quinta-feira, 9 de junho de 2011

Carta de António Telmo a Pedro Sinde

«Estremoz

15 de Fevereiro de 2002

Meu caro Pedro Sinde

(…) Pela tertúlia é que se evita o solipsismo e se traz a transcendentalidade ao plano da humanidade convivente. Já vê, dizendo isto, como estou de acordo consigo onde fala com evidente perplexidade da “tendência para a fuga deste mundo”. É espantoso que também eu me pus a ler pela terceira vez o Diário de Guerra de Ernst Junger para fugir às leituras que só nos falam do outro mundo. Não viemos nós à vida para conhecermos a vida, sendo embora bem certo que sem o sentimento da presença do incognoscível no mundo imediato não há verdadeiro conhecimento. Como vê, só o que faço é repetir o que me diz na sua carta com as minhas palavras? (...)»

Continue a ler aqui.
-----------------------------------------------------------------------

Pedro Sinde nasceu no Porto em 1972. Conheceu António Telmo em Estremoz corria o ano de 1997. Dirigiu com Joaquim Domingues a revista Teoremas de Filosofia e publicou, entre outras obras,  Velho da Montanha - A Doutrina Iniciática de Teixeira de Pascoaes (2000); Terra Lúcida – A Intimidade do Homem Com a Natureza (2005); A Montanha Mística / Cartas da Prisão ( 2007); O Canto dos Seres: Saudade da Natureza (2008).

segunda-feira, 6 de junho de 2011

XXI Festa do Espírito Santo na Arrábida

"Não é o Rei que é coroado Imperador. Não é sequer a autoridade local ou o Bispo, ou o sacerdote paroquial. É o pobre, é a criança, é o que visivelmente está carenciado da plenitude de ser homem, pela condição social ou pela idade. E aqui se simboliza como é à face da carência que nos pode surgir em horizonte, em ideal, em aspiração e em promessa decidida, o cumprimento da promessa infinita que cada homem traz consigo à nascença e cuja realização a existência em sociedade lhe dificulta até à negação."

António Quadros
Portugal Razão e Mistério I (1986)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Como Pilatos

Ecce Hommo de Antonio Ciseri
"(...) Quando o crítico Eduardo Prado Coelho, algum tempo depois, e a propósito desse artigo ["A Agressão Ideológica", Tempo Novo], me veio acusar do pecado de anti-comunismo, em artigo insolentemente intitulado «O anti-comunismo em patinhas de lã», a sua «agressão ideológica» não era inocente, visto que, já com Vasco Gonçalves no poder, visava justificar a boa consciência do néo-totalitarismo em formação. O que no seu discurso retórico em prol do marxismo, da luta de classes, da demoracria popular, etc., era a nomeação dos réus - em suma era a denúncia. [...] Se o Tempo Novo foi depois proibido pela ditadura gonçalvista, se José Hipólito Raposo foi parar a Caxias e se eu próprio senti dificuldades editoriais e jornalísticas, é claro que Eduardo Prado Coelho pode lavar daí as suas mãos como Pilatos e proclamar a sua inocência."

António Quadros
A Arte de Continuar Português (1978)


 Diário de Lisboa, 11-12-1974, diponível aqui

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dedicatória de António Quadros

"À srª D. Manuela e ao Prof. Delfim Santos of.[erece]  este livrinho de contos (Histórias do Tempo de Deus) de impenitente e dispersivo polígrafo, o seu amigo de há já bastantes anos e admirador da sua obra e do seu pensamento,

António Quadros
11/06/66"

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Conversa entre Orlando Vitorino e João Luís Ferreira

João Luís - Quer falar de arquitectura para uma revista que se intitula “Utópica”?
Orlando Vitorino - Porque não? A contradição pode ser estimulante.

J.L. - Onde está, neste caso, a contradição?
O.V. - É que toda a arquitectura é tópica. A utopia é o que não tem lugar. Ora nada pode haver sem lugar, o que é sobretudo evidente na arquitectura.

(...)

J.L. - Os “caminhos na utopia” conduzem, portanto, à anti-utopia?
O.V. - Sim. Mas há sempre a possibilidade de entender a utopia como um idealismo provocado por uma justa reacção ao que se encontra institucionalizado. Neste caso, dir-se-à utópica a procura de caminhos (já não na utopia como queria M. Bubber) que o institucionalismo - regimes políticos, universidades, opinião pública... - tem por função impedir. Creio que é este o caso da sua revista “Utópica”. Podemos, portanto, conversar.

J.L. - Diga-me então: que é a arquitectura?
O.V. - É lugar e proporção.

J.L. - Que é o lugar?
O.V. - É, primeiro, a negação do espaço.

J.L. - Como nega o lugar o espaço?
O.V. - Marcando-lhe limites, definindo-o.

