quinta-feira, 22 de abril de 2010

António Quadros sobre Fernando Pessoa

"[...] Os citados críticos franceses, [Patrice Delbourg, Jean-Pierre Thibaudat, etc.] deslumbrados pelos sinais mais exteriores e espectaculares da personalidade literária de Fernando Pessoa, insistiram sobretudo nos aspecto inovadores e modernistas da sua obra, na questão intrigante dos heterónimos ou na inteligência prodigiosa de todos os seus escritos. Se ficássemos por aqui, no entanto, pouco avançaríamos no conhecimento da poética pessoana. É que se Pessoa foi um inovador, foi também um expressor de princípios e arquétipos que transcendem as categorias do tempo; se foi um moderno e um modernista, foi também um incansável pesquisador e assuntor do tradicional, do secreto, do mítico, do enigmático, do que se perdeu ou esqueceu e contudo está vivo, porque é talvez perene na cultura portuguesa e universal mais profunda; se, com a invenção dos heterónimos, exprimiu como ninguém a cisão psicológica e espiritual da alma humana, através do drama da sua própria alma, conflitualmente dividida em estratos sobrepostos, ao mesmo tempo nunca deixou de perseguir o nódulo interior ou o princípio de unidade, orientador da reconvergência possível, como telos ou fim último da gesta humana neste mundo de geração e de corrupção; e se a sua fulgurante inteligência analítica dá por vezes impressão de sofística ou dialéctica (tal a facilidade com que manipula os conceitos mais difíceis) há sempre nela, ao mesmo tempo, uma sinceridade, uma autenticidade, um pathos de sofrimento, de angústia e também de incansável determinação próxima da santidade intelectual, que dá grandeza heróica à sua obra, vista no seu conjunto como uma peregrinação sofrida e mantida para o absoluto ou mesmo para o divino, no paradigma fáustico, mas ultrapassando-o em momentos excepcionais de conhecimento merecido e alcançado. [...]"
António Quadros
Obra Poética de Fernando Pessoa, Poesia - I, (1902-1929),
int. e org. de António Quadros, Publicações Europa-América

terça-feira, 20 de abril de 2010

Texto de Álvaro Costa de Matos sobre o 57

A história do Movimento da Cultura Portuguesa e do Jornal 57, fundado e dirigido por António Quadros, é um dos temas do último número da Revista Jornalismo & Jornalistas (Jan/Mar, 2010) disponível aqui. O texto é da autoria de Álvaro Costa Matos, coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

António Quadros sobre...

A Torre de Barbela de Ruben A.

"[...] Se o romance Caranguejo (1954), escrito ao contrário, de diante para trás, com uma atmosfera kafkiana, permanece um dos marcos principais da nossa mais inovadora novelística dos últimos 35 anos, e se os três volumes de O Mundo à Minha Procura (1964-1968) contituiem paradigma da autobiografia primordial, em que o eu-omphalos, o eu-umbigo do mundo, é o herói de um mito solar em desagregação, oscilando entre a auto-ironia crítica, a saudosa elegia dos paraísos perdidos e a secreta, silenciada esperança numa regeneração do cosmos em sua volta. A Torre de Barbela, um dos romances mais originais que entre nós foram escritos, é a obra prima, escrevemos no In Memoriam, de um Ruben minhoto enxertado de surrealista metafísico e de comediógrado à Ionesco. [...]"

António Quadros
Estruturas simbólica do imaginário na literatura portuguesa
Átrio, 1992, p.185

sábado, 17 de abril de 2010

Mircea Eliade sobre E. M. Cioran

"[...] Conhecia muito bem Cioran. Já éramos amigos na Roménia, nos anos 1933-1938 e fiquei feliz de o reencontrar aqui, em Paris. Admirei Cioran após os seus primeiros artigos publicados em 1932, quando tinha apenas vinte e um anos. A sua cultura filosófica e literária, os místicos alemães e Açvagosha. Por outro lado, possuía, muito jovem ainda, um espantoso domínio literário. Tanto escrevia ensaios filosóficos como artigos panfletários com um poder extraordinário. Podemos compará-lo aos autores dos apocalipses e aos mais famosos panfletários políticos. O seu primeiro livro em romeno, Nos Cumes do Desespero, era apaixonante como um romance e simultaneamente melancólico e terrível, deprimente e exaltante. Cioran escrevia tão bem o romeno que não podíamos imaginar que um dia mostraria a mesma perfeição literária em francês. Penso que o seu exemplo é único. É verdade, desde sempre, tinha admirado o estilo, a perfeição estilística. Dizia, muito sério, que Flaubert tinha razão quando trabalhava toda a noite para evitar um subjuntivo... [...]"


