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quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Ana Hatherly | 1929-2015
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Ana Hatherly
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Ana Hatherly e a Filosofia Portuguesa
"Quem me introduziu no círculo da Filosofia Portuguesa foi o António Quadros (...) e se bem que eu viesse a ser pouco mais do que ocasional participante nas reuniões do grupo, que então se realizavam no café Colonial da Avenida Almirante Reis, o meu contacto com os dois Mestres que a elas presidiam chegam a ser bastante significativo para mim nessa época, sobretudo com José Marinho, com quem tinha muito mais afinidades e que encontrava frequentemente em casa de amigos comuns. (...)"
Ana Hatherly
"Recordações de José Marinho e do grupo da Filosofia Portuguesa nos anos 60"
em José Marinho, 1904-1975: todo o pensar liberta (2004)
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Alvaro Ribeiro,
Ana Hatherly,
José Marinho
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Grau de passagem
“Todos os artistas que fizeram o seu auto-retrato ao longo dos tempos não foi porque se achassem particularmente belos ou interessantes mas porque assim avaliavam o seu grau de passagem. Eu escrevo o meu nome. (...)”
Ana Hatherly
A idade da escrita e outros poemas, Escrituras, 2005.
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Ana Hatherly
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Qualquer coisa
Que venha amor ou morte
Ou aniquilamento,
Que venha
E me acabe de vez
Com o próprio esquecimento!
Este contínuo esperar
Que o tempo venha e passe,
E o receio de quem nem sequer a morte mate...
Oh, que venha,
Qualquer coisa que não passe!
Um Ritmo Perdido (1958), p. 37
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Ana Hatherly
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
- Pois não, sou um escravo!
- Você é escravo de quê? de quem?
- Somos todos escravos uns dos outros ou de alguma coisa, ao mesmo tempo escravizamos sempre alguma coisa ou alguém. Esta é que é a base da liberdade: para que alguém suba, alguém tem de descer. É como se o espaço em cima ou em baixo fosse limitado ou tão matematicamente regulado que uma determinada deslocação num nível tivesse de produzir inevitavelmente uma deslocação compensadora. Deve ser para manter as forças a um nível desejável.
- Quais forças?
- As forças da destruição. (...)"
Editora Arcádia (1963), p.124
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Ana Hatherly
sexta-feira, 26 de julho de 2013
As árvores são sombras das raízes
De um novo continente
As árvores são sombras das raízes
E os homens são sombras de outras raízes
Mais fundas. Assim, dentro de mim,
Uma sombra cobre todas as luzes e todos os sons
Velando a minha alegria intacta e longínqua
E prometendo o paraíso perdido mas não esquecido.
Imagino o meu céu nos meus limites
E o céu dos outros ainda nos meus limites.
As minhas mãos atravessam o universo misterioso
E tocam as ignotas fontes da poesia e da vida.
O meu olhar, porém, fica comigo e chora
Esse amor de lágrimas e tristezas
Onde, como solitária ilha de coral,
A minha existência espera o nascimento de um novo continente.
As árvores são sombras das raízes
E os homens são sombras de outras raízes
Mais fundas. Assim, dentro de mim,
Uma sombra cobre todas as luzes e todos os sons
Velando a minha alegria intacta e longínqua
E prometendo o paraíso perdido mas não esquecido.
Imagino o meu céu nos meus limites
E o céu dos outros ainda nos meus limites.
As minhas mãos atravessam o universo misterioso
E tocam as ignotas fontes da poesia e da vida.
O meu olhar, porém, fica comigo e chora
Esse amor de lágrimas e tristezas
Onde, como solitária ilha de coral,
A minha existência espera o nascimento de um novo continente.
António Quadros
edição de Ana Hatherly, Lisboa, Direcção-Geral do Ensino Primário, 1960, p. 72.
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Ana Hatherly,
Excertos da obra
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa
Em 1960 Ana Hatherly edita a antologia Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa na qual figuram os escitores, Alexandre O'Neill, António de Navarro, António Quadros, David Mourão Ferreira, Eugénio de Andrade, Fernanda de Castro, Miguel Torga, Natália Correia, Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner Andresen, Vitorino Nemésio, entre muitos outros.
Nesta altura, António Quadros já tinha publicado dois livros de poemas, (Além da Noite e Viagem Desconhecida) dos quais Ana Hatherly selecciona os poemas: «Poética Contraditória» (p. 54); «Todo o Dia a Minha Alma Soube a Lágrimas» (pp. 67-68); «De um Novo Continente» (p. 72); e «Invenção da Morte» (pp. 88-89).