J.L. - A definição é negação?
O.V. - Foi o que nos ensinou Espinoza, que era geómetra, ao pôr como princípio de imaginar e pensar que “toda a afirmação é negação” pois nega o que fica fora do que se afirma.

J.L. - Onde começa a arquitectura?
O.V. - Começa ou na Grécia ou no Céu ou no Céu e na Grécia.

J.L. - E o Egipto?
O.V. - Aí, foi só geometria. Faltava a proporção para ser arquitectura.

J.L. - Julguei que na Grécia só havia começado a filosofia.
O.V. - A filosofia é o embrião que contém todas as artes.

J.L. - Tudo, então, é filosofia?
O.V.- Nada é sem filosofia.

J.L. - Onde está, no embrião, a arquitectura?
O.V. - Na geometria.

J.L. - Foi por isso que Platão escreveu sobre os umbrais da escola: “só entram os que são geómetras”?
O.V. - Exactamente.

J.L. - Que é a geometria?
O.V. - É a primeira determinação do lugar e a primeira negação do espaço.

J.L. - Diz-se que os gregos ignoraram o infinito. Foi por serem geómetras?
O.V. - O infinito é a negação do limite, portanto do lugar. Onde está o infinito, não há geometria. há só matemática.

J.L. - Os gregos não foram matemáticos?
O.V. - Aristóteles deixou escrita a refutação da matemática. Dos modernos, só Hegel compreendeu e repetiu a refutação. Dos contemporâneos, só Leonardo Coimbra.

(...)

J.L. - Qual o lugar arquitectónico do homem. É a cidade? É a casa?
O.V. - Hegel, que era nórdico e, como protestante, “trazia o Deus na barriga”, disse que a primeira obra arquitectónica é o templo a que chamou “a casa de Deus”.

J.L. - Está certo?
O.V. - Está errado. Tudo o que é do homem tem início no homem.

Revista Utópica (1988)
Entrevista completa pode ser lida aqui.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pinharanda Gomes na homenagem a António Quadros

“Mas…naturalmente eu não falei, estive só a desfiar fio, a desfilosofar […] e claro que nunca mais sairíamos daqui – e sairíamos daqui a saber menos do que aquilo que actualmente gostávamos de saber. Para mim, o ter conhecido António Quadros, o ter recebido dele provas de afecto (não só afectivo mas também intelectual) são milagres do céu, que eu mantenho comigo e dos quais nunca me poderei esquecer. Espero de Deus que me conceda a capacidade de ser fiel ao ideal e à herança que dele recebi. “

Pinharanda Gomes
Newsletter da Fundação António Quadros, nº 22, Abril 2011
disponível aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Carta de Delfim Santos para António Quadros, 23 de Março de 1950

Delfim Santos e a Família Castro e Quadros Ferro
Edições Fundação António Quadros (2011)
"De mim exijo fidelidade a um apostolado de muitos anos, embora por vezes me sinta cansado de tão longa e árdua luta contra a mesquinhez, a calúnia, a rasteira com sorriso e tudo o mais ao longo destes últimos 10 anos. Foram 10 anos infelizes que só pude aguentar com a simpatia, a amizade, a dedicação da maior parte dos meus alunos. E é isto que positivamente conta para mim, V. quis ser generoso e veio afirmar-me que eu não me enganei. E julgo que a minha força, a minha possibilidade de acção no futuro, dependerá dos meus amigos que foram meus alunos. Compreendo assim a importância do seu testemunho, da sua carta chegada em hora tão oportuna. Quanto à Faculdade estive sempre de acordo com o juízo negativo dos estudantes e continuo a estar. [...]"

Delfim Santos 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

De Herberto Helder para António Quadros

Para António Quadros, 
com a já velha amizade 
e a admiração renovada 
do Herberto Helder. 

Junho, 91.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Filosofia Portuguesa (17 de Janeiro de 1981)

Jantar do grupo da «filosofia portuguesa», dia 17 de Janeiro de 1981: 1º plano (de costas): José Manarte, Luís Furtado. 1º plano (de frente ): João Bigotte Chorão, Alberto Castro Ferreira, Francisco da Cunha Leão, Abel Lacerda Botelho. 2º plano (de frente ): Pinharanda Gomes, Luís Espírito Santo, Afonso Botelho, António Quadros, Vasco da Gama Rodrigues, Álvaro Ribeiro, Orlando Vitorino, António Braz Teixeira.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Tradução de António Quadros


"Amo os que vivem hoje na mesma terra que eu, e são esses que saúdo. É por eles que luto e é por eles que estou disposto a morrer. E por uma cidade longínqua, de que não tenho sequer a certeza, não irei contra os meus irmãos. Não aumentarei a injustiça viva em nome de uma justiça morta.

(...)

