António Telmo
"Dois filósofos portuenses e a simbólica do Porto",
em Nova Renascença, (III), nº8, 1982, pp. 386-388.
em Nova Renascença, (III), nº8, 1982, pp. 386-388.
| Arquivo Delfim Santos 2011 |
| Desenho de Monteiro Lobato |
"(...) o ideal literário de Duhamel é contar o homem médio, o pequeno burguês parisiense que vive em quatro compartimentos com um ordenado demasiado estreito para extravagâncias, o pequeno burguês e todo o complicado processo que forma a sua não menos complicada personalidade - os seus actos, os seus sentimentos, os seus ideais, as suas convenções. (...) Para interessar o leitor, era preciso que as personagens de Duhamel, além de homens médios tipos, fosse originais, susceptíveis de prender fortemente a atenção. E pronto. Um caso original, raro, um desfecho imprevisível, carácter diferentes, e eis o leitor preso, algumas vezes mesmo, prodigiosamente interessado.(...) A filosofia de Duhamel é amarga, despeitada, e o Diário de Salavin é um exemplo que ilustra perfeitamente esta afirmação. O homem que quer sair de si próprio e não o consegue, que continua sempre e desesperadamente homem. (...) Diário de Salavin é algo mais do que um retrato do homem médio, algo mais do que nós próprios, algo menos do que nós, mas tristemente, profundamente, nós."| Georges Duhamel Fotografia de Henri Cartier Bresson (Junho de 1944) |