segunda-feira, 15 de março de 2010

Nova Águia nº 5


 
Colaboradores 5º Número:
Adriano Moreira, Afonso Rocha, Alexandre Gabriel, Alfredo Ribeiro dos Santos, António de Abreu Freire, António Cândido Franco, António Carlos Carvalho, António José Borges, António Quadros Ferro, António Telmo, Apolinário Guterres, Artur Manso, Carlos Dugos, Casimiro Ceivães, Cátia Cunha, Cristina Leonor Pereira, Délio Vargas, Duarte Drumond Braga, Fátima Valverde, Fernando Echevarría, Fernando Guimarães, Henrique Gabriel, Henrique Madeira, Isabel Guimarães, Jesus Carlos, João Carlos Raposo Nunes, Joaquim Domingues, Joaquim M. Patrício, Jorge Telles de Menezes, José da Costa Macedo, José Gama, José Lança-Coelho, José Rodrigues, Lúcia Helena Alves de Sá, Luís de Araújo, Luís Filipe Pereira, Manuel Ferreira Patrício, Manuel J. Gandra, Maria Celeste Natário, Maria Luísa de Castro Soares, Maria Luísa Francisco, Miguel Real, Nuno Freixo, Nuno Rebocho, Nuno Sotto Mayor Ferrão, Pablo Javier Pérez López, Paulo Borges, Paulo Feitais, Paulo Jorge Brito e Abreu, Pedro Baptista, Pedro Martins, Pedro Teixeira da Mota, Pinharanda Gomes, Renato Epifânio, Ricardo Sousa, Ricardo Ventura, Ruela, Rui Lopo, Rui Martins, Sam Cyrous, Samuel Dimas, Sofia Vaz Ribeiro.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Mircea Eliade Revisitado

Noite evocativa do 103º aniversário
do nascimento de Mircea Eliade.

FLAC Produções & Die Elektrischen Vorspiele apresentam:
Mircea Eliade revisitado

Programa:

* Performances de Wolfskin, Stalker Vitki e Plateau Omega;
* Escolhas musicais a cargo de Bilic, Julius e Team Kali;
* Projecção de três filmes inspirados em obras de Mircea Eliade: ‘Uma Segunda Juventude’,
‘Domnisoara Christina’ e ‘Eu Sunt Adam’.

13 Mar. 2010 22h30min. Fábrica de Som
Av. Rodrigues de Freitas, 23-27
4300-456 - Porto

terça-feira, 2 de março de 2010

própria e individual

"[...] Em última análise penso, muitas vezes, caro Afonso Cautela, que todos nós, há 5000 anos ou nos dias de hoje, no Tibete ou em Lisboa, tivemos e temos em frente de nós o mesmo inevitável apocalipse: o da nossa própria morte individual. E é a nossa única certeza histórica...[...]"

António Quadros, Diário Popular, 24-01-1974

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Índice de uma dissertação

"A Ideia de Cultura no pensamento de António Quadros" - Mestrado em Estudos de Cultura (Universidade Católica Portuguesa). Dissertação defendida por António Quadros Ferro, no dia 1 de Março de 2010


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

IV SIMPÓSIO SOBRE OS 12 TEOREMAS DO 57

28 de Fevereiro, às 15:00
Livraria Fonte de Letras - Montemor-O-Novo

Apresentadores: Roque Braz de Oliveira (a Propriedade), Carlos Aurélio (o Indivíduo) e Pedro Sinde (a Liberdade)

»» mais informação aqui.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

do Movimento do Homem

"O presente é fugaz e não nos interessa verdadeiramente, a não ser como insatisfação e inquietude. Cada instante do presente aparece-nos possuído do desejo - não de aguardar passivamente o que sucederá -, mas de conceber a forma de melhorar, aperfeiçoar, desenvolver gradualmente a situação anterior. Só o futuro tem realidade autêntica, porque lhe fazemos face constantemente."