Kaliayev, depois de um silêncio
Nunca ninguém te amará como eu te amo.

Dora: Eu sei. Mas não será melhor amar como toda a gente?
Kaliayev: Não sou como toda a gente.
Amo-te como sou."

Albert Camus
Os Justos, Livros do Brasil, s/d, (1960)
Tradução e Prefácio de António Quadros
------------------------------

"A honra do justo consiste na absoluta ausência de interesses pessoais, ao ponto de dar a própria vida a uma causa nobre. O justo é o que assume a responsabilidade pelos seus actos, aceitando de cabeça levantada o calvário que lhe é imposto. Mas, ao mesmo tempo, o justo é o que ama os homens, seus irmãos." (do prefácio)

quarta-feira, 30 de março de 2011

«Espaço Mortal» de Afonso Cautela


"Assim Afonso Cautela escreve como um crucificado, olhando do alto do seu calvário o movimento caótico e incompreensível dos seres humanos separados, hostis, repulsivos. [...] A poesia, poesia rigorosamente de «espaço mortal», reflecte as mesmas coordenadas. Tudo o que existe macula a liberdade interior: por isso a existência aparece ao poeta como luta – a cada instante – de vida ou de morte num espaço restrito e prisional. Magoado ou ofendido ou humilhado ou irado, o poeta responde com o gume dos seus versos – mas talvez o mais ferido resulte ele mesmo. O amor oferece-se-lhe sem dúvida como bálsamo: porém, julgamos que na poesia surge mais como aspiração do que como iniciação, quer dizer, situa-se mais no plano da alma do que no plano do espírito."

António Quadros
Jornal «57», Nº 9, Setembro de 1960, p.9

--------------------------
Afonso Joaquim Fernandes Cautela nasceu em 1933 em Ferreira do Alentejo. Professor do ensino primário e jornalista, foi ainda funcionário público, livreiro e bibliotecário das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian em Tavira e Cuba do Alentejo.
Publicou três livros de poemas: Espaço Mortal (1960), O Nariz (1961) e Campa Rasa (2011). Organizou, com Serafim Ferreira, a antologia Poesia Portuguesa do Pós-Guerra (1965), publicou com Vítor Silva Tavares e Rui Caeiro Poesia em Verso (2007) e com Liberto Cruz uma recolha antológica do poeta Raul de Carvalho: Poesia – 1949-1958 (1965). Editou ainda dois números dos cadernos Zero: «A falência do neo-realismo» e «Líricas Maiores e Menores» e fez parte da antologia Surreal-Abjeccionismo, organizada por Mário Cesariny.
No domínio do ensaio, destaque para Depois do Petróleo, o Dilúvio (1973),  A Indústria do Ruído (1974), Contributo à Revolução Ecológica (1976) e Ecologia e Luta de Classes (1977). Tem colaboração dispersa na imprensa, nomeadamente nos jornais A Capital, O Século57 (1957-1962), (dirigido por António Quadros) e n' A Planície (1952-1964).
Durante os anos 70 e 80, colaborou na campanha ecologista, tendo fundado em 1974, com cinco amigos, a associação Movimento Ecológico Português. Entre 1974 e 1980, publicou o jornal Frente Ecológica, do qual saíram 15 números. Durante 12 anos, manteve uma crónica semanal de temas ecológicos, com o título «Crónica do Planeta Terra» no diário vespertino A Capital, onde coordenou também uma secção semanal intitulada «Guia do Consumidor». Neste período coordenou ainda a Colecção "A par do tempo", da Editorial O Século. Desde 1992 que se empenha no estudo e prática da Gnose Vibratória, criada em França por Étienne Guillé.

A Beleza e o Caos

"Criar é organizar, lutar contra a potência do espírito desordenado. Criar beleza é opor a graça à força caótica da fealdade. [...] a beleza se acha confundida na desordem do caos que se mistura ou se misturou à criação divina. [...] Quem sabe se o caos não é se não a memória dos homens, a sua multiplicidade, as diferenças abissais que separam uma alma de outra e todas do conhecimento supremo. Esquecemos?"


Ana Hatherly
em 57, ano IV, n.° 9, Lisboa, Set. 1960, p. 6 e 10. Disponível aqui.

