sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ler um livro

"(...) ler um livro é difícil; ler até ao ponto, ou até à ponta, em que se passa das afirmações comprovadas para as verdades ocultas. Ler é pensar, ou repensar, o que o autor escreveu. Faz-se mister, para isso, ler com o auxílio de um questionário, registar no manuscrito a distinção exacta entre as questões insolutas e os problemas resolvidos; mas como só um ou outro estudioso se dispõe a tal interrogatório, para avaliar o que conseguiu saber, prevalece a discussão superficial dos argumentos que exemplarmente emergem aqui ou além, e a crítica literária dá por julgado um livro qualquer ao fim de uma rápida e fácil leitura.
O escritor desanima ao verificar que o seu pensamento corre minorado ou adulterado nas vozes anónimas que formam a opinião pública. Nenhuma escola, nenhum partido, nenhuma seita manifestará benevolência para com o homem extravagante que pensa de modo diferente dos outros, nem quererá atraí-lo para o seu grémio. Esta verdade reflecte-se no conhecido provérbio: O saber não ocupa lugar. De aí a tendência, para negar justiça àquele que for sincero no falar e no escrever. A liberdade de pensamento é assim diariamente limitada pela crítica moral, política e religiosa, num processo que só terminará pelo nivelamento final das inteligências.
Diz-se que a história fará justiça, mas a lição da história não produz efeito de reconforto sentimental. Os mesmos erros perduram, depois de reconhecidos, e reproduzem-se por uma necessidade que a vontade humana não consegue travar. Corrigir o erro seria, para muitos estudiosos, regressar ao passado e revogar o presente; corrigir o erro seria, para outros, proceder a um desmentido; preferem todos avançar sempre para um futuro imaginado, levados talvez por inconscientes motivos de opção.
Esperam aqueles que não agem. Esperando assimilam doutrinas que os verdadeiros e os falsos profetas vão propagando de geração em geração. Transferir o messianismo é a lei mental da cultura portuguesa. (...)"

Álvaro Ribeiro
 Escola Formal, Guimarães editores, (1958)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Denúncia da identificação ideológica

"(...) achamos ter chegado a altura de acabar com a perfídia de quem vê na filosofia portuguesa «a ideologia cultural de um fascismo lusitano», ou que o mesmo é dizer de uma ideologia que procurou «hiperbolizar o que no regime [salazarista] ia no sentido do culto patológico da «lusitanidade», ajudando até com veemência particular a radicalizar nos termos mais cegos e dementes uma política «imperial» cujas funestas consequências não escaparam a gente menos «visionária» e menos delirantemente «patriótica»*. De facto, E. Lourenço não sabe do que fala, pois na sua condição de estrangeirado nunca procurou saber o que António Quadros, sem ser salazarista, nem defendendo uma política «imperial», pensava sobre a missão providencial de Portugal no mundo. Por conseguinte, no entender de António Quadros, o messianismo português, herdando, a par de elementos cristãos e islâmicos, a noção hebraica de Povo Eleito, compreende em si mesmo uma ideia de Portugal que, não obstante as aparentes manifestações de uma cisão extrema, como as que se prefiguram na «autonomia» das antigas comunidades portuguesas, é algo que transcende todo o género de vicissitudes temporais e contingentes, como o território e a raça. (...)"

*E. Lourenço, O Labirinto da Saudade, Círculo de Leitores, 1988, p. 35.


Miguel Bruno Duarte
"Os  estrangeirados"
(texto originalmente publicado na revista  Leonardo)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Não pode haver duas leis

"Não pode haver duas leis. E a do Amor é absoluta. Por isso creio ainda na vida futura." 

Leonardo Coimbra (Revista «A Águia, 1.4.1911).

Situação actual e destino da Filosofia Portuguesa

"(...) vale a pena meditar sobre o destino da Filosofia Portuguesa, acreditando que ela tem possibilidades de refazer num sentido amplamente positivo o ambiente de antipatia criado à sua volta e que me parece resultar a maior parte das vezes de equívocos sem realidade e razão de ser. (...) Em primeiro lugar, assinale-se que a verdadeira inclinação da Filosofia Portuguesa não é o nacionalismo nem mesmo o patriotismo; a sua vocação primeira e última é o universalismo.(...) Em segundo lugar, é preciso ter em mente que o movimento de Filosofia Portuguesa radica num homem, Sampaio Bruno (1857-1915), que foi um dos fundadores do Partido Republicano Português e um dos pensadores republicanos e anti-clericais que, na linha de Henriques Nogueira, mais se notabilizou no desenvolvimento de ideias inovadoras dum novo sistema político aberto de formas coercivas e que é de justiça (...) apelidar de libertário. Neste sentido nada mais de contrário ao espírito do movimento da Filosofia Portuguesa que certas afirmações de monarquismo que encontrei em alguns dos seus paladinos, sendo-me porém grandemente simpáticos, como Afonso Botelho, prestaram um mau serviço ao movimento pretendendo trazer para o seu seio ideias monárquicas e brigantinas. (...) Estou convencido que se as novas gerações souberem meditar com abertura de espírito e largueza de entendimento (...) o movimento de Filosofia Portuguesa poderá desfazer os principais equívocos em seu torno, encontrando um renovado fôlego de vida e conquistando um largo eco de simpatia na vida mental portuguesa, que ao menos faça justiça à sua grandeza de alma é à sua lucidez de entendimento. (...)"

