| António Quadros (1º a contar da esq. na primeira fila) com família e amigos. (Perto de Odivelas, s.d.) |
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Em campo
terça-feira, 1 de julho de 2014
Brazileiro amigo, queres tu por teu turno rir do lisboeta?
"O brazileiro nao é elegante como o conde de Orsay ou Brummel: — mas tu, portuguez, dandy desventuroso do Chiado, ou contribuinte da rúa dos Bacalhoeiros, tens a tua elegancia dependurada no bom Nunes algibebe!
O brazileiro nao é extraordinario como Peabody que deu de esmolas cem milhões, nem como Delescluze que queimou París: — mas tu, portuguez, es táo extraordinario como urna couve, e aínda táo extraordinario como um chínelo.
Ora o brazileiro nao é formoso, nem espirituoso, nem elegante, nem extraordinario — é um trabalhador. E tu portuguez não es formoso, etc. — es um mandrião! De tal sorte que te ris do brazileiro — mas procuras viver á custa do brazileiro. Quando vês o brazileiro chegar dos Brazis, estalas em pilherias: — e se elle nunca de la voltasse com o seu bom dinheiro, morrenas de fome! Por isso tu — que em conversas, entre amigos, no café, és inexgotavel a trocar o brazileiro, — no jornal, no discurso ou no sermão, es inexhaurivel a glorificar o Brazileiro. Em cavaqueira é o macaco; na imprensa é o nosso irmao d'além-mar.
Brazileiro amigo, queres tu por teu turno rir do lisboeta? A esse collete verde, que tanto te escarnecem, fecha bem as algibeiras; esse predio sarapintado d'amarello, que tanto te caricaturam, tranca-lhe bem a porta; esses pés, aos quaes tanto se accusam os j cañetes e os tamancos primitivos, nao os ponhas mais nos botéis da capital — e poderás rir, rir do carão amarrotado com que então ficará o lisboeta, que tanto ria de ti! "
"O brazileiro"
Eça de Queiroz (1872)
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Eça de Queiroz
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Mérito
"A dignidade do homem
vale mais do que o mérito do sábio. (...)"
Sampaio Bruno
A Ideia de Deus
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Sampaio Bruno
domingo, 22 de junho de 2014
Et al.,
"Em cada ano, pelo verão, quando as moscas chegam, a Universidade de Coimbra: abre as suas portas e esparge sobre o corpo social trinta bacharéis formados em direito. O país, tendo reconhecido nos últimos anos que há cinquenta indivíduos para cada um dos lugares destinados pelo estado para um jurisconsulto inteligente e sábio, havendo portanto para cada emprego provido um saldo importuno de quarenta e nove sábios desempregados, pede insistentemente à universidade que lhe mande bacharéis ignorantes a fim de que o país, não podendo, como é impossível, fazer deles procuradores da coroa, possa pelo menos estabelecê-los como contínuos de secretaria."(...)"
Ramalho Ortigão
As Farpas (1872)
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sábado, 21 de junho de 2014
Ao António
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Fernanda de Castro
sexta-feira, 20 de junho de 2014
7
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quarta-feira, 18 de junho de 2014
Descida aos infernos
"Toda a mitologia popular das aventuras órficas se insere na mesma raiz: a descida aos infernos, o amor por Eurídice, o canto maravilhoso que pacifica os animais ferozes. (...)"
António Quadros
Fernando Pessoa, Vida, Personalidade e Génio (1984)
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Fernando Pessoa
O outro
"Fernando Pessoa é a contemporaneidade do clássico. (...) O que há de eterno no clássico provém do seu poder de sintonia com a essência profunda de todo o momento histórico, que ele descobre e conserva. (...)"
Gilberto de Mello Kujawsky
Fernando Pessoa, o outro (s.d)
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terça-feira, 27 de maio de 2014
"Os escritores são estudados na crítica literária da mesma maneira que os atletas na crítica desportiva"
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| Germano |
"Os escritores são estudados na crítica literária da mesma maneira que os atletas na crítica desportiva. Diz-se, por exemplo, de Domingos Monteiro o mesmo que se diz de Eusébio: – o nível mental a que sobe ou desce a inteligência num ou noutro caso é exactamente o mesmo. Comparam-se os poetas como se comparam os jogadores: – em função da prática, da habilidade, da técnica, dos estilos. Vejam-se algumas correspondências:
«Eusébio é superior a Rogério»
«Régio é superior a Torga»
«Neste jogo, Germano mostrou poder reconquistar o seu lugar na equipa do Benfica».
