António Quadros
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Na origem da actividade
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Excertos da obra
Alunos arquivo
"Nós perguntamos apenas se um ensino universitário que desconfia por princípio de toda a personalidade e toda a originalidade, fazendo o possível por transformar os alunos em grosseiros arquivos mnemónicos, contribuirá de algum modo para o desenvolvimento da cultura nacional? (...)"
António Quadros
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Excertos da obra
Partidos políticos
"Muito ao contrário, dir-se-ia que os partidos políticos é que se consideravam neste país os únicos detentores das verdades políticas e os únicos instrumentos do ressurgimento nacional, pois forçoso lhes parece constituirmo-nos em partido novo, ou enfileirarmos num antigo, para podermos exercer qualquer acção política. (...) Mas então os partidos, para estes senhores de partido, são simples moldes vazios onde todas as ideias e todos os propósitos se podem fundir, tábuas de cera mole que admitem todo o tipo de escritura? (...) Ingressar num partido quer dizer, para nós, aceitar-lhe o programa. (...) Ingressem os partidos no nosso programa, e a coisa ficará certa. O contrário é pedir à esfera que seja cúbica, ao cubo que seja redondo, e ao português que tenha senso crítico."
Raul Proença
«Seara Nova», n.º 27, Outubro de 1923
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Raul Proença
Hierarquia dos valores
"A única reforma subsistente será a reforma espiritual, que volte a colocar a Verdade no vértice da hierarquia dos valores. (...)"
Albert Camus
Os Justos, Livros do Brasil, (1960)
Tradução e Prefácio de António Quadros
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Albert Camus
Desde o ventre
"Não me lembro da minha mãe. Ela morreu tinha eu um ano. Tudo o que há de disperso e duro na minha sensibilidade vem da ausência desse calor e da saudade inútil dos beijos de que me não lembro. (...) Ah, é a saudade do outro que eu poderia ter sido que me dispersa e sobressalta. Quem outro seria eu se me tivessem dado carinho do que vem desde o ventre até aos beijos na cara pequena? (...) Talvez que a saudade de não ser filho tenha grande parte na minha indiferença sentimental. (...)"
Fernando Pessoa
Livro do Desassossego, Europa-América
(org. António Quadros), p.209
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Fernando Pessoa
A ideia de o publicar
"Foi Jorge de Sena (...) quem primeiro estudou o Livro do Desassossego, pois dele partiu, em 1960, a ideia de o publicar, propondo-o à Àtica, tendo chegado a colaborar estreitamente com Maria Aliette Galhoz, que realizou o primeiro grande trabalho de investigação, e a redigir o que seria a sua «Introdução» mas desligando-se do projecto em 1969, por razões várias. (...)"
António Quadros
introd. a Livro do Desassossego, 1ªparte
Europa-América (1986)
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Fernando Pessoa,
Jorge de Sena,
Maria Aliette Galhoz
domingo, 26 de outubro de 2014
Duas respostas
"A respeito de um mesmo assunto, não pensamos pela manhã da mesma forma que à noite. Mas onde está a verdade, no pensamento nocturno ou no espírito do meio-dia? Duas respostas, duas raças de homens. (...)"
Albert Camus
Maio de 1938 | Primeiros Cadernos
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Albert Camus
Insuportável e degradante
"A tagarelice - o que há de mais insuportável e degradante. (...)"
Albert Camus
25 de Outubro de 1937| Primeiros Cadernos
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Albert Camus
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Dilma ou Aécio?
A POLÍTICA DO DIA
Hoje a vida tem o sorriso
dentífrico dos candidados
e pelas ruas nos aponta
o céu em múltiplos retratos
céu não póstumo ou merecido
em cruel sala de espera
mas entre parêntesis de fogo
festiva véspera de guerra.
Teor de montras a vida
com democrático amor
a todos deixa gozar
sua dose de consumidor.
Publicitária a vida faz
sua campanha eleitoral:
É entrar meus senhores, quem dá mais
por princípios que não têm final?
Televisor férias de verão
tira a vida do seu discurso
e um partido providencial
que nos domestica o urso.
Popular a vida é toda
pétalas de apertos de mão.
Que meus versos me salvem
de cair nesse alçapão!
dentífrico dos candidados
e pelas ruas nos aponta
o céu em múltiplos retratos
céu não póstumo ou merecido
em cruel sala de espera
mas entre parêntesis de fogo
festiva véspera de guerra.
Teor de montras a vida
com democrático amor
a todos deixa gozar
sua dose de consumidor.
Publicitária a vida faz
sua campanha eleitoral:
É entrar meus senhores, quem dá mais
por princípios que não têm final?
Televisor férias de verão
tira a vida do seu discurso
e um partido providencial
que nos domestica o urso.
