segunda-feira, 11 de junho de 2012
Centro de Estudos Pinharanda Gomes
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Pinharanda Gomes
quinta-feira, 7 de junho de 2012
No abismo do mistério
"No abismo do mistério uma luz brilha de inalterável claridade, é o dever."
Leonardo Coimbra
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Leonardo Coimbra
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Esforço de imortalidade
"Esta vida só pode ser deixada, quando, penetrada, de universal vontade amorosa. (...) Do nosso lado continuamos o esforço de imortalidade, apoiamos o desejo de ser que por ventura anime os desaparecidos - a nossa recordação, a memória, é o alimento que lançamos a essa fome, o óleo derramado sobre essa pequena chama para que seja clarão, incêndio inextinguível."
Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade
(1918), p. 179
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Leonardo Coimbra
Delíquio
"Como sentimos o delíquio da nossa personalidade, pensamos por vezes que um panteísmo niilista nos absorve; mas não é a diminuição da consciência, é o seu desapego das vulgaridades interessadas e a sua expansibilidade, a sua universalização que nos elevam."
Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade
(1918), p. 167
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Leonardo Coimbra
No mistério imenso que nos cerca
"No mistério imenso, que nos cerca, nada de definitivo e em definitivos termos podemos afirmar senão a conexão dos fenómenos."
Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade
(1918) p.134
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Leonardo Coimbra
Da liberdade
"A filosofia como órgão da liberdade é pesquisa teórica e mais ainda atitude prática: a libertação do comportamento, do sagrado das prescrições imperativas e a sua norma pela autonomia do querer. A reflexão filosófica é o desenho virtual da autonomia da vontade, pois que o acto não é mais que a realização da ideia,sua forma virtual."
Leonardo Coimbra
A Razão Experimental (1923) p. 30.
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
Biogr. Kamenezky
Teresa Rita Lopes recebeu nova comunicação de Álvaro de Campos – que se apressa a dar a conhecer.
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| Eliezer Kamenezky |
A revelação-mor da sua “Quase-autobiografia” pessoana, faz questão de realçar Cavalcanti Filho, é a de que Elieser Kamenezky é um novo heterónimo de Pessoa, a acrescentar ao de José Coelho Pacheco e Padre Matos, entre outros que inegavelmente existiram como António Botto e Mário de Sá Carneiro e – revelação ofuscante! – D.Sebastião!
No prefácio que fez ao livro de poemas de Eliezer Kamenezky, Alma Errante, em 1932, o Fernando tem o cuidado de aconselhar o leitor a que os leia “sem Grécia, isto é, sem estética nem metafísica” nem “preconceitos estéticos” porque “são infantilmente sinceros – têm uma poesia própria, independente da poesia que é propriamente poesia”. Está tudo dito: não são poesia a valer. Jamais Pessoa assumiria qualquer dos seus versos. Que papel terá tido nesse livro? A rogo do judeu russo, seu amigo - que estaria tão empenhado em legar livros à posteridade como o nosso Biógrafo a decisiva biografia de Pessoa! – ter-lhe-á passado os poemas à máquina, limpando-os dos seus erros ortográficos e outras muitas impurezas mais evidentes: por isso alguns ficaram no espólio pessoano, o que não é prova que Pessoa os tivesse escrito. (O Fernando costumava fazer cópias do que escrevia à máquina.) Também lá está o romance que Kamenezky quis publicar, Eliezer – o papel que nisso teve o Fernando é coisa para meditar, não aqui – e isso não quer dizer que seja de Pessoa. (Que o judeu russo lhe pagou por essas colaborações, como acusa indignadamente o Biógrafo? Porque não, se ele podia e o Fernando precisava? Pensa que ele nadava em dinheiro, como o Sr.?)
Jamais da pena de Pessoa sairiam “infantilidades” - assim por ele consideradas no prefácio - como os versos de Alma Errante. Pequenos exemplos:
Como uma borboleta voa /Atrás de outra, no ar,/Assim eu vou atrás de ti,/
Dias e noites, com o meu pensar.