António Cândido Franco

"Nótula sobre a situação actual e o destino da Filosofia Portuguesa" em No signo do 7: 150 anos de filosofia portuguesa: actas dos colóquios. Coord. ed. Guilhermina Ruivo, Maria José Albuquerque, Pedro Martins. Sesimbra: 2008.

Uma escola de filosofia


"A fecunda vitalidade da filosofia portuguesa manifesta-se, mais que na sua perduração, no desenvolvimento da tese inicial: de problema, que se tratava de resolver, passou a designação e constituição de uma escola de filosofia. Do que ainda não há, porém, adequada percepção é a de que esta «escola» se tornou muito mais do que a afirmação de uma exigência patriótica. A filosofia portuguesa passou a ser, já hoje é, a consciência da perpetuidade da filosofia clássica."

Orlando Vitorino

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Reis Pereira não quer ser discípulo senão de si mesmo


"Em torno da poderosa personalidade de Leonardo Coimbra gravitavam eles [professores e alunos]; e nunca mais deixaram de o admirar, e à sua obra, e sempre ficaram gratos à memória do Mestre que neles soubera atear o fogo do Espírito. Tanto mais é isto notável, porquanto, não obstante certos traços comuns, vieram depois a afirmar personalidades tão individualizadas e diferentes como as de José Marinho, Álvaro Ribeiro, Delfim Santos, Casais Monteiro, Sant'Anna Dionísio, etc. Por sua vez criaram estes discípulos ou continuadores independentes, originais. Nem o prestígio de Leonardo nem a perspectiva da camaradagem com estes meus amigos me desviaram da opção por Coimbra. De resto, [...] a personalidade de Leonardo Coimbra nunca se me impôs tão poderosamente como se impunha aos meus amigos. Teria eu lucrado se tivesse ficado no Porto? Teria lucrado em ter ido para Coimbra? Em que medida se ressentiram, ou ressentiriam, a minha vida e a minha criação literária de uma ou outra opção?

[...] Uma coisa, porém, sei de certeza: Que nunca me arrependi de ter ido para Coimbra. Lá ganhei novos amigos. De lá saíu a presença. Lá passei pelo menos alguns dos anos mais felizes da minha vida. E creio que a minha criação literária lucrou com a ida para Coimbra, pois lá achei elementos para um fecundo ambiente literário que não acharia no Porto. [...]

Uma vez, José Marinho, com quem eu mantinha um estreito convívio que me foi muito fecundo, pois me ajudou a desenvolver-me sem me alterar, ofereceu-me esse belo livro injustamente mal conhecido que é A Alegria, a Dor e a Graça com a seguinte dedicatória: Ao Reis Pereira (eu ainda não era o José Régio) do Mestre para o futuro discípulo. E eu escrevi ao lado, a lápis, esta coisa ingénua e pretensiosa: O Reis Pereira não quer ser discípulo senão de si mesmo."
José Régio
Confissão dum Homem Religioso (1971)

A pequena política

"A pequena política é a grande dissolutora das mais belas e verdadeiras ideias humanas, porque não quer reconhecer a hierarquia dos problemas e a lógica das relações entre o menor e o maior. Assim, a mediocridade é o plano em que se agita, o superior é arrastado ao nível do inferior, as mais fecundas concepções filosóficas são degradadas em nome dos interesses imediatos, circundantes, egoístas e pragmáticos. Crescem os actos puramente utilitários, as atitudes provincianas, as ilusões utópicas, os partidarismos irreflectidos, as subordinações confessas ou inconfessas, e é tudo isto, toda esta gama de detritos provindo de ideias e crenças moribundas, que está alimentando e envenenando um número maioritário de portugueses."

António Quadros
"Os três problemas portugueses" em Jornal 57, nº 11, 1962.

Carta de António Quadros a Ariano Suassuna

"De direitas e esquerdas não quero saber e rejeito, sempre rejeitei energicamente essa dicotomia maniqueísta. Aqui, a mim, os de esquerda consideram-me de direita, e os de direita não me consideram de esquerda, mas antes um intelectual complicado e um filósofo ilegível. Sou democrata, liberal, patriota. Penso que o libreralismo não se concilia com o socialismo, pois este invade e procura dominar a individualidade e a individuação. As experiências socialistas do pós 25 de Abril foram entre nós desastrosas e julgo que todo o português (como todo o brasileiro) é um individualista, não cabendo nos sistemas inventados pelos germânicos, projecções de sua barbárie tribal colectivista."

