quinta-feira, 7 de maio de 2015
Camus e a filha, Catarina | Grécia (1958)
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Albert Camus
Ao António – amigo entre os amigos
Ao António – amigo entre os amigos – companheiro de lides
várias – com um forte abraço teu velho amigo e admirador
grato
Ruben A.
Out/64
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Ruben A.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Um nervosismo absurdo, sem cura, que me havia de prejudicar pela vida fora
"O efeito medíocre das minhas classificações nunca me preocupou muito... Um nervosismo absurdo, sem cura, que me havia de prejudicar pela vida fora, tanto em casos amorosos como em situações de relativa importância. Deformava a realidade e criava em seu lugar uma poderosa imaginação... deu-me uma certa humildade que conservei intacta pela vida fora. Realmente nunca passei a arrogante."
Ruben A.
O mundo à minha procura I (1964)
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Ruben A.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Sobretudo o grito
"E o grito - sobretudo o grito - que se vai atenuando, mas que ainda ecoa, como último sinal de triunfo de quem acabou a violência e está farto de matar (...)"
Raul Brandão
Os Pescadores (1923)
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Raul Brandão
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Não percebia nada
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Ruben A.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Ambiguidade congénita
"(...) A ambiguidade da metafísica não surge como defeito,
inerente ou não, mas condição preliminar do pensamento que
pretende descobrir o sentido da existência. O pensamento exige sempre
um contrario para se afirmar. Nenhuma noção pode ser pensada
exclusivamente por si, é sempre necessária outra e nesta dualidade
reside a ambiguidade congénita de todo o pensamento, e em especial
do pensamento metafísico. O nada é impensável, mas o pensamento
pretende objectivá-lo como pensável. A existência é impensável, mas
sem ela o pensamento não poderia manifestar-se. E deste modo, a
metafísica é consciente e paradoxal ambiguidade."
Delfim Santos
"Da ambiguidade na metafísica"
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia
tomo 2, 840-846, separata
(1949)
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Delfim Santos
A metafísica é trânsito
"Mas em antecipação e em conclusão digamos que física não se
opõe à metafísica, como é corrente a partir de Leibniz. O rio não se opõe à margem. As margens é que são entre si opostas. Isto é, não
há metafísica sem física, nem física sem metafísica, como não pode
haver ultrapassagem de um rio que não seja rio. (...) A metafísica é por si garantia da coexistência
dos opostos sem os quais ela nada poderia ser. O que em
Aristóteles se opõe ao físico é o lógico e não o metafísico. (...) A metafísica é trânsito em função de duas instâncias; é fácil desconhecer o real, é mais difícil desconhecer o ideal como ingrediente
de pensamento. Não é só difícil mas impossível, e nisto reside
a força aparente da prova idealista. O real exige como prova testemunhal
de si próprio o pensamento, e daí a suposição da anterioridade
e superioridade de valor do pensamento perante a existência. Mas
metafísica, como vimos, não é só pensamento, mas esforço de correlação entre o pensamento e a existência. (...)"
Delfim Santos
"Da ambiguidade na metafísica"
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia
tomo 2, 840-846, separata
(1949)
O de onde e para onde da metafísica
"O termo metafísica tem dois núcleos de referência. Está relacionado
com "física" e é actividade transponente, como indica o prefixo
"meta". Mas a transponência é acto que implica dois sentidos. Meta
é indicio de "direcção para", mas nada nos diz acerca do sentido da
direcção. Metafísica é, pois, actividade de pensamento que ultrapassa
a física. Mas ultrapassar a física não tem sentido unívoco, como
não tem sentido unívoco ultrapassar um rio. Um rio tem duas margens
e para que a expressão seja clara em seu sentido temos de saber
"de que" margem e "para que" margem se passou para compreendermos
plenamente o sentido da ultrapassagem. Assim com a metafisica, o termo não é unívoco porque não nos diz de "onde" ou "para
onde" se dirige a ultrapassagem. (...)"
Delfim Santos
"Da ambiguidade na metafísica"
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia
tomo 2, 840-846, separata
(1949)
(1949)
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Delfim Santos
O nada não nos diz nada sobre a metafísica
"O problema metafísico do
Nada compreende, como problema, toda a metafísica, mas se esse e
outros problemas compreendem toda a metafísica e por ele são problemas,
nem por isso se nos diz o que seja a metafísica. (...)"