Popular a vida é toda
pétalas de apertos de mão.
Que meus versos me salvem
de cair nesse alçapão!
Natália Correia
A mosca iluminada (1972)
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Natália Correia
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Não vale a pena
“Só vale a pena discutir com as pessoas com as quais já estamos de acordo quanto aos pontos fundamentais; só aí se mantém, na pesquisa, a fraternidade essencial; tudo o resto é concorrência, batalha, luta pelo triunfo; não menos reais por serem disfarçados.”
Agostinho da Silva
via Grupo de Investigação de Pensamento Português da UL
via Grupo de Investigação de Pensamento Português da UL
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Agostinho da Silva
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Tanto mais
"Quanto mais se altera o fruto a nossos olhos e desce da ordem do prodígio à de instrumento, de mistério a matéria consumada, tanto mais nós nos afastamos dos nossos jovens anos. (...)"
Cristina Campo
Sob um falso nome (1998)
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Cristina Campo
sábado, 11 de outubro de 2014
A bebida dava-lhes a facilidade de esquecerem
"Não nos interessa neste momento saber se haverá redenção para tal queda e se algum dia se poderá voltar à Idade de Ouro, com o fim da guerra à natureza que tem sido a existência histórica da humanidade, com o fim da escravidão dos homens e da submissão de mulheres e de crianças; o que importa fixar agora, para que possamos compreender a essência do teatro, tal como ele se nos apresenta surgindo na Grécia, é que houve uma separação entre a natureza humana e o comportamento humano, que se trocou a espontaneidade pela regra, a alegria pelo sacrifício, a natureza pela sociedade; se não receássemos ir longe demais, diríamos que se trocou o instinto pela razão ordenadora; houve uma quebra entre os impulsos mais profundos e a necessária vida social; foi-se obrigado a
remar contra a corrente do rio e só em raras ocasiões pôde o homem voltar a esse profundo, íntimo, identificante contato com o mundo natural.
Uma dessas ocasiões era a festa das colheitas, sobretudo a da vindima; é o momento em que o homem tem ante si os frutos prontos ao consumo e em que se dá como que a renovação do milagre antigo de haver sempre à disposição de todos os alimentos necessários; tudo o que fora trabalho, disciplina, ciência e esforço organizado, tudo desaparecia e se esquecia diante da colheita que vinha garantir um ano mais de existência. E espontaneamente surgiam os cantos e as danças, os cortejos ruidosos; Dionísio, deus dos instintos e da natureza, quebrava a calma, a serenidade, e o racional saber de Apolo; com a fabricação do vinho, as festas foram um grau mais alto, porque a bebida lhes dava a facilidade de esquecerem, não a vida, mas a morte lenta e contínua em que andavam mergulhados; e era bebendo que eles reencontravam a vida verdadeira, a outra, a da alegria sem limites, a da irresponsável liberdade, a dos instintos sem grilhões. Com o vinho, porém, não só se estava usando para reentrar em contato com a natureza, dum meio não natural, o que era contraditório, como também, com o despertar da embriaguez, mais duramente se sentia a estreiteza do mundo real, do mundo social, daquele em que se tinha de viver.
O conflito entre o apetite e o dever punha-se ainda duma forma mais aguda; o que era a festa de Dionísio, o que era reatar dos laços que se tinham quebrado, não se conseguia ver livre do domínio, da presença, da paradoxal sombra de Apolo. Na realidade, dadas as condições de vida que existiam, o homem nada mais conseguia fazer que não fosse um conflito perpétuo entre a força do instinto e a da inteligência previsora, entre a fusão completa com a natureza e a distinção entre um sujeito que pensa e um objeto que é pensado. (...)"
Agostinho da Silva
A Comédia Latina
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Agostinho da Silva
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Flores matizadas
"A verdadeira educação da mente nunca teve outra finalidade, desde que o mundo existe, senão a morte da técnica, daquele triste saber viver que à criança, à qual tudo resulta por natureza, um dia foi fornecido pelos adultos. Por este artesanato do viver todos os homens são arrancados aos limiares da sua inocência, tal como pelas flores matizadas ou pela cerva perseguida na caça os antigos princípios à casa paterna. (...)"
Cristina Campo
Os Imperdoáveis (2008)
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Cristina Campo
Distribuição da pobreza
"O governo das sociedades contemporâneas é orientado segundo um princípio absolutizado e universalizado, a que tudo se deve subordinar: o princípio da economia.
O predomínio absoluto deste princípio começou por constituir a arma que conquistou para a burguesia o domínio das sociedades. Conquistado esse domínio, logo o princípio da economia se revelou instrumento da mais flagrante e dolorosa injustiça. Multiplicaram-se as suas vítimas vertiginosamente, até abrangerem a quase totalidade dos homens.