António Quadros, (O Movimento do Homem, 1963: p. 284)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quadros e Bruno - A Ideia de Deus


"Tendo a coragem do pensamento e a audácia da linguagem importa isto dizer que Deus é omnisciente actualmente, mas não é omnipotente. Deus não é indiferente à nossa dor por isso a sua maldade possível não pode alucinar-nos. Ele não goza de uma plena felicidade egoista; também ele sofre, da diminuição do espírito puro e do mal da criatura, espírito alterado, ascendendo na sua convergência do regresso."

António Quadros, Uma Frescura de Asas, p. 123


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Livro de Fundo


"(...) Mas haja ou não haja razão, neste final de Maio de 57, o barómetro acusa bom tempo e, climaticamente, acreditamos em António Quadros, acreditamos em todos os que falam na fé, na certeza, na esperança de redenção social do homem. (...)"

Texto de Afonso Cautela publicado na «Inventário», página do jornal «A Planície» que sucedeu a «Ângulo das Letras», 15-6-1957.

Continuar a ler
aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Da Língua Portuguesa

"O descobridor da psicanálise era um racionalista, que teve sempre o cuidado de substituir os termos por que tradicionalmente se designam os elementos e as forças da vida psíquica por palavras aceites no domínio científico. Se soubermos, conforme ele nos ensina sobretudo na sua «Interpretação dos Sonhos», desdobrar o que foi dobrado, extrairemos talvez dos seus livros muito mais do que uma explicação sexualista do homem, segundo o monismo antropológico que vulgarmente lhe é atribuído. Em termos aristotélicos, dir-se-ia que se a «libido» constitui a causa substancial, o conhecimento é a finalidade de que a palavra é o princípio formativo. Com efeito, o elemento filológico é fundamental em Freud. A palavra actua entre o inconsciente e o consciente, de tal modo que é pela atenção aos seus movimentos que se explicam os actos falhados, as nevroses, os sonhos, - enfim, toda a vida psíquica do homem e da mulher.
Pondere-se a importância de tudo isto. Em primeiro lugar, as línguas não serão, como se tem querido, instrumentos quase físicos, ou, pelo menos, tão relacionadas com certos mecanismos fisiológicos que se possam estudar, na sua natureza e evolução, dentro dos quadros fonéticos da filologia alemã; não serão, em segundo lugar, sistemas de expressão de ideias e de emoções, conforme querem os gramáticos e os estilistas de formação germânica; e estarão, por conseguinte, muito mais desligadas das funções cerebrais do que pensam quantos se agarram ainda a uma fisiologia ultrapassada. (...)
Com efeito, e conforme vimos, a acção de uma língua não se exerce apenas à superfície. É uma relação orgânica. E cabe perguntar, neste momento se um homem português sonha com um homem estrangeiro. A pergunta, por insólita, parece idiota. Nós, pelo contrário, achamo-la comparável àquela que o tribunal exlesiástico que julgou Joana d'Arc fez à Santa e que consistia em saber em que língua Deus se lhe tinha dirigido, quando ouviu as vozes interiores."

António Telmo, "Da Língua Portuguesa", Espiral nº4/5, p.58

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

IFLB

Da Filosofia Portuguesa


"Em sua radicalidade, o problema da filosofia portuguesa é o problema da filosofia. Universal no seu anseio e destino, como busca plural e convergente da verdade, sempre e a cada momento recomeçada e posta em causa, interrogação cuja resposta não esgota nem capta de uma vez por todas o perene sentido da existente e suas razões, a filosofia, enquanto tal, isto é, enquanto pensar no homem e do homem, participa da sua própria condição de ser situado no mundo, numa pátria, numa língua, numa cultura, num culto. Individual e nacional no seu ponto de partida e em sua raiz, múltiplo na aventurosa variedade do caminhos especulativos que se lhe abrem, o filosofar é também, e simultaneamente, universal no sentido último da sua indagação e finalidade. Deste modo, contrapor abusivamente ao carácter nacional da filosofia a sua universalidade seria o mesmo que negar à ave o voar só por ter pernas, na feliz imagem de um pensador contemporâneo."

António Braz Teixeira
"Da Filosofia Portuguesa", em Espiral nº 4/5, p.42

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Viagem desconhecida

"Maior é o desejo sem limites que inspira aos frágeis humanos, frustrados desde o príncipio."