--------------------------------------------
Poeta, ensaísta, investigadora, artista plástica e tradutora, Ana Hatherly, pseudónimo literário de Ana Maria de Lourdes Rocha Alves, nasceu na cidade do Porto em 1929. Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa, doutorada em Estudos Hispânicos pela Universidade de Berkley,  foi uma das fundadoras do PEN Clube Português. Frequentou a tertúlia do grupo da Filosofia Portguesa, chegando a colaborar no jornal 57 (1957-1962), dirigido por António Quadros. Nos anos 60 e 70, com Ernesto de Melo e Castro, cria o grupo de Poesia Experimental. Em 1960 edita a antologia Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa, onde, por sinal, figura António Quadros e publica, entre outras obras, Um Ritmo Perdido (1958), 39 Tisanas (1969), Um Calculador de Improbabilidades (2001), Fibrilações (2005), A Idade da Escrita e outros poemas (2005).
Traduziu A Voz Secreta das Mulheres Afegãs, de Bahodine Majrouh; O Peão Agressivo, de Robert Littell; Férias de Agosto, de Pavese; Cinco Meditações Sobre a Existência, de Nicolau Berdiaev; Antologia poética, de Gunnar Ekelöf; A Europa durante a Reforma, de Geoffrey Rudolph Elton; Dicionário Infernal, de Collin de Plancy; O Amor e o Ocidente, de Denis de Rougemont; Sade, Meu Próximo, de Pierre Klossowski; Imagística do espaço fechado na poesia de Fernando Pessoa, de Leland Robert Guyer; O Vagabundo do Dharma, de Han-Shan; A Vénus de Kazabaïka, de Sacher-Masoch; Ouve-nos senhor do céu que é a tua morada e Através do Canal do Panamá, ambos de Malcolm Lowry; etc.
Recebeu diversos prémios pela sua actividade literária. Em 1978 foi galardoada pela Academia Brasileira de filologia do Rio de Janeiro com a medalha Oskar Nobiling, em 1998 obteve o Grande Prémio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores, em 1999 o Prémio de Poesia do P.E.N. Clube Português; e, em 2003, o Prémio de Poesia Evelyne Encelot, em França.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tríade


Da esquerda para a direita: 1ª linha: José Marinho, Álvaro Ribeiro; 2ª linha: Adolfo Casais Monteiro, Joaquim Magalhães, Leonardo Coimbra, Luís Guedes de Oliveira, Carlos Sanches; 3ª linha: Horácio Cunha, António Alvim.
(em Leonardo, I, nº3, 1988)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Café Palladium, Porto, Outubro de 1941


(da esq. p.ª dir.) João Alves, Sant'Anna Dionísio, Carlos Sanches, José Régio, Jorge de Sena, Alfredo Pereira Gomes, Adolfo Casais Monteiro e Alberto de Serpa

terça-feira, 22 de março de 2011

Rua José Marinho

Rua José Marinho - Filósofo e Professor [1904-1976]
(freguesia de Benfica)

segunda-feira, 21 de março de 2011

O magistério dos discípulos

Da esquerda para a direita: António Braz Teixeira, António Quadros, Pinharanda Gomes e Afonso Botelho. (Nas comemorações do centenário do nascimento de Leonardo Coimbra em 1983.)

18º aniversário da morte de António Quadros

Hoje, dia 21 de Março de 2011, assinala-se o 18º aniversário da morte de António Quadros com a celebração de uma missa em sua memória. É na Igreja Paroquial de Cascais, às 19h15.

Ao longo desde dia, a Fundação António Quadros, estará na livraria Artes e Letras, no Largo Trindade Coelho em Lisboa, prestando a sua homenagem ao escritor. Estarão à venda várias obras de António Quadros, assim como de Fernanda de Castro e António Ferro.

No Sábado, dia 26, a homenagem acontece no Palácio Foz, com a apresentação do Prémio António Quadros Cultura e Pensamento, uma mostra bibliográfica da sua obra e leituras de alguns dos seus poemas.
Veja o programa completo aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Colóquio "A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa"


O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promove, dias 22 e 23 de Março, no Palácio da Independência em Lisboa, o Colóquio "A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa". Comunicações de João Ferreira, António Braz Teixeira, Joaquim Domingues, Miguel Real, Luís Loia, Rodrigo Sobral Cunha, Constança Marcondes César, entre outros. Programa completo aqui.

terça-feira, 15 de março de 2011

Dois novos títulos

 

A Fundação António Quadros vai dar brevemente à estampa dois novos títulos. Um livro de homenagem a António Quadros, que assinala os 18 anos depois da sua morte, que inclui testemunhos de amigos, família e  várias personalidades da nossa cultura, e ainda a troca de correspondência entre Delfim Santos e a Família Castro e Quadros Ferro, com prefácio de António Braz Teixeira e organização de Filipe Delfim Santos. Para além de outros documentos inéditos, este epistolário reúne 28 cartas de António Ferro, Fernanda de Castro, António Quadros e Delfim Santos e ainda uma epístola de José Osório de Oliveira sobre a saída de António Ferro do Secretariado Nacional de Informação (SNI) em 1949.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Homenagem a António Quadros