Delfim Santos
"Da ambiguidade na metafísica"
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia
tomo 2, 840-846, separata
(1949)
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Delfim Santos
domingo, 19 de abril de 2015
Ruben A.
![]() |
| Ruben A. em Ponte de Lima com Sophia de Mello Breyner e Francisco Sousa Tavares |
- Em que idade escreveu (e publicou) o primeiro livro?
- 28 anos. Páginas I. 1949. Fez cócegas na sonolência nacional. Quem as fez acordar do barbitúrico râncico foi o João Gaspar Simões e o António Quadros. É a verdade, a eles devo muito.
Ruben A.
Diário Popular, 10 de Julho de 1975
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Ruben A.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
"A obra e o pensamento de Ariano Suassuna" | Colóquio
Realiza-se, no próximo dia 15 de Abril, pelas 14h30, no palácio da independência em Lisboa, o colóquio "A obra e o pensamento de Ariano Suassuna", dedicado ao autor d'O Auto da Compadecida.
PROGRAMA
14h30 | Sessão de Abertura
José Esteves Pereira
15h00 | Comunicações
António Braz Teixeira | Teatro
António Cândido Franco | Poesia
Constança Marcondes César | Romance
16h00 | Comunicações
Manuel Cândido Pimentel | Teoria Estética
José Almeida | Movimento Armorial
Manuel Gandra | Ariano Suassuna e o Sebastianismo
17h00 | Comunicações
Paulo Dias Oliveira | Ariano Suassuna e o Integralismo
Pedro Sinde | A Compadecida de Suassuna - Da teologia à expressão popular
Renato Epifânio | Ariano Suassuna e Agostinho da Silva
18h00 | Apresentação de obras
- "Olhares luso-brasileiros", de Constança Marcondes César
- "A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa", obra colectiva
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quarta-feira, 8 de abril de 2015
Dalila Pereira da Costa
Excertos do documentário "Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro", produzido pela Escola de Belas Artes da Universidade Católica do Porto.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
A religião e a arte
"Considerando, porém, a religião e a arte, ambas se me afiguram, ainda que de um modo distinto é certo, intimamente voltadas para o homem e o universo, para a condição humana e a natureza Divina. E nisto não residirá a memória e a saudade do Paraíso perdido, de que nos fala a Bíblia, tesouro inesgotável da nossa cultura europeia? (...)"
Manoel de Oliveira
Centro Cultural de Belém, Lisboa, 12.5.2010
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Manoel de Oliveira
Manoel de Oliveira 1908-2015
'Non' ou A Vã Glória de Mandar (1990)
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Manoel de Oliveira
Manoel de Oliveira 1908-2015
"Quando comecei a fazer cinema não conhecia ninguém das tertúlias literárias. [Mais tarde] o Casais Monteiro, o Leonardo Coimbra, o José Marinho, o Álvaro Ribeiro, o Delfim Santos e outros (...) foram eles que me foram dando indicações sobre livros importantes.”
Manoel de Oliveira
«Expresso» 16 de Outubro de 1993
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Leonardo Coimbra,
Manoel de Oliveira
segunda-feira, 30 de março de 2015
Religiosa heterodoxia
"Religiosos têm sido os maiores poetas portugueses." António Quadros defendeu esta ideia em 1979, num texto de evocação de José Régio, a quem atribuía o pódio do génio poético português no século XX, a par de Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. É impossível saber se, porventura vivo, o filósofo estenderia hoje a graça a Herberto Helder (que tanto o admirava). Contudo, também deste poeta se poderá dizer que foi heterodoxo, certamente torturado, por vezes dubitativo. Todos, cada um a seu modo, “não realizaram obra confessional, eclesial, ritualista, antes partiram de uma longa ou de curtas mas perturbantes experiências místicas, ou metagnósicas, de que regressaram perturbados, mas ao mesmo tempo iluminados, deslumbrados, sublimados”.
Herberto Helder fê-lo sem fidelidade a Deus (“destruído pelo extremo exercício da beleza”), mas com um visionarismo largo e profundo da vida, nascido da tentativa de toque poético nas coisas mesmas, directas e quotidianas (“vem aí o sagrado, e tornam-se radiosas as coisas mínimas”). Numa simultânea carnificação e coisificação da palavra, o poeta pesquisou gestos primitivos (como levar a colher à boca), uma iluminação primordial, a “alquimia do verbo” possuindo “todas as paisagens do mundo”, tal como Rimbaud a sonhou. (...)
