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quinta-feira, 31 de março de 2011

Tradução de António Quadros


"Amo os que vivem hoje na mesma terra que eu, e são esses que saúdo. É por eles que luto e é por eles que estou disposto a morrer. E por uma cidade longínqua, de que não tenho sequer a certeza, não irei contra os meus irmãos. Não aumentarei a injustiça viva em nome de uma justiça morta.

(...)

Kaliayev, depois de um silêncio
Nunca ninguém te amará como eu te amo.

Dora: Eu sei. Mas não será melhor amar como toda a gente?
Kaliayev: Não sou como toda a gente.
Amo-te como sou."

Albert Camus
Os Justos, Livros do Brasil, s/d, (1960)
Tradução e Prefácio de António Quadros
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"A honra do justo consiste na absoluta ausência de interesses pessoais, ao ponto de dar a própria vida a uma causa nobre. O justo é o que assume a responsabilidade pelos seus actos, aceitando de cabeça levantada o calvário que lhe é imposto. Mas, ao mesmo tempo, o justo é o que ama os homens, seus irmãos." (do prefácio)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tradução de António Quadros

"A srª. de Bornes levou-a (a Henriqueta) para um sanatório de Auteuil. Morreu, dois meses depois, de uma doença que não era mortal. Por outras palavras, apesar das precauções tomadas, suicidou-se tomando veneno”.

Jean Cocteau, Thomaz, O Impostor, Edição Livros do Brasil, Lisboa, 1955, p.187

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tradução de António Quadros


"[...] Nem sequer tinha a certeza de estar vivo, já que vivia como um morto. Eu, parecia ter as mãos vazias. Mas estava certo de mim mesmo, certo de tudo, mais certo do que ele, certo da minha vida e desta morte que se aproximava. Sim, não sabia mais nada do que isto. Mas ao menos segurava esta verdade, tanto como esta verdade me segurava a mim. Tinha tido razão, tinha ainda razão, teria sempre razão. Vivera de uma dada maneira e poderia ter vivido de outra dada maneira. Fizera isto e não fizera aquilo. Não fizera uma coisa e fizera outra. E depois? Era como se durante este tempo todo tivesse estado à espera deste minuto... E dessa madrugada em que seria justificado. Nada, nada tinha importância e eu sabia bem porquê."

Albert Camus, O Estrangeiro