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sábado, 29 de junho de 2013

Recordar António Quadros | Amanhã em Sesimbra

O evento, que assinala o 20.º aniversário da morte de António Quadros terá lugar na Casa do Bispo, amanhã, sábado, a partir das 10:30, prolongando-se até ao final da tarde.

Programa:

Às 10:30
 Leitura de um depoimento de António Quadros Ferro
 Luís Paixão – “O livro Introdução a uma estética existencial, de António Quadros”
 Samuel Dimas – “António Quadros e Sampaio Bruno”
 Helder Cortes – “António Quadros e Fernando Pessoa”

Intervalo para almoço 

 Às 15:00 António Carlos Carvalho – “Deus e os Homens – Interrogação à História”
 José Almeida – «Valete Frates!»: Da Ordem do Templo à Ordem de Cristo
 Renato Epifânio – “A ideia de Pátria em António Quadros”
 Rui Lopo – “António Quadros: Crítica, Teoria ou Filosofia da Literatura?”

Intervalo 

 Rodrigo Sobral Cunha – “Filosofia da Paisagem na obra de António Quadros”
 Abel de Lacerda Botelho – “António Quadros, um missionário do Espírito Santo”
 Pinharanda Gomes – “Testemunho”

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

«Reflexão à Margem da Literatura Vieirina» | Rui Lopo

Padre António Vieira

"António Quadros é um dos intérpretes da nossa cultura que mais pautou o seu labor por uma fixação esquemática de autores e correntes de acordo com categorias que lhes são exteriores, em esquemas determinantes e integradores, isto é: genealogias e linhagens. Assim, segundo o autor de Introdução à Filosofia da História, o providencialismo é a grande tradição de interpretação da história portuguesa, radicada em Paulo Orósio. Quadros detecta-a não só nas filosofias da história de nítido recorte teológico e de assumida radicação providencial, augustiniana e orosiana, mas também nos modos de pensar que classifica como afirmativamente imanentistas, onde se inscreveriam diversos modos de pensar a história portuguesa de tipo igualmente teleológico, como que laicizando as escatologias e as teleologias providenciais. (...) Para Quadros, o problema de Vieira não é a assunção de uma escatologia, de um providencialismo, ou de uma teleologia lusocêntrica, a questão é perspectivar o Quinto Império não como uma verdade revelada mas como uma verdade fáctica, evidente e subsistente: uma verdade em si mesma fundada. 

Confundiu Vieira o possível com o provável, o tempo real com o ideal, a realidade com o seu eschaton ou fim último, o profético com o divino. A sua admirável retórica, a sua prosa riquíssima onde surgem aliás numerosos acertos e profundas intuições implica uma sofística que não podemos ocultar. (António Quadros, Introdução à Filosofia da História, Lisboa, Ed. Verbo, 1982)

Quadros remete para a liberdade divina e para a liberdade humana como instâncias que deverão relativizar a pretensão humana a conhecer e racionalizar o exacto conteúdo dos tempos futuros, preservando todavia o profetismo, o providencialismo e o pensamento de tipo teleológico e mesmo lusocêntrico. Aliás, a crítica que Quadros faz a Vieira é o preço a pagar pela manutenção do seu estatuto como profeta e arauto do Quinto Império e da necessária mediação de Portugal para o advento do Reino de Cristo na Terra Consumado. 

Rui Lopo
Texto apresentado no Congresso internacional 
Padre António Vieira. Ver, Ouvir, Falar: O Grande Teatro do Mundo
18-21 Novembro 2008, Lisboa, disponível também aqui.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O outro da filosofia

"(...) Já na idade moderna e contemporânea, quantas vezes não temos assistido ao anúncio e diagnóstico de inúmeras crises da filosofia, correlativas e derivadas dos dispersivos e fragmentantes cortes epistémicos que novas áreas disciplinares têm aberto, mas também a originais contaminações feitas de sínteses e encontros com o que seja o outro da filosofia: como pensar a filosofia clássica alemã sem o encontro com a história e toda a filosofia contemporânea sem o decisivo confronto com a economia política, com a psicanálise, com a arte e a literatura, com o cinema, com as ciências da vida e as neurociências, com a tecnologia, com o enorme acervo que a etnografia de todos os povos tem revelado, com os patrimónios sapienciais, culturais e literários dos povos não europeus cuja imprevista grandeza e diversidade começamos a vislumbrar?"

Rui Lopo
"Significado e Valor da Filosofia na Obra de António Telmo - Em Diálogo com José Marinho"
em Actas do Colóquio «A Obra e o Pensamento de António Telmo» (Cadernos de Filosofia Extravagante, 2011), p. 73.