Carta escrita por António Quadros a Ariano Suassuna em 04-01-1982. p.8. 
Acervo: Museu Digital de Ariano Suassuna. 

António Quadros e a Cultura Luso-Brasileira


"Quadros demonstrou, ao longo de cerca de quatro décadas de produção, uma simpatia muito grande pelo Brasil, participando, inclusive, junto com brasileiros, da criação do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Em 1965 fez a sua primeira viagem ao Brasil, a convite do compatriota Agostinho da Silva, quando proferiu conferências sobre Filosofia e Cultura Portuguesa na recém-fundada cidade de Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1975, é nomeado professor convidado na Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, onde participa do mestrado em Filosofia Luso-Brasileira por convite de Francisco da Gama Caeiro, então exilado no Brasil. Esses contactos não foram aleatórios. No livro "A Existência Literária" Quadros acredita no papel singular no cenário mundial de uma comunidade luso-brasileira, em suas rotas de encontros de tradições e esperanças. (...) Numa iluminogravura dedicada a António Quadros, revelando sua amizade e admiração, Ariano Suassuna explora as imagens das "duas pedras", da "onça malhada" e de uma "caravela". Além disso, compõe um poema chamado "A Viagem - com mote de Fernando Pessoa". Ao se apropriar de elementos portugueses, Suassuna reelabora-os, dando-lhes um carácter brasileiro. São significativas as "duas pedras", pois remetem à Pedra do Reino Encantado, obra tão admirada por António Quadros, e mais do que isso, chama-nos a atenção também a caravela, pois, ao invés de uma bandeira portuguesa, ela tem, no mastro, uma bandeira brasileira."



Joel Carlos de Souza Andrade
"António Quadros e a Cultura Luso-Brasileira:
O escritor como um missionário.", em D'aqui e D'além Mar I, 
Editora da Universidade Federal de Campina Grande (2010)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Homenagem


Dia 19 de Novembro, o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras de Lisboa (CLEPUL) vai atribuir a Jesué Pinharanda Gomes a "Medalha de Mérito Cultural". A cerimónia realiza-se às 19h00 na Sociedade da Língua Portuguesa em Lisboa.

------
Nota: Na entrega da medalha de mérito cultural a Jesué Pinharanda Gomes, subscreveu-se uma carta dirigida ao reitor da Universidade de Lisboa, propondo que seja concedido ao filósofo o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A figuração sensível da viagem


"A figuração sensível da viagem é a de um movimento realizado por um viajante que se desloca de um lugar para outro. Geometricamente, é a de um ponto que se desloca numa linha ou que vai formando a linha na medida em que se desloca. (...) Muitos imaginam assim a filosofia: temos um mundo conhececido e bem iluminado, o mundo sensível ou o mundo das noções imediatas e depois uma zona de penumbra onde começa o desconhecido. (...) Não há pontos firmes e toda a dificuldade está em movermo-nos onde não há lugar."

António Telmo
"Dois filósofos portuenses e a simbólica do Porto", 
em Nova Renascença, (III),  nº8, 1982, pp.  386-388.

Homem da Renascença

"(...) Homem da Renascença me sinto, efectivamente, por quanto recebi do magistério de Leonardo Coimbra, cuja obra venho estudando, interpretando e amando há muitos anos; de Jaime Cortesão e de Aarão de Lacerda, ambos tão presentes, assim como de Agostinho da Silva (...) de Fernando Pessoa, que na Águia se estreou publicamente com a sua famosa visão do saudosismo como um transcendentalismo panteísta e cuja obra de poesia e prosa tive ocasião de organizar por duas vezes e de estudar, em livros, prefácios, conferências, etc. E enfim de Leonardo Coimbra, no plano do pensamento filosófico, bem como dos seus discípulos directos, meus mestres e amigos, que tanto me transmitiram do seu verbo e do seu espírito, especialmente Álvaro Ribeiro, José Marinho e Delfim Santos (...) [a Renascença Portuguesa] a meu ver permanece o mais importante movimento cultural do século XX português."