Dalila Pereira da Costa, conhecimento pela experiência mística


"O conhecimento pela experiência mística, que Fernando Pessoa considerava genuíno, embora inseguro, que na obra de Leonardo se liga à graça, na de Marinho à visão unívoca e na de Álvaro Ribeiro à gnose tem sem dúvida, na obra de Dalila Pereira da Costa, talvez a mais vivencial e contudo mais meditada expressão da nossa cultura moderna. [...] A filosofia portuguesa contemporânea, muito embora tenha predominantemente um caraácter teleológico e operativo, sobretudo com Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra e Álvaro Ribeiro, tendendo não raro a distanciar-se do passivismo da postura intelectual recptiva e mística, não deica contudo de considerar o seu valor na ordem do conhecimento.
Bruno [...] radica toda a construção intelectual de A Ideia de Deus, em fenómenos auditivos inexplicáveis que experienciou e atribuiu a intervenções angélicas.
Leonardo Coimbra, falando da passividade mística, apontava no entanto para o acordo superior das duas formas de pensamento humano -  a científica e a mística.
Obra contrapolar de outras, marcadamente lógico-científicas, como A Razão Experimental, o seu livro A Alegria, A Dor e a Graça, está inteiramente repassado de uma sensibilidade mística, descrevendo a natureza, as criaturas, os seres humanos, Deus, como em verdadeiro trânsito da percepção sensorial para a apercepção espiritual, como em anunciação de uma fenomenologia ontopneumatológica pessoalmente vivida.
Álvaro Ribeiro, também com algumas reservas perante o pensamento místico, tanto no cristianismo como no budismo, admite em a A Arte de Filosofar uma gnoseologia da intuição, da imaginação, do sonho e da visão contemplativa, desde que pensadas à luz da razão conceptuante, à luz de um racionalismo aberto para o mistério.
José Marinho transporta abertamente a realidade da experiência mística ou unitiva como visão, visão unívoca, para o seu sistema filosófico. Ela é, a visão unívoca, como que a vivência agraciada que para os homens será o ponto luminoso pelo qual podem experienciar fugazmente a relação enigmática entre o Ser da Verdade e a Verdade do Ser, mau grado o mundo de cisão em que vivem.
Quanto a Afonso Botelho, na recente suma do seu pensamento que intitulou Da Saudade ao Saudosismo, elevou ao nível especulativo e filosófico as intuições de Pascoaes e de outros poetas saudosistas, delineando o conceito de uma filosofia gnoseológica da saudade, com nítidas afinidades místicas.
O livro [Místicos Portugueses do Século XVI] de Dalila Pereira da Costa, porém atinge uma dimensão singular na exegese da literatura mística, porque na sua personalidade se encontram harmoniosamente, tanto a inteligência hermenêutica apoiada na mais sólida cultura, como a predisposição e «saber de experiências feito» de quem é, ela própria, uma espiritual, uma mística, autora das páginas mais fulgurante de A Força do Mundo ou de Os Jardins da Alvorada.

António Quadros
Memórias das Origens, Saudades do Futuro (1992) pp.58-59

quinta-feira, 10 de março de 2011

Fundação António Quadros recebe estatuto de Utilidade Pública


A Fundação António Quadros recebeu hoje, dia 10 de Março de 2011, por deliberação da Presidência do Conselho de Ministros, o estatuto de Utilidade Pública.

Trata -se de uma Fundação que evidencia, face às razões da sua existência e aos fins que visa prosseguir, manifesta relevância social. Coopera com entidades públicas e privadas na prossecução dos seus fins.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sobre a fotografia em baixo

Se eu ficasse aqui, indefinidamente a escrever, transformar-me-ia num tecido puído; desfeita quando alguém, ou alguma coisa me tocasse, deixaria apenas poeira com brilho das palavras e dos seres.
[...]
Passei o dia com as plantas. A conversar sobre elas, a distribui-las pelos jardins em vasos e bacias de esmalte e de barro. Comprei dezenas no mercado de Jodoine onde pude finalmente ir por ser quinta-feira de Ascensão. Tive um pensamento, de que já perdi a memória textual, onde plantas germinavam na sombra. Perdi a maneira de dizer, que era exacta e solidária - singular. Um dia, no Inverno, estava na estufa, quando senti o desejo irreprimível de baixar-me sobre a mesa e beijar uma planta. Desde aí, há entre elas e eu uma possibilidade de expressão, de código desconhecido.

