quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Leonardo por Fernando Pessoa

"Nunca haverá em mim entusiasmo que eu sinta que me baste perante o panorama de alma que é a sua obra. O abarcar tanto com a inteligência, o descer tão fundo no sentido possível das coisas - tudo isso representa em Portugal uma novidade para ser acolhida com uma alegria estremunhada."

Fernando Pessoa
em carta a Leonardo Coimbra
(1913)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Invasão

"A sociedade possessiva invadiu o domínio imaterial das ideias."

António Quadros
Franco-Atirador, (1970), p.134

Do mito

"O homem age inconscientemente, os seus gestos inscrevem-se em inércia, visto que o movimento real é o mito."

António Quadros
Introdução à Filosofia da História 
(1982), p. 227

Pruridos

"Nunca os teorizadores de uma filosofia portuguesa ou de uma filosofia de língua portuguesa pretenderam afirmar uma sua existência positiva com finalidades de enaltecimento nacionalista e restrictivo, e muito menos criar uma tradição filosófica para satisfação de pruridos autolátricos, castiços ou aristocráticos."

António Quadros
O Movimento do Homem
(1963), p. 317

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Do amor

"Tenhamos sobre nós a disciplina que se origina não do medo dos coronéis, mas do amor e da apetência das cavalarias que aí vêm. Se renunciarmos, o faremos, não por falta de paixão, mas porque outra mais alta nos prendeu. Aprendamos a reunir o abandono que nos descansa com o tenso esperar do momento de acção. Tratemos o nosso corpo com o cuidado amor do atleta que se prepara, e façamos dele o perfeito instrumento para que cumpramos o nosso primeiro dever: o de durar."

Agostinho da Silva
Revista «Espiral», 8/9 (dir. de António Quadros), 1965.

Religioso ou laico

"Religioso ou laico (...) que haja movimento do homem e que este não seja apenas positivo, material e técnico."

António Quadros
Jornal 57, nº 7, Novembro de 1959

domingo, 2 de setembro de 2012

Da razão social

"Não sabemos se há Deus? Não temos um critério de verdade que digira os nossos actos? Procedamos como se Deus existisse, como se o Estado fosse justo, como se a razão pura tivesse em si a garantia de uma autenticidade. Por outras palavras, e encarando o problema do ponto de vista político: como se o maior número, ou a razão social, constituíssem o selo da verdade; como se o super-homem, ou a razão da vontade, justificassem o direito pela própria virtude da vontade mais forte; como se o indivíduo, ou a razão psicológica fossem justificados em fazer prevalecer, contra o mundo, a superioridade do «ego»; ou ainda como se um futuro ou a razão histórica constituíssem critério para o drama dirigido do presente."

António Quadros
A Existência Literária (1959), p.118

domingo, 29 de julho de 2012

Dalila Pereira da Costa

"Juntei quase todos os seus livros. Leio-os reiterada e irregularmente. Imprescrutáveis, porque é o coração a ditar o fluxo vital do pensamento, o espírito a fazer sentir a possível alma, a poética como forma única de expressão do indizível. Impossível surpreendê-la. (...)"

José António Barreiros

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Completamente livre

Leonardo Coimbra
“O espaço humano começa com o pensamento dogmático, que é a religião e termina no pensamento completamente livre, que é a arte.”

Leonardo Coimbra

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Modo de ser em sociedade e no mundo

"Talvez a última palavra nos pertença, a nós, portugueses, se soubermos quem somos e para que somos, não tanto à luz de uma vontade de afirmação nacionalista quanto à de um modo de ser homem em sociedade e no mundo."

António Quadros
Portugal, Entre Ontem e Amanhã
(1976), p.309

sábado, 30 de junho de 2012

Por Deus ou contra Deus

"Como se sabe a questão da sua [de Leonardo Coimbra] "conversão" à Igreja Católica ainda hoje abre lugar a ser questão, num mundo binário em que se é por Deus ou contra Deus. É que, estando em presença de um ser tumultuoso, aquele encontro sacramental com o Padre Cruz, seu confessor, não é que pudesse ser parte de um caminho cuja trajectória viesse a alterar; é que nunca seria nele a vulgar submissão ao que muitos se vergam, a dogmas tidos por intemporais, a catecismos de discutível vigência, à pobreza da prática ritualista e suas ladainhas sem o exaltado orar da plenitude do coração. (...)"