António Quadros
"Leonardo Coimbra e os seus discípulos" em Nova Renascença, (III),  nº29, 1988
(Conferência proferida em 16-12-87 na Fundação António de Almeida,
Porto, no 75º Aniversário da «Renascença Portuguesa»)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

10 Escritores x 10 obras = 100 anos de Literatura Portuguesa


Procurando o recuo suficiente para me dar objectividade crítica e pesando os factores simultâneos de originalidade de pensamento, de qualidade estética, de ressonância dentro da cultura portuguesa, de assunção de valores que considero pessoalmente essenciais, de empenhamento do próprio autor e buscando ainda não me circunscrever apenas à esfera literária citarei estes dez livros:

  • História de Portugal, de Oliveira Martins
  • Sonetos Completos, de Antero de Quental
  • Os Maias, de Eça de Queiroz
  • A Ideia de Deus, de Sampaio Bruno
  • Pátria, de Guerra Junqueiro
  • Regresso ao Paraíso, de Teixeira de Pascoaes
  • Húmus, de Raul Brandão
  • O Criacionismo, de Leonardo Coimbra
  • Mensagem, de Fernando Pessoa
  • Poemas de Deus e do Diabo, de José Régio


António Quadros
10 Escritores x 10 Obras = 100 anos de Literatura Portuguesa
Diário de Lisboa, 7 de Abril de 1970

António Quadros, o Jornal «57» e eu

"Data, pelo menos, de 1957, a amizade que me ligou ao escritor António Quadros. Aceitou-me no jornal «57», que dirigia e onde colaborei com vários artigos. No quinzenário «A Planície», de Moura, escrevi sobre um livro seu que muito me interessou: «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade» (1956). É um dos documentos que deixo no meu site «O Gato das Letras», secção «Lugar aos Amigos». Mas os melhores documentos são manuscritos e dactilmanuscritos, dele e meus, que guardo para a história na pasta preta vulgaris, Nº 48 (bola azul) do meu espólio. Além das cartas trocadas entre nós, há uma dactilografia minha, extensa, sobre o jornal «57», e que nunca talvez venha a saber se foi publicada: é provável que sim, porque se trata de uma cópia a papel químico do original. As minhas dissidências com a gente d’ A Planície, nunca com o Miguel Serrano mas com o núcleo do Porto que se tornou dominante no jornal, começaram exactamente por essa minha amizade com António Quadros. Para os esquerdistas meus «amigos» era proibido escrever sobre o filho de António Ferro e colaborar no jornal por ele dirigido. Anos mais tarde, num dos meus muito desempregos, foi ele, como director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, que me deu oportunidade de trabalhar na itinerante de Tavira. Volto sempre a ler os seus livros, incluindo aqueles em que estuda a filosofia portuguesa e não preciso de dizer que concordo com a maioria das suas teses, correctíssimas num país de intelectuais desalmados, para não dizer de «estrangeirados» sem remédio.

Voltarei sempre que possível a reler o António Quadros, repertório inesgotável de ideias e lucidez inexcedível."

Afonso Cautela
(1 de Agosto de 2005)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Para onde vai o romance contemporâneo?


"(...) O romance do futuro, aqueles para onde apontam os caminhos esboçados no nosso tempo (porque não pretendemos ser profetas), é o romance que aproveita as lições do passado, desprezando o que é inútil ou falso. A lição do romantismo, que coloca o homem como fulcro de toda a acção. A lição do realismo que dá a devida importância aos fenómenos exteriores. A lição do romance psicológico, que se ocupa do homem em «verticalidade», em profundidade, numa pesquisa dos actos e pensamentos humanos até às verdadeiras molas interiores do consciente para o subconsciente. A lição do naturalismo, que não tem medo de dizer a verdade, não recua perante certos «meios», certos ambientes. A lição do romance social que lembra, subtraídos os exageros e o parcialismo da escola, o factor económico na mentalidade humana. A lição do existencialismo, que coloca o homem numa posição metafísica, não esquecendo o sentido da sua existência. (...) julgamos que o romance do futuro não deixará de se ocupar da filosofia que actua, como pano de fundo, por detrás do homem, no plano de vivência da «realidade humana». (...)"

António Quadros
 "Para onde vai o romance contemporâneo?"
Revista Lusitânia, Documentário da Vida Portuguesa, nº1, pp.7-16.
(Maio de 1948)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Arte poética

"(...) A reflexão católica sobre a estética literária parece ter ficado como que estagnada na obra de Francisco Costa e de João Mendes. O primeiro, pela doutrina que produziu sobre as relações da Fé com a Literatura e mormente com a arte do romance, em apologia ao que designou por realismo integral, que não pode deixar de ser cristão; o segundo, pela abrangência que levou a cabo de toda a literatura portuguesa, numa perspectiva em que investiu mais do que a visão literária, pois a enriqueceu com o exercício de uma fundamentação filosófica e teológica. Este juízo não exclui a presença da vigília de António Quadros à literatura portuguesa. Na sua extensa bibliografia, a exegese literária de um ponto de vista filosófico, orientado por um entendimento existencial e por um critério hermenêutico, elaborado à luz de uma cultura situada, quase sempre contempla os fenómenos literários (sejam os novelísticos, sejam os poéticos) da língua e da cultura. Embora não tenha exercido a crítica como escritor católico declarado, estando mais identificado com a chamada ‘Filosofia Portuguesa’, cumpre firmar que o pensamento de Quadros é profusamente católico, principalmente depois do ensaio de antropologia filosófica intitulado O Movimento do Homem (1964). Ainda que tivesse iniciado a actividade cultural em 1947, ele é um autor da segunda metade do século XX e, no cenário da filosofia versus literatura, a sua obra principal é da segunda vertente, e baste citar três títulos de fundo: Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista (1988-1989), A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos (1989) e o seu derradeiro tratado de exegese, e, Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa (1992). (...)"