Quando essa injustiça, assim estabelecida, ficou patente e adquiriu as proporções de escândalo, procurou-se atribuir às modalidades e processos de aplicação do princípio, não ao próprio princípio, a sua origem e causa. Mantendo-se assim, no seu pedestal, esse princípio absoluto e único, reforçando-o e elevando-o até mais alto, dividiram-se em duas correntes principais os adoradores do ídolo - chamaram-se uns socialistas, chamaram-se outros capitalistas. O que os distingue é apenas a modalidade, o processo daquilo que ambos os grupos designam por «distribuição da riqueza», designação sarcástica pois do que efectivamente se trata é da «distribuição da pobreza». De qualquer modo, o ídolo é o mesmo, o princípio fica intocável e sua soberania continua a ser total. (...)"
Orlando Vitorino
"Suaves Cavaleiros"
«A Ilha», nº4/1 a 14, Jan.1971
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Orlando Vitorino
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Espiga Pinto | 1940-2014
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Espiga Pinto,
Herberto Helder
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Cioran, Ionesco, Eliade
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Emil Cioran,
Eugène Ionesco,
Mircea Eliade
domingo, 28 de setembro de 2014
Foleirice educacional
"O espírito dos livros (...) desapareceu entre revoadas de detritos vocabulares, de alarvidades administrativas, de foleirice educacional. Ouvir hoje falar os acossados e infelizes professores de todos os níveis de ensino, (que dantes incutiam a droga fulgurante da leitura), é assistir a um desfile de inépcias, a um esquecimento conduzido por fotocópias, à sufocação por ordenados que mal dão para sobreviver quanto mais para se descobrir em hábitos de conhecimento, à amargura de seres a si mesmos despromovidos, incapazes de gosto porque amordaçados por tempos infames e destruidores em tarefas imbecis, entre gente submetida à maldição de um Ministério medíocre (...)"
Joaquim Manuel Magalhães
Um pouco da morte, Editorial Presença (1989) p. 294
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Joaquim Manuel Magalhães
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Homenagem a José Régio | 23 de Janeiro de 1979
| António Quadros, ?, Natália Correia, João Gaspar Simões e Ary dos Santos Homenagem a José Régio, Lisboa, 23 de Janeiro de 1970 |
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Ary dos Santos,
João Gaspar Simões,
Natália Correia
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Não existindo
"Porque, havendo-me acostumado, em todas as outras coisas, a fazer distinção entre essência e existência, persuado-me facilmente que a existência pode ser separada da essência de Deus e que assim, se pode conceber a existência de Deus como não existindo actualmente. (...)"
Sampaio Bruno
A Ideia de Deus, (1902)
Lello & Irmãos - Editores, 1987, p. 234
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Sampaio Bruno
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Não por malícia
"O que ilumina o mundo e o torna suportável é o habitual sentimento que temos dos nossos laços com ele - e mais particularmente do que nos liga aos seres. As relações com os seres ajudam-nos sempre a continuar porque pressupõem desenvolvimentos, um futuro - e também porque vivemos como se a nossa única tarefa fosse precisamente o manter relações com os seres. Mas nos dias em que nos tornamos conscientes de que não é a nossa única tarefa, sobretudo nos dias em que compreendemos que só a nossa vontade conserva esses seres ligados a nós - deixem de escrever ou de falar, isolem-se e verão como eles fundem em vosso redor - verão como a maioria está na realidade de costas voltadas (não por malícia, mas por indiferença) e que o resto conserva sempre a possibilidade de se interessar por outra coisa; quando imaginamos desta forma tudo quanto entra de contingente, de jogo das circunstâncias, no que costuma chamar-se um amor ou uma amizade, então o mundo regressa à sua noite e nós a esse grande frio de que a ternura humana por um momento nos tinha afastado. (...)"
Albert Camus, Cadernos II
trad. António Quadros, Lisboa: Livros do Brasil, s/d
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Excertos da obra
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Em Vale d'Óbidos
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Agora, de repente
António Lobo Antunes
Visão, Agosto de 2014
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João Ubaldo Ribeiro
domingo, 10 de agosto de 2014
Presente
"O sonho prolongava-se na vigília; não havia solução de continuidade entre o que a consciência recorda como pesadelo passado e o que ela registra como efectividade presente. É o mais que posso esmiuçar. Enfim, não sei. (...)"
Sampaio Bruno
A Ideia de Deus (1902)
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Sampaio Bruno
sábado, 9 de agosto de 2014
Ribeiro Couto
"Cabocla é um poema. O poema do sertão, o poema da moça de estaçãozinha pobre que Ribeiro Couto trazia dentro de si desde as suas primeiras viagens pela serra acima.