«Neste livro, Fulano (um escritor conhecido), que já não publicava há alguns anos, mostrou-se ainda de posse de todos os seus recursos estilísticos».
«Determinado jogador é já uma promessa do nosso futebol».
«Determinado escritor é já uma promessa das nossas letras».
«Determinado escritor é já uma promessa das nossas letras».
António Telmo
Em entrevista ao O Benfica Ilustrado
(n.º 80, 1 de Maio de 1964, Ano VII)
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António Telmo
A Filosofia Portuguesa e o Sport Lisboa e Benfica
| Eusébio e Cubillas |
"Adepto do Belenenses desde tenra idade – ao que se sabe, em lance de afirmação diferenciadora perante os seus dois irmãos, um benfiquista, o outro sportinguista –, o filósofo [António Telmo] tornar-se-á, mais tarde, nos tempos áureos em que Eusébio e Coluna pontificam no Sport Lisboa e Benfica, fervoroso simpatizante do clube da Luz. É possível que o aceso benfiquismo de Afonso Botelho e de António Quadros, seus amigos e condiscípulos no magistério filosofal de Álvaro Ribeiro e José Marinho, tenha influenciado a mudança de sentido de Telmo, que, por um desses anos faustos dos encarnados, ao cruzar-se com Eusébio no Cinema Roma, em Lisboa, requesta um autógrafo ao pantera negra.
É neste contexto de retumbante entusiasmo que, com alguma naturalidade, surge a entrevista concedida pelo filósofo, faz exactamente hoje meio século, ao O Benfica Ilustrado, suplemento mensal do jornal O Benfica, à época dirigido por Botelho. Muito longe da futilidade oca e ligeira que tantas e tantas vezes surpreendemos no periodismo desportivo, as palavras télmicas destacam-se pelo seu interesse e pela elevação de quem as profere: um filósofo é um filósofo!... (...)
O jornal O Jogo, que vimos seguindo, dá-nos conta, na sua edição de 13 de Junho desse ano de 1997, das analogias que o pensador estabeleceu entre o jogo e a filosofia. Dois dias antes, em evidente registo lúdico, afirma-se haver quem, na Invicta, espere de Telmo um novo livro, intitulado O Império de Jardel...
Humano, porventura demasiado humano para alguns, este outro António Telmo. Mas, afinal, o mesmo de sempre. Quando, com António Quadros, acabado o ágape filosófico com os mestres, mãos nos bolsos, assobiando, sorridente, entrava no primeiro café onde se lhes deparasse uma mesa de matraquilhos..."
Pedro Martins
Texto completo aqui
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sexta-feira, 23 de maio de 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Seu atributo também
"Se a quem deram a beleza, só seu atributo, castigam com a consciência da mortalidade dela; se a quem deram a ciência, seu atributo também, punem com o conhecimento do que nela há de eterna limitação; que angústias não farão pesar sobre aqueles, génios do pensamento ou da arte, a quem, tornando-os criadores, deram a sua mesma essência? (...)"
Fernando Pessoa
(1924)
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terça-feira, 20 de maio de 2014
Camaradagem e garantia da admiração permanente

Ao António Quadros [APRESENTAÇÃO DO ROSTO] lembrança da boa camaradagem e garantia da admiração permanente
do
Herberto Helder
Lisboa, Junho, 68
"Numa noite do mês de março, estava o tempo esplêndido, olhei para as minhas mãos, e vi uma nódoa branca.
Compreendam-me.
Eu era um homem sereno, emocionalmente próspero, digamos, sem entretanto me entregar à dissipação.
Convivia com muita gente e podia fazer com que me amassem.
Claro, não amava ninguém, mas a minha vida era como que atravessada diariamente por um calor tranquilo e ligeiro.
E então vi de repente que tinha uma nódoa branca na mão direita.
(...)
Achava-me de certo modo, um indivíduo sem culpas, conhecendo algumas leis seguras, amando lentamente a terra e as estações.
Organizara mesmo um conjunto de aforismos, e acreditava na imparcialidade e - quem sabe? - talvez até acreditasse na justiça.
Havia de ter um dia um talhão de rosas e ser-lhes-ia dedicado.
Rosas tornam o espírito condescendente e vagaroso e dão aos gestos uma grave e amável subtileza.