José António Barreiros
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

No dia da aclamação de D. João IV

"Incansavelmente, nas agruras do exílio e da miséria, D. João de Castro estuda as Trovas [de Gonçalo Annes Bandarra], interpreta-as com fina casuística, ajeita-as ao seu sonho de desesperado: o Bandarra previa não só a catástrofe, mas também a salvação. É que D. Sebastião nem morrera nem poderia ter morrido! Era o pobrezinho calabrês perseguido, naturalmente, pelos grandes da Terra, ciosos do milagre que tal sobrevivência já representava e das proezas que o «rei» teria de levar avante... É um sonho espantoso pela intensidade e pela duração, documentado pelas páginas que intensamente escreveu. (...) Com a sua morte, o sonho sebastianista de D. Sebastião propriamente dito, em sua pessoa redivivo, desvanece-se aos poucos.
Mas eis que, em 1624, Manuel Bocarro publica Anacephaleosis da Monarquia Lusitana, logo apreendida e perseguido o autor. É que, bem consideradas as coisas, o Encoberto seria, afinal, o duque D. Teodósio, da poderosa Casa de Bragança! Depois, falecido o duque, sem que tivesse havido ensejo para que se descobrisse como quem era, as trovas do Bandarra, bem interpretadas, o que anunciavam, isso sim, era o fim do domínio castelhano e a entronização do restaurador D. João IV!
Segundo assevera João Lúcio de Azevedo, então «as Trovas eram livro que em cópias manuscritas andava em mãos de toda a gente, lido, relido, decorado e discutido.» Eram como que a consagração sobrenatural dos feitos da Restauração: pois, no dia da aclamação de D. João IV, não estivera exposta na Sé, como se de um santo se tratasse, a imagem do Bandarra? (...)"

Joel Serrão
Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal 
(1969) pp. 15-16.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quantos manuscritos...

"Perdi a conta de quantos manuscritos passei à máquina da sua vasta obra literária. Eram verdadeiros puzzles de letra miudinha que, com todo o empenho, reverência e admiração, decifrava. Em 25 anos de proximidade diária, quantas vezes não lembro o carinho (e inconfessado orgulho) que punha nesse contributo para uma obra tão extraordinária..."

Pilar d'Orey Roquette 
(assistente de António Quadros)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Bruno e A Questão Religiosa

Sampaio Bruno

"(...) situo o volume de Bruno sobre A Questão Religiosa, surgido na fase amadurecida do combate iniciado em 1872, no Diário da Tarde, e prosseguido na Análise da Crença Cristã, de 1874. Homem que não dissociava o pensamento da acção, tinha no entanto a humildade e a lucidez para arrepiar caminho quando tomava consciência de ter errado, como foi o caso daquele livro juvenil – “má coisa” lhe chamou –, assim como de outras páginas, escritas sob a emoção dos acontecimentos, por quem não era o frio jornalista profissional, mas, como confessou, um sectário das suas convicções. Aliás, o ambiente social era propício ao exacerbar de atitudes, ao romper de laços, numa generalizada conflitualidade, onde era assaz difícil definir campos estáveis.
Compreende-se, assim, que, não obstante as contundentes afirmações feitas acerca da Igreja, de alguns dos seus representantes ou atitudes, José Pereira de Sampaio contasse entre os amigos vários sacerdotes de valor. Entre eles o P.e José Agostinho de Oliveira, polígrafo hoje pouco lembrado, cuja poesia mereceu os elogios do lusófilo Philéas Lebesgue e que, entre muitos outros trabalhos, redigiu os dois volumes complementares da tradução portuguesa da História de Portugal, de Henrique Schaffer, projecto acarinhado, mas não levado a cabo por Bruno. Ainda em vida do filósofo, José Agostinho publicou o primeiro estudo autónomo acerca do seu pensamento, já então definido nas suas linhas mestras. (...)"