Outra infantil “sinceridade”:
Quem ama e não encontra o seu ideal /É tão infeliz, e desgraçado, /
Como eu…
Dou ao Biógrafo, de borla, esta sugestão: a certa altura, uma voz feminina responde ao amado com estes esplêndidos versos: “Querido, os teus versos são pétalas / Da tua alma sofredora./ Cada uma encerra o aroma / Da tua alma sonhadora.” Mais um heterónimo neto do Fernando: heterónimo feminino do heterónimo Kamenezky…
O Biógrafo prova definitivamente a sua atribuída autoria invocando o final do poema (em que o Poeta se dirige à amada, “esculpida com persistentes marteladas / No mármore vivo da minha dor / E do meu sofrimento”) em que ela se põe a tocar Beethoven, Chopin e Mendelssohn e não músicas lá da sua terra, Kalinkas e coisas assim… (Já agora , fique sabendo que Mendelsshon era judeu!) Que o Sr. acredite que essa máquina e a secretária que acaba de comprar pelo preço de um apartamento eram do Fernando, é lá consigo, mas que queira atribuir-lhe esses versos indigentes é que já é connosco…Na sua ânsia de revelar o verdadeiro e ainda oculto Pessoa, inventa heterónimos que nunca existiram como tal ou que foram gente de verdade e, opostamente, tenta desatribuir obras, como o Guia de Lisboa que já está provado por quem sabe e pode fazê-lo que saiu mesmo da pena do Fernando… Não suba o coleccionador acima das suas colecções…
Mas olhe: por si até tenho simpatia, como por todos os coleccionadores. (Até lhe direi ao ouvido onde pode adquirir o urinol que retiraram do Martinho da Arcada de que – ah isso com certeza! – o Fernando se serviu muitas vezes!) A quem eu não perdoo é às figuras mais ou menos públicas que têm promovido os seus irresponsáveis dislates.
Álvaro de Campos, pela pena de Teresa Rita Lopes
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Nota: O meu agradecimento à professora
Nota: O meu agradecimento à professora
Teresa Rita Lopes que hoje, dia 31 de Maio de 2012, me fez chegar este texto, depois de ler este.
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Teresa Rita Lopes
segunda-feira, 28 de maio de 2012
A maior novidade deste livro
Fernando Pessoa: uma quase autobiografia
de José Paulo Cavalcanti Filho
"Não será hábito começar uma recensão de um livro por citar outras apreciações já publicadas. Mas neste caso torna-se irresistível falar na maneira como a mais recente biografia de Pessoa foi sendo recebida nas últimas semanas: Fernando Pessoa seria homosexual? Sim, Cavalcanti diz que Pessoa era gay (já agora, também era Gandhi). A devassa levada a cabo pelo "Brasileiro" continuou inclusive pela descoberta de mais 55 heterónimos e por ousar dizer que Pessoa, afinal, não tinha imaginação.
Escapou a todos a maior novidade deste livro: o facto de não ser um livro com novidades.
Não me percebam mal, a edição é cuidada e a investigação minuciosa, mas (...)". Continue a ler aqui.
Nuno Hipólito
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Nuno Hipólito
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Entre a corrida e o voo
"Não tenhamos, pois, receio de uma descoberta catastrófica que faça tábua rasa da nossa experiência - entre a corrida e o voo há a transição do salto."
Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade (1918)
p. 136
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terça-feira, 22 de maio de 2012
Não foi de burro
"Não foi de burro, ajaezado à andaluza, mas de smoking, isto é, de grande burguês em traje de gala ou de «lepidóptero» engalanado, o que ia dar ao mesmo (...)."
António Quadros
da Introdução a Obra Poética Completa, de Mário de Sá-Carneiro
Publicações Europa-América (1991), pp. 19-81
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Mário de Sá-Carneiro
Uma nova realidade aqui
"Talvez que o mais original da escrita de Mário de Sá-Carneiro seja não propriamente o insólito das situações e das personagens que elaborou, projecções de uma realidade-além e de um homem-Outro, isto é, dupla aspiração quimérica de uma objectividade e de uma subjectividade diferentes das que o envolvem e definem social e psicologicamente no extrínseco do ser, mas o modo surpreendente como utilizou os adjectivos e os advérbio ao serviço da tal diferença, procurada e obtida, fazendo-os caracterizar ou ferir os substantivos e os verbos (...) de forma tão singular, bizarra, insólita e contudo intencional, que dir-se-ia pretender o escritor a criação de uma nova realidade aqui.