Herberto Helder fê-lo sem fidelidade a Deus (“destruído pelo extremo exercício da beleza”), mas com um visionarismo largo e profundo da vida, nascido da tentativa de toque poético nas coisas mesmas, directas e quotidianas (“vem aí o sagrado, e tornam-se radiosas as coisas mínimas”). Numa simultânea carnificação e coisificação da palavra, o poeta pesquisou gestos primitivos (como levar a colher à boca), uma iluminação primordial, a “alquimia do verbo” possuindo “todas as paisagens do mundo”, tal como Rimbaud a sonhou. (...)
Filipa Melo
Jornal Sol | 29-03-2015
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Herberto Helder
sexta-feira, 27 de março de 2015
O encontro de Sampaio Bruno com António Nobre
"Na escura rua de Trévise me procurou, abandonando por horas a sua preferida margem esquerda, de que lhe era tão penoso afastar-se, António Nobre, uma tarde em que eu sofria cruelmente. Esta visita sensibilizou-me; como me encantou a conversação do poeta, pelo tom subtil da melindrosa reserva na consolação, a um tempo caridosa e primorosa, d’um’alma em carne viva, como a minha por então andava. (...)"
Sampaio Bruno
do prefácio a Despedidas (livro póstumo)
de António Nobre
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António Nobre,
Sampaio Bruno
Fernando Gil e José Marinho
(...)
DN: Como é que surge a filosofia para si? O seu percurso é algo atípico; fez uma breve incursão na Sociologia, licenciou-se em Direito, e em 61 decidiu-se pelo estudo da Filosofia em Paris.
Fernando Gil: Nessa altura, em 61, já tinha escrito um livrinho de filosofia.
DN: Não foi uma espécie de ousadia escrever um livrinho de filosofia sem antes a ter estudado?
Fernando Gil: Foi com certeza o exemplo de um mestre, José Marinho, que eu frequentava em cafés da Avenida de Roma, que podia animar um jovem, que tinha tido alguma revelação da filosofia através do prefácio da «Fenomenologia da Percepção» de Merleau-Ponty, a avançar sozinho. O José Marinho era, justamente, um filósofo insensato, e animava tudo o que pudesse parecer um caminho pessoal. Não fui só eu; várias pessoas à volta dele beneficiaram desse apoio. Talvez tenha sido ainda mais insensato porque escrevi o livro sabendo muito pouco de filosofia.
DNa | Diário de Notícias | 2000
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José Marinho
terça-feira, 24 de março de 2015
Herberto
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Herberto Helder
segunda-feira, 23 de março de 2015
Confluências n.º5
A jovem não escondeu o seu desapontamento
"Formávamos uma pequena multidão. Pelo menos, deve ter sido assim que para nós olhou a rapariga que, naquele momento, se acercou do grupo. Forasteira, teria cerca de 20 anos e vinha ao fresco, vaporosa, balnear, esperançada na réstia de um Verão a destempo face à iminência da hora em mudança.
Quis saber o que ali se iria passar. Dissemos-lhe que já se tinha passado. (...)
Alguém lhe terá então falado da homenagem prestada a Agostinho, do lançamento do livro com as suas cartas para António Telmo. E a palavra filosofia, naturalmente, veio à baila. A jovem não escondeu o seu desapontamento perante o quadro: – Filosofia??!! quase protestou, envolvendo o desdém da pergunta num esgar de desconsolo. Esperaria talvez poder assistir à projecção de um filme, suplemento prazenteiro à inopinada vilegiatura, e deparara-se afinal com um bando plúmbeo de monos dissecadores de alfarrábios. Em suma: uma seca!
Não obstante, reteve o nome de Agostinho: – Agostinho da Silva? Mas ele ainda é vivo? – indagou. Paciente, proficientemente, esclarecemo-la, explicando-lhe que a apresentação das Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo constituíra, justamente, uma comemoração, entre outras, em que Sesimbra foi aliás pródiga no ano passado, dos vinte anos da sua partida. Para o nosso desespero ser completo, veio ainda uma terceira questão: – E a filosofia dele era estilo quê? Tipo Platão?
