sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

1927-2012


Morreu esta quinta-feira o jornalista e escritor João Alves das Neves. Escreveu em Março de 2010 no seu blogue um valioso texto sobre a sua relação com António Quadros e um encontro com Fernanda de Castro.

Em 1988, João Alves das Neves e António Quadros coordenaram na Academia Paulista de Letras, em São Paulo, o I Encontro de Estudos Pessoanos, na companhia de Teresa Rita Lopes e João Gaspar Simões. Leia aqui.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

«Bandeira Preta» e «Mar Santo»

Branquinho da Fonseca

"[António Quadros] traçou uma brilhante interpretação, negligenciando a ordem cronológica das personagens nas publicações: Pedro é o menino que cresce numa vila circunscrita na zona de Viseu em  Bandeira Preta, ingressa na Universidade de Coimbra para encarnar o estudante Bernardo Cabral no romance Porta de Minerva, evoluindo depois para a personagem adulta de O Barão. Para além de ser possível e perspicaz associar estas figuras através de traços que permitem estabelecer ligações de continuidade entre elas, esta conclusão permite-nos deflagrar um fio condutor que perpassa toda a obra de Branquinho da Fonseca: um acentuado lirismo que, a par com o realismo e o grotesco, armam a obra. António Quadros, (...) ergue um inaudito e pertinente olhar sobre Bandeira Preta e Mar Santo [de Branquinho da Fonseca], remetendo-nos para uma vertente marcadamente enraizada na cultura lusa: a ligação ao mar ou ao rio como sustento."


Carla Edina Costa de  Figueiredo 
Universidade de Aveiro, Departamento de Línguas e Culturas (2006)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

III Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos


Em Outubro de 1967, António Quadros fez parte da delegação nacional ao III Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos em Roma, subordinado ao tema O Povo de Deus no Itinerário dos Homens que reuniu três mil pessoas vindas de 108 países tendo sido orador no Plenário do Congresso e nomeado, pelos quatro grupos linguísticos nele representados, porta-voz do «carrefour» "A apresentação da mensagem cristã ao mundo de hoje". Sobre este congresso, que provocou "verdadeiro alarme", "nos corredores do Vaticano e um pouco por todo o mundo" vale a pena ler o texto "Um congresso muito polémico", de Joana Lopes, publicado em 2007 no livro Entre as Brumas da Memória (Âmbar, 2007, pp.102-106). Segundo a autora foram "muito importantes as repercussões deste acontecimento que fugiu ao controlo dos próprios organizadores e que teve um eco muito grande na Igreja em geral e na portuguesa de um modo muito especial." 

Alguns dos temas abordados:

  • Condenação das práticas racistas e da discriminação racial e religiosa.
  • Defesa dos direitos das minorias, com menção concreta de solução justa para o problema dos refugiados da Palestina.
  • Prática de políticas realistas relativas à expansão demográfica.
  • Importância dos meios de comunicação social e seu compromisso com os oprimidos e desfavorecidos.
  • Plena igualdade de direitos do homem e da mulher na Igreja, e estudo do acesso das mulheres às ordens sacramentais.
  • Pedido no sentido de a doutrinação da Igreja sobre regulação da natalidade reconhecer aos pais a responsabilidade pela escolha dos métodos técnicos adequados.
  • Participação de leigos na eleição dos Bispos.

O texto de Joana Lopes pode ser lido aqui e as resoluções do congresso aqui.

Todas as faculdades anímicas e espirituais

"Dificilmente cria discípulos e faz escola quem não exprime com o fogo de uma permanente descoberta, quem não aceita a todo o instante o risco de errar, entregando-se à hipótese filosófica não apenas como inteligência lúcida mas sobretudo com a tensão expectante de todas as faculdades anímicas e espirituais."


António Quadros
"A Cultura Portuguesa perante o Existencialismo"
em Sartre e o Existencialismo de Ismael Quiles
(Arcádia, 1959)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Completam-se hoje 25 anos desde a sua morte.

João Gaspar Simões
Escritor, ensaísta, crítico literário, jornalista e tradutor, João Gaspar Simões nasceu na Figueira da Foz em 1903 e morreu em Lisboa a Janeiro de 1987. Dedicou grande parte da sua actividade literária ao estudo e à divulgação da obra de Fernando Pessoa, Antero de Quental, Camilo Pessanha e Eça de Queiroz. Foi um dos fundadores da revista Presença (1927-1940), escreveu nos jornais Diário de Lisboa, Diário Popular, Primeiro de Janeiro e Diário de Notícias, entre outros, e foi, para além de dramaturgo, tradutor de Balzac, Jean Cocteau, Dostoievski, Gogol, Aldous Huxley, Joyce, Kafka, D. H. Lawrence, Thomas Mann, Tchekov, Tolstoi, entre muitos outros.