Mircea Eliade

A Provação do Labirinto, Diálogo com Claude-Henri Rocquet
Publicações Dom Quixote, 1987, pp.74-75

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Forças terrenas



"[...] a saudade vence a irreversibilidade do tempo e a distância do espaço, efectua a síntese, ou mais a união do espaço e do tempo, anulando sua aparente diferença e desunião: e anulando-os finalmente como forças terrenas. Se quisermos apontar na espiritualidade mundial outro princípio semelhante e inserto numa dada filosofia, lembremos o ioga na filosofia indiana. A saudade é, tal o ioga, na sua vera tradução, união. E ambos como dimensões específicas de duas grandes espiritualidades mundiais; situadas, uma num extremo atlântico da Europa, outra no centro da Ásia. E duas formas diferentes que tomou o mito da reintegração, o que está primordialmente na saudade e no ioga. E ambos como disciplinas de ascese, visando a perfeição do ser e estar no mundo, num estado de consciência superior. [...] Mas, notável diferença, a saudade, pelo homem português, levou esse princípio à sua manifestação na História pela Descoberta da terra e do céu. Embora haja também no ioga esta dimensão cósmica, ela não se projectou num acto histórico realizado efectivamente na realidade. Na introversão da alma indiana e não-vontade de intervenção no mundo alheio, mas voluntariamente limitando-se sobre si, não houve essa outra projecção no plano histórico, tal como a nação portuguesa; uma concepção espiritual traduzida extrovertidamente num feito à medida universal, abrindo novo ciclo, a Idade Moderna."


Dalila Pereira da Costa
As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos.
(Lello Editores, 2006: p.101)

Poemas de Frei Agostinho da Cruz

Alta Serra deserta, de onde vejo
As águas do Oceano de uma banda,
Da outra, já salgadas, as do Tejo.

Integrado no ciclo Portugal Renascente (iniciativa conjunta dos Cadernos de Filosofia Extravagante e da Nova Águia, em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra), tem lugar no próximo dia 24 de Abril, sábado, pelas 15:00, na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra, o lançamento de Poemas da Montanha, recolha de poesias de Frei Agostinho da Cruz que conta com um prólogo de Dalila L. Pereira da Costa e tem a chancela da Serra d’Ossa. A apresentação da obra estará a cargo de Luís Paixão.
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Frei Agostinho da Cruz (Agostinho Pimenta) nasceu em Ponte da Barca, no Alto Minho, no dia 3 de Maio de 1540 e morreu em Setúbal em 1619. Em 1560 entrou como noviço no Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra e aos 21 anos de idade fez-se capuchinho tomando o nome pelo qual viria a ser conhecido. Frei Agostinho da Cruz foi nomeado guardião no Convento de S. José de Ribamar aos 65 anos, vivendo a partir daí como eremita na serra da Arrábida, onde permaneceu por 14 anos vivendo do que a natureza oferecia. Foi poeta mas queimou quase toda a sua poesia. Os poemas que restaram foram publicados em 1771 primeiro e em 1918 depois. Morre no dia 14 de Março no Hospital de Nossa Senhora Anunciada em Setúbal.

Sobre Frei Agostinho da Cruz, Teixeira de Pascoaes escreveu: “Todo o espírito superior, na luta vencedora contra a materialização, ou se mata, como Antero de Quental, ou, como Frei Agostinho da Cruz, força a barreira tenebrosa e ajoelha, rezando, aos pés de Deus...” Teixeira de Pascoaes, Os poetas lusíadas, Assírio e Alvim, Lisboa, 1987, p. 115

terça-feira, 13 de abril de 2010

Biblioteca de António Quadros

A biblioteca de António Quadros está a partir deste mês disponível para consulta. A grande maioria dos livros que o escritor reuniu, anotou e sublinhou ao longo da sua vida encontram-se agora na sede cultural da Fundação António Quadros em Lisboa.  Mais informações aqui.

