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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Proença, Cortesão, Sérgio e o grupo Seara Nova


"O Colóquio sobre Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova, organizado por Amon Pinho, António Pedro Mesquita e Romana Valente Pinho na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2009, constituiu um importante acontecimento académico e, sem dúvida, um dos mais fecundos encontros científicos jamais promovidos em torno do grupo seareiro e das suas mais relevantes personalidades. E tantos foram, desde os que ocorreram na década de oitenta do passado século, assinalando os centenários dos nascimentos dessas mesmas personalidades, até ao que se realizou já na primeira década deste século sobre António Sérgio e organizado pelo Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa. E, no entanto, de cada vez que nos aproximamos dos grandes vultos seareiros, somos sempre surpreendidos por novos ângulos de abordagem e originais aprofundamentos das múltiplas dimensões dos respectivos magistérios. Como se fossem filões inesgotáveis a inspirarem sucessivas vagas de pesquisa por parte de renovadas gerações de estudiosos". 

António Reis
do Prefácio

*Apresentação dia 5 de Março, às 18h30, na sala D. Pedro V da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pentecostes

"Para a cultura portuguesa a festa do Pentecostes tem uma importância especial. As celebrações do Espírito Santo são um sinal do «humanismo universalista», de que falou Jaime Cortesão, e devem ser recordadas como uma exigência de esperança, de liberdade e de igualdade. A coroação de quem não tem poder, uma criança normalmente, a abertura dos Impérios do Espírito Santo e a vivência comunitária de uma refeição de que todos são beneficiários sem exceção (desde a sopa do Espírito Santo à massa sovada, passando pela alcatra e todas as iguarias) são a prefiguração de um tempo de reconciliação e de paz, a que nenhuma sociedade ou pessoa pode renunciar. (...) 
Como lembrou António Quadros, «há uma poderosa relação desta cerimónia com o Sermão da Montanha» e acrescentava: «o Império do Espírito Santo será também aquele em que nada do que é espiritual, nas sete partes do mundo e ao longo dos milénios, poderá perder-se. Não será um Império por amputação, mas um Império por acréscimo: acréscimo do Espírito de Verdade em todos e cada um dos modos de diálogo do humano com o divino, e de valorização do humano na sua dimensão integral». Essa era, aliás, para o Padre António Vieira a verdadeira «chave dos profetas», não confundível com um projeto político ou de conjuntura, mas como uma aspiração universalista de paz e de justiça. (...)" 

Guilherme de Oliveira Martins
"Pentecostes", 19 de Fevereiro de 2013, publicado aqui.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"Viagens, História e Poesia em Livros para Crianças"


"Talvez por ser filho de uma das escritoras portuguesas que com maior talento, vocação e imaginação cultivaram o género, Fernanda de Castro, há muito que me interessa ou mesmo apaixona toda a problemática da literatura oral e escrita para crianças. (...) Tinha 5 anos quando Almada Negreiros fez para mim uma aguarela com um grande cavalo de circo pintalgado e com uma bela acrobata, que me acompanhou durante toda a vida e que continuo a ter em minha casa, todos os dias debaixo dos olhos. (...)"

 António Quadros 
Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas, Boletim Cultural
VI Série, Nº 4, Março de 1985, disponível aqui.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Homem da Renascença

"(...) Homem da Renascença me sinto, efectivamente, por quanto recebi do magistério de Leonardo Coimbra, cuja obra venho estudando, interpretando e amando há muitos anos; de Jaime Cortesão e de Aarão de Lacerda, ambos tão presentes, assim como de Agostinho da Silva (...) de Fernando Pessoa, que na Águia se estreou publicamente com a sua famosa visão do saudosismo como um transcendentalismo panteísta e cuja obra de poesia e prosa tive ocasião de organizar por duas vezes e de estudar, em livros, prefácios, conferências, etc. E enfim de Leonardo Coimbra, no plano do pensamento filosófico, bem como dos seus discípulos directos, meus mestres e amigos, que tanto me transmitiram do seu verbo e do seu espírito, especialmente Álvaro Ribeiro, José Marinho e Delfim Santos (...) [a Renascença Portuguesa] a meu ver permanece o mais importante movimento cultural do século XX português."

António Quadros
"Leonardo Coimbra e os seus discípulos" em Nova Renascença, (III),  nº29, 1988
(Conferência proferida em 16-12-87 na Fundação António de Almeida,
Porto, no 75º Aniversário da «Renascença Portuguesa»)