António Quadros
da Introdução a Obra Poética Completa, de Mário de Sá-Carneiro
Publicações Europa-América (1991), pp. 19-81
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Mário de Sá-Carneiro
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Campos manifesta-se sobre os seus 206 colegas heterônimos (127+75+5)
Carta psicografada por Teresa Rita Lopes
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| Fernando Pessoa: uma quase autobiografia de José Paulo Cavalcanti Filho |
"Imaginar esse livro a servir de manual aos nossos estudantes – que têm todos Pessoa nos programas – causa-me tal calafrio que dou comigo a rapar da pena para essa inglória tarefa! É que o abnegado ex-ministro declarou publicamente estar disposto a abdicar dos seus direitos de autor para, com eles, porem nas mãos dos estudantes portugueses esse instrumento indispensável. (Lembra-nos outro político mas esse, ao menos, deu-lhes um objecto útil, um computador, enquanto que este devia ser retirado do mercado. Devíamos arranjar, para controlar estas situações, algo como a ASAE, que nos defende de alimentos impróprios para consumo.)
Vamos por partes – que o livro tem 700 e tal páginas ! (...)"
Vamos por partes – que o livro tem 700 e tal páginas ! (...)"
Teresa Rita Lopes
aqui.
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Teresa Rita Lopes
sábado, 19 de maio de 2012
"Aparentemente conciliador mas intimamente revulsivo."
"103.º Dia
Com o seu inesgotável talento, aparentemente conciliador mas intimamente revulsivo, António Quadros descreve, numa palestra pública, como é que, há longos longos anos, o Estado não atende à voz dos «intelectuais», fenómeno que explica a crise que, há longos longos anos, se instalou entre nós. Não atende, quer dizer, não entende. Porque é que os «intelectuais» não deitam mão ao Poder?"
104.º Dia
(...) Que obstáculo se interpõe entre os «intelectuais» e os poderes do Estado? Shakespeare, que sabia destas coisas, fez dizer a Júlio César: «Cássio é homem perigoso. Lê muito e pensa demasiado».
Vou eu andando na rua a pensar nisto tudo e dou de caras com o Manuel Múrias que logo, truculento como uma personagem shakespereana me atira: «Sou muito seu amigo, mas já preveni na família: este Orlando Vitorino é o homem mais perigoso que há em Portugal. Se ele ganha as eleições, sou o primeiro a fugir». Não há dúvida: o Múrias também sabe destas coisas."
Orlando Vitorino
em "O processo das Presidenciais 86",
(1986), p. 62
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Da arte de contar
"A arte de contar mergulha as suas raízes num mundo primitivo ou primordial que, no entanto, nos habita ainda. Arcana ars foi o centro irradiante de onde nasceram, em formas cada vez mais independentes e separadas, a poesia, o drama, o actual romance e, até, a filosofia, se nos lembrarmos de que nos filósofos pré-socráticos, mesmo num Platão ou num Plotino, o mito mal se deixa cobrir pela reflexão. Contar foi reconstituir em palavra, em voz e em música os actos originais que fundaram o cosmos e o homem. Contar, imitando o ritmo do verso o próprio ritmo da natureza e dos ciclos criadores estabelecidos pelos deuses e, pelos génios e pelos heróis, foi manter viva, através de gerações e para além do tempo, uma tradição apontando a mitos antigos e eternos pelos quais os homens se habilitariam ao «conhece-te a ti mesmo» que, em Sócrates, aparece repetido e todavia de certo modo negado. Contar foi, afinal, interpretar o tempo presente à luz de um tempo cujos pontos idênticos e equidistantes existem infinitamente longe no futuro, de tal modo que, em última análise, passado e futuro se dão as mãos graças à palavra, anuladora do tempo, do contador de mitos ou de histórias. Assim, no mais significativo dos contos em terra portuguesa originados, o conto dos Lusíadas-argonautas que Luís de Camões narrou em estâncias epopeicas, a gesta do descobrimento é actualizada em mito, não com algo que existe no passado, mas com algo que coexiste e coexistirá sempre ao tempo dos Portugueses, dinamizando toda a sua história e marcando ao futuro uma interpretação que transformará o ciclo da viagem-tempestade-descoberta-regresso em substância de uma vida reintegrada nos arcanos divinos - pois também o homem parte, sofre e só depois de se encontrar poderá reintegrar-se no seio de uma realidade transcendente e primordial. (...)"