António Quadros, do poema A Outra Face, in «Viagem Desconhecida», p. 66.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Carta de António Quadros a Eduardo Lourenço

Excerto da correspondência publicada na Colóquio/Letras, n.º 171, Maio 2009, pp. 262-268.

Lisboa 24 de Setembro [de 1968]

"É possível que as notícias cheguem aí primeiro do que esta carta. Por enquanto (dia 26), a situação é esta: Salazar em coma; Presidente da República multiplicando políticas e démarches; boatos vários a este respeito, o mais insistente dos quais é o de que o candidato nº 1 é o Marcello Caetano, que se propõe uma certa liberalização (…) E, curiosamente, ambiente de calma. Mau grado o fogo de vista da imprensa e da rádio, a verdade é que o povo parece anestesiado. (…) Da Oposição, nada: nem um manifesto, nem um cartaz, nem uma folha clandestina. (…) Perdemos o sentido da Política e da História. Durante 40 anos fomos conduzidos pela mão por um Pai que sempre nos dominou com facilidade. Tudo o que sabemos fazer é interrogar os cinco minutos seguintes: morrerá, não morrerá? Quem será o Delfim? E é tudo. Os próprios críticos perderam a experiência da crítica. Os democratas não sabem que é e como se vive em democracia. Tenho a impressão de que todos os protestos eram atitudes, não actos e de que agora, os inimigos do velho Rei não sabem o que fazer. (...)"

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

até que ponto o presente

“Temos de compreender até que ponto o presente, sendo a intercepção dos caminhos percorridos no passado e a percorrer no futuro, é a única realidade que conta na ordem do tempo.”
António Quadros, A Existência Literária

a terra é a matriz

"A terra é a matriz; a semente é o elemento fecundante; a flor e o fruto são os produtos. Da mesma forma, a pátria histórica, social e linguista é a matriz que, fecundada pelas sementes universalizantes de um culto que visa a realização final do reino de Deus e do Amor sobre a terra, produz a personalidade espiritual de uma cultura qualificada."
António Quadros, O Espírito da Cultura Portuguesa, (1967) Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ciclo de simpósios sobre os teoremas do «57»

III SIMPÓSIO
21 de Novembro, às 15:00
Livraria Fonte de Letras, Montemor-O-Novo
Apresentadores: António Carlos Carvalho, Cynthia Guimarães Taveira e Luís Paixão
O ciclo de simpósios dedicado aos 12 Teoremas do 57 - Actualidade dos Teoremas do Movimento de Cultura Portuguesa, que os Cadernos de Filosofia Extravagante têm vindo a organizar, ao longo do corrente ano, na Livraria Fonte de Letras, em Montemor-o-Novo, regressa no próximo dia 21 Novembro, às 15 horas. Será o terceiro encontro desta série, e nele participarão, como apresentadores, António Carlos Carvalho (teorema do Teatro), Cynthia Guimarães Taveira (teorema das Artes Plásticas) e Luís Paixão (teorema da Arquitectura).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os diapositivos de António Quadros

"Esta noite sonhei que tinha encontrado os diapositivos do António Quadros. Sei bem o que isso significa para mim: António Quadros era um apaixonado pelas velhinhas igrejas românicas que se encontram por esse Norte adentro, às vezes em lugares de difícil acesso, sobretudo longe dos percursos apressados dos turistas. Mas ele fazia questão de as fotografar e de preservar as imagens delas nos seus diapositivos, cuidadosamente catalogados e arrumados num compartimento da antiga sede do IADE. Imagino que os diapositivos não estarão perdidos, mas sim guardados pela família de António Quadros, juntamente com o resto do seu espólio. [...]"

terça-feira, 14 de julho de 2009

14 de Julho de 1923

António Quadros faria hoje 86 anos. Para quem, como eu, o tem visitado quase diariamente através da leitura da sua obra, do estudo da sua vida e pensamento, mas sobretudo pelo privilégio que me concedeu de, como seu neto, ainda o ter em minha memória, este é só mais um dia em que não será esquecido.
Como o próprio um dia escreveu ninguém morre na saudade e na memória, o tempo que flui não é um grande cemitério.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sou compelido a conceber messianicamente o Homem como ser-para-a-redenção.