Joaquim Domingues
Continue a ler aqui.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Aniversário

Este blogue faz hoje 5 anos.

Do ser filósofo

"Será já excelente conseguir que o ensino de filosofia a vários graus não impedisse ser filósofo a quem nasceu verdadeiramente para o ser."

José Marinho
Filosofia, ensino ou iniciação?
(1972), p.93.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A actividade simbólica da criança

"A psicologia das pessoas é mais qualificável que quantificável. A inteligência, por exemplo, é qualitativa. Isto é um princípio que me parece fácil de deduzir (..) A inteligência que me interessa é a que aparece como uma qualidade, sentida por mim em termos de afecto e não de quantidade. Dito de outra forma: na orientação escolar, por exemplo, parece-me mais importante avaliar as funções do imaginário da criança, saber em que medida esse imaginário se liga ao concreto das experiências da escola e da vida.
Em conclusão, interessa-me mais apreciar a actividade simbólica da criança e a sua capacidade criativa, do que conhecer a sua capacidade quantificável, de aquisições teóricas."

João dos Santos
Em entrevista ao Diário de Notícias
(4-11-1984)

Ensino

João dos Santos
"Se Pascoaes pôde ultrapassar o fracasso do seu exame de português, quantos não baqueiam perante as dificuldades criadas por um sistema de ensino que se lhes não adapta?"

"Usam-se testes para determinar a memória, a atenção, a inteligência. Não se está em contacto directo com a criança. Há sempre uma barreira feita de preconceitos científicos acerca do que é a afectividade."

"O ensino não pode continuar a transformar o meio de apreciação dos resultados - que são a pontuação e a passagem de classe - no seu próprio objectivo!"

João dos Santos
(médico e psicanalista)

Reforma do ensino

"A reforma do ensino deve começar nas maternidades."

João dos Santos
(médico e psicanalista português)

Do princípio do que pensa

"Que é pois a inteligência, que é a razão, qual a estranha origem, qual a natureza, ou mais propriamente o princípio do que pensa, não enquanto ser que pensa mas equanto pensamento no que pensa?"

José Marinho
Filosofia, ensino ou iniciação? 
(1972), p.76.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"Uma das obras mais vivas e pertinentes do pensamento crítico actual"

Taborda de Vasconcelos

"António Quadros vem (...) para A Existência Literária, menos atraído ou dominado agora pelo gosto, talvez um tanto ou quanto gratuito, da literatura e particularmente do romance que pelas determinantes duma formação cultual processando-se ao contacto dos problemas mais agudos do ambiente português dos últimos anos. Não dominado, no sentido linear do termo, mas instruído de uma teoria, de um ponto de vista filosófico-literário, ele actualiza o que antes fora puro conhecimento vivo da matéria literária, reduzida a uma época pretérita embora com irradiação futura, mas sem aquele sentido de profundidade que uma noção metafísica, digamos, hoje, lhe atribui.
Ainda que útil e benéfico, como experiência e iniciação, Modernos de Ontem e de Hoje marcam uma fase já ultrapassada. Demais, o tê-la vencido e continuado, só prova o quanto havia de potencialmente polémico na essência dialéctica dos seus ensaios. Provam-no também na gravidade pensada da linguagem que usa em Existência Literária, lógica e sincopada, amplificando, por outro lado, o da criação duma supra-realidade, o pensamento do seu autor, até às mais largar proporções humanas e gerais.
Num estilo severo e contido, dá-nos assim António Quadros uma das obras mais vivas e pertinentes do pensamento crítico actual, ao mesmo tempo que faz coincidir os vários passos do seu itinerário espiritual e artístico com a mais perfeita e acabada unidade dele mesmo."