Mais disse a suave rapariga outonal ser aluna do IADE, em Lisboa. Muito gostaria de lhe ter feito a pergunta que então me não ocorreu: se acaso sabia quem tinha fundado a escola que frequentava? Imagine o leitor que se trata de um filósofo, para mais um filósofo português, de seu nome António Quadros. Este amigo de António Telmo e Agostinho da Silva, regressado à pátria após uma estada no Brasil, onde fora realizar conferências, foi o núncio do convite que o segundo, com Eudoro de Sousa, dirigira ao primeiro para se lhes juntar, em Brasília, como professor da Universidade onde os dois então pontificavam. Corria pelo meado a década de sessenta. E o resto é sabido. (...)
Por muito que custe à excelente moça balnear, parece haver sempre uma opção filosófica depositada nos gestos, mesmo os mais pequenos, só na aparência insignificantes, com que urdimos as teias das nossas vidas. Quando Agostinho da Silva virava costas ao mergulho nas ondas do mar a seus pés, e com estes de abalada se afoitava a calcorrear os morros que circundam a cova funda, para visitar o amigo Rafael Monteiro na sua casa castelã, estava por certo a fazer uma escolha, tão escorada no sentimento como no pensamento. E quando António Quadros congeminou o desígnio, entre nós pioneiro, de criar uma escola de arte e decoração que viria a concretizar em 1969, facultando aos estudantes portugueses um curso de Design de Interiores e Equipamento Geral concebido sob padrões internacionais de vanguarda, bem sabia que as imagens não raro decidem das ideias por que guiamos os nossos passos. (...)"
Por muito que custe à excelente moça balnear, parece haver sempre uma opção filosófica depositada nos gestos, mesmo os mais pequenos, só na aparência insignificantes, com que urdimos as teias das nossas vidas. Quando Agostinho da Silva virava costas ao mergulho nas ondas do mar a seus pés, e com estes de abalada se afoitava a calcorrear os morros que circundam a cova funda, para visitar o amigo Rafael Monteiro na sua casa castelã, estava por certo a fazer uma escolha, tão escorada no sentimento como no pensamento. E quando António Quadros congeminou o desígnio, entre nós pioneiro, de criar uma escola de arte e decoração que viria a concretizar em 1969, facultando aos estudantes portugueses um curso de Design de Interiores e Equipamento Geral concebido sob padrões internacionais de vanguarda, bem sabia que as imagens não raro decidem das ideias por que guiamos os nossos passos. (...)"
Pedro Martins, aqui.
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António Telmo,
Eudoro de Sousa,
Pedro Martins
segunda-feira, 16 de março de 2015
O progresso é um mito que sobrevive
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John Gray
sexta-feira, 13 de março de 2015
Do ontem hoje
"Pretendo aludir nestas linhas a dois vícios que inferiorizam grande parte da nossa literatura contemporânea, roubando-lhe esse carácter de invenção, criação e descoberta que faz grande a arte moderna. São eles: a falta de originalidade e a falta de sinceridade. (...)"
José Régio
Presença, n.º1, 10 de Março de 1927
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José Régio
quinta-feira, 12 de março de 2015
(d)e
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Almada Negreiros
Frisos
"Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente. (...)"
Se eu fosse cego amava toda a gente. (...)"
Almada Negreiros
Frisos, Canção da Saudade
Orpheu I
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Almada Negreiros
terça-feira, 10 de março de 2015
Conferências, livros, bibliografias...
"A arte de filosofar não consiste em escrever livros, em proferir conferências,
em minutar lições que, ostensivamente, efectuem transmissão de ensino público.
Todas as manifestações da filosofia que os bibliógrafos registam os biógrafos
explicam, combinando a bibliografia com a biografia, resultam de uma actividade
inaudível e invisível a que se dá o nome secreto de pensamento (...)"
Álvaro Ribeiro
A Arte de Filosofar
Portugália Editora, 1955
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Alvaro Ribeiro
quinta-feira, 5 de março de 2015
O sensacionismo
“O sensacionismo, que mais tarde Fernando Pessoa teorizaria em numerosos escritos, é, com Cesário Verde, a primeira irrupção do moderno na poesia portuguesa. A poesia vai alimentar-se na prosa para se renovar. É uma poética do aquém, que valoriza e restaura a consciência e a qualidade das coisas, do que é circunstancial, material e concreto. (...)”
António Quadros
O primeiro modernismo português (1989)
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Cesário Verde,
Excertos da obra,
Fernando Pessoa
quarta-feira, 4 de março de 2015
E as de Deus
"Blagues? E as de Deus? (...)"
Álvaro de Campos
(s.d)
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Álvaro de Campos
terça-feira, 3 de março de 2015
Mircea
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Mircea Eliade
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Jura-me
" (...)