António Quadros

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A libertação do ensino

"À exactidão das ciências matemáticas, aplicada ao saber da alma e do espírito, opuseram-se directamente as doutrinas existenciais, que libertaram assim o sujeito do conhecimento da total abstracção a que os seus atributos humanos estavam subordinados. Com efeito, pode considerar-se que esta libertação despertada no plano cultural e no especulativo, trouxe para a razão prática dos estudantes, a consciência da sua humanidade e da autonomia do verbo aprender, que os justifica como sujeitos do conhecimento."

· Afonso Botelho, “O existencialismo e a libertação do ensino”, 57 – actualidade, filosofia, arte e ciência, literatura

quarta-feira, 27 de maio de 2009

o pensamento filosófico

“Quando se diz que o pensamento filosófico é nebuloso, que a sede da sofia está na nuvem, reconhece-se, por via indirecta da caricatura, que a lógica é ascendente e alada, que o seu caminho está entre a terra e o céu.”
Álvaro Ribeiro, O Problema da Filosofia Portuguesa, Lisboa, Editorial “Inquérito” p. 73

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sobre o nosso sistema educativo

“Olhando de alto, observa-se que, ao longo da sua aprendizagem, o aluno apenas estudou para os sucessivos exames com que pretenderam medir a sua memória e a sua inteligente maleabilidade […] No que se refere ao ensino propriamente dito, o símbolo da sua expressão não é vertical mas horizontal. Longe de promover uma ascensão espiritual, busca promover um alargamento em superfície. […] Já escrevemos, ao que parece com certo escândalo, que o problema crucial do nosso tempo, para a geração de 1950, não é o social nem o político, mas o educativo”.
António Quadros, «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade»

quarta-feira, 25 de março de 2009

Filosofia

Não há filosofia sem filologia.
(...)
Só o pensamento criador e criacionista é verdadeiramente filosófico.
(...)
O pensador estrangeirado é afinal aquele que saiu de si para ser um outro que nunca poderá ser, a menos que por completo se desintegre do organismo cultural que é o seu de origem.

António Quadros, «A Filosofia Portuguesa - de Bruno à geração do 57»

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

PRIMEIRO SIMPÓSIO SOBRE OS TEOREMAS DO «57»‏

É já no próximo domingo, dia 1 de Março, pelas 15 horas, na Livraria Fonte de Letras, em Montemor-O-Novo, que se inicia o ciclo de simpósios "12 Teoremas do 57 – Actualidade dos Teoremas do Movimento de Cultura Portuguesa". Há uma alteração ao programa do simpósio inaugural, que, como os restantes, é promovido pelos "Cadernos de Filosofia Extravagante". Assim, e diversamente do que fora anunciado, será Isabel Xavier, e não Pedro Sinde, a apresentar o teorema relativo à poesia. No mais, tudo se mantém igual: António Telmo apresentará o teorema relativo ao romance, e Elísio Gala fará o mesmo quanto ao teorema relativo à antropologia. Os "Cadernos de Filosofia Extravagante" estão em www.filosofia-extravagante.blogspot.com

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Teoremas do 57

Ao longo de 2009, os Cadernos de Filosofia Extravagante promovem em Montemor-O-Novo, na Livraria Fonte de Letras (sita na Rua das Flores, 10/12, junto à Câmara Municipal), um ciclo de quatro simpósios dedicados à apresentação e ao debate dos 12 Teoremas do «57», originalmente publicados em Dezembro de 1957, num número duplo (3-4) daquele órgão do Movimento de Cultura Portuguesa.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Fundação António Quadros

É um orgulho anunciar que a Fundação António Quadros foi no dia 8 de Janeiro de 2009, oficialmente reconhecida.