Pinharanda Gomes
Centro de Estudos de História Religiosa - Universidade Católica Portuguesa
Lusitania Sacra. Lisboa, (2000)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Carta inédita de Álvaro Ribeiro a António Quadros

O último número da revista Nova Águia, que assinala os 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro e os 50 anos desde a publicação da Teoria do Ser e da Verdade de José Marinho, traz uma carta inédita do autor de A Razão Animada a António Quadros.

Nesta edição, publicam-se ainda textos sobre Fernando Pessoa, Álvaro Cunqueiro, Joaquim Nabuco, Domingos Gonçalves de Magalhães, entre outros.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Miríades de veleidades universais

"(...) Junqueiro viveu, em certas quadras - e talvez precisamente naquelas em que a sua inteligência, tão aguda, poderia atingir as mais elevadas expressões, realizando possivelmente a sua decantada obra terminal de pensamento a sonhada e jamais realizada «Unidade do Ser» - para a obsessão das suas preciosidades de coleccionador de imagens, móveis, de tábuas, de faianças, de metais. Por outro lado, noutras horas, viveu para o medo infecundo e inconfessável da Morte. Mal se constipava, julgava imediatamente que estava «pronto». Uma dor de dentes era uma meningite. Um espirro, uma pneumonia.
Desse modo, a sonhada «Unidade do Ser» se foi perdendo e acabou por ficar no vastíssimo limbo das miríades de veleidades universais - e lusíadas...(...)"

Sant'Anna Dionísio
Alto Douro ignoto, Lello&Irmão, (1973), p. 37.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma carta de Sampaio Bruno


Diário de Lisboa, Suplemento Literário, nº 4859, 29 de Maio de 1936, p. 1 e 4.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Na morte de Leonardo Coimbra em Janeiro de 1936

Diário de Lisboa, nº 4714, 02 de Janeiro de 1936, p.8.


Diário de Lisboa, Suplemento Literário, nº 4722, 10 de Janeiro de 1936, p. 1.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tarde parlamentar

Diário de Lisboa, nº 1102, 07 de Novembro de 1924, p.8.
Mais sobre a polémica aqui.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ano Lectivo 1927-1928 da Faculdade de Letras do Porto



1ª fila, sentados da esquerda para a direita.

Professores:
Humberto Pinto de Lima (História Antiga)
Artur de Magalhães Basto (Arqueologia)
Aarão de Lacerda (Estética e História da Arte)
Teixeira Rêgo (Filosofia portuguesa)
Mendes Correia (Geografia)
Leonardo Coimbra (Filosofia)
Damião Peres (História de Portugal)
Hernâni Cidade (Literatura Francesa)
Ângelo Ribeiro (Literatura Alemã)
Newton de Macedo (Filosofia)
(ao lado deste, sentado nos degraus, o aluno José Walter da Fonseca Vasconcelos.)


2ª fila:

O aluno Torquato de Sousa Soares, o Professor Paulo Querette (Francês prático), a aluna Judite, outra aluna, a aluna Ana Cardim, filha do professor Luís Cardim e chefe da secretaria, aluna Maria da Assunção de Sá Cortez, outra aluna Maria do Rosário Machado Soares de Oliveira e Sousa, aluna Celeste Canijo Teixeira, mais cinco alunas, Sant'Anna Dionísio (de sobretudo).

3ª fila:

Um aluno, dois empregados, seis alunas, o aluno finalista (de chapéu) George Agostinho da Silva, aluna Alice Brandão Ramos (casaco escuro, gola de pele clara), duas alunas, aluna Laura Pinheiro Costa, três alunas, aluna Fernanda Matos Cunha, aluna Maria Guilhermina Ricca Gonçalves, duas alunas, Professor Francisco Torrinha (Latim), professor, (talvez) Hass Hemig, (Alemão prático), Professor Luis Cardim (Literatura Inglesa), com pasta debaixo do braço e bengala.


4ª fila:

Oito alunos, cinco alunas, três alunas, entre as duas últimas e um pouco mais atrás, o aluno Delfim Pinto dos Santos, ao mesmo nível e um pouco mais atrás, o aluno Fernando Pamplona, à frente e entre ambos, o aluno Adolfo Casais Monteiro, de óculos, ao alto dos degraus um empregado e o aluno (talvez?) Álvaro Ribeiro.