Sobre o primeiro poema diz Ana Hatherly: "Pertencendo a um livro chamado «Viagem desconhecida», este soneto (2 quadras, 2 tercetos) é uma verdadeira introdução à poesia. Enquanto incita os poetas a transcenderem-se na criação poética, ao mesmo tempo indica ao leitor os caminhos maravilhosos que a poesia percorre na sua surpreendente viagem no tempo e na alma humana."
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Ana Hatherly
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Adoração sem propósito
"Nesta adoração há uma atmosfera de presépio, é bucólica, humilde, mas é também imensa como um campo de trigo, lembra os ritos da terra, a mulher «anima mundi», sempre virgem porque jamais conquistada ou vencida: «Tu és o meu eterno feminino, a luminosa metade da concha doirada onde dorme a eterna semente dos mundos, a terra lavradinha e pronta onde o beijo do sol de Deus fez crescer os trigos, a rocha profunda onde a chuva dos céus se acumula, como na concha das tuas mãos, para as sedes do estio».
Ao longo desta adoração vai-se evoluindo gradualmente da terra para o céu, a mulher amada vai sendo gradualmente descarnada até se tornar um incorpóreo símbolo. De telúrico o amor passa a estática contemplação, o olhar vai gradualmente subindo ou mergulhando. Em certo momento a adoração é um diálogo, como se a alma respondesse a si própria na ânsia de se sentir ouvida, mas logo abandona esse instante de solicitação de escuta para seguir na certeza da adoração sem propósito: o amor ultrapassa o desejo e a meta não é a posse mas a alegria. A alegria do encontro, do encontro das almas, do encontro da alma consigo própria: a alegria originária. (...)"
(Excerto do prefácio) em Leonardo Coimbra
Adoração, Cânticos de Amor (Delfos, s/d)
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Leonardo Coimbra
quarta-feira, 30 de março de 2011
A Beleza e o Caos
"Criar é organizar, lutar contra a potência do espírito desordenado. Criar beleza é opor a graça à força caótica da fealdade. [...] a beleza se acha confundida na desordem do caos que se mistura ou se misturou à criação divina. [...] Quem sabe se o caos não é se não a memória dos homens, a sua multiplicidade, as diferenças abissais que separam uma alma de outra e todas do conhecimento supremo. Esquecemos?"
Ana Hatherly
em 57, ano IV, n.° 9, Lisboa, Set. 1960, p. 6 e 10. Disponível aqui.
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Poeta, ensaísta, investigadora, artista plástica e tradutora, Ana Hatherly, pseudónimo literário de Ana Maria de Lourdes Rocha Alves, nasceu na cidade do Porto em 1929. Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa, doutorada em Estudos Hispânicos pela Universidade de Berkley, foi uma das fundadoras do PEN Clube Português. Frequentou a tertúlia do grupo da Filosofia Portguesa, chegando a colaborar no jornal 57 (1957-1962), dirigido por António Quadros. Nos anos 60 e 70, com Ernesto de Melo e Castro, cria o grupo de Poesia Experimental. Em 1960 edita a antologia Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa, onde, por sinal, figura António Quadros e publica, entre outras obras, Um Ritmo Perdido (1958), 39 Tisanas (1969), Um Calculador de Improbabilidades (2001), Fibrilações (2005), A Idade da Escrita e outros poemas (2005).
Traduziu A Voz Secreta das Mulheres Afegãs, de Bahodine Majrouh; O Peão Agressivo, de Robert Littell; Férias de Agosto, de Pavese; Cinco Meditações Sobre a Existência, de Nicolau Berdiaev; Antologia poética, de Gunnar Ekelöf; A Europa durante a Reforma, de Geoffrey Rudolph Elton; Dicionário Infernal, de Collin de Plancy; O Amor e o Ocidente, de Denis de Rougemont; Sade, Meu Próximo, de Pierre Klossowski; Imagística do espaço fechado na poesia de Fernando Pessoa, de Leland Robert Guyer; O Vagabundo do Dharma, de Han-Shan; A Vénus de Kazabaïka, de Sacher-Masoch; Ouve-nos senhor do céu que é a tua morada e Através do Canal do Panamá, ambos de Malcolm Lowry; etc.
Recebeu diversos prémios pela sua actividade literária. Em 1978 foi galardoada pela Academia Brasileira de filologia do Rio de Janeiro com a medalha Oskar Nobiling, em 1998 obteve o Grande Prémio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores, em 1999 o Prémio de Poesia do P.E.N. Clube Português; e, em 2003, o Prémio de Poesia Evelyne Encelot, em França.