Esteve com António Quadros em várias ocasiões, nomeadamente no Brasil, em Novembro de 1985, por ocasião de um círculo de conferências sobre Fernando Pessoa na Universidade de Brasília.

A Clepsidra de António Quadros


"Nem sempre se tem feito a merecida justiça a António Quadros, a sua obra fala por si: poeta, ficcionista, pensador, crítico, professor, António Quadros é um intelectual probo e honesto, da estirpe dos grandes intelectuais que se superioriza a todas as pressas e superficialidades de certa mediocridade impante que aí anda a dar-se ares nos «boulevards» citadinos. (...)"

Marques Gastão
 9 de Junho de 1988 de O Dia, a propósito da publicação das Obras de Camilo Pessanha
(Publicações Europa-América) organizadas e anotadas por António Quadros.

António Quadros e a Literatura Portuguesa na China

Em 1988, a Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito de um acordo com o Instituto de Literatura Estrangeira da Academia de Ciências Sociais da China, iniciou a publicação de várias obras de autores portugueses em chinês.
António Quadros foi o coordenador desse projecto em colaboração com Chen Guanfu. As primeiras obras publicadas foram: Os Lusíadas, de Luís de Camões; O Bobo, de Alexandre Herculano; Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco; A Paixão de Maria do Céu, de Carlos Malheiro Dias; e A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz. Os tradutores, alguns dos quais bolseiros da Gulbenkian em Portugal, foram: Wang Quan-Li, Xuo Duo, Cheng Fangwu, Lin Yn-An, Zhaang Weimin e Fan Weixin.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O mundo, o mesmo e outro

"Articulou uma palavra, escutou um eco interior, teve um sobressalto, um momento de temor, logo uma esperança ou a suspeita de uma esperança, apontando ao futuro sem fronteira e sem morte. Levantou-se, saiu de novo para a praça. O sol queimava. Começou a andar vagarosamente para o hotel. Quase sem transição, sentiu a alegria de estar vivo, e de poder viajar, e de poder regressar. Mas não seria propriamente um regresso, porque nunca se regressa. Tudo era velho e tudo era novo. Tudo era conhecido e tudo era desconhecido. O mundo, o mesmo e outro, era agora uma apaixonante proposta de aventura. (...)"


António Quadros
"A Aventura", 
em Histórias do Tempo de Deus (1965)

Eterno presente sem idade

"Viajar é despertar cada minuto para a curiosidade do minuto seguinte. Posse do espaço e anulação do tempo. Nunca nos relaxamos, nunca nos abandonamos. Levamos o nosso corpo e o nosso pensamento à prova de mil reagentes desconhecidos. Vibrantes, os elementos passam em nós ao estado de turbilhão. Ressurge o entusiasmo juvenil de inesperadas sensações estéticas ou de inéditos amores. Quando a paisagem se imobiliza à nossa volta, precipitamo-nos vertiginosamente para o fim do movimento. Mas se a paisagem começa a correr diante de nós, atrás de nós, através de nós, porventura nos ficaremos num eterno presente sem idade, dominando o tempo e o travo da solidão. (...)"


António Quadros
"A Aventura", 
em Histórias do Tempo de Deus (1965)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Compreendem agora, a sagrada disposição, a suprema relatividade?


"(...) Compreendem, agora porque começo enfim a sentir-me livre? Porque antes os meus passos me afastavam, em vez de me aproximar, porque antes as minhas acções regressavam sempre a mim, ao meu 'eu', à minha pessoa, anquilosando-me num círculo que tomara a própria estrutura do real, porque me compreendo enfim como um movimento menor, como uma fuga dentro da grande fuga, como uma partícula, dentro do grande verbo. Estamos todos comprometidos na mesma aventura, caminhamos todos para o mesmo fim, vamos todos irmanado na mesma condição, mas nada poderemos fazer uns pelos outros ou até por nós próprios, se não conhecermos a verdadeira natureza dessa aventura, desse fim, dessa condição. Subtilizando a nossa inteligência, sim, furtando o peso aos nossos hábitos, insuflando às nossas ideias a saudade ou simplesmente o desejo de levitação que nos toca nos momentos mais inefáveis, mas que é semente a cultivar nas nossas almas, descobrimos, vamos descobrindo, descobriremos o verbo para lá do humano, o verbo na raiz da contemplação, no centro da acção,  no núcleo mais irredutível do movimento, no perceptível, no audível, para lá do audível, no genético, no criador, no misterioso vital, no divino que habita a natureza, que espiritualiza a alma, que encarna no ser, que ama, que nos ama, que nos ama no amor, que promete o transcender das cisões, das diferenças, das oposições, dos antagonismo, dos egoísmos, dos círculos fechados, quando tomarmos a sagrada disposição de sermos também amor, e de levar os nossos pensamento, os nossos sentimentos, os nossos actos, à suprema relatividade que é também, o supremo dinamismo e o supremo conhecimento...
(...)