Fotografia e indicações concedidas a Dalila Pereira da Costa, por Maria Guilhermina Ricca Gonçalves, em 9-01-1990.


*via Biblioteca Agostinho da Silva.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amorim de Carvalho e Delfim Santos

Arquivo Delfim Santos 2011
------------------------------------------
Carta de Amorim de Carvalho para Delfim Santos, 6 de Julho de 1947

Meu prezado amigo:

Antes de mais nada, quero agradecer-lhe a boa atenção com que leu o meu último livro e, não obstante as objecções que fez acerca do capítulo A crítica dogmática e cientifica, eu só tenho motivos para me sentir desvanecido pelas palavras agradáveis que se contêm na sua apreciação geral. A ideia de elaborar uma teoria da crítica conduz, desde há muito, o meu espírito, e os estudos que tenho publicado são, em grande parte, aplicações dessa teoria. Em vez de a formular abstractamente para, depois, à luz dos seus princípios, estudar as obras, eu tenho elaborado a teoria intimamente ligada com a prática ou exemplificação. Parece-me este um método muito fecundo e prudente, que me leva a pôr com mais segurança (segurança, aqui, é a minha convicção) os meus princípios críticos, submetidos à prova da realização crítica. E julgo até que no conjunto da minha obra já publicada (mesmo a que realizei como poeta) está posta já toda uma teoria da crítica nos seus aspectos fundamentais. Restar-me-ia, liberto das contingências criadas por esta ou aquela obra, aprofundar e ampliar esses aspectos fundamentais, corrigindo ou esclarecendo certos pormenores. 

(...)

Não recuse o seu auxílio à Revista [Prometeu] que muito lhe ficará a dever. Aguardando, pois, a sua resposta a este respeito (e oxalá ela traga já um artigo seu), sou

amigo muito grato e admirador

Amorim de Carvalho

terça-feira, 26 de julho de 2011

«Saciologia Goiana» de Gilberto Mendonça Teles

"Caro Gilberto, estás demasiadamente longe para me explicares, bebendo comigo um chope carioca ou um cafezinho português, o que é isso de saciologia, que à primeira vista parece palavra gralhada pela revisão. Será sociologia goiana, sociologia de Goiás, esse grande território e Estado mal conhecido dos próprios brasileiros? Abro o livro: é poesia, não sociologia. Recorro então a um dicionário etimológico e descubro, entre sachar e saciar, a palavra saci, substantivo masculino de origem tupi: entidade fantástica do folclore brasileiro, que assume a forma de um negrinho de uma perna só, que usa cachimbo e um pequeno barrete vermelho na cabeça, e que persegue os viajantes nos caminhos.

Desenho de
Monteiro Lobato
Abro o livro e é Goiás, da terra, da geografia, do folclore, do mito, das tradições, da literatura popular, da psicologia e até da cozinha típica, que Gilberto de Mendonça Teles, goiano exilado no Rio de Janeiro, na Universidade e na cultura erudita, evoca pela força da saudade, reconstitui ou procura preservar na sua verdade antiga e profunda, através da magia poética. [...]

Quase uma teoria do saudosismo poético, essa teoria luso-galaico-brasileira, que supera em complexidade e em compreensão de realidade a filosofia da memória do tempo, segundo um Bergson ou um Proust!

É na verdade a saudade, a saudade mitogenizante que, ao longo do livro, aqui e ali, e outra vez, traz de volta o pequeno saci maravilhoso e pícaro, símbolo desse outro lado do espelho da terra goiana visível, que é com o de Alice, o do “real absoluto”. [...]

Saciologia Goiana desenvolve-se aliás, em estrutura coerente, fazendo o levantamento saudosista e mítico de Goiás, cuja literatura e folclore o poeta usa e assume, assim fazendo convergir o fundo e a forma para uma finalidade comum. Sucessivamente, Gilberto nos apresenta efectivamente poemas intitulados "Goiás", "Geografia do Mito", "Descrição", "Fronteiras", "Ser tão Camões"(religando a paisagem e a inspiração espontânea da poesia goiana à matriz luso-camoneana), e ainda "Caminhos", "Localidades", "Hidrografia", "O Rio", "Etnologia", "O Mato Grosso Goiano", "História", "Conto de Fada", "Manifesto da Cozinha Goiana", etc., etc, num intento global de reconstituição poética de uma região, de uma “alma colectiva”, de uma geografia natural e humana, que temos de considerar não só raro, como também realizado nos termos a si próprios propostos pelo autor.
Professor, historiador da literatura e crítico, autor de obras neste campo tão notáveis com A Poesia em Goiás, Drummond – a Estilística da Repetição. Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro, Camões e a Poesia Brasileira ou A Retórica do Silêncio, entre outros, Gilberto Mendonça Teles, também o poeta do Pássaro de Pedra, Sintaxe Invisivel, A Raiz da Fala e Arte de Armar, conseguiu de facto em Saciologia Goiana, a proeza de reverter, escritor erudito que é, a simplicidade de uma inspiração popular. Proeza porque só poucos (com entre nós um Vitorino Nemésio), podendo despojar-se do vestuário intelectualista, a têm ao seu alcance!"