No símbolo que encerra, Cabocla está na linha da Cidade e as Serras de Eça de Queiroz e Pureza de José Lins do Rego. No ataque à artificialidade da vida citadina e na apologia da vida simples, «natural». (...) Mas enquanto em Eça ou Lins do Rego este símbolo toma uma importância considerável, para não dizer fundamental, em Cabocla, a sua importância é apenas acessória. Porque tudo o que não seja poema, neste romance, é acessório. (...)"
António Quadros
"Cabloca, o romance da saudade", Modernos de Ontem e de Hoje
Portugália Editora (1947), p.180
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"Sabíamos, pela direção do rumor, qual das crianças se movera na cama, no quarto ao lado. Robertinho tinha mau dormir e dava surdos pontapés na parede. Mariazinha sonhava em voz alta.
Meu conhecimento do chão era minucioso. Evitava todas as tábuas em falso, todas as asperezas que podiam magoar-me os joelhos, todos os trechos do corredor em que o madeiramento rangia. Adivinhava no escuro os pontos da parede em que me podia apoiar sem enfiar a mão em buracos do adobe, que sugeriam sempre a vida obscura de desconhecidos insetos. (...)"
Ribeiro Couto
Cabocla (1931)
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Eça de Queiroz,
Excertos da obra,
José Lins do Rego,
Ribeiro Couto
Autor
"O melhor é desistir das ideias de unidade, regularidade, perfeição. É mais um livro. Sou mais um autor. (...)"
António Quadros
Modernos de Ontem e de Hoje (1947)
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Excertos da obra
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
"Este português que conheci", Rita Ferro (Semanário, 3 de Abril de 1993)
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Imprensa,
Rita Ferro
sábado, 26 de julho de 2014
Fedro
"Quem ousaria dizer ao autor do Fedro: Põe de parte o aspecto mítico ou mítico-poético do teu pensamento para seres lógico (...)?"
José Marinho
Filosofia, Ensino ou Iniciação, (1972) p. 57
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José Marinho
Somos bons a empurrar
"Empurra-se o menino, empurra-se o adolescente, empurra-se o adulto: somos todos uns excelentes pedagogos: empurramos. (...)"
Agostinho da Silva
Dispersos (1989)
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Agostinho da Silva
Cabeças cúbicas/bestas quadradas
"O que fazemos é criar cabeças cúbicas. E nós perdemos essa memória do cúbico, o que dizemos é que a maior parte das vezes, a pessoa sai da escola sendo uma besta quadrada."
Agostinho da Silva
Namorando o amanhã (1996), p.44
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Agostinho da Silva
Saudade, mito, sensação, percepção
“Não é uma actividade menos racionalista pensar a saudade ou o mito, do que pensar a sensação ou a percepção (....).”
António Quadros
Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, II Volume, p. 25.
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Excertos da obra
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Todos os matizes faíscam
"O sol amanhece sobre as águas silenciosas da Bahia e todos os matizes faíscam por cima das ondas, dos topos das árvores do casario suspenso entre as brumas da aurora, os campanários das velas de um saveiro aqui e acolá. (...)"
João Ubaldo Ribeiro
Viva o povo brasileiro (1984)
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João Ubaldo Ribeiro
18,19 e 23
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Ariano Suassuna,
João Ubaldo Ribeiro,
Rubem Alves
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Ariano Suassuna 1927-2014
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Ariano Suassuna
Angelina
"As primeiras lições encontraram a sua inteligência aberta. Angelina era sôfrega de aprender, de estudar, para brilhar perante os mestres, a família, as pessoas das relações. Havia, no seu ânimo, o propósito, inconsciente, de vencer as amigas e as primas na única competição a que podia concorrer com elas, a da inteligência. Dentro em pouco era tido como prodigiosa. Fazia exames em Lisboa e obtinha classificações desvanecedoras. Também aprendia música e tocava expressivamente harpa e violino. Pelos quinze anos começou a fazer versos. Mais tarde, depois de passar uns invernos em Lisboa, de ver o teatro português e francês, escreveu teatro. (...) Mas Angelina ainda tinha fome de mais aplausos e desejava publicar as suas peças. (...) Os pais facilitavam-lhe todos os desejos, viviam em perene servidão de amor, por contricção de suas culpas irremissíveis e para que a infelicidade de Angelina se atenuasse. O remorso dos dois transparecia na generosidade com que lhe satisfaziam os caprichos. (...) O notário da vila, um janota disposto a vender em leilão matrimonial a sua categoria de doutor, escreveu a Angelina a primeira carta amorosa. Uma carta que ela leu com espanto e releu com angústia. Uma carta com que ela rasgou o véu que lhe encobria a tragédia do destino. (...)"
Maria Archer
Filosofia de uma mulher moderna (1950) p.84
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Maria Archer
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