Maria Gabriela Llansol

sexta-feira, 4 de março de 2011

Marchámos em difícil equilibrio

"Os anos rolaram. Não perdemos nunca felizmente a ingenuidade das nossas primeiras indignações. Também nunca as confundimos com os processos sofísticos ou dialéctivos de movimentos apenas interessados em substituir uns professores por outros professores, uma burocracia por outra burocracia. Marchámos em difícil equilíbrio sobre um fio escaldante, recusámo-nos ao hipnótico jogo das direitas e das esquerdas, repudiámos a proposta opção entre formas paralelas de adormecimento mental, fizemos do nosso patriotismo o único universalismo possível em tempo de diáspora, fizemos também do nosso exigente universalismo o único patriotismo aceitável, adversário do nacionalismo como do árido internacionalismo, do conservadorismo como do apressado progressismo. [...] Empenhámo-nos numa acção cultural, mas de finalidade espiritual, pois que a cultura não dispensa, sob pena de esterilidade, a enigmática e imensa energia concentrada da semente."

António Quadros
"Cisão ou Diáspora",
em Espiral, 8/9 (1965), pp 58-59

O tempo de Deus é o tempo da atenção. O tempo de Deus é hoje.

"Ninguém poderá negar a grandeza da concepção de Deus e, concomitantemente, do homem e do Universo que António Quadros nos oferece nas suas Histórias do Tempo de Deus. Ela é a dádiva fraternal de um pensador que estende amigavelmente a todos os homens a mão como o fruto do trabalho mais operoso e mais nobre, procurando incutir-lhes confiança no destino de cada um e no da Humanidade e despertar-lhes o interesse pelos problemas cuja meditação e discussão muito podem contribuir para o seu enriquecimento interior."

José A. Ferreira
"A Perianábase da Alma nas Histórias do Tempo de Deus de António Quadros",
em Espiral, nº 10 (1966) p.95

quinta-feira, 3 de março de 2011

Este, aqui

"Advertência preambular, prefácio, prolegómeno, intróito, ou como queiram chamar-lhe, manda a técnica que aqui escrevunhe. Pergunto-me, porém, para quê? Na humilhada volta, encontro-me, em verdade, com copains no cemitério, com camaros de pé na escotilha do Brasil. Miseramente, com isto para o brochador. [...] Mas - feliz, infelizmente - eu não sou um homem de letras, eu nunca quis jamais ser outra coisa de que um homem de propaganda. Não sou um literato, sou um jacobino, não sou um estético.
Por isso não me amofino. Não discorro para iguais; falo para quem, mentalmente, menos seja. Os de cima que outramente se regalem. Se há para baixo, que, aprendendo, se orientem. Este, aqui, como no que precedeu, como no que há-de seguir, este, aqui, meu único, desdenhoso, indiferente intuito. [...] Reconheço-os, pressinto-os, esses enganos. Alguns desagradáveis. Mas terrível o que emerge da esperança final na restauração de certa zona, abandonada, em fuga, como terra maldita pelos mesmos lábios de Deus. Este acudimento ao espírito de irritantes previsões mais me enfurece. Contra semelhante prólogo. Contra análoga ideia de o apontar sequer. Para fazer pensar a gente em coisas tristes. Em desgraças, que nem pode remediar nem sabe consolar. Assim, decido-me. Não o escrevo."

Sampaio Bruno
Notas do Exílio - 1891-1893
Lello & Irmão Editores, (1986), p.VIII

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fingir a eternidade pela desproporção das durações


"A arquitectura é uma arte de próxima finalidade, cuja beleza é a adaptação finalista; ou, quando de superiores interesses, é uma arte simbólica. O seu simbolismo consiste na representação dos pensamentos humanos pelo elementar movimento dos corpos. [...] A arquitectura quase mais nada é, para a sensibilidade, que a mineralização da vida, a fingir a eternidade pela desproporção das durações."

Leonardo Coimbra
A Alegria, a Dor e a Graça
Editores Renascença Portuguesa, Porto, 1920, p. 65-68.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Maçadorias


"Sinceramente, cuido que os resultados não equivalem às esperanças e penso que uma obscuridade mística, misteriosamente, permanece e permanecerá, improdutiva. A transcendentalidade guarda e guardará a sua virgindade. A vossa curiosidade é impotente. Não a forçará; não a seduzirá; não a reduzirá. A transcendentalidade é insusceptível de estupro. Oferece-se, coqueteia connosco; faz-nos negaças. Retira-se, irritada, perante a brutalidade do espiritismo, que é uma impertinente importunidade. Um caixeirola frívolo faz dançar uma mesa de pé-de-galo. Os espíritos têm de acudir prestes, a aturar as maçadorias do marçano ocioso."
Sampaio Bruno
A Ideia de Deus, (1902)
Lello & Irmãos - Editores, 1987, pp. 105-106

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um pessimismo activo e criador

