quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sabedoria

"O importante é trazer no coração a vida que nos sopram aqueles que tinham a sabedoria (...)"

João dos Santos

Se as escolas

“Se as escolas fossem oficinas onde a criatividade tivesse um papel primordial mesmo na aprendizagem da leitura e contas, as crianças trariam consigo e dentro de si mais objectos de amor para se protegerem da vida. (...)” 

 João dos Santos

quarta-feira, 13 de maio de 2015

João Cabral de Melo Neto e Ruben A.

"Aquela nossa viagem de automóvel foi uma das melhores que fiz na vida e ainda tenho nos olhos tudo o que vi (...)"

João Cabral de Melo Neto sobre um passeio ao norte 
de Portugal na companhia de Ruben A.
28 de Abril de 1968


Egipto

"Com a publicação do romance póstumo Kaos, termina a carreira literária de Ruben A., a menos que o livro, várias vezes anunciado pelo autor mas nunca aparecido Egipto - Os mortos também comem, possa surgir um dia das profundezas de um qualquer recôndito. (...)"

Liberto Cruz e Madalena Carretero Cruz
Ruben A. Uma biografia, Editorial Estampa (2012), p.279

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Um nervosismo absurdo, sem cura, que me havia de prejudicar pela vida fora

"O efeito medíocre das minhas classificações nunca me preocupou muito... Um nervosismo absurdo, sem cura, que me havia de prejudicar pela vida fora, tanto em casos amorosos como em situações de relativa importância. Deformava a realidade e criava em seu lugar uma poderosa imaginação... deu-me uma certa humildade que conservei intacta pela vida fora. Realmente nunca passei a arrogante."

Ruben A.
O mundo à minha procura I (1964)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sobretudo o grito

"E o grito - sobretudo o grito - que se vai atenuando, mas que ainda ecoa, como último sinal de triunfo de quem acabou a violência e está farto de matar (...)"

Raul Brandão
Os Pescadores (1923)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Ambiguidade congénita

"(...) A ambiguidade da metafísica não surge como defeito, inerente ou não, mas condição preliminar do pensamento que pretende descobrir o sentido da existência. O pensamento exige sempre um contrario para se afirmar. Nenhuma noção pode ser pensada exclusivamente por si, é sempre necessária outra e nesta dualidade reside a ambiguidade congénita de todo o pensamento, e em especial do pensamento metafísico. O nada é impensável, mas o pensamento pretende objectivá-lo como pensável. A existência é impensável, mas sem ela o pensamento não poderia manifestar-se. E deste modo, a metafísica é consciente e paradoxal ambiguidade." 

 Delfim Santos 
 "Da ambiguidade na metafísica" 
 Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia 
tomo 2, 840-846, separata (1949)

A metafísica é trânsito

"Mas em antecipação e em conclusão digamos que física não se opõe à metafísica, como é corrente a partir de Leibniz. O rio não se opõe à margem. As margens é que são entre si opostas. Isto é, não há metafísica sem física, nem física sem metafísica, como não pode haver ultrapassagem de um rio que não seja rio. (...) A metafísica é por si garantia da coexistência dos opostos sem os quais ela nada poderia ser. O que em Aristóteles se opõe ao físico é o lógico e não o metafísico. (...) A metafísica é trânsito em função de duas instâncias; é fácil desconhecer o real, é mais difícil desconhecer o ideal como ingrediente de pensamento. Não é só difícil mas impossível, e nisto reside a força aparente da prova idealista. O real exige como prova testemunhal de si próprio o pensamento, e daí a suposição da anterioridade e superioridade de valor do pensamento perante a existência. Mas metafísica, como vimos, não é só pensamento, mas esforço de correlação entre o pensamento e a existência. (...)"