Tinha esse projecto, o das rosas, certamente. (...)"
Herberto Helder
Apresentação do rosto (1968) pp.158-159
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
Hiper-especialização ou abertura total
"No ensino [a hiper-especialização] cria logo condições não favoráveis (...) ao espírito de totalidade. Por outro lado, também há no interior do ensino a tendência de abertura total. (...) Vivemos num período de tensão. Pelo menos há tensão. Já é alguma coisa..."
Álvaro Siza Vieira
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Siza Vieira
quinta-feira, 8 de maio de 2014
O diabo, meu Senhor, inventor da moral
"Rica farça a moral! Não me ilude.
Examinem qualquer vendedor de virtude,
Casto como um carvão, magro como um asceta:
A abstinência é impotência, o jejum é dieta.
O diabo, meu Senhor, já vélho e desdentado,
Sifilítico, a abanar como um gato pingado,
O trazeiro sarnoso, em gangrena a medula,
Exaurido a chupões de luxúria e de gula,
Sentindo-se perdido e rabiando, afinal
Quis vingar-se do mundo… e inventou a moral! (...)"
Examinem qualquer vendedor de virtude,
Casto como um carvão, magro como um asceta:
A abstinência é impotência, o jejum é dieta.
O diabo, meu Senhor, já vélho e desdentado,
Sifilítico, a abanar como um gato pingado,
O trazeiro sarnoso, em gangrena a medula,
Exaurido a chupões de luxúria e de gula,
Sentindo-se perdido e rabiando, afinal
Quis vingar-se do mundo… e inventou a moral! (...)"
Guerra Junqueiro
Pátria (1896)
terça-feira, 6 de maio de 2014
Para saber andar, é preciso andar
"A liberdade nunca é uma dádiva graciosa; é sempre uma penosa conquista; e resulta uma quimera abusiva estar-se à espera de que um povo se prepare para o exercício de seus direitos afim de só então lh'os conceder.
Como se há-de ele preparar se os não exercita? E não é ridículo acreditar que os interesses que a liberdade popular arruína serão tão magnânimos que se darão a habilitar os explorados a descartarem-se de seus exploradores?
É certo que as multidões oprimidas, quando uma vez conseguem desafogar e libertar-se, têm cometido excessos lastimosos. Mas mais responsáveis são aquelas classes privilegiadas, aquelas instituições egoístas cujo timbre consistiu em tiranizar.
Portanto, em resumo, para um progresso positivo, não há preparação prévia possível. Para saber andar, é preciso andar. (...)"
Sampaio Bruno
Modernos publicitas portugueses, (1906 ), p.148.
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Sampaio Bruno
domingo, 20 de abril de 2014
A António Quadros
"Falo na ordem e no lugar estabelecidos e granjeio por isso o horizonte de muito caminho percorrido sem ter de proferir sobre ele o juízo final, que é acto mais divino do que humano. (...)"
Afonso Botelho
Três mestres do conhecimento (1993), p. 85
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Afonso Botelho
terça-feira, 15 de abril de 2014
No Jardim Botânico
"O poeta não é um pássaro que voa no céu azul. É um mineiro, que o trabalho obriga a descer sempre às suas jazidas. Nos corredores subterrâneos estão os meus tesouros. (...) No Jardim Botânico. A putrefacção das folhas já traz em si a garantia da radiosa ressurreição. (...)"
Lêdo Ivo
Confissões de um poeta (1979), p. 228.
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Lêdo Ivo
sábado, 12 de abril de 2014
Literatura
"Dir-se-á que a literatura não é uma profissão, mas sim um sacerdócio, algo que plana acima do grosseiro materialismo da vida. (...)"
António Quadros
A Existência Literária (1962), p. 197
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Os expedicionários
Domingos Monteiro, Branquinho da Fonseca, José de Azeredo Perdigão, J. Monteiro-Gillo (Tomaz Kim), A. de Ferrer-Correia e António Quadros junto à carrinha da Biblioteca Itinerante nº. 13 (Bombarral).
Mais sobre as Bibliotecas aqui.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
A esta terra que sofre
A esta terra que sofre,
Diminuída, mutilada,
À procura de si própria,
Perdida, abandonada.
Mas ouvi, ó portugueses,
Corruptos ou estrangeiros,
Tontos, traidores, burocratas,
Ingénuos, fanatizados,
E vós também, os fiéis
Da verdade da raiz,
Ouvi o que diz o povo,
Ouvi a voz do país.