António Quadros
Do prefácio a Adeus, Amigo!... (1960)
de Maria Irene Dionísio
de Maria Irene Dionísio
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Maria Irene Dionísio
Como?
"O autor, advogado e ex-ministro brasileiro, é um apaixonado pela vida e obra do poeta da Mensagem tendo reunido neste volume um manancial impressionante de informação alguma dela nova. Uma leitura agradável que conduz à releitura de Pessoa e portanto a uma melhor compreensão de Portugal."
Carlos Fiolhais
no Público de hoje
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José Paulo Cavalcanti Filho
terça-feira, 15 de maio de 2012
No caminho para uma comunhão futura
"Justiça, liberdade e desenvolvimento iluminar-se-iam sob um novo foco e poderiam reconciliar-se no caminho para uma comunhão futura, se pudéssemos colocar ao seu lado, no mesmo plano de urgência, os valores da beleza, de amor e de verdade."
António Quadros
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Excertos da obra
Carta de Álvaro Ribeiro a António Telmo, 30 de Outubro de 1958
(...) Nesta Lisboa dos cafés vão-se desmoronando as tertúlias, em consequência das invejas e das intrigas. Há duas semanas que não vejo o António Quadros. As conversas habituais causam desânimo. O que me vale, acredite, é o vício de escrever para longe…
Leia aqui.
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António Telmo
domingo, 13 de maio de 2012
Franciscanismo na filosofia portuguesa
O Centro de Estudos de Filosofia (CEFi) da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, organiza a 23 de maio um seminário integrado no projeto "Presença do Franciscanismo na Filosofia Portuguesa". Este é o primeiro de vários encontros sobre figuras franciscanas que estão a ser objeto de investigação, casos de Santo António de Lisboa, Frei Gomes de Lisboa, Frei André do Prado, Frei Cristóvão de Lisboa, Frei Agostinho de Macedo e Francisco da Gama Caeiro.
O ciclo, organizado em parceria com o Centro Cultural Franciscano, vai também centrar-se em pensadores com reflexão inspirada no carisma de S. Francisco de Assis, como Leonardo Coimbra, António Quadros e Sebastião da Gama.
A sessão inaugural realiza-se a partir das 14h30 na sala 131 da sede da Universidade Católica.
Via Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
http://www.snpcultura.org/franciscanismo_filosofia_portuguesa.html
http://www.snpcultura.org/franciscanismo_filosofia_portuguesa.html
sexta-feira, 11 de maio de 2012
1888
- A adesão de Pessoa ao conceito de uma República Aristocrática; logo, a transferência de uma Rei hereditário para uma personalidade «eleita» do alto.
- A desilusão, não só pela morte de Sidónio, mas sobretudo pela pouca influência que o Presidente-Rei deixou atrás de si.
- A sua exigência de um Quinto Império, não material, mas cultural e espiritual.
- O seu conceito de que os verdadeiros criadores de civilização são as grandes figuras intelectuais, como Camões, Shakespeare - e o anunciado Supra-Camões dos artigos de 1912 na Águia.
- A sua insinuação de que esse Supra-Camões viria a ser o poeta então desconhecido que já experimentava dentro de si a força de um grande génio criador.
- A consciência da sua espiritualidade supranormal, ponteada de inspirações, iluminações, visitações enigmáticas e até fenómenos místicos, conforme vimos no capítulo anterior.
- Daí, a crença de que ele próprio era, como vimos, um Emissário, comissionado do Alto para trazer uma Mensagem de salvação ao povo português.
- Crença esta por assim dizer confirmada pela sua descoberta de que a Ordem Templária de Portugal estaria extinta em dormência desde cerca de 1888, data do seu nascimento, e de que, por conseguinte, o testemunho lhe fora passado por força do destino.
- E, por outro lado, a convicção de que ninguém, como ele próprio, teria entre os seus contemporâneos a capacidade de ser mais paradigmaticamente português, isto é, de ser tudo, de todas as maneiras, ou, como cantou pela voz de Álvaro de Campos no extraordinário poema, já citado, Afinal a melhor maneira de viajar é sentir - sentir de todas as maneiras (...)