António Quadros
"Dois notáveis brasileiros: Lêdo Ivo e Mendonça  Teles"
em Tempo - Ideias  & Livros (3 de Fevereiro de 1983)

Tradução de António Quadros

"(...) o ideal literário de Duhamel é contar o homem médio, o pequeno burguês parisiense que vive em quatro compartimentos com um ordenado demasiado estreito para extravagâncias, o pequeno burguês e todo o complicado processo que forma a sua não menos complicada personalidade - os seus actos, os seus sentimentos, os seus ideais, as suas convenções. (...) Para interessar o leitor, era preciso que as personagens de Duhamel, além de homens médios tipos, fosse originais, susceptíveis de prender fortemente a atenção. E pronto. Um caso original, raro, um desfecho imprevisível, carácter diferentes, e eis o leitor preso, algumas vezes mesmo, prodigiosamente interessado.(...) A filosofia de Duhamel é amarga, despeitada, e o Diário de Salavin é um exemplo que ilustra perfeitamente esta afirmação. O homem que quer sair de si próprio e não o consegue, que continua sempre e desesperadamente homem. (...) Diário de Salavin é algo mais do que um retrato do homem médio, algo mais do que nós próprios, algo menos do que nós, mas tristemente, profundamente, nós."

António Quadros
Do prefácio a Diário de Salavin, de Georges Duhamel
Livraria Tavares Martins, Colecção «Contemporâneos» (dir. António Ferro)
-------------------------------------------------

"Hoje, 7 de Janeiro, aniversário do meu nascimento, tomo a resolução de transformar a minha vida.
Chamo-me Luís Salavin. Tenho quarenta anos. Sou casado. Minha mulher é a mais doce e a mais afectuosa das mulheres. Não, sinceramente, não tenho nada a censurar-lhe, se exceptuar certas pequenas coisas que seria descabido citar neste momento solene.
Tenho a inapreciável felicidade de ainda possuir mãe. É muito velha. É uma pessoa admirável, uma perfeição. A sorte conservou-ma; fez-me este favor, a mim, tão indigno. Escrevo esta palavra em pleno conhecimento de causa e com a esperança de a ter aplicado pela última vez." 
(p.17)

-------------------
Georges Duhamel
Fotografia de
Henri Cartier Bresson
(Junho de 1944)
Georges Duhamel nasceu em Paris no dia 20 de Junho de 1884 e morreu em  Valmondois no dia 13 de Abril de 1966. Em 1912 foi nomeado editor da revista literária Mercure de France, cargo que manteve até 1938, até ser  substituído depois de ter sido considerado "anti-guerra". Só regressou à revista como editor em 1945. Trabalhou como cirurgião do exercito francês durante a 1ª Guerra Mundial.  Em 1918 venceu o prémio Goncourt, pela obra Civilização, que relata algumas das experiência vividas durante a guerra de 1914/18. Em 1935 foi eleito membro da Academia Francesa, eleição que renunciou em 1946. Escreveu poesia, teatro, crítica, romance e foi presidente da Alliance Française. Duhamel recebeu diversas condecorações, nomeadamente a cruz da Ordem Nacional da Legião de Honra e screveu entre outras obras, O Natal de Rechoussat, Diário de Salavin, Caminho Escabroso, Fábulas do meu jardim, Clamor da Solidão, Confissão da meia-noite, Um mártir, etc.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

«Mónica ou um diário Algarvio», texto de António Quadros

"Onde está o sol que não o encontro? O meu coração sofre com a fealdade crescente sobre as cidades ruidosas. Cai sobre mim uma imensa melancolia. Este não é o mundo que eu sonhava. (...) Desejaria, desejaria, talvez o impossível. A pureza de uma vida tranquila. O silêncio das grandes praias solitárias. Ar, ar para sorver com volúpia, e o sol, e o céu azul e a beleza esquecida das pequenas aldeias brancas onde as pessoas são autênticas e simples. (…) Sinto sobre a pele a carícia esquecida do sol, do sol verdadeiro. Há um cheiro indefinível e bom que me encanta. Soube depois que era o cheiro característico do Algarve. O cheiro de amêndoa e de alfarroba, polvilhado pela maresia.(...) Trago comigo, com bagagem opressiva, a minha melancolia. A minha saudade de mim própria. Este não é o mundo que eu sonhava."
António Quadros


-------------------------------------------------------
Texto e imagens retirados do documentário "Mónica ou um Diário Algarvio", (Hotel Penina, 1972), realizado por José Fonseca e Costa, com ideia e argumento de António Quadros.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rita Ferro sobre o pai, António Quadros

"Faria anos neste dia. Foi bom pai, bom avô e amado pela mulher durante 50 anos. No Hospital, na véspera de morrer, levei-lhe um artigo do DN que o consagrava enquanto pensador. «O rosto visível da Filosofia Portuguesa», diziam. «Pai, pai, finalmente a consagração!» Fez-me um gesto alto e cansado, como quem trava: «Não quero saber, ainda estou a tempo» «A tempo de quê, Pai?» «De saber que nada disso interessa, filha»."