Da «Ode aos mitos ibéricos»

Maravilhoso e vil
este mundo é outro e é o mesmo,

forma dramática ou épica de luta
pela vida mais verdadeira e mais real
que o homem em seu sonho escuta.

António Quadros
(Imitação do Homem, odes, Textos Espiral, 1966)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Da «Ode à noite»

Três vezes interroguei a providência
e três vezes me respondeu o imenso lamento
do perene humano sofrimento,
porquê, para quê?
de onde, para onde?

António Quadros
(Imitação do Homem, odes, Textos Espiral, 1966)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

António Quadros sobre..

António Sérgio

"Sérgio passou como um furacão pela vida cultural portuguesa. Idealista, foi sobretudo um guerreiro, um paladino, um voluntarista. Quis demolir para reconstruir, mas principalmente demoliu. A sua obra teve desmedida influência e, depois dele, nada ficou igual ao que era. Para o melhor ou para o pior. Quanto a nós, para o pior...
[...] Foi um pensamento essencialmente redutor. Um pensamento constantemente apostado em reduzir o complexo ao simples, o enigmático ao claro, o curvilíneo ao rectilíneo, o múltiplo e o diverso ao uniforme, o imenso ao mínimo, o espiritual ao material e o antropológico ao sociológico.
[...] Depois de supervalorizar uma sociologia horizontal, matemática e genérica, ignorando (ou ocultando) os dados da antropologia cultural, da psicologia, da caracterologia, da psicanálise, etc. (o que era muito mais fácil no seu tempo), tratava-se para Sérgio, de mostrar como tudo quanto é sociologicamente insignificante, na realidade... não existe.
[...] José Marinho esclareceu-o perfeitamente: em António Sérgio, a razão aparece-nos «sem o próprio conceito» [....]"

António Quadros
Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista II, pp. 23-24
(Guimarães, 1983)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

António Quadros sobre...

OS PASSOS EM VOLTA, HERBERTO HELDER

"Os passos em volta, superam aquele realismo ingénuo de uma positividade extrínseca e social e, se não desembocam numa concepção plena e consciente de outra realidade mais real, pode dizer-se que estão a caminho. Herberto Helder dá neste livro o passo da crítica, problematização de uma realidade apreendida por exclusiva via sensorial, e por isso insatisfatória. No entanto, dir-se-ia que a vagabundagem, o isolamento, a inquietação - leitmotivs constantes de conto para conto -, que caracterizam as suas personagens autobiográficas, surgem como fuga não ao tipo de realidade de que partiu, mas ao tipo de realidade a que dir-se-ia não quer chegar. [...]"

António Quadros
Crítica e Verdade, Introdução à actual Literatura Portuguesa 
(Clássica Editora, 1964)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Delfim Santos em diálogo



Livro de homenagem a Delfim Santos com cordenação e introdução de Cristiana de Soveral e Paszkiewicz e textos de Norberto Ferreira da Cunha, António Braz Teixeira, Manuel Ferreira Patrício, Renato Epifânio, Joaquim Domingues, Celeste Natário e Alberto A. Abreu. (Porto, Caixotim, 2010)

quarta-feira, 31 de março de 2010

"A situação pedagógica e a ideia de morte"

"[...] Admitindo, contudo, que, relativamente à essência, a lei eliminou a morte, resta ainda o amplo domínio da existência, onde os reflexos legislativos não chegam para iluminar as consciências. É que a morte tem a sua estática e a sua dinâmica, não por si, que o nada não possui movimento próprio, mas pelas consciências que do nada se apercebem. [...]"