- A certeza de que ninguém, entre os Portugueses, preencheu tão cabalmente aquela condição, ele que foi não só Fernando Pessoa, mas também Campos, Reis, Caeiro (...) desta forma realizando em sia, de forma fingida mas real, aquela supra-humanidade ou aquela semidivindade que funda o paganismo. Lembremos aqui a sua citação de Píndaro: A raça dos deuses e dos homens é uma só.
- Enfim, a sua descrição astrológica de uma das quadras do Bandarra, a que mais adiante nos referiremos.
Assim este homem ensimesmado, angustiado, quase apagado e aparentemente modesto, por alguns anos guardou para si, com a megalomania do génio, não diremos a convicção, mas a suspeita de que, mais do que um Emissário, seria talvez um Intermediário pesado de transcendência, esse encoberto misterioso predito pelo Bandarra e que teria vindo a esta terra infeliz para fundar o Quinto Império, o Império do Espírito Santo. (...)"
António Quadros
"1888" em Fernando Pessoa - Vida, Personalidade e Génio (1984) , pp. 244-248
[Sobre este assunto vale ainda a pena ler o texto "Fernando Pessoa - Eu ser descoberto em 2198", de Jerónimo Pizarro publicado na Revista Ler nº 109, Janeiro de 2012, disponível aqui.]
*Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.
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Fernando Pessoa
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Iluminantes revelações
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| Fernando Pessoa: uma quase autobiografia de José Paulo Cavalcanti Filho |
"Confesso que esta noite não vou dormir a tentar lembrar-me se a sapataria onde o Pessoa elegantemente se calçava era Contente ou Contexto. É que, sem isso, como afirma o biógrafo, nunca chegaremos ao entendimento da sua obra! - à revelação do “testamento” que a obra pessoana constitui e “que esperou 70 anos” “que alguém a desvende”. Salvé, senhor ex-ministro da Justiça, que com estas iluminantes revelações vai finalmente fazer jus ao génio do Fernando!
Com igual rigor investigatório e interpretativo, diz o autor da biografia (quase) que eu me chamo Álvaro de Campos porque o Fernando tinha um dentista que se chamava Ernesto de Campos! Agora sou eu que me vou pôr a investigar sobre algo de tão importante para a minha identidade: com quantos Campos, além do engraxador, do moço dos recados e do criado de café, lidava quotidianamente o Fernando.
Peço a quem me ler, e tiver alguma informação a este respeito, que faça o obséquio de ma comunicar, que eu não tenho posses para pagar a informadores. (...)"
Com igual rigor investigatório e interpretativo, diz o autor da biografia (quase) que eu me chamo Álvaro de Campos porque o Fernando tinha um dentista que se chamava Ernesto de Campos! Agora sou eu que me vou pôr a investigar sobre algo de tão importante para a minha identidade: com quantos Campos, além do engraxador, do moço dos recados e do criado de café, lidava quotidianamente o Fernando.
Peço a quem me ler, e tiver alguma informação a este respeito, que faça o obséquio de ma comunicar, que eu não tenho posses para pagar a informadores. (...)"
Teresa Rita Lopes
aqui.
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Teresa Rita Lopes
Perfeitamente indispensável
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| Fernando Pessoa: uma quase autobiografia de José Paulo Cavalcanti Filho |
"Prometo que me vou avidamente precipitar sobre o seu livro. Se o senhor entretanto comprar a arca, quem sabe se eu até vou escrever que saber o nome da sapataria onde o Fernando se calçava, e da rua da tabacaria que me inspirou e da lavadeira Irene e sua filha Guiomar é perfeitamente indispensável para entender a nossa obra – nossa, sim, que detenho um razoável número de quotas nessa empresa. (...)"
Teresa Rita Lopes
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Teresa Rita Lopes
Peregrinação na noite
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| Anrique Paço d'Arcos e Teixeira de Pascoaes |
"A sua obra [de Anrique Paço d'Arcos] situa-se, sem dúvida, na esfera pascoalina do lirismo saudosista e simbolista. (...) Não é o arrebatamento sem limites, não é o poder mitogénico, não é o estilo torrencial, não é a poderosa dialéctica de sombra e de fogo, do autor de Marános, de Regresso ao Paraíso, de Elegia do Amor, porque é, digamos, um saudosismo mais humano e por isso também mais frágil, mais voltado para dentro, mais interrogativo. (...) A sua poética permanece a de um simbolismo neo-romântico, marcado pelo saudosismo e pela procura de um sentido religioso para a vida, para o cosmos e para o homem.