Portugal somos ainda,
Porque a semente que outrora
Germinou em terra ingrata,
Há-de reviver agora!
Em cada volta do tempo,
De novo começa o mundo.
Juventude, redescobre
O Portugal mais profundo!
(....)
Transviados, cabisbaixos,
Levantai o vosso olhar!
Pátria antiga, que sofreste
Há mais mar, p'ra além do mar!
(...)
Diminuída, mutilada,
À procura de si própria,
Perdida, abandonada.
Mas ouvi, ó portugueses,
Corruptos ou estrangeiros,
Tontos, traidores, burocratas,
Ingénuos, fanatizados,
E vós também, os fiéis
Da verdade da raiz,
Ouvi o que diz o povo,
Ouvi a voz do país.
Portugal somos ainda,
Porque a semente que outrora
Germinou em terra ingrata,
Há-de reviver agora!
Em cada volta do tempo,
De novo começa o mundo.
Juventude, redescobre
O Portugal mais profundo!
(....)
Transviados, cabisbaixos,
Levantai o vosso olhar!
Pátria antiga, que sofreste
Há mais mar, p'ra além do mar!
(...)
António Quadros
Ó Portugal Ser Profundo, ed. Espiral (1980)
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sábado, 5 de abril de 2014
Falar de raso
quando alguém nos destrói um ângulo puro
João Rui de Sousa
"ângulo raso" em Corpo Terrestre, Portugália, (1972) p.72
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João Rui de Sousa
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Em voz baixa
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Rita Gomes
Um conto de António Quadros em um minuto (e três), por Rita Gomes
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Rita Gomes
terça-feira, 1 de abril de 2014
O que me vale, acredite, é o vício de escrever para longe...
"Nesta Lisboa dos cafés vão-se desmoronando as tertúlias, em consequência das invejas e das intrigas. Há duas semanas que não vejo o António Quadros. As conversas habituais causam desânimo. O que me vale, acredite, é o vício de escrever para longe... (...)"
Álvaro Ribeiro
em carta para António Telmo | 30 de Outubro de 1958
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António Telmo
sábado, 29 de março de 2014
A Paixão de Fernando P. (inédito)
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Discurso de António Ferro
Discurso de António Ferro, Presidente da Direcção da Emissora Nacional, sobre a importância da cultura musical portuense, por ocasião da inauguração dos estúdios do Emissor Regional do Norte da Emissora Nacional. Clique aqui.
"É possível que Lisboa não se preocupe musicalmente com o Porto, que a Emissora não vos tenha visitado tantas vezes quantas seria para desejar, mas a verdade, é que para estabelecer mais frequentemente esses contactos, teríamos de recorrer aos próprios artistas do Porto, visto serem eles afinal, em grande parte, que contribuem para a elevação do nível musical de Lisboa e para o próprio nível da Emissora. (...) Guilhermina Suggia, a grande musa do violoncelo, cujo arco é sempre um verdadeiro arco do triunfo (...) cuja arte faz hoje tanta falta a Lisboa como a visão do seu tejo ao azul da sua abóboda (...)"
António Ferro
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Guilhermina Suggia
quarta-feira, 26 de março de 2014
Nome de romance
"O «Nome de Guerra» (...) é talvez o único livro entre nós nos últimos trinta anos que merece o nome de romance. (...)"
António Telmo
n.º 5006, Lisboa, 12 de Setembro de 1956, pp. 7 e 15
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Almada Negreiros,
António Telmo
terça-feira, 25 de março de 2014
Poemas de Natércia Freire
A António Quadros, à sua poesia, à sua alma, à singularidade do seu Pensamento, com a mais viva admiração e amizade, of.[erece]
Natércia Freire
"A vida vai expulsar-me, descontente,
e Deus me irá julgar e condenar,
porque me esperei em séculos ausentes
e não cumpri, presente, o meu lugar. (...)"