– Jura-me que nunca hás-de envelhecer – disse-te.
– Juro.
– E que nunca hás-de morrer.
– Sim.
– E que a beleza estará sempre contigo. E a glória. E a paz.
– Juro."
– Jura-me que nunca hás-de envelhecer – disse-te.
– Juro.
– E que nunca hás-de morrer.
– Sim.
– E que a beleza estará sempre contigo. E a glória. E a paz.
– Juro."
Vergílio Ferreira
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Vergílio Ferreira
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Pelos vencidos
"Não te poderás considerar um verdadeiro intelectual se não puseres a tua vida ao serviço da justiça; e sobretudo se te não guardares cuidadosamente do erro em que se cai no vulgo: o de a confundir com a vingança. A justiça há-de ser para nós amparo criador, consolação e aproveitamento das forças que andam desviadas; há-de ter por princípio e por fim o desejo de uma Humanidade melhor; há-de ser forte e criadora; no seu grau mais alto não a distinguiremos do amor (...)"
Agostinho da Silva, “Pelos vencidos”,
Considerações [1944], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 112.
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Agostinho da Silva
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
A poesia permanecerá como a afirmação mais capaz de acusar todas as traições do homem ao seu destino humano
"A poesia subsiste, a poesia subsistirá. Independentemente de questões intrínsecas, que explicarão o êxito momentâneo de certas obras, apostamos numa forma de arte que particularmente se apoia na linguagem e nas suas mais profundas virtualidades, vizinha afinal de uma linguagem popular que, embora prejudicada pelo êxodo rural e pelo consequente domínio, mais aparente do que real, de um idioma reduzido, fundamental digest, não deixará de sobreviver enquanto sobre a terra algum homem houver. A poesia núcleo e limite das artes que se apoiam na linguagem que distingue o homem dos outros animais, apresenta-se-nos como o último reduto dessas artes. Atitude utópica, aposta, justificação própria? Depois do que já, ao longo deste artigo, dissemos, cremos honestamente que não. Na pior das hipóteses, mortal como o homem e como a sua única terra, a poesia permanecerá não só como a forma mais pura de arte literária mas também como a indisciplinadora mais audaz, como a afirmação mais vigilante de uma consciência individual e social capaz de acusar todas as traições do homem ao seu destino humano. (...)"
Ruy Belo
Poesia, Último Reduto da Literatura?
(Diário de Lisboa, 14-04-1972)
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Ruy Belo
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Problemático é
“A unidade teorética do sistema de cultura pode ser encontrada na relação do pensamento humano com
a realidade absoluta; problemático é apenas o fundamento da opção por um determinado modo de vida
espiritual. (...)"
Álvaro Ribeiro
O Problema da Filosofia
Portuguesa, Lisboa, (1943)
Editorial “Inquérito”, p.38
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Alvaro Ribeiro
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Proença, Cortesão, Sérgio e o grupo Seara Nova
"O Colóquio sobre Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova, organizado por Amon Pinho, António Pedro Mesquita e Romana Valente Pinho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2009, constituiu um importante acontecimento académico e, sem dúvida, um dos mais fecundos encontros científicos jamais promovidos em torno do grupo seareiro e das suas mais relevantes personalidades. E tantos foram, desde os que ocorreram na década de oitenta do passado século, assinalando os centenários dos nascimentos dessas mesmas personalidades, até ao que se realizou já na primeira década deste século sobre António Sérgio e organizado pelo Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa. E, no entanto, de cada vez que nos aproximamos dos grandes vultos seareiros, somos sempre surpreendidos por novos ângulos de abordagem e originais aprofundamentos das múltiplas dimensões dos respectivos magistérios. Como se fossem filões inesgotáveis a inspirarem sucessivas vagas de pesquisa por parte de renovadas gerações de estudiosos".
António Reis
do Prefácio
*Apresentação dia 5 de Março, às 18h30, na sala D. Pedro V da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
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António Sérgio,
Jaime Cortesão,
Raul Proença
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Carnaval
(...)
Tenho náusea carnal do meu destino.
Quase me cansa me cansar.
E vou, Anónimo, (...) menino,
Por meu ser fora à busca de quem sou.
Tenho náusea carnal do meu destino.
Quase me cansa me cansar.
E vou, Anónimo, (...) menino,
Por meu ser fora à busca de quem sou.
Álvaro de Campos
(s.d.)
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Álvaro de Campos,
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