Rita Ferro
14 de Julho de 2011

Sampaio Bruno é “porventura o maior filósofo português, pelo menos nos tempos modernos”

"Porto, 14 jul 2011 (Ecclesia) – Sampaio Bruno será o mais importante pensador português contemporâneo e a sua obra devia ser estudada pelos candidatos ao sacerdócio, defende Afonso Rocha, autor de uma obra sobre o filósofo que viveu entre 1857 e 1915.

O estudo ‘Natureza, Razão e Mistério, Para uma leitura comparada de Sampaio (Bruno)’, editado em 2009 pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, vai ser hoje distinguido em Lisboa com a primeira edição do prémio António Quadros, atribuído pela fundação homónima.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o professor de filosofia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica afirma que José Pereira de Sampaio Bruno é “porventura o maior filósofo português, pelo menos nos tempos modernos”.

O volume ajuda a compreender a “tradição filosófica que está antes de Sampaio Bruno e com a qual ele dialogou”, ao mesmo tempo que destaca a receção das ideias do pensador portuense na cultura portuguesa, de que é uma “referência fundamental”.

As cerca de 650 páginas contrariam a tese de que o defensor do republicanismo está na base da fundação da chamada ‘filosofia portuguesa’: “Sampaio Bruno é antes de mais um pensador e filósofo de matriz universal”, assinala Afonso Rocha.

O pensador adicionou o último apelido ao seu nome para evocar o filósofo e frade dominicano italiano Giordano Bruno (1548-1600), que morreu na fogueira depois de a Inquisição o ter declarado culpado de heresia, entre outras acusações.

A relação de Sampaio Bruno com o catolicismo começou na educação cristã recebida na primeira infância, “mas muito cedo, sobretudo por influência dos livros do pai, enveredou por um caminho diferente”, aponta o autor.

“Entre os 20 e 30 anos, depois de uma juventude com demonstrações muito anticlericais, Sampaio Bruno virá a superar o catolicismo, e mesmo o cristianismo”, nomeadamente na sua abordagem ao problema do mal.

Para Bruno, “o mal não é meramente antropológico e moral, mas tem a ver com o divino”, tornando-se “uma verdade segundo a razão mas que está para além dela”, refere o autor, acrescentando que as raízes religiosas do jornalista e político fundam-se no seu conhecimento da Cabala e gnose judaicas.

Afonso Rocha, nascido em 1941, considera que a Faculdade de Teologia devia preocupar-se com o estudo do pensamento de Sampaio Bruno e de outros pensadores que influenciam a cultura portuguesa atual.

“Se a teologia não tem em conta estas conceções, estará a formar futuros padres de uma maneira desenraizada e meramente teórica”, fazendo que fiquem com um “certo handicap [desvantagem] numa evangelização que tenha em conta o real homem português de hoje”, afirma.

O docente sublinha que “a grande razão de ser de uma universidade católica está na Teologia e Filosofia”, que deviam ser “a grande aposta da Igreja Católica” em Portugal, colocando em segundo plano as restantes áreas do saber.

“Na prática, o que se tem privilegiado são as outras ciências”, diz Afonso Rocha, para quem “a Faculdade de Teologia não está devidamente dotada em termos de docentes”.

O prémio não pecuniário que vai ser entregue às 17h00, no Palácio da Independência, destacará anualmente uma temática diferente, indicou Mafalda Ferro, presidente da Fundação António Quadros."

Afonso Rocha em entrevista à Agência Ecclesia aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ao Agostinho da Silva


"Ao Agostinho da Silva, querido Amigo e Mestre de Ser e de Pensar em Portugal-pátria e em Portugal-Universo com um grande abraço o seu dedicado António Quadros, Maio de 1986"

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O novo espaço da Fundação Lusíada

A Fundação Lusíada foi apresentada em Lamego, a 19 de Maio de 1986, na Igreja de Santa Maria de Almacrave. António Quadros foi um dos oradores. O vídeo da apresentação, com imagens inéditas, pode ser visto aqui.

Vale a pena lembrar que A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos, de António Quadros, foi o primeiro livro a ser publicado pela Fundação Lusíada, corria o ano de 1988.