Taborda de Vasconcelos
"Existência Literária" em Regresso à Inteligência
 Porto, 1962, pp. 105-109.

sábado, 16 de junho de 2012

Coelho Pacheco

"Na nossa troca de mail's em Novembro, alertei-te para o facto de um dos heterónimos na tua lista, C. Pacheco, ter uma neta de carne e osso, Ana Rita Palmeirim, que é actual detentora da obra literária do avô. Ou seja, o tal C. Pacheco que escrevia poemas era o mesmo José Coelho Pacheco que foi amigo de Pessoa. A teu pedido, enviei-te o artigo do JL em que Teresa Rita Lopes revelou essa informação. Qual não foi o meu espanto quando, na edição portuguesa do teu livro, vi que C. Pacheco continua a figurar como heterónimo e com a mesma caracterização que lhe tinhas dado na edição brasileira. No final, sim, acrescentas a nova informação, admitindo que "provavelmente" (!) o C. Pacheco corresponderia a José Coelho Pacheco. Mas então por que razão não o retiraste da lista?
Este é um procedimento demasiado frequente no teu livro. Vais apresentando histórias sobre Pessoa que "provavelmente" serão falsas, mas só no fim mencionas, em jeito de nota de rodapé (e, por vezes, exactamente numa nota de rodapé), o seu carácter lendário ou implausível. (...)"

Richard Zenith
Q, Diário de Notícias
16 de Junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Luís Filipe Castro Mendes vence Prémio António Quadros

Lendas da Índia de Luís Filipe Castro Mendes

Leia a notícia aqui.

"GLOSA A UNS VERSOS DE NEMÉSIO"

Se com quase quarenta anos mal começa,
ovo de tanta coisa, o coração,
que direi hoje, com quase sessenta anos?


Que névoa fria cerca agora o coração
e que voz de dentro resiste a essa névoa,
pois o amor não pára enquanto continuar
o mundo?


Abre os olhos, meu amor:
o mundo é vasto e diverso e brilha
por entre a névoa mais densa.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

No abismo do mistério

‎"No abismo do mistério uma luz brilha de inalterável claridade, é o dever."

Leonardo Coimbra

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Esforço de imortalidade


"Esta vida só pode ser deixada, quando, penetrada, de universal vontade amorosa. (...) Do nosso lado continuamos o esforço de imortalidade, apoiamos o desejo de ser que por ventura anime os desaparecidos - a nossa recordação, a memória, é o alimento que lançamos a essa fome, o óleo derramado sobre essa pequena chama para que seja clarão, incêndio inextinguível."

Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade
(1918), p. 179

Delíquio

"Como sentimos o delíquio da nossa personalidade, pensamos por vezes que um panteísmo niilista nos absorve; mas não é a diminuição da consciência, é o seu desapego das vulgaridades interessadas e a sua expansibilidade, a sua universalização que nos elevam."

Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade
(1918), p. 167

No mistério imenso que nos cerca

"No mistério imenso, que nos cerca, nada de definitivo e em definitivos termos podemos afirmar senão a conexão dos fenómenos."

Leonardo Coimbra
A Luta pela Imortalidade
(1918) p.134

Da liberdade

"A filosofia como órgão da liberdade é pesquisa teórica e mais ainda atitude prática: a libertação do comportamento, do sagrado das prescrições imperativas e a sua norma pela autonomia do querer. A reflexão filosófica é o desenho virtual da autonomia da vontade, pois que o acto não é mais que a realização da ideia,sua forma virtual."

Leonardo Coimbra
A Razão Experimental (1923) p. 30.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Biogr. Kamenezky


Teresa Rita Lopes recebeu nova comunicação de Álvaro de Campos – que se apressa a dar a conhecer.

