelecto passivo e adolescente até ao intelecto activo e adulto, o que explica a facilidade com que o estudante cai nas mais quiméricas, utópicas ou demagógicas ideologias, com pouca ou nenhuma capacidade de eleição ou de análise.(…).


Conferência proferida em 13 de Dezembro de 1983 subordinada ao tema geral “Que Cultura em Portugal no próximos 25 anos?"

14 de julho

14 de Julho de 1923 nascia em Lisboa

António Quadros

"Só há em mim perguntas sem resposta:


Instinto para amar, para durar,


A grande porta abrir-se-á um dia,


E tudo será noite, ou vida, ou luz..."

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Biblioteca António Quadros


A Biblioteca compreende actualmente cerca de 6000 títulos monográficos, cerca de 60 títulos de publicações periódicas, das quais de 15 são publicações estrangeiras.

sábado, 7 de julho de 2007

Movimento do Homem

"Estamos debruçados sobre o papel branco, como sobre o espelho labiríntico da nossa alma enigmática. Escrevemos, pensamos, libertamos inteiros compartimentos fechados, e logo outros escondidos e logo aqueles, invisíveis, de que jamais suspeitáramos. Existiam realmente, esses universos que o pensamento nos cria, a partir às vezes de uma imagem, de uma palavra, de uma sombra? Sentimos que nunca mais acabaremos, até ao último dia, até ao último minuto, até à última inspiração, de nos aproximarmos, de abrirmos novas portas, de descobrirmos novos espaços. Visitámos em Creta, o labirinto de Cnossos, o palácio onde o signo do labris, o duplo machado sacrificial, foi desenhado em cada divisão acrescentada ao projecto primitivo. Assim, sabemos que um labirinto não é uma série cifrada de corredores, mas uma imensa habitação que se vai construindo através dos tempos, aumentada e remodelada de geração para geração, sendo cada compartimento absolutamente necessário e funcional. Enganam-se aqueles psicanalistas que julgam ter encontrado o mecanismo secreto, a fotomontagem das almas. Uma alma, quando é explorada, penetrada, analisada, quando, sobretudo, se assume como reveladora do cosmos e representante infinitamente complexa do infinitamente grande, amplia-se, cresce, vai formando, lenta e incansavelmente, um corpo invisível, dia a dia maior, dia a dia diferente. (…) Assim, o papel branco do escritor é como a superfície cutânea, na qual um abcesso de fixação vai drenando o curso evolutivo do seu pensamento. O importante é que o canal nunca se feche, entre a elaboração conceptual e a expressão exterior. O importante é que o labirinto nunca se dê por concluído, nunca degenere em sistema circular, nunca se circunscreva num muro, nunca feche a última porta. (...)"

António Quados
O Movimento do Homem 
Sociedade de Expansão Cultural (1963)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

dedicatória de antónio quadros em o «anjo branco anjo negro»

"Dedico estas breves histórias a Mircea Eliade, o Mitólogo, que do claro-escuro nocturno do seu pequeno jardim de cascais levou a minha infância à visão do maravilhoso possível a W. Somerset Maugham, o Contista, que numa tarde perdida de Lisboa me revelou a profundeza da intuição que pode haver sob a máscara irónica de quem suporta e vence um destino social a Álvaro Ribeiro, o Filósofo, que naquele assasinado café romântico do Rossio, onde os espelhos barrocos reflectiam ao infinito a imagem dos seres, pouco a pouco me ensinou a pensar como se o pensamento não fosse um absoluto, mas sim o homem pleno e movente, finitamente em busca de si mesmo a Salvador Dali, o Pintor, que na baía irreal de Port-Lligat, onde vogam cisnes e barcas de pescadores, reencontrei igual a si mesmo, sério, ardente e espectacular, fazendo da arte, não um fim, mas um outro elemento de viagem, luta e visão. à Mulher Eterna, fonte da vida, que no desenho do espaço e no ritmo do tempo, inlassàvelmente e com beleza se no momento excepcional, ensaia uma transcendência e invoca uma reintegração que do Homem esperam a palavra retardada e conclusiva."
"Olhamos para dentro de nós e apercebemo-nos que fomos pouca coisa, de que somos pouca coisa. Escrevemos livros, sobretudo um livro, montámos toda uma teoria de respostas satisfatórias para as nossas mais fundas interrogações, julgámo-nos senhores de um saber superior ao da maioria dos nossos amigos ou comtemporâneos, mas sempre a mesma pergunta contundente e inevitável. O que se encontra, meu Deus?"António Quadros, Uma Frescura de Asas