Traduziu A Voz Secreta das Mulheres Afegãs, de Bahodine Majrouh; O Peão Agressivo, de Robert Littell; Férias de Agosto, de Pavese; Cinco Meditações Sobre a Existência, de Nicolau Berdiaev; Antologia poética, de Gunnar Ekelöf; A Europa durante a Reforma, de Geoffrey Rudolph Elton; Dicionário Infernal, de Collin de Plancy; O Amor e o Ocidente, de Denis de Rougemont; Sade, Meu Próximo, de Pierre Klossowski; Imagística do espaço fechado na poesia de Fernando Pessoa, de Leland Robert Guyer; O Vagabundo do Dharma, de Han-Shan; A Vénus de Kazabaïka, de Sacher-Masoch; Ouve-nos senhor do céu que é a tua morada e Através do Canal do Panamá, ambos de Malcolm Lowry; etc.
Recebeu diversos prémios pela sua actividade literária. Em 1978 foi galardoada pela Academia Brasileira de filologia do Rio de Janeiro com a medalha Oskar Nobiling, em 1998 obteve o Grande Prémio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores, em 1999 o Prémio de Poesia do P.E.N. Clube Português; e, em 2003, o Prémio de Poesia Evelyne Encelot, em França.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Um pessimismo activo e criador
"A ideia mestra da minha vida é a ideia do homem, do seu rosto, da sua liberdade criadora. [...] Mas tratar do homem é já tratar de Deus. Isso é essencial para mim. [...] Presentemente, o nosso pensamento fez-se mais pessimista, é mais sensível ao mal e aos sofrimentos do mundo: mas este pessimismo não é passivo, não se afasta da dor do mundo, pelo contrário, acolhe-a. É um pessimismo activo e criador. Todas as minhas obras se consagram a este único tema. Tentei aqui fundamentá-lo e pô-lo à luz num ensaio filosófico existencial. Outrora, Feuerbach, que estava a meio caminho, queria passar da ideia de Deus à ideia do Homem. Depois Nietzsche, que foi mais além, quis passar da ideia do homem à ideia do super-homem. O homem não só era aqui apenas um caminho como era destinado a sentir que era somento um caminho, uma passagem. Tal é precisamente o tema essencial do cristianismo. E uma filosofia da existência humana, é uma filosofia cristã, teândrica. Não coloca nada mais alto do que a Verdade. Apenas a Verdade não é objectivada: a verdade não entra em nós como um objecto. A Verdade implica a actividade do espírito do homem, o conhecimento da Verdade depende dos graus de comunidade que podem existir entre os homens, da sua comunhão no Espírito."
Nicolau Berdiaev, Cinco Meditações Sobre a Existência, Guimarães Editores, (1961) pp. 208-209. Tradução de Ana Hatherly.
Nicolau Berdiaev ou Berdiaeff (1874-1948) foi um importante escritor e filósofo russo. Nasceu em Kiev no dia 6 de Março de 1874 e morreu em Paris em 1948, no dia 24 do mesmo mês. Foi preso em 1898 por se manisfestar contra a opressão do regime bolchevique e acabou por ser expulso da Universidade de Kiev, onde era estudante de direito. Entre 1919 e 1920 foi professor de filosofia na Universidade de Moscovo. Dois anos depois é expulso da União Soviética juntamente com outros intelectuais russos. Depois de uma curta estadia em Berlim, exila-se em Paris, onde funda a revista The Way, dedicada à filosofia da religião. A revista é publicada até ao início da II Guerra Mundial. Em 1947, um ano antes de morrer, recebe o doutoramento "honoris causa" pela Universidade de Cambridge. Berdiaev publicou, entre outras obras, O Significado da História (1923) A Revolução Russa (1931) Uma nova idade media: reflexões sobre o destino da Rússia e da Europa (1932); Escravatura e Liberdade (1939) O Divino e o Humano (1949), a grande maioria delas sem tradução em Portugal.
Fica a sugestão.
Fica a sugestão.
Vale a pena lembrar que António Quadros escreveu um importante ensaio sobre os paralelismos entre o pensamento russo e português, incluído no livro Ficção e Espírito de 1971; pp -11-174. No último capítulo, António Quadros escreve uma interessante reflexão sobre as páginas autobiográficas de Berdiaev. Sobre esta matéria consultar ainda Convergências e afinidades entre o Pensamento Português e o Pensamento Russo, de António Braz Teixeira.
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