Eliezer Kamenezky
A revelação-mor da sua “Quase-autobiografia” pessoana, faz questão de realçar Cavalcanti Filho, é a de que Elieser Kamenezky é um novo heterónimo de Pessoa, a acrescentar ao de José Coelho Pacheco e Padre Matos, entre outros que inegavelmente existiram como António Botto e Mário de Sá Carneiro e – revelação ofuscante! – D.Sebastião!
No prefácio que fez ao livro de poemas de Eliezer Kamenezky, Alma Errante, em 1932, o Fernando tem o cuidado de aconselhar o leitor a que os leia “sem Grécia, isto é, sem estética nem metafísica” nem “preconceitos estéticos” porque “são infantilmente sinceros – têm uma poesia própria, independente da poesia que é propriamente poesia”. Está tudo dito: não são poesia a valer. Jamais Pessoa assumiria qualquer dos seus versos. Que papel terá tido nesse livro? A rogo do judeu russo, seu amigo - que estaria tão empenhado em legar livros à posteridade como o nosso Biógrafo a decisiva biografia de Pessoa! – ter-lhe-á passado os poemas à máquina, limpando-os dos seus erros ortográficos e outras muitas impurezas mais evidentes: por isso alguns ficaram no espólio pessoano, o que não é prova que Pessoa os tivesse escrito. (O Fernando costumava fazer cópias do que escrevia à máquina.) Também lá está o romance que Kamenezky quis publicar, Eliezer – o papel que nisso teve o Fernando é coisa para meditar, não aqui – e isso não quer dizer que seja de Pessoa. (Que o judeu russo lhe pagou por essas colaborações, como acusa indignadamente o Biógrafo? Porque não, se ele podia e o Fernando precisava? Pensa que ele nadava em dinheiro, como o Sr.?)
Jamais da pena de Pessoa sairiam “infantilidades” - assim por ele consideradas no prefácio - como os versos de Alma Errante. Pequenos exemplos:

Como uma borboleta voa /Atrás de outra, no ar,/Assim eu vou atrás de ti,/
Dias e noites, com o meu pensar.

Outra infantil “sinceridade”:

Quem ama e não encontra o seu ideal /É tão infeliz, e desgraçado, /
Como eu…

Dou ao Biógrafo, de borla, esta sugestão: a certa altura, uma voz feminina responde ao amado com estes esplêndidos versos: “Querido, os teus versos são pétalas / Da tua alma sofredora./ Cada uma encerra o aroma / Da tua alma sonhadora.” Mais um heterónimo neto do Fernando: heterónimo feminino do heterónimo Kamenezky…
O Biógrafo prova definitivamente a sua atribuída autoria invocando o final do poema (em que o Poeta se dirige à amada, “esculpida com persistentes marteladas / No mármore vivo da minha dor / E do meu sofrimento”) em que ela se põe a tocar Beethoven, Chopin e Mendelssohn e não músicas lá da sua terra, Kalinkas e coisas assim… (Já agora , fique sabendo que Mendelsshon era judeu!) Que o Sr. acredite que essa máquina e a secretária que acaba de comprar pelo preço de um apartamento eram do Fernando, é lá consigo, mas que queira atribuir-lhe esses versos indigentes é que já é connosco…Na sua ânsia de revelar o verdadeiro e ainda oculto Pessoa, inventa heterónimos que nunca existiram como tal ou que foram gente de verdade e, opostamente, tenta desatribuir obras, como o Guia de Lisboa que já está provado por quem sabe e pode fazê-lo que saiu mesmo da pena do Fernando… Não suba o coleccionador acima das suas colecções…
Mas olhe: por si até tenho simpatia, como por todos os coleccionadores. (Até lhe direi ao ouvido onde pode adquirir o urinol que retiraram do Martinho da Arcada de que – ah isso com certeza! – o Fernando se serviu muitas vezes!) A quem eu não perdoo é às figuras mais ou menos públicas que têm promovido os seus irresponsáveis dislates.

Álvaro de Campos, pela pena de Teresa Rita Lopes
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Nota: O meu agradecimento à professora 
Teresa Rita Lopes que hoje, dia 31 de Maio de 2012, me fez chegar este texto, depois de ler este.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A maior novidade deste livro

Fernando Pessoa: uma quase autobiografia
de José Paulo Cavalcanti Filho

"Não será hábito começar uma recensão de um livro por citar outras apreciações já publicadas. Mas neste caso torna-se irresistível falar na maneira como a mais recente biografia de Pessoa foi sendo recebida nas últimas semanas: Fernando Pessoa seria homosexual? Sim, Cavalcanti diz que Pessoa era gay (já agora, também era Gandhi). A devassa levada a cabo pelo "Brasileiro" continuou inclusive pela descoberta de mais 55 heterónimos e por ousar dizer que Pessoa, afinal, não tinha imaginação.
Escapou a todos a maior novidade deste livro: o facto de não ser um livro com novidades.
Não me percebam mal, a edição é cuidada e a investigação minuciosa, mas (...)". Continue a ler aqui.

Nuno Hipólito