Ficaram todos calados durante alguns minutos. (...)

Paulo saiu, fechou a porta, desceu as escadas. Amanhã? Cristina deixou-se ficar encostada à porta, dizendo em voz baixa, descontroladamente: 
- Não, não, não. (...)"

António Quadros
"No tempo, revelando o tempo", 
em Histórias do Tempo de Deus (1979)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Fernando Pessoa e o Quinto Império em 2198


Este texto pode ser lido aqui.
Jerónimo Pizarro
Revista Ler, nº 109, Janeiro de  2012.
via Um Fernando Pessoa.

O cavalo espantado

"[Alves Redol] renovara-se já com A barca dos sete lemes e esse original e lírico fresco ribatejano dedicado a Almeida Garrett a que deu o título de Olhos d´Água. Com O cavalo espantado vai porém tão longe, que dir-se-ia estarmos perante um outro romancista - não porque se negue, mas porque foca o seu olhar em objecto inteiramente diferente dos seus predominantes motivos sociais (...) Alves Redol apresenta-nos Leo e Pedro como tese e antítese enquanto Yadwiga é a mulher dividida entre uma realidade que intimamente repele e um sonho de idealidade em que já não ousa crer. (...) Leo é um homem amoral, para quem o dinheiro é o primeiro princípio da sociedade e o erotismo é o primeiro princípio do amor. Em Yadwiga há (...) uma aceitação resignada deste amoralismo e ao mesmo tempo um despertar a que não é alheio o exemplo de Pedro. Neste, ao contrário de Leo, há a corajosa procura de uma «personalidade ética», a qual apenas se afasta do moralismo cristão, na medida em que o autor exprime um tipo de moral Kantiana unicamente derivado da razão (...) Devemos acrescentar que a conclusão do livro é tão ambígua quanto a teoria kantiana que suporta a tese. O problema ético proposto fica na realidade sem solução e suspende-se interrogativamente. O maior mérito do livro reside pois na proposição e desenvolvimento da questão, na análise dos caracteres, na verosimilhança das situações, sobretudo na fidelidade psicológica das personagens. (...)"


António Quadros
"Neo-Realismo em evolução, «o Cavalo Espantado» e «Barranco de Cegos», de Alves Redol
em Crítica e Verdade (1964) pp. 88-95.

Diário de Lisboa, 12 de Janeiro de 1961

Diário de Lisboa, 7 de Julho de 1960

Diário de Lisboa, 25 de Fevereiro de 1960

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Tradição

"Contigo, sei que o mais insignificante acontecimento da fábrica, passa à frente do mais importante acontecimento do nosso amor. Olha que é triste e é humilhante... (...) Durante a guerra, todos os teus camaradas me diziam que eras um oficial exemplar. Agora, queres ser um patrão exemplar. Tens um lado «Simão, o Patético», um lado aluno-modelo, és «honesto»; não é um crime, mas é um pouco massador... Ou então, gostaria que tivesses a mesma consciência no que diz respeito ao nosso amor.
- Mas em questões de amor não preciso da consciência para nada. Amo-te naturalmente, sem esforço.
Simone pôs de lado os pincéis, levantou-se e veio sentar-se na relva, aos pés de Bernardo.
- Nada se consegue sem esforço - disse. - Eu, procuro fazer de cada instante da minha vida uma pequena obra prima. Quero que seja belo, o encontro com a manhã, que o meu vestido diga com o tempo e com a hora, que a última frase que se diga à noite faça um bom «fim de acto». (...)"