"A ideia mestra da minha vida é a ideia do homem, do seu rosto, da sua liberdade criadora. [...] Mas tratar do homem é já tratar de Deus. Isso é essencial para mim. [...] Presentemente, o nosso pensamento fez-se mais pessimista, é mais sensível ao mal e aos sofrimentos do mundo: mas este pessimismo não é passivo, não se afasta da dor do mundo, pelo contrário, acolhe-a. É um pessimismo activo e criador. Todas as minhas obras se consagram a este único tema. Tentei aqui fundamentá-lo e pô-lo à luz num ensaio filosófico existencial. Outrora, Feuerbach, que estava a meio caminho, queria passar da ideia de Deus à ideia do Homem. Depois Nietzsche, que foi mais além, quis passar da ideia do homem à ideia do super-homem. O homem não só era aqui apenas um caminho como era destinado a sentir que era somento um caminho, uma passagem. Tal é precisamente o tema essencial do cristianismo. E uma filosofia da existência humana, é uma filosofia cristã, teândrica. Não coloca nada mais alto do que a Verdade. Apenas a Verdade não é objectivada: a verdade não entra em nós como um objecto. A Verdade implica a actividade do espírito do homem, o conhecimento da Verdade depende dos graus de comunidade que podem existir entre os homens, da sua comunhão no Espírito."

Nicolau Berdiaev, Cinco Meditações Sobre a Existência, Guimarães Editores, (1961) pp. 208-209. Tradução de Ana Hatherly.

Nicolau Berdiaev ou Berdiaeff (1874-1948) foi um importante escritor e filósofo russo. Nasceu em Kiev no dia 6 de Março de 1874 e morreu em Paris em 1948, no dia 24 do mesmo mês. Foi preso em 1898 por se manisfestar contra a opressão do regime bolchevique e acabou por ser expulso da Universidade de Kiev, onde era estudante de direito. Entre 1919 e 1920 foi professor de filosofia na Universidade de Moscovo. Dois anos depois é expulso da União Soviética juntamente com outros intelectuais russos. Depois de uma curta estadia em Berlim, exila-se em Paris, onde funda a revista The Way, dedicada à filosofia da religião. A revista é publicada até ao início da II Guerra Mundial. Em 1947, um ano antes de morrer, recebe o doutoramento "honoris causa" pela Universidade de Cambridge. Berdiaev publicou, entre outras obras, O Significado da História (1923) A Revolução Russa (1931) Uma nova idade media: reflexões sobre o destino da Rússia e da Europa (1932); Escravatura e Liberdade (1939) O Divino e o Humano (1949), a grande maioria delas sem tradução em Portugal.

Fica a sugestão.

Vale a pena lembrar que António Quadros escreveu um importante ensaio sobre os paralelismos entre o pensamento russo e português, incluído no livro Ficção e Espírito de 1971;  pp -11-174. No último capítulo, António Quadros escreve uma interessante reflexão sobre as páginas autobiográficas de Berdiaev. Sobre esta matéria consultar ainda Convergências e afinidades entre o Pensamento Português e o Pensamento Russo, de António Braz Teixeira.

16 de Janeiro de 1902

Porto — Na rua Sá de Bandeira, junto ao estabelecimento Guimarães, houve uma cena de pugilato entre dois membros do partido republicano, o ex-deputado, e advogado Dr. Afonso Costa, e o jornalista José Sampaio, que ficou ferido. Este conflito foi originado por um artigo de Sampaio desagradável ao seu correligionário, acerca do congresso último que houve em Coim¬bra. O partido está dividido em dois campos, e o encontro dos dois campeões mais tenso tornou os espíritos nos dois grupos. Para se fazer uma ideia d'essa tensão basta reproduzir a epígrafe com que a Voz Pública, jornal republicano, noticia o caso: Agressão traiçoeira — Tentativa de homicídio pelo Dr. Afonso Costa na pessoa do Sr. Pereira de Sampaio (Bruno).

O caso ficou entregue aos tribunais onde o Dr. Afonso Costa negou em absoluto que a agressão tivesse sido feita com box, ou qualquer outro instrumento cortante. Por causa d'isto, foi feito exame directo e minucioso ao ferido. Em Portugal-Brasil, n.º 72 de 16 de Janeiro de 1902.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa, Poeta, Profeta e Alquimista do Verbo


"[...] O Primeiro Fausto deveria ordenar-se segundo quatro grandes temas cujos títulos são sintomáticos: O mistério do mundo; O horror de conhecer; A falência do prazer e do amor; O temor da morte. Mistério, horror, falência, temor...

Mas, se uma parte considerável da sua lírica ortónima, em contraponto com o radicalismo daquela tentativa dramática, nos aparece de facto como profundamente ensimesmada, registo de uma desoladora solidão individual, documento de uma tocante sentimentalidade frustrada, projecção de uma incerteza angustiada, às vezes angustiada quanto à vida de relação e até à vida de pensamento, contudo a nota mais forte da obra que conseguiu erguer e nos legou é dinâmica, interventora, frequentemente polémica, criacionista.