Mas há na sua obra uma exemplaridade de que talvez não se dê conta. É a exemplaridade do que é autêntico, do que é sério e do que se liga profundamente às raízes da sua própria identidade ou do próprio ser. (...) O itinerário de Anrique Paço d'Arcos é, no fim de contas, uma peregrinação na noite, mas com a luz do divino no horizonte."
António Quadros
"Um herdeiro dilecto de Teixeira de Pascoaes: Anrique Paço d'Arcos"
em Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa (1992), pp. 140-143
[do artigo "A Poesia de Paço d'Arcos" publicado na revista Tempo de 27.5.1982]
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O toiro celeste passou
"O Toiro Celeste Passou [Afonso Botelho, 1965] não é apenas a sua melhor novela: é também, não hesitamos em afirmá-lo, uma das mais invulgares novelas com que pode contar a nossa literatura contemporânea. (...) A novela flui com naturalidade, a partir de um dado inicial ou fabuloso, de função provocadora e dialéctica. (...) Este processo dá efectivamente à novela um cariz existencial que se irá confirmando pouco a pouco. Apresenta-nos Afonso Botelho a dialéctica da honra e da verdade, que também pode traduzir-se como dialéctica do personalismo e da filosofia. Mas onde, quanto a nós, Afonso Botelho supera a interpretação puramente kafkiana ou existencialista, é na coincidência com outras dimensões que abrem a simbólica da novela a uma amplitude muito maior. (...) Sejamos um pouco mais precisos. A novela abre com uma epígrafe aparentemente enigmática, mas que justifica inteiramente o seu titulo: Nout, a deusa do céu, acolhia o sol como o Toiro celeste, incarnação da virilidade (Textos da Pirâmide). Logo, apresenta-nos quatro amigos, de caracterologia diferente e bem marcada, jogando às cartas e conversando. Qual seria a sua reacção quando postos face a face com a sua própria verdade, com a verdade que o homem-pessoa, que o homem-convencional oculta de si próprio e sobretudo dos outros? É então que, provocado e invocado pelo diálogo, o toiro celeste passa, deixando na cabeça de cada um o ornato que tradicionalmente significa a infidelidade da mulher. (...)"
António Quadros
"Entre o Amor a Morte, entre a Honra e a Verdade"
em Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa (1992), pp. 158-159
[de artigos publicados no Diário Popular, de 11-08-1966 e de 19-03.1967]
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Perfeitamente adequado
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| Delfim Santos |
"O único critério de verdade útil para o conhecimento tem em si a expressão da sua relatividade. Possuir o sentido da sua relatividade não significa, porém, que este critério fez perder à verdade o seu valor absoluto, que lhe é exigido para ser verdade. Absoluto, no problema do conhecimento, equivale a «plenamente adequado». Verdade «relativa a» não significa que a verdade é, em si mesma, relativa. A verdade, no sentido total ou universal que criticamos, é sempre «relativa a» uma certa concepção do universo, sem por isso ter perdido o seu valor absoluto ou de plena adequação. «Absoluto» e «relativo » não se contradizem, porque qualquer conhecimento absoluto que pensemos é sempre «relativo a», sem em si próprio ser relativo. (...) A afirmação de que «absoluto» é contrário a qualquer espécie de relação não nos parece correcta. Absoluto significa em «relação perfeita a». No problema do conhecimento, «absoluto» significa «perfeitamente adequado», e esta adequação é uma relação que não torna o conhecimento relativo, como já afirmámos. O valor máximo para que todo o conhecimento aspira é a «adequação», e nisto reside o seu valor absoluto."
Delfim Santos
Conhecimento e Realidade
(1940)
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Delfim Santos
Poetisar o lugar-comum
"A arte tem de seguir a vida, reentrar na casa, fazer-se familiar e doméstica. (...) Não mais veludos e tapetes de palácios, agora a vida humilde de mesteirais. (...) Urge (...) poetisar o lugar-comum. A casa."
Sampaio Bruno
Notas do Exílio (1891-1893)
Obra digitalizada aqui.