André Maurois
em Tradição, Edição Livros do Brasil, 1964
tradução de António Quadros.
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André Maurois, pseudónimo de Émile Herzog, nasceu em 1885, em Elbeuf, França. Escreveu romances, livros infantis, ensaios, contos e histórias de ficção cientifica, mas foi como biógrafo que se notabilizou. Das muitas biografias que escreveu,  destacam-se A la recherche de Marcel Proust, de 1948; Les Trois Dumas, de 1957; e Prométhée ou la Vie de Balzac, de 1965.
Em 1938 tornou-se membro da Academia Francesa e,  no  início da II Guerra Mundial combateu pelas forças aliadas no Norte de África, ao lado de Antoine de Saint-Exupéry, de quem era grande amigo. Faleceu aos 82 anos no dia 19 de Outubro de 1967.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cadernos II


"A política e o destino dos homens são organizados por homens sem ideal e sem grandeza. Aqueles que têm uma grandeza neles próprios não se ocupam de política. Assim em todas as coisas. Mas trata-se de criar agora em si próprio um novo homem. Seria preciso que os homens de acção fossem também homens de ideal e poetas industriais. Trata-se de viver os próprios sonhos - de os pôr em movimento. Outrora, renunciávamos ou perdíamo-nos. É necessário não nos perdermos e não renunciarmos."


Albert Camus, em Cadernos II (Setembro de 1937/Abril de 1939)
Edição Livros do Brasil, tradução de António Quadros

A mais completa edição das obras de Pessoa


"António Quadros está sempre comigo: os três volumes encadernados a vermelho e dourado, da Lello Editores, "Obras de Fernando Pessoa" (que me ofereceu, com dedicatória) estão sempre à mão de consultar. Continua a ser a mais completa edição das obras reunidas de Pessoa e os seus "outros", que em boa hora editou em 1986. Nos comentários que vai fazendo ao longo dos diferentes capítulos, reencontro a inteligência e a sensibilidade que me permitiu partilhar com os meus alunos quando com elas nos brindou, de viva voz, nas minhas aulas de Mestrado de Estudos Pessoanos."

Teresa Rita Lopes
António Quadros, 18 anos depois
Fundação António Quadros, (2011)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Homem de cultura


"Poucos autores nos convidaram tanto como António Quadros a repensar Portugal. Pensador português e de Portugal, sondou as nossas raízes e interrogou o mistério e os mitos da nossa condição lusíada. Não se enredou em jogos dialécticos em que se comprazem intelectuais brilhantes mas estéreis. Não fez frases - fez uma obra. Foi mais sério do que lúdico. E homem de cultura, distinguiu-se também pela acção cultural, promovendo muitas iniciativas: jornais, revistas, colóquios, institutos. E em todas as circunstâncias, sempre optimista e cordial."

João Bigotte Chorão
António Quadros, 18 anos depois
Fundação António Quadros (2011)

Larga e generosa tolerância


"Não tive infelizmente ocasião de privar quotidianamente com António Quadros num tempo de dilatados anos, embora, antes de o conhecer pessoalmente, o conhecesse havia muito de reputação e obras. Mas conhecê-lo, e entregar-me a longas e apaixonantes conversas com um homem de quem me separavam gerações e ideias, foi um acontecimento inolvidável na minha vida - e uma marcante lição: uma lição de bonomia, de afectuosa simpatia, de inteligência, de larga e generosa tolerância."

Pedro Tamen
António Quadros,18 anos depois
Fundação António Quadros (2011)

Paredes meias


"(...) De que é afinal precursor Camilo? Antes de mais nada, de uma análise das paixões da alma que, se corresponde a uma fenomenologia muito portuguesa, na fidelidade ao mito de Tristão e Isolda, que já nos vem de longe e se nos renovou com a paixão de Pedro e Inês, nem por isso deixa de corresponder a uma das linhas dominantes da psicologia contemporânea. Camilo afasta-se inteiramente do racionalismo, do iluminismo, da ligeireza libertina do século VXIII, pois que, para ele, o excesso sentimental caracteriza a acção criadora dos homens. Ele é o expressor e até biograficamente o representante de tal excesso. Isto tem sido valorado negativamente e jogado como provra do seu anacronismo. Simplesmente, nós sabemos hoje que a psicologia procura a situação-limite, paredes-meias com a loucura, para determinar a fundura da psique. Camilo, muito mais do que Eça, aproxima-se da psicologia das profundezas, tocando e expressando o inconsciente colectivo da tipologia humana de que povoou os seus livros. (...) Camilo tudo ousou, talvez porque a sua mestria estilística tudo permitia: as interferências pessoais; as digressões despropositadas; as reflexões irónicas ou apaixonadas surgidas por associação de ideias..."


António Quadros
Introdução à estrutura do Universo Camiliano
(Porto, 1990)

Colóquio Mário Saa

O CEFi ‑ Centro de Estudos de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP), através da sua linha de investigação Filosofia e Cultura Ibérica, em parceria com a Fundação Arquivo Paes Teles (Ervedal – Avis), a que se associaram o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Fundação António Quadros, a Associação dos Amigos do Concelho de Aviz e a Câmara Municipal de Avis, concebeu este colóquio, «Mário Saa: Poeta e Pensador da Razão Matemática – nos 40 anos da sua morte», a fim de reunir todas as pessoas que têm vindo a desenvolver estudos sobre o autor, contribuindo para a promoção de uma figura marcante da cultura portuguesa.