Assumir na poesia a cisão dilacerante com que se encontrou ao tomar consciência do seu Si conflitual e praticar uma constante intra-análise psíquica, eis o que o libertou para a exigência de uma univocidade por assim dizer escatológica, para a procura de uma identidade ética e sublimatória, para a entrega a uma obediência supra-egolátrica ou supranarcísica, que nele foram aliás sempre problemáticas e que constituíram a longa iniciação da sua vida." 

António Quadros, "Fernando Pessoa, Poeta, Profeta e Alquimista do Verbo" em Estudos sobre Fernando Pessoa no Brasil, Revista Comunidades de Língua Portuguesa (1985), p. 28.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Acto - fascículos de cultura, 1 e 2

"Por demais sabemos que nunca o exemplo estrangeiro estimulou profundamente o surto das nossas virtualidades; e muito menos agora, quando a Europa tenta em vão equacionar o seu problema cultural, poderíamos confiar com carácter de exclusividade nos agentes das culturas estranhas que nas suas malas diplomáticas nos trazem os destroços de doutrinas refutadas."
Do jornal Acto, (1951/1952) publicaram-se dois números. O primeiro fascículo, com direcção de António Quadros e Orlando Vitorino, sai no dia 1 de Outubro de 1951. Reúne textos de António Quadros, Augusto Frederico Schmidt, José Blanc de Portugal, José Marinho, Lêdo Ivo, Luís Washington, Manuel dos Passos, Mário de Sá-Carneiro, Martins Correia, Orlando Vitorino, Ortega y Gasset, Raúl Leal, Sant'ana Dionísio e Texeira de Pascoaes.

O 2º e último fascículo do Acto, publicado no dia 1 de Março de 1952, contém textos de Álvaro Ribeiro, António Quadros, Benedetto Croce, Cunha Leão, Delfim Santos, Hein Semke, Luís Washington, Orlando Vitorino, S.S. o Papa Pio XII, Raúl Leal e ainda ilustrações de Couto Viana e Martins Correia.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

António Quadros e os animais

"Um dia, quando tinha quatro ou cinco anos, entrou na cozinha. Apesar das minhas recomendações, a Maria do Porto estava completamente proibida de matar fosse o que fosse em casa. Mas teimosa como era, um dia comprou uma galinha viva e matou-a em cima da mesa da cozinha no momento exacto em que o António entrou. Quando viu a galinha a espernear e a mesa coberta de sangue, teve um choque tão grande que, aos gritos e desfeito em lágrimas, se agarrou às saias da Maria, dando-lhe murros nas pernas com as suas mãozinhas crispadas. Eu peguei nele ao colo, levei-o para o quarto e comecei a dizer coisas à toa, coisas sem sentido que não serviam para nada, pois, de facto, não sabia verdadeiramente como fazê-lo compreender e aceitar aquela atrocidade. A certa altura, como supremo argumento, disse-lhe que a galinha estava muito velha, muito doente e que mesmo as pessoas quando estão muito velhas e muito doentes têm de morrer. Ele então olhou-me com os seus grandes olhos azuis marejados de lágrimas: - Morte morrida, sim, morte matada, não!"

Fernanda de Castro, Ao Fim da Memória, vol. I, pag. 279

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Algo de novo

"O aparecimento do jornal 57 e o conjunto das iniciativas que lhe estiveram associadas significou algo de novo na vida cultural portuguesa, onde, pela primeira vez, a reivindicação da autonomia nacional se fazia a partir de uma perspectiva essencialmente filosófica. O facto de o movimento reunir, para além de algumas personalidades conhecidas, um notável conjunto de jovens, boa parte deles quase inéditos, prestou-se a que - à imagem do que acontecia com outros grupos de intelectuais - se tivesse começado a falar no 'grupo da filosofia portuguesa'. O certo é que, não obstante as mudanças que o tempo propicia, com a progressiva afirmação da individualidade de cada um, os homens da filosofia portuguesa constituíram porventura o conjunto mais dinâmico e coerente de quantos animavam a vida cultural portuguesa, numa diversificada manifestação de criatividade que ia desde a poesia, o teatro e a novela, ao cinema, à conferência, ao jornalismo e ao ensaísmo filosófico."

Joaquim Domingues, «Às novas gerações da filsofia portuguesa» in No signo do 7: 150 anos de filosofia portuguesa: actas dos colóquios. Coord. ed. Guilhermina Ruivo, Maria José Albuquerque, Pedro Martins.  Sesimbra: 2008.
--------------------------------------------------------------------------------
Joaquim Carneiro de Barros Domingues, mais conhecido por Joaquim Domingues, nasceu na cidade do Porto, no dia 9 de Abril de 1946. É professor, ensaísta e um dos principais investigadores da obra de Álvaro Ribeiro e Sampaio Bruno. Entre 2000 e 2005 editou a revista Teoremas de Filosofia.