Mais notícias em breve.
Esta fotografia foi tirada em casa de António Quadros em Novembro de 2007. Organizava-se o espólio para a Fundação.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Fernando Pessoa

"Quais as razões psicológicas da inaptidão para o amor concreto e real – anímico e físico –, tão dolorosamente manifestada por Fernando Pessoa? Já vimos que o poeta foi um idealista e um grande romântico. E já observámos o seu lado-Álvaro de Campos, isto é, uma certa pulsão homossexual, transparente nalgumas das Odes do «engenheiro naval» e confessada em página íntima, onde diz: «sou um temperamento feminino com uma inteligência masculina»; e «É uma inversão sexual frustre. Pára no espírito».Junto de Ophélia, o problema pode ter estado prestes a resolver-se, apesar das interferências (episódicas) de Álvaro de Campos, isto é, do seu demónio interior, talvez menos antimulher do que anticasamento."
António Quadros, Fernando Pessoa – vida, personalidade e génio, Publicações Dom Quixote, 1984, pág. 174

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Jornal de Letras 31.8,1988


O júri constituído por António Quadros, Arnaldo Saraiva, Carlos Reis, Cristina Ribeiro e Teresa Rita Lopes decidiu atribuir ao mais recente romance de Vergílio Ferreira o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores relativo a 1987. Foi uma história exemplar de Unanimidade ´"Até ao fim".

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dos Arquétipos do Ideal Português às Instâncias da Realização de Si

Reflexão de Paulo Borges a partir de «O Espírito da Cultura Portuguesa» de António Quadros

Publicou António Quadros em 1967, em O Espírito da Cultura Portuguesa, um ensaio onde, procurando formular o que seria o “ideal português”, na linha das preocupações da Renascença Portuguesa, enuncia “um grupo de dez palavras ou cifras, cujo sentido ideal e simbólico se desdobrou na nossa cultura em vários planos significativos, desde o literal ao simbólico, do poético ao artístico e mesmo ao filosófico”. Diz serem “arquétipos” [...] cuja conjugação desenha porventura [...] o ideal português” e que seriam tónicas profundas do “nosso modo de filosofar” ou “palavras-mães” “que nos soam tão familiares [...] que nem reparamos na originalidade das meditações que nos sugerem”. Ilustra-o com sintéticos mas fecundos desenvolvimentos da premência na história, na cultura e no pensamento português, bem como das sugestões filosóficas e universais, das palavras nesta ordem apresentadas: Mar, Nau, Viagem, Descobrimento, Demanda, Oriente, Amor, Império, Saudade, Encoberto”.

I - Saudade
II - Oriente
III - Encoberto
IV - Demanda
V - Viagem
VI - Nau
VII - Mar
VIII - Descobrimento
IX - Amor
X - Império

Paulo Borges

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pai, a noite (texto de Rita Ferro)