Delfim Santos 
"Da ambiguidade na metafísica" 
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia tomo 2, 840-846, separata
(1949)

O de onde e para onde da metafísica

"O termo metafísica tem dois núcleos de referência. Está relacionado com "física" e é actividade transponente, como indica o prefixo "meta". Mas a transponência é acto que implica dois sentidos. Meta é indicio de "direcção para", mas nada nos diz acerca do sentido da direcção. Metafísica é, pois, actividade de pensamento que ultrapassa a física. Mas ultrapassar a física não tem sentido unívoco, como não tem sentido unívoco ultrapassar um rio. Um rio tem duas margens e para que a expressão seja clara em seu sentido temos de saber "de que" margem e "para que" margem se passou para compreendermos plenamente o sentido da ultrapassagem. Assim com a metafisica, o termo não é unívoco porque não nos diz de "onde" ou "para onde" se dirige a ultrapassagem. (...)"

 Delfim Santos 
"Da ambiguidade na metafísica" 
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia 
tomo 2, 840-846, separata
(1949)

O nada não nos diz nada sobre a metafísica

"O problema metafísico do Nada compreende, como problema, toda a metafísica, mas se esse e outros problemas compreendem toda a metafísica e por ele são problemas, nem por isso se nos diz o que seja a metafísica. (...)"

Delfim Santos
"Da ambiguidade na metafísica"
Actas del Primer Congreso Nacional de Filosofia
tomo 2, 840-846, separata
(1949)

domingo, 19 de abril de 2015

Ruben A.

Ruben A. em Ponte de Lima com Sophia de Mello Breyner
e Francisco Sousa Tavares

- Em que idade escreveu (e publicou) o primeiro livro?
- 28 anos. Páginas I. 1949. Fez cócegas na sonolência nacional. Quem as fez acordar do barbitúrico râncico foi o João Gaspar Simões e o António Quadros. É a verdade, a eles devo muito.

Ruben A.
Diário Popular, 10 de Julho de 1975

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"A obra e o pensamento de Ariano Suassuna" | Colóquio


Realiza-se, no próximo dia 15 de Abril, pelas 14h30, no palácio da independência em Lisboa, o colóquio "A obra e o pensamento de Ariano Suassuna", dedicado ao autor d'O Auto da Compadecida.

PROGRAMA

14h30 | Sessão de Abertura
José Esteves Pereira

15h00 | Comunicações
António Braz Teixeira | Teatro
António Cândido Franco | Poesia
Constança Marcondes César | Romance

16h00 | Comunicações
Manuel Cândido Pimentel | Teoria Estética
José Almeida | Movimento Armorial
Manuel Gandra | Ariano Suassuna e o Sebastianismo

17h00 | Comunicações
Paulo Dias Oliveira | Ariano Suassuna e o Integralismo
Pedro Sinde | A Compadecida de Suassuna - Da teologia à expressão popular
Renato Epifânio | Ariano Suassuna e Agostinho da Silva

18h00 | Apresentação de obras
- "Olhares luso-brasileiros", de Constança Marcondes César
- "A Obra e o Pensamento de Eudoro de Sousa", obra colectiva

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Dalila Pereira da Costa


Excertos do documentário "Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro", produzido pela Escola de Belas Artes da Universidade Católica do Porto.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A religião e a arte

"Considerando, porém, a religião e a arte, ambas se me afiguram, ainda que de um modo distinto é certo, intimamente voltadas para o homem e o universo, para a condição humana e a natureza Divina. E nisto não residirá a memória e a saudade do Paraíso perdido, de que nos fala a Bíblia, tesouro inesgotável da nossa cultura europeia? (...)"

Manoel de Oliveira
Centro Cultural de Belém, Lisboa, 12.5.2010 

Manoel de Oliveira 1908-2015


'Non' ou A Vã Glória de Mandar (1990)

Manoel de Oliveira 1908-2015

"Quando comecei a fazer cinema não conhecia ninguém das tertúlias literárias. [Mais tarde] o Casais Monteiro, o Leonardo Coimbra, o José Marinho, o Álvaro Ribeiro, o Delfim Santos e outros (...) foram eles que me foram dando indicações sobre livros importantes.”

Manoel de Oliveira
«Expresso» 16 de Outubro de 1993