Afonso Botelho, Revista Espiral número duplo 8/9 p.38

quarta-feira, 24 de março de 2010

O «Eros e Psique» de Pessoa, proposta de uma hermenêutica

"[...] A Princesa dorme sempre e sonha; sonha com o Príncipe ou Eros que a virá libertar. Mas, dentro do sonho, o Príncipe descobre que não é outra coisa senão a própria Princesa, e, portanto, que ele próprio não tem realidade, sendo ilusórias as provas vencidas. Adormecida ou inconsciente, a Princesa ou a Psique projectou-se para um caminho iniciático que a levou à descoberta da sua solitude essencial; o Príncipe ou Eros não representava afinal outra coisa do que o desejo vão de um outro que não existe. E daí, porque o outro não tem realidade, porque é unicamente uma emanação do sonho ou do pesadelo, torna-se-lhe um fantasma. [...] O Príncipe e a Princesa, Eros ou Psique, brevemente se separam, mas para uma iniciação vital, cujo termo foi o regresso à casa do eu, foi o reencontro e a fusão última e definitiva do que devém e se projecta com o que é e está. Agora, o Neófito ou o Inciado está pronto para aceitar totalmente o ascetismo, a santidade e o heroismo de uma missão de inteiro compromisso, sem partilhas, sem distracções, sem divisões, no voto de castidade e de privação dos antigos cavaleiros. [...]"

António Quadros, Revista Persona, nº 4, 1981, pp. 37-42

terça-feira, 23 de março de 2010

João Alves das Neves sobre António Quadros

"[...] o que mais me aproximou de António Quadros foi o seu fervor pelos mil e um aspectos da Cultura Portuguesa. com relevo para as relações entre os 8 paises de idioma comum, perfeitamente caracterizados nos seus artigos e livros. É claro que um dos nossos temas ´preferidos foi a obra de Fernando Pessoa, mas os seus comentários sobre o diálogo cultural luso-brasileiro despertaram-me o maior interesse.
Em 1988, coordenamos na Academia Paulista de Letras, em São Paulo, o I Encontro de Estudos Pessoanos, do qual participaram destacados ensaístas brasileiros e portugueses, assinalando, entre outros, João Gaspar Simões, Teresa Rita Lopes e António Quadros, conforme ilustra a revista cultural Comunidades de Língua Portuguesa (agora, com 22 volumes publicados!). Foi no decurso desse diálogo lusíada que da admiração intelectual passamos à amizade. [...]"
João Alves das Neves
continue a ler aqui.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Pela mão de António Quadros

"[...] Sim, foi António Quadros quem me deu a conhecer a filosofia portuguesa, quando ela já era um corpo sedimentado e sistematizado. Pela sua mão fui percorrendo os caminhos de um Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro, Santana Dionísio, José Marinho, para chegar a Brás Teixeira, Sinde Monteiro, Elísio Gala, a tantos outros que estou a ofender não lhes mencionando o nome. Conheci entre os vivos apenas Pinharanda Gomes, porque o entrevistei. O meu modo isolado de ser vedou-me outras companhias. Guiado pelas veredas íngremes da saudade e pelas alturas da Tradição, desvendando lápidas ocultas e submetido a sortilégios e outros encantamentos de um mundo maravilhoso, foi sobretudo através dele que aprendi que só há uma filosofia magnífica da existência fora do que sofremos ser o raquitismo do existente, nas terras a que a razão não ascende, de que o racional ignora os segredos. [...]"
José António Barreiros
continue a ler aqui

segunda-feira, 15 de março de 2010

Nova Águia nº 5


 
Colaboradores 5º Número:
Adriano Moreira, Afonso Rocha, Alexandre Gabriel, Alfredo Ribeiro dos Santos, António de Abreu Freire, António Cândido Franco, António Carlos Carvalho, António José Borges, António Quadros Ferro, António Telmo, Apolinário Guterres, Artur Manso, Carlos Dugos, Casimiro Ceivães, Cátia Cunha, Cristina Leonor Pereira, Délio Vargas, Duarte Drumond Braga, Fátima Valverde, Fernando Echevarría, Fernando Guimarães, Henrique Gabriel, Henrique Madeira, Isabel Guimarães, Jesus Carlos, João Carlos Raposo Nunes, Joaquim Domingues, Joaquim M. Patrício, Jorge Telles de Menezes, José da Costa Macedo, José Gama, José Lança-Coelho, José Rodrigues, Lúcia Helena Alves de Sá, Luís de Araújo, Luís Filipe Pereira, Manuel Ferreira Patrício, Manuel J. Gandra, Maria Celeste Natário, Maria Luísa de Castro Soares, Maria Luísa Francisco, Miguel Real, Nuno Freixo, Nuno Rebocho, Nuno Sotto Mayor Ferrão, Pablo Javier Pérez López, Paulo Borges, Paulo Feitais, Paulo Jorge Brito e Abreu, Pedro Baptista, Pedro Martins, Pedro Teixeira da Mota, Pinharanda Gomes, Renato Epifânio, Ricardo Sousa, Ricardo Ventura, Ruela, Rui Lopo, Rui Martins, Sam Cyrous, Samuel Dimas, Sofia Vaz Ribeiro.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Mircea Eliade Revisitado

Noite evocativa do 103º aniversário
do nascimento de Mircea Eliade.