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Sampaio Bruno
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Em bocas de verdura
"Imaginai que, subterrâneo e distante, vos corre sob os pés um regato, e donde em onde a terra se abre em bocas de verdura, falando o refrescante murmúrio das águas profundas.
Assim são os Poetas."
Leonardo Coimbra
Camões e a fisionomia espiritual da Pátria (1920)
Obra digitalizada aqui.
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Leonardo Coimbra
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Dalila Pereira da Costa por Paulo Samuel
"Para os que por ora ficam, resta o bastante: memória da convivência com uma pessoa humana singular, cuja sabedoria se escudava numa discreta presença que, contudo, por via da palavra, elidia o género, imarmanava géneros (literários e filosóficos) e gerava penetrante visão hierofânica de Portugal. (...) É do banquete com Dalila Pereira da Costa (...) que as afinidades e laços electivos - prolongados em afectos - propiciadores de um diálogo contínuo, que abrangeu domínios tão amplos como a partilha de memórias e episódios de vivências pessoais (...), a convivência do seu austero mas acolhedor palacete à Rua 5 de Outubro (...) sem esquecer a sua companhia em viagens para fora da cidade, ou mesmo a visita à sua quinta no Douro. Mas além desse espaço mais restrito e íntimo, outras circunstâncias vieram aprofundar tão fecunda relação. Entre outras, as que levaram a encontros e participações em iniciativas ligadas à divulgação da Filosofia Portuguesa, à evocação da «Renascença Portuguesa», a reuniões em sua casa a propósito da criação da revista Leonardo ou, mais tarde, no âmbito da sua relação à Fundação Lusíada. (...)"
Paulo Samuel
em As Artes entre as Letras
14 de Março de 2012
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Paulo Samuel
Pensar
"Os antigos filósofos (naturalmente) pensavam muito mais do que liam. Eis porque se agarravam tão tenazmente ao concreto. A imprensa modificou as coisas. Lê-se mais do que se pensa. Não temos hoje filosofias mas apenas comentários. É o que diz [Étienne] Gilson ao afirmar que à idade dos filósofos que se ocupavam de filosofia sucedeu a idade dos professores de filosofia que se ocupam de filósofos. Há nesta atitude modéstia e impotência. (...) Chegou-se ao ponto em que um livro de filosofia que fosse hoje publicado e não se apoiasse em nenhuma autoridade, citação, comentários, etc., não seria tomado a sério. E no entanto..."
Albert Camus
Primeiros Cadernos
Livros do Brasil (s/d)
[Nota prefacial de António Quadros]
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Étienne Gilson
terça-feira, 10 de abril de 2012
Filosofia insuficiente
"A filosofia dos liceus é pobre demais, historiográfica de mais, esquemática demais para substituir o acesso a uma filosofia do ser e do espírito, a uma filosofia do homem, a uma filosofia da sociedade, a uma filosofia da ciência, a uma filosofia da natureza, a uma filosofia da técnica, a uma filosofia do direito e da política, sem as quais não se atinge mais do que um saber fragmentário, cindido do real, inapto para a integração do homem na problemática do viver e do conviver, útil para o desempenho limitado da profissão escolhida, mas insuficiente para que o licenciado possa dar uma colaboração criadora, inventiva, personalizada e cumulativa à sociedade onde deveria inserir-se de modo dinâmico e harmónico."
António Quadros
Franco-Atirador (1970) p.228
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
Gostava de ser pulgão e viver numa roseira
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| Georges Duhamel |
"Sou incorrigível. Cheguei hoje a esta conclusão luminosa. Dela se liberta, pouco a pouco, uma verdade de tal maneira amarga, que chega a ser reconfortante. Sim, sou incorrigível, eu e todos os homens. Se os homens pudessem melhorar, seria muito triste pensar que não o fazem. Mas pensarque não têm esse poder, leva-nos, pelo menos, a uma infinita indulgência. Indulgência que, no fim de contas, não consigo sentir, visto que a indulgência me falta por natureza, e a natureza é imutável. É bem claro. Não pode ser mais claro. Devia ter sido razoável e não ter querido coisas extravagante! Santos! Minha mãe talvez seja santa. Minha mulher, também. (...) Neve. Frio. Economizo o mais que posso, pois este fim de mês, que também é fim de ano, é particularmente duro. Quase tudo o que me restava, dei-o à minha família. Vivo acocorado junto a um fogãozinho que anda ao retardador. Enquanto escrevo, observo a mão que segura a caneta. Pertencerá a Salavin? Nunca a tinha examinado tão cuidadosamente. Não me agrada. É feia. Nem sei como pude julgar que viria a ser qualquer coisa de puro, tendo umas mãos assim.
