"(...) Filosofar não é (...) somente construir grandes sistemas metafísicos demonstradores da agilidade e da fantasia da razão humana; não é desistir de conhecer as causas para se limitar a descrever as leis; não é substituir a exigência da verdade pelas exigências momentâneas da vontade; não é, tão pouco, repousar simplesmente sobre textos que, adlulterados por intermediários, tradutores e adaptadores, mais não comunicam do que fragmentos ou facetas isoladas da verdade. Filosofar é reflectir e racionalizar, tanto ou mais do que os textos, seja o idioma nacional, portador de palavras intraduzíveis e inefáveis, sejam as tradições escritas e orais da pátria do filósofo (...), sejam as obras poéticas, sejam as manifestações artísticas, sejam as revelações colectivas e particulares, e seja, por último, a experiência individualmente inspirada e comunicada ao pensador. (...)"
António Quadros, A Angústia do nosso tempo e a crise da universidade