Natércia Freire
Música Perdida, em Poemas e Liberta em Pedra, (1967) pp. 106-107
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Natércia Freire
sábado, 22 de março de 2014
Nota sobre efemérides
Saltei o dia de ontem.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Correspondência entre António Telmo e António Quadros
"Entre 1986 e 1987, António Quadros publica os dois volumes de Portugal Razão e Mistério, obra que motiva o maior número de cartas trocadas entre os dois pensadores. Depois do primeiro livro, no dia 31 de Maio de 1986, António Telmo, coloca António Quadros ao lado de Álvaro Ribeiro e José Marinho, como um dos mais importantes pensadores portugueses do século XX. Apesar disto, revela a frustração pelo pouco eco que a filosofia portuguesa tem em Portugal, mesmo aquela que é protagonizada pelos seus melhores intérpretes. Conta ainda que, José Marinho, pouco antes de morrer dissera que Se tiver de voltar de novo à vida, peço a Deus para não nascer português. É um povo de vesânicos. Houvesse o Álvaro Ribeiro nascido na França, na Alemanha, na Inglaterra e seria hoje admirado como o maior filósofo da actualidade. (...)"
Correspondência entre António Telmo e António Quadros
o neto, no 21º aniversiário da morte de António Quadros
o neto, no 21º aniversiário da morte de António Quadros
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domingo, 16 de março de 2014
Pensando bem, não era infeliz
"Você ainda é novo e creio que essa vida lhe agradaria. Disse que sim, mas que, no fundo, me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos as vidas se equivaliam e que a minha aqui, não me desagradava. Mostrou um ar descontente, disse que eu respondia sempre à margem das questões e que não tinha ambição, o que, para os negócios era desastroso. Voltei para o meu trabalho. Teria preferido não o descontentar, mas não vejo razão alguma para modificar a minha vida. Pensando bem, não era infeliz. Quando era estudante, alimentara muitas ambições desse género. Mas, quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância. (...)"
Albert Camus
O Estrangeiro, trad. de António Quadros
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quinta-feira, 13 de março de 2014
António Quadros e Edwin Honig
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| Edwin Honig |
Onésimo Teotónio Almeida
(de um livro ainda inédito)
(de um livro ainda inédito)
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quarta-feira, 5 de março de 2014
Era ainda o sentimento da nossa própria importância
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| António Telmo |
"O grupo de filosofia portuguesa reunia-se nesse tempo na Brasileira do Rossio, hoje, como a maioria dos cafés, transformada em banco. Vale a pena descrevê-la, uma vez que muitos leitores já não puderam conhecê-la. É hoje em mim uma impressão de duas colunas de mármore castanho e brilhante da Arrábida numa casa comprida, escura e cheia do fumo dos cigarros. De um e de outro lado, espelhos paralelos multiplicavam as suas imagens até ao infinito. Supúnhamos ser uma antiga loja maçónica e os mais novos, na sua fantasia de adolescentes, viam no facto de ali ser o lugar de reunião da filosofia portuguesa uma escolha intencional dos mais velhos.
Constava que Álvaro Ribeiro era maçon. Para nós, a Maçonaria que, mais tarde, viria a patentear-se-nos como uma organização política de práticas e fins medíocres, era um lugar misterioso do espírito, que continha, envolvida de grande segredo, o ensinamento primeiro e último. Esta falsa noção actuava como um catalisador. Não seria, pois, possível atingir o verdadeiro conhecimento através dos livros e da reflexão própria. Eu não aprendera ainda a separar o homem social do homem real, sobretudo ou muito menos naqueles com quem privava diariamente. Conhecemos uma pessoa por um nome que nada nos diz na medida em que serve apenas para a determinar na multidão indefinida das outras pessoas; ligamo-la a uma família, a uma profissão, a um meio social; atribuímos-lhe mais ou menos valor; relacionamo-la principalmente connosco, com os nossos interesses, prezando-a ou desprezando-a conforme actua em relação ao sentimento que vivemos da nossa própria importância.
Era ainda o sentimento da nossa própria importância que funcionava na criação de um falso mistério à volta da pessoa de Álvaro Ribeiro. A possibilidade de virmos a ser iniciados na Maçonaria através dele tornara-o prestigioso e prodigioso a nossos olhos. Púnhamos assim véus sobre véus a esconder o verdadeiro mistério que é o do ser singular, tal como é em si, na relação vivente com a insondável origem donde todos os seres provêm e perdíamos assim a possibilidade de nos conhecermos, perscrutando-nos, na mesma insondável relação.
Todavia, eu gostava de subir o Chiado lentamente, porque era um espanto a singularidade de cada rosto, olhado numa espécie instintiva de dupla atenção. Todos aqueles rostos, um a um, sobretudo os olhos, emergiam repentinamente do desconhecido que me habitava. (...)"
António Telmo
Na casa de meu pai, éramos três irmãos (inédito)
Texto completo aqui.
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