Mais informações aqui.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Direcção de Leonardo Coimbra



Leonardo Coimbra, "Professores"
 em Nova silva : revista ilustrada, N.º 5, [3 de Abril] de 1907
Todos os números disponíveis aqui.

“[...] resta apenas uma saída: a de ficar só, completamente só em si mesmo e a de nessa solidão se manter firme, não cedendo um ponto. Evidentemente que foram movimentados todos os meios para obstruí-la: o trabalho obrigatório é, talvez, o mais poderoso, na medida, por exemplo, em que nos força a ocupar-nos naquilo pelo que não só não temos qualquer interesse, mas que está organizado de modo a moldar-nos interiormente num certo sentido que não é, certamente, o da liberdade. Além disso, estar só é quase insustentável, mas isso é também o sinal de que pode constituir um caminho."

António Telmo
 História Secreta de Portugal,
“Últimas reflexões de um profano”, p. 162.
Via as 101 cartas de Pedro Sinde

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Santana Dionísio


Princípio: publicação de cultura e política N.º 3

Crença

"Crer é atribuir realidade. (...) A crença absolutiza. Faz da atribuição subjectiva da realidade o absoluto de que dependem todos os seres reais. E quando os princípios acabam por ser degradados em objecto de crença - que é o que a política faz da verdade, da liberdade e da justiça - o domínio dos homens fica entregue à tirania. (...) A religião é o arcano da política como o proselitismo é o modelo da doutrina partidária."


Orlando Vitorino
A Idade do Corpo; Fenomenologia do Mal
Teoremas (1970)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fenomenologia do Mal

"O mal não é um problema. (...) O mal é, pelo contrário, algo que se inclui em todo o objecto do pensamento. (...) O mal é um mistério. (...) O mal é, pois, incognoscível ao homem."

Orlando Vitorino
A Idade do Corpo; Fenomenologia do Mal
Teoremas (1970)

sábado, 17 de dezembro de 2011

O destino rasga e cose

"O meu envolvimento com a chamada «filosofia portuguesa» [essa corrente do pensamento que muito do academismo ainda hoje desconsidera e apouca] deu-se através do António Quadros, primeiro pela síntese que ele fez dos vários afluentes desse grande delta do sentir filosoficamente a essência saudosa do ser, depois pela cruzada própria que travou até ao fim pelo espírito de 57]. Simultaneamente chegou-me o Jesué Pinharanda Gomes, a sua obra própria e a intensa e humilde actividade divulgadora e formativa. A partir daqui fui-me espraiando, como quem dá braçadas contra a corrente do "racionalismo" contemporâneo e seus demónios materialistas. (...)" Continue a ler aqui.

José António Barreiros

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Trazer a lume

As Bruxas de Salém, Tradução de António Quadros

Um Eléctrico Chamado Desejo, tradução de António Quadros
Não constavam ainda da lista de livros traduzidos por António Quadros as peças de teatro: As Bruxas de Salém, de Arthur Miller, de 1957 e Um Eléctrico Chamado Desejo, de Tennessee Williams, de 1963.

Foram ambas levadas à cena pela Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, mas nunca foram publicadas em livro, razão que, em parte, esclarece a omissão da sua bibliografia. 
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Traduções de António Quadros

1945 - Tradução (e prefácio) de Diário de Salavine de Georges Duhamel
1954 - Tradução de Tradição de André Maurois
1955 - Tradução de Tomás, o Impostor de Jean Cocteau
1957 - Tradução de As Bruxas de Salém de Arthur Miller
1960 - Tradução (e prefácio) de Os Justos de Albert Camus
1963 - Tradução de Um Eléctrico Chamado Desejo de Tennesse Wiliams
1964 - Tradução (e prefácio) de O Estrangeiro de Albert Camus
1965 - Tradução (e prefácio) de Cadernos II de Albert Camus

Camus


"Albert Camus impôs-se-me antes de mais nada como um dos poucos escritores sérios da nossa época. (...) Escritor sério porque, para ele, a literatura não era um jogo, um pretexto para afirmação pessoal, um meio de atingir a glória, uma actividade gratuita e sem responsabilidade no próprio destino do mundo ou ainda uma forma de enfeudamento às suspeitas forças de uma sociedade egolátrica ou desviada do seu mais fundo sentido criador."

António Quadros
do prefácio a Os Justos de Albert Camus
Lisboa, Livros do Brasil, 1960, p.129.