Gostava de ser pulgão e viver numa roseira."
Gostava de ser pulgão e viver numa roseira."
Georges Duhamel
Diário de Salavin (1945)
Trad. de António Quadros
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Excertos da obra,
Georges Duhamel
Não ponho nisso obstinação ou malícia
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| Georges Duhamel |
"Se tivesse fé, é claro que teria mais oportunidades. Cresci no seio da religião católica. A crise da adolescência, a crise vulgar, despojou-me, esvaziou-me, limpou-me como uma tigela. Depois, contemos dois ou três anos de orgulho, cinco ou seis anos de romantismo, de desespero metafísico, e depois a vida do dia a dia, com todos os seus pequenos problemas guardados no armário, à espera de ser resolvidos. Um facto é incontestável: não tenho fé. Não tenho nisso orgulho algum, não ponho nisso obstinação ou malícia. (...) Não posso afirmar que amanhã continuarei a não ter fé. Espero tudo. (...) Se fosse obrigado a acreditar que seres admiráveis, minha mãe e minha mulher, por exemplo, alimentam pensamentos semelhantes aos meus, o meu amor e a minha admiração dariam lugar ao horror. É pouco mais certo que os homens favorecidos por uma perfeita fé, estão livres de tais pensamentos. Noto este facto pelo tranquilo orgulho que arvoram. (...) Faço da fé, talvez por ser coisa que não tenho, uma ideia esplêndida, augusta. No meu coração, confundo fé com paz, com repouso".
Georges Duhamel
Diário de Salavin (1945)
Trad. de António Quadros
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Georges Duhamel
terça-feira, 3 de abril de 2012
Leonardo Coimbra e Teixeira de Pascoaes
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Leonardo Coimbra,
Teixeira de Pascoaes
"Ao princípio, os directores eram quatro"
"Ao princípio os directores eram quatro: nós dois [António Quadros e Orlando Vitorino] e os escultores António Duarte e Martins Correia. A ideia foi, portanto, concebida, discutida e pensada por quatro pessoas. Mas, a certa altura, sem que tivesse havido qualquer divergência entre nós, aqueles dois artistas chegaram à conclusão de que não poderiam tomar parte efectiva na direcção da revista, devido à vida absorvente que levam. Quero acentuar, porém, que António Duarte e Martins Correia continuam connosco (...), colaborando, tanto quanto possível, em todos os números..."
António Quadros
Diário Popular
(03-10-1951)
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Martins Correia
segunda-feira, 2 de abril de 2012
O Pedro e o Mágico
- Que massada!
Os filhos ficaram intrigados, julgaram que o «Bate-Latas» estava com alguma avaria. O António perguntou:
- O que é pai?
O pai respondeu:
- Agora nunca mais posso tocar buzina!
(...)
Eu já estava desconfiado - disse o pai - Ontem à noite tinha visto umas luzinhas a saírem da buzina. Agora já sei o que é.
- O que é pai? (...)
- Foi uma família de pirilampos que veio instalar-se aqui na buzina, lá por dentro. Parece-me que são três.
(...)
Um dia, o pai inclinou-se como antigamente para a buzina, e chamou.
- Piri-Piri! Piri-Piri!
(...)
O António disse:
- O pai sabe muito bem que não há pirilampos, aí na buzina. (...)
-Já não somos bebés.
(...)
Chegaram à escola. Saíram a correr, como de costume. O pai ficou sozinho dentro do automóvel., Viu os filhos a conversar com os amigos. Disse-lhes adeus com a mão, e sorriu-lhes. (...)
Inclinou-se para o volante e disse, em voz baixa:
(...) é melhor irem-se embora, e escolherem outro carro e outra buzina. Adeus, Piri-Piri. (...)
Agora, que os pirilampos se tinham ido embora, já estava cheio de saudades de todos eles."
António Quadros
«Os pirilampos» em O Pedro e o Mágico (1972)
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