sexta-feira, 29 de junho de 2007

interrogar é já crer, a descrença humana não existe.
In ode à crença, 1996

segunda-feira, 25 de junho de 2007

António Quadros

"o escritor e a sociedade", programa de Álvaro Manuel Machado (RTP, 1983)

domingo, 24 de junho de 2007

O tempo de Deus é o tempo da atenção. O tempo de Deus é hoje.

in, Histórias do Tempo de Deus.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Poesia chorada, como o mar sob a chuva?
Poesia aflita, como um farol no denso nevoeiro?
Poesia angustiada, como a futura mãe?
Alegre o olhar, os meus dedos são mensageiros dos deuses
E cantam o que me sobra e eu não sei entender.
Alegre o coração, escapa-se de mim um fumo de dor,
E enquanto rio, sou também lágrimas e soluços.
O acordo é uma promessa do paraíso perdido mas não morto,
pois as suas portas choram por mim em mim.

o banquete infinito, antónio quadros
todos o sábados, no miniscente de luis carmelo escavações contemporâneas - o sorriso do arquivo no tempo da rede

Segundas- João Pereira Coutinho
Terças - Fernando Ilharco
Quartas - Viriato Soromenho Marques
Quintas - Bragança de Miranda
Sextas - Paulo Tunhas
Sábados - António Quadros (org. António M. Ferro)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Carta a António Quadros - João Bigotte Chorão
António Quadros - o perfil de um pensador, por João Ferreira

Trata-se de um dos mais ativos e produtivos escritores portugueses do século XX. Oriundo de uma família de intelectuais, teve em seu pai Antônio Ferro, amigo de Fernando Pessoa e editor do primeiro número da Revista “Orpheu” e na mãe, a poetisa Fernanda de Castro, incentivadores para uma avançada cultura, erudição e apego às letras. Nascido em Lisboa em 1923, freqüentou em sua juventude, a Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa onde ganhou o diploma de Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas. Sua trajetória de intelectual e de escritor, começou muito cedo. Foi um dos fundadores dos jornais de cultura Acto (1951), 57 (1957) e da revista Espiral. Tornou-se um dos diretores do Serviço e Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, sucedendo a Branquinho da Fonseca e a Domingos Monteiro com quem trabalhou desde o início deste serviço. Foi um dos organizadores e membro da primeira direção da Sociedade Portuguesa de Escritores.Como poeta, ficcionista, crítico, pensador, filósofo e cientista da cultura, cultivou com brilho a literatura de idéias. É claro que os arquivos da família Ferro, a Biblioteca Nacional de Lisboa, o Centro Nacional de Cultura, as editoras Europa-América, Lello & Irmão Editores e Publicações Dom Quixote, e os testemunhos dos membros ainda vivos do grupo da Filosofia Portuguesa e seus amigos intelectuais deverão ter ainda muitas memórias, informações e um rico arquivo bibliográfico para enriquecer sua memória. Apesar de estarmos longe dos arquivos lusitanos, vamos tentar agregar, mesmo assim, alguns dados ao alcance do nosso conhecimento para que não se prolongue por mais tempo na Internet o injusto vazio da memória desta grande figura da cultura portuguesa do século XX.