FLAC Produções & Die Elektrischen Vorspiele apresentam:
Mircea Eliade revisitado

Programa:

* Performances de Wolfskin, Stalker Vitki e Plateau Omega;
* Escolhas musicais a cargo de Bilic, Julius e Team Kali;
* Projecção de três filmes inspirados em obras de Mircea Eliade: ‘Uma Segunda Juventude’,
‘Domnisoara Christina’ e ‘Eu Sunt Adam’.

13 Mar. 2010 22h30min. Fábrica de Som
Av. Rodrigues de Freitas, 23-27
4300-456 - Porto

terça-feira, 2 de março de 2010

própria e individual

"[...] Em última análise penso, muitas vezes, caro Afonso Cautela, que todos nós, há 5000 anos ou nos dias de hoje, no Tibete ou em Lisboa, tivemos e temos em frente de nós o mesmo inevitável apocalipse: o da nossa própria morte individual. E é a nossa única certeza histórica...[...]"

António Quadros, Diário Popular, 24-01-1974

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Índice de uma dissertação

"A Ideia de Cultura no pensamento de António Quadros" - Mestrado em Estudos de Cultura (Universidade Católica Portuguesa). Dissertação defendida por António Quadros Ferro, no dia 1 de Março de 2010


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

IV SIMPÓSIO SOBRE OS 12 TEOREMAS DO 57

28 de Fevereiro, às 15:00
Livraria Fonte de Letras - Montemor-O-Novo

Apresentadores: Roque Braz de Oliveira (a Propriedade), Carlos Aurélio (o Indivíduo) e Pedro Sinde (a Liberdade)

»» mais informação aqui.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

do Movimento do Homem

"O presente é fugaz e não nos interessa verdadeiramente, a não ser como insatisfação e inquietude. Cada instante do presente aparece-nos possuído do desejo - não de aguardar passivamente o que sucederá -, mas de conceber a forma de melhorar, aperfeiçoar, desenvolver gradualmente a situação anterior. Só o futuro tem realidade autêntica, porque lhe fazemos face constantemente."

António Quadros, (O Movimento do Homem, 1963: p. 284)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quadros e Bruno - A Ideia de Deus


"Tendo a coragem do pensamento e a audácia da linguagem importa isto dizer que Deus é omnisciente actualmente, mas não é omnipotente. Deus não é indiferente à nossa dor por isso a sua maldade possível não pode alucinar-nos. Ele não goza de uma plena felicidade egoista; também ele sofre, da diminuição do espírito puro e do mal da criatura, espírito alterado, ascendendo na sua convergência do regresso."

António Quadros, Uma Frescura de Asas, p. 123


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Livro de Fundo


"(...) Mas haja ou não haja razão, neste final de Maio de 57, o barómetro acusa bom tempo e, climaticamente, acreditamos em António Quadros, acreditamos em todos os que falam na fé, na certeza, na esperança de redenção social do homem. (...)"

Texto de Afonso Cautela publicado na «Inventário», página do jornal «A Planície» que sucedeu a «Ângulo das Letras», 15-6-1957.

Continuar a ler
aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Da Língua Portuguesa