"Acordei com falta de paternage: uma saudade metafísica, um ódio pelo irreparável que não vos descrevo. Foi hoje, depois de acordar e antes de abrir os olhos, que passei revista às coisas que o meu pai me dizia e as confrontei com a minha vida. Sosseguei, porque ele passou pelo mesmo, mas partiu em paz. Quando, por razões pragmáticas, se é obrigado a viver sem transcendência, há ideias que parecem zombar da nossa condição. Mas só por fora. Enfim, tentarei reproduzir o diálogo que travámos, não sei se consigo; estes estados de semi-consciência são como os sonhos: parecem enormes, mas duram instantes. «Pai, eu não sou bonita...» «Filha, toda a beleza é aviso.» «Pai, eu não sei o que ando cá a fazer...» «Filha: percorre o teu caminho até ao fundo, e, com os versos que achaste, aumenta o Mundo!» «Pai, dois divórcios no papo e continuo sem saber o que é o amor...» «Filha: não sentirás tu a saudade do amor que não mereceste, de uma outra liberdade?» «Pai, eu tenho medo da morte...» «Filha: Sê um princípio, não um fim. Que depois de ti, as tempestades sejam outras e as lágrimas mais leves!» «Pai, eu não valho nada...» «Mexe-te: é preciso imitar Deus e criar outrem que não tu fora de ti.» «Pai, o tempo de Deus já lá vai...» «Enganas-te: o tempo de Deus é o tempo da atenção. O tempo de Deus é hoje.» «Pai, já tinha idade para não fazer asneiras...» «Não é verdade: a infância é eterna.» «Mas acha normal que eu tenha saudades do meu urso?» «Acho, mas cuidado: o infantilismo dos adultos é pior do que o seu demonismo.» «Não sei, queria tanto ter nascido num mundo melhor...» «Filha, confia em mim: esse mundo melhor é o mundo em que vivemos.» «Pai, por que é tudo tão difícil?» «Filha, simplificar não é assim tão fácil, no nosso tempo.» «Pai, a gente assiste a tanta batota...» «Não faz mal: o erro não é só educativo, é também cultural.» «E as mentiras que ouvimos, pai?» «Também fervo: o uso desonesto da palavra é um dos maiores flagelos da humanidade de hoje.» «E as guerras, pai, admitem-se?» «Filha, como homem cristão, a guerra é para mim um escândalo. Mas escândalo que me leva a tentar compreender...» «Pai, tenho remorsos: às vezes morrem-me pessoas queridas e esqueço-me delas no dia seguinte.» «Não tenhas: todo o amor que aparentemente morreu é todavia vivo» «O pai não está a perceber: eu já nem chorar consigo!» «É natural, querida: que humano hoje, pode e sabe não ser desumano?» «Pai, o pai também pecou?» «Claro, filha: fui puxado, atraído...» «Pai, às vezes sou má, outras vezes boa, e por muito que me esforce não consigo mudar.» «Sossega: se o homem é contradição e identidade, se o homem é vário e inconsciente, se o homem é bom e mau, se o homem é perene alteração, se o homem é repouso e evolução, abandono e vontade, acção e contemplação, egoísmo e ascetismo, se o homem simplesmente é, e se no seu ser cabe todo o universo, filha, assume-te simplesmente inteira, e nada excluas: a sensação ou a fé.» «Pai, ainda bem que partiu antes: nunca Portugal se deixou abandalhar a este ponto...» «Não te rales, canta comigo: ó meu Portugal que foste, que foste grande no mundo, abre as asas, abre as velas, revela o teu ser profundo!» «Pai: o pai acha que há salvação num mundo onde os filhos espancam os pais e as mulheres mandam os bebés de encontro às paredes?» «Filha: na hora destinal do fim, no limite do fracasso, no tempo cadente da derrota, eu canto, eu canto a esperança...» «Pai, os outros fazem-me sentir estúpida...» «Graças a Deus: Ele quis que, no fundo do abismo, os homens uns dos outros degraus fossem.» «Pai, lá fora ninguém nos liga...» «Tem calma: a nossa Arte contém todos os elementos necessários para se impor ao respeito e à admiração do Mundo.» «Pai, quem tem razão? A esquerda ou a direita?» «Querida: nenhum sistema ou nenhuma ideologia pode hoje considerar-se a salvo de suspeita, pode ver-se como solução absoluta, universal e salvadora.» «Sabe, pai? Eu já não acredito em nada...» «Filha, interrogar é já crer. A descrença humana não existe.» «Pai, serei ao menos mulher?» «Não sei, mas aprende: uma só mulher contém todas as mulheres e todas as mulheres não são ainda a mulher.» «Mas o pai sabe tanto...» «Enganas-te: só houve em mim perguntas sem respostas.» «Não minta, pai.» «Não minto: fui a perdida unidade que a inteligência sozinha não pressente.» «Mas, pai, eu não sei nada!» «E eu? Eu que tanto procurei luz e só encontrei noite?» «Noite?» «Sim: três vezes, noite, me debrucei sobre as ciências do sensível, três vezes me julguei vencedor, e três vezes reconheci que o resultado enganador era ainda, noite, a tua voz imperceptível; três vezes, noite, pedi à memória, à minha e à outra, à essência da história, a visão do amanhã, o dom da profecia, a luz no futuro projectada, prévia vidência da finalidade destinada; três vezes, noite, volvi o teu seio, três vezes filho da memória, três vezes agente da história, e apenas ao de leve logrei tocar na fugidia, fugaz razão, que atribuímos à acção, sem jamais todavia dominar, a absoluta verdade e liberdade do ser em perpétua criação.» «Pai, que estafadeira...» «Filha, que gozo!»"

Rita Ferro (filha de António Quadros) aqui e aqui