"O descobridor da psicanálise era um racionalista, que teve sempre o cuidado de substituir os termos por que tradicionalmente se designam os elementos e as forças da vida psíquica por palavras aceites no domínio científico. Se soubermos, conforme ele nos ensina sobretudo na sua «Interpretação dos Sonhos», desdobrar o que foi dobrado, extrairemos talvez dos seus livros muito mais do que uma explicação sexualista do homem, segundo o monismo antropológico que vulgarmente lhe é atribuído. Em termos aristotélicos, dir-se-ia que se a «libido» constitui a causa substancial, o conhecimento é a finalidade de que a palavra é o princípio formativo. Com efeito, o elemento filológico é fundamental em Freud. A palavra actua entre o inconsciente e o consciente, de tal modo que é pela atenção aos seus movimentos que se explicam os actos falhados, as nevroses, os sonhos, - enfim, toda a vida psíquica do homem e da mulher.
Pondere-se a importância de tudo isto. Em primeiro lugar, as línguas não serão, como se tem querido, instrumentos quase físicos, ou, pelo menos, tão relacionadas com certos mecanismos fisiológicos que se possam estudar, na sua natureza e evolução, dentro dos quadros fonéticos da filologia alemã; não serão, em segundo lugar, sistemas de expressão de ideias e de emoções, conforme querem os gramáticos e os estilistas de formação germânica; e estarão, por conseguinte, muito mais desligadas das funções cerebrais do que pensam quantos se agarram ainda a uma fisiologia ultrapassada. (...)
Com efeito, e conforme vimos, a acção de uma língua não se exerce apenas à superfície. É uma relação orgânica. E cabe perguntar, neste momento se um homem português sonha com um homem estrangeiro. A pergunta, por insólita, parece idiota. Nós, pelo contrário, achamo-la comparável àquela que o tribunal exlesiástico que julgou Joana d'Arc fez à Santa e que consistia em saber em que língua Deus se lhe tinha dirigido, quando ouviu as vozes interiores."

António Telmo, "Da Língua Portuguesa", Espiral nº4/5, p.58

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

IFLB

Da Filosofia Portuguesa


"Em sua radicalidade, o problema da filosofia portuguesa é o problema da filosofia. Universal no seu anseio e destino, como busca plural e convergente da verdade, sempre e a cada momento recomeçada e posta em causa, interrogação cuja resposta não esgota nem capta de uma vez por todas o perene sentido da existente e suas razões, a filosofia, enquanto tal, isto é, enquanto pensar no homem e do homem, participa da sua própria condição de ser situado no mundo, numa pátria, numa língua, numa cultura, num culto. Individual e nacional no seu ponto de partida e em sua raiz, múltiplo na aventurosa variedade do caminhos especulativos que se lhe abrem, o filosofar é também, e simultaneamente, universal no sentido último da sua indagação e finalidade. Deste modo, contrapor abusivamente ao carácter nacional da filosofia a sua universalidade seria o mesmo que negar à ave o voar só por ter pernas, na feliz imagem de um pensador contemporâneo."

António Braz Teixeira
"Da Filosofia Portuguesa", em Espiral nº 4/5, p.42

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Viagem desconhecida

"Maior é o desejo sem limites que inspira aos frágeis humanos, frustrados desde o príncipio."

António Quadros, do poema A Outra Face, in «Viagem Desconhecida», p. 66.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Carta de António Quadros a Eduardo Lourenço

Excerto da correspondência publicada na Colóquio/Letras, n.º 171, Maio 2009, pp. 262-268.

Lisboa 24 de Setembro [de 1968]

"É possível que as notícias cheguem aí primeiro do que esta carta. Por enquanto (dia 26), a situação é esta: Salazar em coma; Presidente da República multiplicando políticas e démarches; boatos vários a este respeito, o mais insistente dos quais é o de que o candidato nº 1 é o Marcello Caetano, que se propõe uma certa liberalização (…) E, curiosamente, ambiente de calma. Mau grado o fogo de vista da imprensa e da rádio, a verdade é que o povo parece anestesiado. (…) Da Oposição, nada: nem um manifesto, nem um cartaz, nem uma folha clandestina. (…) Perdemos o sentido da Política e da História. Durante 40 anos fomos conduzidos pela mão por um Pai que sempre nos dominou com facilidade. Tudo o que sabemos fazer é interrogar os cinco minutos seguintes: morrerá, não morrerá? Quem será o Delfim? E é tudo. Os próprios críticos perderam a experiência da crítica. Os democratas não sabem que é e como se vive em democracia. Tenho a impressão de que todos os protestos eram atitudes, não actos e de que agora, os inimigos do velho Rei não sabem o que fazer. (...)"

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

até que ponto o presente

“Temos de compreender até que ponto o presente, sendo a intercepção dos caminhos percorridos no passado e a percorrer no futuro, é a única realidade que conta na ordem do tempo.”
António Quadros, A Existência Literária